sábado, 23 de dezembro de 2023

E O VERBO SE FEZ CARNE (A MÍSTICA DO NATAL)


A mensagem da luz divina, que se dirige a toda a humanidade e é irradiada para o mundo por volta da época do Natal, a fim de que todos possam percebê-la, é esta: a todos que recebem o Verbo, a Luz, é dado o poder de se tornarem filhos de Deus. Não há chamado mais magnífico e poderoso que possa ser dirigido ao ser humano, pois é uma boa-nova que não admite interpretação dupla. É também esse o chamado que vos transmitimos. Ninguém precisa considerar-se excluído dele, e ninguém pode dizer: “Esse convite não é dirigido a mim”. A todos que recebem o Verbo é dado o poder. É essa promessa ilimitada e absoluta que sempre de novo nos encoraja a repetir, de diversos modos, a mensagem divina para vós.

[...] Esse é o significado das palavras: “a todos que recebem o Verbo é dado o poder de se tornarem filhos de Deus”. Esse receber, esse assimilar, apenas pode-se realizar no ser esvaziado. Somente então o aluno pode “nascer de Deus”. “Nascer de Deus” significa ser tocado pelo espírito do amor, o Espírito Santo, que preenche com seu fulgor o sistema preparado. Nascer de Deus significa a demolição do velho sistema e a edificação do ser original. Nascer de Deus é o Verbo fazer-se carne!

[...] A todos que recebem o Verbo é dado o poder de se tornarem filhos de Deus. Como acontece esse recebimento? Como é concedido esse poder? O prólogo do Evangelho de João não nos deixa na incerteza no que se refere a essas questões:

“[...] aos que creem em seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.

[...] mesmo que Cristo nascesse mil vezes em Belém e não em vós, estaríeis perdidos.



J. van Rijckenborgh e Catharose de Petri



Fonte: do livro "A grande revolução", pp.141-7
Escola Espiritual da Rosacruz Áurea
Tradução de Lectorium Rosicrucianum, 2. ed. – Jarinu, SP, 2011
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/velas-natal-advento-1518932/

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

MEDITAR É O GRANDE CAMINHO PARA A LIBERTAÇÃO


Certamente você já ouviu dizer em algum momento que meditar é um “caminho para a realidade”. É, antes de tudo, o caminho para o nosso próprio ser. Meditando aprendemos a ser. Não para ser algo em particular ou para cumprir uma função específica, mas simplesmente para ser. A melhor maneira de descrever isto é que durante a meditação permanecemos num estado de completa simplicidade. Não estamos agindo. Não estamos tentando desculpar quem somos ou o que somos. Nós somos, simplesmente, e vivemos a partir da profundidade do nosso próprio ser, seguros e firmes na nossa própria base na realidade.

Este é um ideal desconhecido para a maioria de nós porque somos treinados para pensar que só encontramos a verdade na complexidade. No entanto, todos sabemos que num nível mais profundo a verdade só se encontra na simplicidade total, na abertura absoluta. Lembrar a agudeza da nossa visão quando éramos pequenos deveria nos ensinar isso. O que precisamos é da atitude de surpresa da criança, da capacidade da criança de adorar a magnificência da criação.

A grande ilusão em que a maioria de nós está presa é a de que somos o centro do mundo e que tudo e todos giram em torno de nós. Mas ao meditar aprendemos que isso não é verdade. Na realidade é Deus quem está no centro.

Meditar é o grande caminho para a libertação. Nós nos libertamos do nosso passado e nos abrimos para a vida no momento presente. Aprendemos que existimos porque Deus existe e que simplesmente ser é o nosso maior presente.


John Main, OSB, “Compromisso com a Simplicidade”, O Caminho da Meditação: Momento de Cristo, Ed. Convivium Press, 2010.



Transcrição de Carla Cooper



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/medita%C3%A7%C3%A3o-zen-paz-espiritual-7086114/


Nota:
Para mais detalhes ver:
* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

TUDO POSSUI UM DUPLO NA NATUREZA


Todas as coisas possuem o seu duplo na Natureza. Tudo o que fazeis, fazei-lo duplamente. Se ajudardes alguém ou fizerdes mal a alguém, o original dessa ação vai-se, mas deixa a sua marca em vós: um clichê, uma lembrança, uma assinatura. Se foi o bem que fizestes, esse bem seguiu caminho, deixou-vos, mas deixou também um traço em vós, um registo da mesma natureza. E se tiverdes feito o mal, esse mal também vos abandonou, mas deixou um duplo exatamente da mesma natureza, que continua a trabalhar, a demolir e a desagregar.

Vede, por exemplo, o que se passa quando um homem comete um crime. Por que será que ele sempre é perseguido por uma lembrança, um clichê que volta, que não o deixa tranquilo? O crime foi feito, pertence ao passado, não ficaram dele traços visíveis e o criminoso poderia estar tranquilo. Mas o duplo da ação ficou, e é ele que produz essas lembranças, essas imagens de que ele não consegue desembaraçar-se, as recriminações que a sua consciência lhe faz e de que só poderá libertar-se quando tiver reparado o mal que fez.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O CRISTO RECÉM-NASCIDO (A MÍSTICA DO NATAL)


Temos repetido com frequência em nossa literatura, que o sacrifício de Cristo não foi um acontecimento que teve lugar no Gólgota, nem foi consumado de uma vez por todas em poucas horas, mas que os nascimentos e mortes místicas do Redentor são contínuas ocorrências cósmicas.

Concluímos que esse sacrifício é necessário à nossa evolução física e espiritual durante a presente fase do nosso desenvolvimento. Como se aproxima a época do nascimento anual de Cristo, mais uma vez é-nos apresentado um tema para meditação, um tema que nunca envelhece e é sempre novo. Podemos tirar muito proveito refletindo sobre ele e dedicando-lhe uma oração, para que faça nascer em nossos corações uma nova luz que nos guie no caminho da regeneração.

O apóstolo deu-nos uma maravilhosa definição da Divindade quando disse: "Deus é Luz", pelo que a "Luz" tem sido usada para ilustrar a natureza do Divino nos Ensinamentos Rosacruzes, especialmente o mistério da Trindade na Unidade. As Sagradas Escrituras de todos os tempos ensinam claramente que Deus é uno e indivisível. Ao mesmo tempo verificamos que, do mesmo modo que a luz branca una refrata-se nas três cores primárias - vermelho, amarelo e azul - Deus também revela-Se em papel tríplice durante a manifestação pelo exercício de três funções divinas: criação, preservação e dissolução.

Quando Ele exercita o atributo criação, Deus revela-se como Jeová, o Espírito Santo, Ele é o Senhor da lei e da geração, projetando a fertilidade solar indiferentemente através dos satélites lunares de todo planeta em que seja necessário fornecer corpos para seus seres evoluintes.

Quando Ele exercita o atributo preservação, com o propósito de sustentar os corpos gerados por Jeová sob as leis da Natureza, Deus, revela-se como Redentor, Cristo, e irradia os princípios de amor e regeneração diretamente a todo planeta, onde as criaturas de Jeová requeiram essa ajuda para libertarem-se das malhas da morte e do egoísmo, e alcançarem o altruísmo e a vida infinita.

Quando do exercício do divino atributo dissolução, Deus aparece como o Pai. Chama-nos de volta ao lar celestial para assimilarmos os fruto das experiências e do crescimento anímico que acumulamos durante o dia de manifestação. Este Solvente Universal, o raio do Pai, emana então do Invisível Sol Espiritual.

Esses processos divinos de criação e nascimento, preservação e vida, dissolução, morte e retorno ao autor de nosso ser, nós os vemos em toda parte, em tudo o que nos cerca. Então, reconhecemos o fato de que são atividades do Deus Trino em manifestação.

Porventura já nos demos conta de que no mundo espiritual não existem acontecimentos definidos, nem condições estáticas; que o começo e o fim de todas as aventuras, de todas as eras estão presentes no eterno "tempo" e "espaço"? Gradativamente, tudo se cristaliza e torna-se inerte, precisando dissolver-se para dar lugar a outras coisas e outros eventos.

Não há como escapar dessa lei cósmica, que se aplica a tudo no reino do "tempo" e do "espaço", inclusive ao raio Crístico. Como o lago que se derrama no oceano volta a encher-se quando a água que o abandonou evapora-se e a ele retorna em forma de chuva, para tornar novamente a correr incessantemente em direção ao oceano, assim o Espírito do Amor que nasce eternamente do Pai derrama-se incessantemente, dia após dia, hora após hora, no universo solar para libertar-nos do mundo material que nos prende em seus grilhões mortais. Portanto, onda após onda partem do Sol em direção a todos os planetas, o que proporciona um impulso rítmico às criaturas que neles evoluem.

No sentido mais verdadeiro e literal, é um Cristo recém-nascido que saudamos em cada festa natalina, e o Natal é o mais importante acontecimento anual para a humanidade, quer tenhamos consciência disso ou não. Não se trata meramente de comemorar o aniversário de nascimento do nosso amado Irmão Maior, Jesus, mas sim da chegada da rejuvenescente vida-amor do nosso Pai Celestial, por Ele enviada para libertar o mundo do glacial abraço da morte. Sem esta nova infusão de vida e energia divinas, logo pereceríamos fisicamente, frustando o nosso progresso no que tange às atuais linhas de desenvolvimento. Precisamos esforçar-nos por compreender muito bem este ponto, a fim de que possamos aprender a apreciar o Natal da maneira mais profunda possível.

A este respeito, como em muitos outros, podemos aprender uma lição observando nossos filhos ou recordando a nossa própria infância. Como eram fortes nossas expectativas à aproximação dos festejos natalinos! Como ansiosamente esperávamos pela hora de receber os presentes que pensávamos serem deixados pelo Papai Noel, o misterioso benfeitor universal que distribuía os brinquedos! Como nos sentiremos se nossos pais nos dessem apenas as bonecas estragadas e os tamborzinhos já gastos do ano passado? A sensação seria certamente de infelicidade total, além de uma profunda quebra de confiança em tudo, sentimentos que os pais achariam cada vez mais difícil restaurar. Isso nada seria, comparado à calamidade cósmica que se abateria sobre a humanidade, se o nosso Pai Celestial deixasse de enviar como Presente Cósmico de Natal, o Cristo recém-nascido.

O Cristo do ano anterior não nos pode livrar da fome física, como as chuvas daquele ano não podem agora encharcar o solo e desenvolver os milhões de sementes que dormitam na terra, à espera de que as atividades germinadoras da vida do Pai as façam crescer. Assim como o calor do último verão já não nos pode aquecer, o Cristo do ano passado não pode acender de novo em nossos corações as aspirações espirituais que nos impelem para cima em busca de algo mais. O Cristo do ano passado deu-nos seu amor e sua vida sem restrições ou medidas. Quando Ele renasceu na Terra no Natal anterior, Ele impregnou de vida as sementes adormecidas, que cresceram e muito gratamente encheram os nossos celeiros com o pão da vida física. O amor que o Pai Lhe deu, Ele o derramou profusamente sobre nós, e do mesmo modo que a água do rio volta para o céu pela evaporação, assim também Ele eleva-se outra vez ao seio do Pai, após esgotar toda a sua vida e morrer na Páscoa. Mas, o amor divino jorra infinitamente. Como um pai apieda-se de seus filhos, assim também nosso Pai Celeste compadece-se de nós, pois Ele conhece a nossa fragilidade e dependências física e espiritual.

Por conseguinte, esperamos mais uma vez, confiantemente, o nascimento místico do Cristo que virá com renovada vida e renovado amor. O Pai no-Lo envia acudindo à fome física e espiritual que sofreríamos se não tivéssemos d’Ele essa amorosa oferenda anual.



Max Heindel




Fonte: Revista Esotérica Chritian Rosenkreuz, ano 1, nº 3, dez. 2000
Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://fraternidaderosacruz.org.br/
São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/natal-inverno-feriado-2022-6816610/

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

TOTAL PLENITUDE DA VIDA


O místico alemão Silesius, ao refletir sobre a festa do Natal, disse que embora Jesus tenha nascido em Belém, de nada adiantaria se Ele não nascesse em nossos corações. Este é o propósito da meditação cristã (*), que aceitemos a liberdade que foi alcançada através da Encarnação para cada um de nós. Para aceitá-lo, devemos seguir o caminho de Jesus. Devemos reduzir-nos à simples atividade de ser; ser a pessoa que fomos chamados a ser e ser essa pessoa plenamente. Ser quem somos significa aceitar o dom da criação de Deus, aceitar o dom da redenção através de Jesus e aceitar plenamente o dom do Espírito, o Espírito Santo que vive em nossos corações.

Esta aceitação trinitária deve conduzir-nos à total plenitude divina. Devemos nos concentrar e devemos estar focados. Devemos ser reduzidos ao nada para podermos passar e alcançar a plenitude. A festa do Natal é a festa da redução de Deus ao homem, para que possamos entrar na sua divindade.

Nunca perca de vista a praticidade da meditação. A praticidade é que cada um de nós tem uma tarefa precisa e pessoal. Cada um de nós deve aceitar esta prioridade definitiva das nossas vidas e colocá-la em primeiro lugar. Meditar todas as manhãs e todas as noites é fazer isso, é buscar a paz, pelo Amor, pela plenitude da vida, pela plenitude da consciência – a nossa primeira prioridade. Poderíamos ser tentados pela poesia de tudo isso, pela sublime teologia, a admirar à distância. Mas o convite é entrar, é experimentar e poder ver a maravilha do Senhor. A Encarnação tornou o absoluto absolutamente claro e universalmente simples:

"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus fez propiciação pela fé no seu sangue, para manifestar a sua justiça, porque na sua paciência ele havia ignorado os pecados passados, a fim de manifestar a sua justiça neste tempo, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus." (Romanos 3:23-4)

Esta é a fé na qual se baseia a nossa meditação; entre nessa liberdade, aceite este ato de libertação e seja totalmente livre. Supere as limitações, fique quieto e seja um com Deus em sua total harmonia. Este é o propósito da meditação. Este é o caminho, e a hora é agora.


Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal



Nota:
Para mais detalhes ver:

(*) JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

GRANDES RESULTADOS DEPENDEM DO ESFORÇO E DE TEMPO


Nenhum dos vossos esforços se perde; mesmo que, de momento, não sejais bem-sucedidos, tudo o que fizerdes ficará adquirido para mais tarde. Um dia, todos os esforços que efetuastes pedirão ao Céu que lhes conceda a realização, e o Céu concedê-la-á, porque assim o dita a lei.

Os que não compreendem nada destas coisas dizem: «Aquele não fez nada e recebe tudo, enquanto eu, que trabalho, não tenho nada, estou na miséria», e a inveja corrói-os. Na realidade, essa pessoa que lhes parece tão privilegiada já tinha feito esforços no passado. Um gênio como Mozart, por exemplo, já estudara música nas encarnações precedentes, por isso, ainda muito jovem já manifestava dons excecionais.

Não existem grandes resultados se anteriormente não se tiver aprendido e trabalhado. É tudo uma questão de esforço e de tempo. Vendo que sois sinceros e perseverantes, as próprias forças da Natureza virão ajudar-vos, pois elas são fiéis e verídicas.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MEDITAÇÃO E ENERGIA


Uma vez que a meditação tem a ver com receptividade mental, é essencialmente um meio de canalizar energia. Hoje, os cientistas tendem a concordar com o fato de que "tudo é energia" – um aforismo oculto fundamental. A força da vida que mantém em vida toda manifestação é energia; a consciência é a resposta para a energia que infunde o coração e a mente dos homens.

O pensamento claramente direcionado na meditação, com a mente permanecendo firmemente na luz da alma, é um método científico de entrar em contato com esses aspectos superiores da força de vida a que chamamos luz, amor e poder, de interpretá-los corretamente e de direcioná-los, em forma de ideias e planos, em uma atividade específica.

Meditação é uma técnica científica que pode ser confiada para obter resultados, se seguida com cuidado e precisão. Embora as técnicas de meditação possam ser aprendidas, a maneira como as aplicam varia de indivíduo para indivíduo. Cada um deve encontrar o seu próprio caminho, pois a experiência é aquela que permite se tornar especialista no uso correto da mente, alinhar a consciência na energia da alma e aprender a dar uma expressão correta na meditação aos abundantes recursos espirituais disponíveis no serviço.



Alice A. Bailey




Fonte: Lucis Trust
Organização sem fins lucrativos
Promove princípios e valores espirituais
Filosofia esotérica como forma de vida.
Atividades educativas
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NASCIMENTO DO SOL INVENCÍVEL - NATALIS SOLIS INVICTI (A MÍSTICA DO NATAL)


Esta tradição esotérica é confirmada pelos antigos rituais dos Mistérios pagãos, que os Novos Mistérios Cristãos vieram substituir e elevar de grau vibratório. Os historiadores costumam invocar um velho almanaque romano chamado Cronógrafo, do ano 354 d. C., da autoria de Philocalus (autor incerto), também conhecido como Calendário Philocaliano, e que cita o ano 336 como o primeiro em que a Igreja festejou a celebração do Natal em 25 de Dezembro.

Na Igreja armênia o dia 25 de Dezembro nunca foi aceito para data do Natal, mantendo-se a antiga tradição Iniciática de celebrar o dia 6 de Janeiro (Dia de Reis), considerado o «12º Dia sagrado» da tradição mistérica cristã.

De acordo com a autora rosacruciana Corinne Heline, o período de 12 dias que decorre após a festividade solsticial do Natal, entre o dia 26 de Dezembro e o dia 6 de Janeiro é um período de profundo significado esotérico e constitui o «coração espiritual» do ano que vai seguir-se: é o lugar-tempo mais sagrado de cada ano que entra e designa-se por «Os Doze Dias Sagrados» e está sob a influência direta das Doze Hierarquias Zodiacais, que projetam sobre o planeta Terra, sucessivamente e durante cada um desses 12 dias, um modelo de perfeição tal como o mundo será quando a obra conjugada das Doze Hierarquias por fim se completar (Corinne Heline, New Age Bible Interpretation, vol. VII: «Mystery of the Christos», 6h printing., New Age Press, 1988,. pp. 8-19).

Segundo alguns historiadores, estaria na associação de Cristo com o «Sol de Justiça» a escolha do Solstício de Inverno (no hemisfério norte) para celebrar o «nascimento do Sol invencível», Natalis Solis Invicti, um ritual pagão (Saturnália) que festejava, com ritos de alegria e troca de prendas, desde o dia 17 de Dezembro e até ao dia 25, o momento em que o Sol «cresce», ou renasce (no hemisfério norte), após o dia ter atingido a sua duração mais curta (21-22 de Dezembro). Com efeito, nessa data o Sol atinge a sua declinação-Sul máxima, cerca de 23º 26’, estacionando nela durante três dias e retomando o «caminho do Norte» a partir do dia 24 ou 25.

A data de 25 de Dezembro era igualmente o data do nascimento do deus Mithra, dos Mistérios Iranianos. Mithra era designado por «Sol de Justiça» — ou melhor, «Sol de Justeza» —, provavelmente por alguma influência do antigo Egito.

Reza uma antiga lenda que Moisés foi instruído e iniciado na grande Escola de Mistérios de Heliópolis, a cidade sagrada perto de Mênfis a que os Egípcios chamavam On ou Annu. Não surpreende, portanto, que o símbolo solar de Ra, o Esplendor Alado, se tenha mantido na tradição hebraica e nas áreas afins do Médio Oriente, como nos testemunha o profeta Malaquias, ao afirmar que «o Sol de Justeza se erguerá com a salvação nas suas asas (ou nos seus raios)» (Malaquias 3, 20).

Assim, o percurso solar ao longo do ano marca os «passos iniciáticos» do percurso de Cristo e, ao mesmo tempo, marca os pontos fulcrais da liturgia ao longo do ano, em referência às «provas» cíclicas por que tem de passar todo o ser humano na sua via evolutiva:

Quando o Sol em 21 de Dezembro entra em Capricórnio (signo regido por Saturno, daí os Saturnália ), os poderes das trevas de certo modo tomam conta do «Dador da Vida», mas dá-se o renascimento após os três dias de «paragem» (solstício = sol-stitium = sol + sistere, suster, parar), ou seja, o dia 25 marca o término do «ciclo solsticial». A partir do dia 26 de Dezembro inicia-se um segundo ciclo de especial significado iniciático: entre o dia 26 de Dezembro (1º Dia Sagrado) e o dia 6 de Janeiro (12º Dia Sagrado) ocorria a preparação ritual dos catecúmenos que eram batizados no Dia de Reis (Primeira Iniciação). Estes «Doze Dias Sagrados», que acompanham a fase inicial do renascimento do «Sol Invencível», eram como que um resumo do ano zodiacal seguinte, e, tal como já se referiu, estavam sob a proteção das Hierarquias Celestes que tradicionalmente regem os 12 Signos do Zodíaco.



Antônio de Macedo



Fonte: E-Book "A Alquimia Espiritual dos Rosacruzes", pp.59-61
Fraternidade Rosacruz Max Heindel
www.fraternidaderosacruz.org
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/natal-decora%C3%A7%C3%A3o-de-natal-4646421/

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

O SIGNIFICADO CÓSMICO DO NATAL (A MÍSTICA DO NATAL)


Mais uma vez, no decorrer do ano, estamos às vésperas de Natal. A visão de cada um de nós sobre esta festividade difere uma da outra. Para o religioso devoto é um período reverenciado, sagrado e repleto de mistério, não menos sublime por ser incompreendido. Para o ateu é uma tola superstição. Para o puramente intelectual é um enigma, pois está além da razão.

Nas igrejas narra-se a história de como na noite mais santa do ano, Nosso Senhor e Salvador, imaculadamente concebido, nasceu de uma virgem. Nenhuma outra explicação é dada; o assunto é deixado a critério do ouvinte que o aceita ou rejeita, de acordo com o seu temperamento. Se a mente e a razão levam-no a excluir a fé, se ele vê apenas o que pode ser demonstrado aos sentidos, então, é forçado a rejeitar a narrativa como absurda e desarmônica com as várias e imutáveis leis da natureza.

Interpretações diferentes têm sido dadas para satisfazerem a mente, principalmente as de natureza astronômica. Diz-se que na noite de 24 para 25 de dezembro, o Sol começa sua jornada do sul para o norte. Ele é a "Luz do Mundo". O frio e a fome exterminariam inevitavelmente a raça humana se o Sol permanecesse sempre no sul. Por isso, é motivo de grande regozijo quando ele começa sua jornada em direção ao norte, pelo que é então aclamado "Salvador", pois vem "salvar o mundo", vem para dar o "pão da vida" quando amadurece o grão e a uva. Assim, "Ele dá sua vida na cruz (cificação) do equador (no equinócio da primavera) e começa sua ascensão no céu (norte). Na noite em que começa sua jornada em direção ao norte, o signo Virgo, a Virgem Celestial, a "Rainha do Céu", está no horizonte astrologicamente, "seu signo Ascendente". Portanto Ele "nasce de uma virgem", sem intermediários, sendo daí "concebido imaculadamente".

Esta interpretação pode satisfazer a mente quanto à origem da suposta superstição, mas o lamentável vazio que existe no coração de todo cético, esteja ou não ciente do fato, deve permanecer até que a iluminação espiritual seja alcançada, a qual fornecerá uma explicação aceitável tanto ao coração como à mente...

(...) Queremos mostrar como as forças materiais e espirituais fluem e refluem alternadamente no decurso do ano, e por que no Natal é realmente um "dia santo".

Digamos que concordamos com a interpretação astronômica, assim como é verdadeiro o que se segue quando contemplamos o nascimento místico sob outro ângulo. O Sol nasce, ano após ano, na noite mais escura. Os Cristos Salvadores do mundo nascem também quando as trevas espirituais da humanidade são maiores.

Há um terceiro aspecto de suprema importância, isto é, não há nenhuma futilidade nas palavras de Paulo quando ele fala do Cristo sendo "formado em vós". É um fato sublime que todos somos Cristos-em-formação, de modo que quando compreendemos que temos de cultivar o Cristo interno antes que possamos perceber o Cristo externo, mais apressaremos o dia da nossa iluminação espiritual.

Citamos novamente nosso aforismo preferido, de Angelus Silesius, cuja sublime percepção espiritual fê-lo proferir:

"Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém,
Se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida.
Em vão olharás a Cruz do Gólgota,
A menos que dentro de ti, ela seja novamente erguida."

No solstício de verão, em junho (hemisfério norte), a Terra está mais distante do Sol, mas o raio solar atinge-a quase em ângulo reto em relação ao seu eixo no Hemisfério Norte, resultando daí o alto grau de atividade física. Nessa ocasião, as irradiações espirituais do Sol são oblíquas a essa parte da Terra, e são tão fracas como os raios físicos quando são oblíquos. Porém, no solstício de inverno, a Terra está mais perto do Sol. Os raios espirituais caem em ângulos retos na superfície da Terra no Hemisfério Norte, estimulando a espiritualidade, enquanto as atividades físicas diminuem em razão do ângulo oblíquo em que o raio solar atinge a superfície de nosso planeta.

Por este princípio, na noite entre 24 e 25 de dezembro, as atividades físicas estão no seu mais baixo nível e as forças espirituais no seu mais elevado fluxo, por isso, ela é chamada a "noite mais santa do ano". Por sua vez, o pleno verão é a época de divertimento para duendes e entidades semelhantes interessadas no desenvolvimento material do nosso planeta, conforme demonstrado por Shakespeare no seu "Sonho de Uma Noite de Verão".

Se nadarmos quando a maré está mais forte, alcançaremos uma distância maior com menos esforço do que em qualquer outra ocasião. É de grande importância para o estudante esotérico saber e compreender as condições especialmente favoráveis que prevalecem na época do Natal.

Sigamos a exortação de Paulo, Cap. 12, aos Hebreus, atirando à distância toda carga embaraçante, como fazem os indivíduos que correm numa competição. Batamos no ferro enquanto ele está quente. Isso significa que devemos nessa época do ano concentrar todas as nossas energias em esforços espirituais para colher o que não conseguiríamos obter em nenhuma outra ocasião.

Lembremo-nos também que o aperfeiçoamento próprio não deve ser a nossa única consideração. Somos discípulos de Cristo. Se aspiramos ser distinguidos, lembremo-nos do que Ele disse: "Aquele que quiser ser o maior entre vós, seja o servo de todos". Existe muita aflição e sofrimento à nossa volta; há muitos corações solitários e doloridos em nosso círculo de conhecidos. Busquemo-los de maneira discreta. Em nenhuma outra época do ano serão mais sensíveis aos nossos desvelos. Espalhemos a luz do Sol em seus caminhos. Desse modo ganharemos suas bênçãos e também as dos nossos Irmãos Maiores. Por sua vez, as vibrações resultantes promoverão um crescimento espiritual impossível de ser atingido por qualquer outro modo.



Max Heindel




Fonte: Revista Esotérica Chritian Rosenkreuz, ano 1, nº 3, dez. 2000
Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://fraternidaderosacruz.org.br/
São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/natal-papai-noel-rena-neve-inverno-7658297/

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

SIMBOLISMO DO NATAL - SUA ORIGEM HISTÓRICA E ESOTÉRICA (A MÍSTICA DO NATAL)


O dia em que atualmente festejamos o Natal, ou seja, 25 de dezembro, era dedicado a festa em homenagem ao nascimento do Deus Mitra, cuja história, juntamente com a de Apolônio de Tiana, serviu de base para compor a história da vida de Jesus. Do mesmo modo, todos os rituais e as práticas sacerdotais adotadas pela igreja romana têm origem no culto mitraico, predominante nos primórdios do cristianismo católico, e para “aproveitar a popularidade de Mitra” a igreja romana também adotou a data do nascimento de Mitra para o nascimento de Jesus, fazendo-o nascer no mesmo dia em que teria nascido Mitra, daí que nosso Natal é uma continuação das festas em homenagem a Mitra e que tem, de quebra, os costumes praticados pelos romanos na realização das Saturnálias, festa em homenagem a Saturno, quando se davam presentes entre si e as pessoas gozavam até mesmo de uma liberdade licenciosa, tanto para comer como se dar aos prazeres da carne (como acontece agora!).

Entre os dias 17 e 23 de Dezembro os Romanos celebravam o "Festival da Saturnália" em honra do deus Saturno. Nos dois últimos dias trocavam presentes em honra desse Deus. Já em 25 de Dezembro acontecia a celebração do nascimento do Sol Invencível (Natalis Solis Invicti). Posteriormente, à medida que as tradições romanas iam sendo suplantadas pelas tradições orientais importadas, os maiores festejos realizavam-se em honra do deus Mitra, cujo nascimento se comemorava a 25 de Dezembro. O culto de Mitra - que se tornou difundido como o deus da luta e o protetor dos soldados - penetrou em Roma no 1º século a.C. e esta data entrou no calendário civil romano no ano de 274 da Era cristã, quando o Imperador Aureliano declarou aquele dia o maior feriado em Roma, comparável ao nosso carnaval. Os adeptos do mitraísmo costumavam se reunir na noite de 24 para 25 de dezembro, a mais longa e mais fria do ano, onde ficavam fazendo oferendas e preces pela volta da luz e do calor do Sol.

Falar sobre o nosso Natal é impossível sem conhecer um pouco da história de Mitra. Seu culto data de 4.000 anos antes de Cristo. Mitra teria nascido de uma virgem no dia 25 de dezembro e foi colocado numa manjedoura e pastores humildes que assistiram ao evento, foram os primeiros que o adoraram. Celebrou uma Santa Ceia, junto com 12 discípulos, antes de voltar para a casa do Pai. Ascendeu ao Céu de onde prometeu voltar no fim dos tempos para o Juízo Final. Garantiu a vida eterna a quem se purificasse mediante o batismo.

Era tido como o Logos (O Verbo, a Palavra) embora fosse considerado um anjo inferior ao Ser Supremo (Ormuzd), mas superior ao deus Sol físico. Durante o período védico do hinduísmo Mitra (associado à Varuna) era o deus da criação, da ordem universal e da amizade. Mitra era onissapiente, inimigo da escuridão e do mal, deus das vitórias militares e protetor dos justos. Agia como mediador entre a humanidade e o Ser Supremo. Encarnou para viver entre os homens e enfim morreu para que todos fossem salvos. Os fiéis comemoravam a sua ressurreição durante cerimônias onde eram proferidas as palavras: "Aquele que não comer o meu corpo e beber o meu sangue, de forma que ele seja em mim e eu nele, não será salvo".

Mitra era um deus do bem, criador da luz (por isso mesmo era associado ao Sol), em luta permanente contra a divindade obscura do mal. Seu culto estava associado à crença na existência futura absolutamente espiritual e libertada da matéria. Como protetor dos justos agia como mediador entre a humanidade e o Ser Supremo.

O líder do culto Mitraico era chamado de Papa e governava de um "mithraeum" na Colina Vaticano, em Roma; uma característica iconográfica proeminente no Mitraísmo era uma grande chave, necessária para destrancar os portões celestiais pelo qual se acreditava passar as almas dos defuntos. Os Mitraístas consumiam uma comida sagrada (Myazda) que era composta de pão e vinho.

Existiam, nos Mistérios Mitraicos sete níveis de iniciação, cada um coligado a um planeta: Corax (Mercúrio), Nymphus (Vênus), Miles (Marte), Leo (Júpiter), Perses (Lua), Heliodromos (Sol) e, enfim, Padre (Saturno). Assim como entre os Essênios, os iniciados de grau inferior (os aprendizes: Corax e Nymphus) tinham que servir os iniciados de nível superior: os companheiros (Miles e Leo), os mestres (Perses e Heliódromos) e o venerando Papa.

O culto de Mitra era uma religião cheia de mistérios e simbolismo; as mulheres ficavam excluídas das formas exteriores e regulares da liturgia. Muitos elementos de sua organização lembram os da moderna Maçonaria. Os templos subterrâneos reproduziam o firmamento enquanto a arte mitraísta insistia na representação de corpos celestes (o zodíaco, os planetas, o sol, a lua e as estrelas), também da serpente, do cão, do corvo, do escorpião (todas as constelações do hemisfério boreal) e da árvore. Sempre foi uma religião privada que jamais recebeu verbas públicas, sendo os templos de Mitra singelos e despidos daquela ostentação que caracterizava as basílicas paleo-cristãs. Primou por uma grande tolerância em relação aos outros credos.

A história de Mitra principia com o Demiurgo (Ahriman) oprimindo a humanidade. Apiedado, Mitra encarna no dia 25 de dezembro, data que na antiguidade correspondia ao Solstício de inverno (ou seja, quando o Sol nasce para o hemisfério norte do planeta). Teria nascido de uma rocha e prega numa caverna (também Jesus veio ao mundo numa gruta), porém, segundo a mitologia persa, Mitra fora gerado por uma virgem denominada "Mãe de Deus". Durante sua vida terrena Mitra se manteve casto, pregou a fraternidade universal e operou inúmeros milagres. O acontecimento mais marcante de sua vida foi a luta simbólica que travou contra o Touro sagrado (os costumes maléficos adquiridos pela humanidade durante a Era de Touro) que ele derrotou e sacrificou em prol da humanidade da Nova Era. Sua vitória tinha o dúplice significado de vitória sobre o mundo terreno e de auto-sacrifício da divindade a fim de redimir o gênero humano de seus pecados.

O apologista cristão Tertuliano afirma que os sequazes de Mitra eram batizados com borrifos de sangue de Touro ou de carneiro e, finalmente, purificados com água. Por causa disso, no sétimo século, a Igreja católica tentou, sem êxito, suprimir a representação de Cristo como Cordeiro de Deus, justamente por ser esta uma imagem de origem pagã e estar associada ao símbolo da Era de Áries (que tinha como Avatar Mitra, vencedor do Touro, ou seja, os costumes da Era de Touro que precisavam ser banidos para a manifestação da Nova Dispensação, ou seja, os ensinamentos da Era de Áries).

São Justino Mártir atesta que existia uma eucaristia de Mitra onde os fiéis compartilhavam pequenos pães redondos e água consagrada simbolizando, respectivamente, a carne e o sangue do deus encarnado. Este ritual, que ocorria aos domingos (dia da semana consagrado ao Sol), era chamado Myazda e correspondia exatamente à Missa dos cristãos.

Mitra não morria fisicamente, mas apenas simbolicamente e, como divindade solar, ressuscitava todo ano. Cumprida a missão terrena, ele jantava pela derradeira vez com seus discípulos e subia ao Céu. Seus adeptos tinham que jejuar frequentemente e, após terem recebido um sinal na testa passavam a ser chamados "Soldados de Mitra".

No início do IV século o imperador Constantino apoiou as religiões emergentes: o cristianismo e os cultos solares, ou seja, o de Apolo (popular entre os Celtas) e o de Mitra, extremamente difuso na parte Ocidental do Império onde, ao contrário, os cristãos ainda eram minoria. De nenhuma forma Constantino pode ser considerado um soberano cristão, pois, como os demais imperadores romanos jamais renunciou ao título de Pontifex Maximus. Além disso, privilegiou os pagãos nos cargos administrativos e a Casa da Moeda romana continuou a cunhar moedas mostrando símbolos pagãos.

O mitraísmo sumiu oficialmente em 377 d.C., data em que o imperador cristão Teodósio proibiu todas as religiões diferentes do cristianismo. Pequenos grupos de adeptos continuaram a praticar, secretamente, o culto a Mitra até o século V, quando os bispos desencadearam ásperas perseguições contra os cultos solares.

Surpreendentemente a própria Igreja cristã incorporou boa parte das práticas mitraístas como a liturgia do Batismo, da Crisma, da Eucaristia, da Páscoa e a utilização do incenso, das velas, dos sinos etc. Até as vestimentas usadas pelo clero católico são extremamente parecidas com as dos sacerdotes de Mitra, como a mitra usada pelo Papa e a tiara, barretes usados pelos antigos persas.

Santo Agostinho chegou a admitir algum tipo de fusão entre as duas religiões quando reconheceu que os sacerdotes de Mitra adoravam o mesmo Deus em que ele acreditava. Em outras palavras, para ele, Mitra e Jesus era a mesma pessoa!

O culto a Mitra tornou-se muito popular no Império Romano e, para contê-lo, a Igreja adotou sua data sagrada, o dia de Mitra - 25 de dezembro como o nascimento de Jesus estabelecendo, assim, o Natal que hoje festejamos nesta data. Estava estabelecido o Natal. Depois, no Concílio de Toledo, em 447, a Igreja publicou a primeira descrição oficial do diabo, a encarnação do mal: um ser imenso e escuro, com chifres na cabeça. Como Mitra.

Mitra era o sol espiritual que se encontra além da esfera das estrelas fixas. Portanto seria a força cósmica capaz de governar o ciclo das estações: a eterna sequência de outonos-primaveras, de luz-escuridão, na espera da vitória final da Luz sobre as trevas, da Vida sobre a morte.

Embora a maioria dos cristãos desconheça o fato em si, a história da vida de Jesus também está associada ao Solis Invictus (Sol Invicto, não vencido) que nasce no hemisfério norte no dia em que o Sol físico desponta no hemisfério norte (daí a missa do Galo, que canta quando o Sol nasce) e as peripécias de sua vida estão intimamente associadas ao percurso que este faz durante o ano pelo zodíaco, como veremos a seguir.

Durante os 3 meses do inverno, Jesus (o Sol recém-nascido) precisa ser protegido para fugir das forças descontroladas ainda reinantes no planeta, que tudo parecem destruir, principalmente a vida nascente (esta situação é representada por Herodes, simbolizando o frio do inverno, que matava todas as crianças nascidas durante este período).

Em seguida vêm os 3 meses da primavera. Durante este período, a jornada do Sol pelo zodíaco, espalha os benefícios de sua energia, como símbolo da vida e satura tudo e todas as coisas com a beleza e a música da vida espiritual. Depois, os 3 meses de verão, quando se desenvolvem as formas já existentes, que então se preparam para dar os frutos dessa energia vivificante e vivificadora que são os raios do sol. Estas duas estações do ano são representadas pela fuga para o Egito (lugar de calor), onde a criança se desenvolve até que volta para Jerusalém, depois da morte de Herodes, ou seja, do frio. Este período é o do crescimento e maturação das lavouras, quando tudo é preparado para a colheita, que ocorre quando então, vem o outono, e a energia solar começa a se enfraquecer e os frutos amadurecidos pela energia solar, ainda existentes, serão menores, porém mais doces. Esta época é representada pelos 3 anos de apostolado de Jesus que termina quando ele é abandonado por seus apóstolos (fim do outono) e morre com a chegada do Inverno (os 3 dias na sepultura representam os 3 meses do inverno) para refazer, posteriormente, o mesmo ciclo cada ano, sempre por amor àqueles que são seus filhos amados, ou seja, a humanidade.

Assim procede o Sol, intitulado pelos Rosa-cruzes como Chrestos-Solar, quando se referem àquela vida que representa o Sol Espiritual, o mesmo Mitra antes mencionado, cuja história a Igreja Católica usurpou para fundar uma religião onde o verdadeiro cristianismo foi esquecido, ou seja, o cristianismo dos primeiros cristãos, que nunca admitiram a pompa e as festas das outras religiões por não serem condizentes com os princípios de pureza que defendiam.

(Nota: Os verdadeiros cristãos foram levados aos leões das arenas romanas pela própria igreja que precisava agradar a Constantino, seu protetor e defensor por causa de seus objetivos políticos e eliminar os defensores da vida verdadeiramente cristã vivenciada pelos adeptos do cristianismo puro, os antigos gnósticos).

Somente no ano 337 d.C. foi que o Papa Julio I, promulgou oficialmente o dia 25 de dezembro como sendo o dia de nascimento de Jesus e para justificar essa atitude do Papa, S. João Crisóstomo explicava assim o porquê da escolha da data: “Em Roma, este dia acaba de ser escolhido como o do nascimento de Cristo a fim de que os Cristãos possam celebrar seus próprios ritos sem serem molestados pelos pagãos, já que esses estão ocupados com suas cerimônias (as Saturnálias).

A Doutrina atribuída a Jesus era a mesma ensinada por Mitra e também propunha o desapego às glórias do mundo, a simplicidade, a humildade, o perdão às ofensas e o amor fraterno e isto causou profundo efeito nas almas que ansiavam e aspiravam pelo reino de Deus. Esta doutrina revelava ainda que esse Reino está dentro de todos nós, acendendo esperanças entre a classe humilde, o que impressionava os poderosos da época pela sinceridade de seus seguidores.

Para melhor compreensão do que estamos informando, vamos enumerar algumas semelhanças, principalmente entre a conhecida história da Vida de Jesus, a de Krisna, Avatar da Era de Touro, que teria vivido mais ou menos 4 mil anos antes de Jesus e de alguns outros Deuses Solares, tais como Tammuz, Filho da Virgem Ishtar; Buda, filho de Maya; Adonis, filho da Virgem Myrra etc.:

1. Todos estes fundadores das grandes religiões do passado teriam nascido de uma mãe virgem, no caso de Jesus, Maria (que teve outros filhos depois do primogênito e no caso de Krishna, Devaki, virgem imaculada que, entretanto, havia dado à luz 8 filhos antes de Krishna.

2. O nascimento desses avatares sempre ocorre num estábulo, gruta ou caverna ou câmara subterrânea, sempre entre animais.

3. A data de nascimento da criança ocorre no dia 25 de dezembro, justamente quando acontece o solstício de inverno no hemisfério norte do planeta.

4. A Estrela do Oriente e a chegada dos Magos (no caso do Cristianismo chamados os 3 reis magos).

5. O massacre de inocentes por Herodes, no caso de Jesus e por Kanza, tio de Krishna e tirano de Mathurâ, quando nos referimos a consequente fuga para um país distante, sempre um lugar quente, conforme se diz de Krishna, Jesus e outros Deuses-Sóis. Entre os judeus é o Faraó, que avisado pelos Magos de sua corte de que nesta data nascerá um poderoso mago que o vencerá, manda matar todas as crianças nascidas no reino durante este mês.

6. A quaresma ou a chegada da primavera, com a consequente Páscoa, para celebrar a passagem ou cruzamento do Sol pelo Equador em dezembro.

7. A Transfiguração de Jesus e de Krishna.

8. A lavagem dos pés dos apóstolos por Jesus e dos Bramanes por Krishna e os vários milagres que praticaram.

9. A pregação e a revelação dos segredos do santuário.

10. A morte de Jesus numa cruz (madeira) e de Krishna amarrado e flechado numa árvore (Nota: Como a imagem de Krishna era muito adorada na Índia, a Igreja católica fez dele um santo e batizou-o com o nome de S. Sebastião que, como S. Jorge e S. Cristovão, há alguns anos atrás foram “destronados” pelo Papa por não terem raízes reais para comprovar suas existências).

11. A ressurreição (nos casos de Osíris, Attis e Jesus).

12. Os 12 discípulos.

13. O Discurso do Eu Sou de Jesus e de Krishna.

Acrescentemos ao que está acima as seguintes coincidências:

Mâya, a mãe de Buda, a “Mãe das formas” e da “Pura Luz”, assimilável ao próprio espírito, enquanto repousava, viu em sonho a budeidade penetrá-la sob o aspecto de um elefante branco. Essa alegoria pode ser comparada com a versão cristã da Visitação de Maria, pelo Arcanjo Gabriel, e também com a “visita” feita à mãe de Alexandre, o Grande, por Zeus (A Luz Divina) sob a forma de uma Serpente, e sua fecundação simbólica.

Por esta similaridade, não podemos deixar de considerar a transcendência da Bíblia e dos Evangelhos em seu aspecto esotérico e a riqueza e a importância de suas narrativas simbólicas, sempre capazes de proporcionar ensinamentos àqueles que os compulsam, seja qual for o grau de evolução em que se encontre o estudante.

Todo o processo acima relatado sempre foi relacionado aos Deuses-Solares da Antiguidade (Osíris, Apolo, Adônis, Mitra etc.) e está incorporado ao Evangelho como sendo “a vida de Jesus”, que teria nascido de uma Virgem, fecundada por Deus Pai, o Criador de tudo e de todas as Coisas (da mesma forma que Mitra).

Para adaptar um pouco mais a história acima à realidade, há hoje uma opinião mais aceita de que o nascimento de Jesus teria sido na primavera (se fosse no Inverno os pastores não estariam à noite pastoreando suas ovelhas, pois morreriam gelados).

A fuga para o Egito (Terra de Verão-calor-Vida), representa os meses do verão e está relacionada ao seu crescimento físico e espiritual, o que ocorre no outono, quando torna-se um iniciado para depois dar seus frutos (A pregação dos Evangelhos).

Depois, como todos os grandes Avatares e nisso incluímos Osíris, Hiram Abiff e outros, é atraiçoado por um dos seus Seguidores (O signo de Escorpião - outubro/Novembro), exatamente quando começa a fazer frio no Hemisfério Norte e que Leonardo Da Vinci reserva para representar Judas Iscariotes em sua famosa “A Ceia”) sendo posteriormente morto (quando chega o Inverno), representado pelos 3 dias que Jesus passa na tumba, até que chega novamente a Primavera.

O Natal que a Cristandade festeja está, em verdade, relacionado com o nascimento do Sol no hemisfério norte e podemos compreendê-lo perfeitamente se relacionarmos as figuras e passagens do Evangelho com os componentes do Sistema Solar, os signos do Zodíaco e as Constelações, onde não falta nem mesmo a Cruz. Senão vejamos:

Em primeiro Lugar vejamos o simbolismo do Natal:

Jesus nasce num estábulo entre animais. Sempre representamos este acontecimento com o costume de colocar o menino-Deus-Sol numa manjedoura (lugar onde os animais comem) forrada de palha, fazendo com que a palha em que repousa se pareça com os raios de sol refulgindo. Os animais presentes são o asno, o boi e o carneiro. Na Constelação de Câncer existem duas estrelas denominadas Asellus Australis e Asellus Borealis que significa Pequeno Asno do Sul e Pequeno Asno do Norte e entre as mesmas existe um pequeno aglomerado de estrelas denominado Presepe (Coordenadas aproximadas = 23°N). O Boi e o Carneiro que completam o Presépio são figurações dos Signos de Touro e Áries que precedem o Signo de Peixes. A Estrela dos 3 Reis Magos corresponde a uma conjunção celeste muito rara, entretanto visível a olho nu, que permite ver Júpiter (A Lei, a Justiça, a Religião) e Saturno (O Pai na Terra, o educador ou disciplinador) confundirem-se no momento em que Júpiter eclipsa Saturno, enquanto o Sol, a criança que nasce a 90°, entra em Câncer (a Casa astrológica que corresponde ao Lar, a Família e também ao peito, onde o Cristo mora no homem).

Se recuarmos 9 signos (ou nove meses) veremos que o Sol encontra-se então no Signo de Virgem a Mãe de todos nós, o 3° Aspecto da Trindade, a Natureza, Akasha, a matéria negra do qual tudo emana e para o qual tudo volta.

Prosseguindo o estudo da Marcha do Sol pelo Zodíaco até a morte e à crucificação, apontando a Via-Láctea como o Rio Jordão, o Batismo quando o Sol entra em Aquário, signo em que a Água Lustral é derramada, a entrada em Peixes, signo duplo em que Jesus encontra os dois irmãos pescadores, Simão e André e, na mesma longitude a Constelação da Barca, indicando a pesca milagrosa.

O tema dos 3 Reis Magos pode ser abordado astronômica e esotericamente com a presença das 3 estrelas do cinturão de Órion (Algjebbah, Alnilan e Alnitak) que se elevam do Oriente para o Ocidente até o ponto em que veem a estrela Arcturus (da Constelação do Boieiro; 30 vezes maior do que o nosso Sol) brilhar sobre o aglomerado estrelar acima mencionado, denominado Presepe.

Dentro do simbolismo cristão Arcturus, com seu brilho fulgurante dentro da noite da ignorância humana, representa a Estrela que indica, aos Três Reis Magos, onde adorar o Cristo recém-nascido no Presepe, entre os animais domésticos de nossa natureza inferior que deverá ser purificada com a vinda da Luz Redentora à face da Terra.

As dádivas que os Magos levam são, em si, outros símbolos destinados ao ensinamento dos buscadores da verdade que já estão despertos para as realidades do espírito.

Poderíamos perguntar: Que melhores oferendas poderiam ser dadas à tenra consciência Crística, que aquelas provindas dos princípios mais Superiores da nossa própria Realidade Espiritual?

Os 3 Reis Magos representam macrocosmicamente os 3 planos superiores da Egoidade Divina (Planos Adi, Anupadaka e Atma) e microcosmicamente, a ressonância das energias no Ser humano que denominamos Pingala, ou Conduto Solar (a matéria branca da Alquimia) e Idâ, ou conduto lunar (a matéria negra da Alquimia) e Shushumna, o conduto central (a matéria vermelha da Alquimia), onde tudo é reunido e levado ao ventrículo esquerdo do coração, onde mora o Cristo-criança no ser humano.

Analisando os presentes dos 3 Reis Magos sob o ponto de vista esotérico verificamos que os presentes trazidos pelos mesmos significam:

O ouro simboliza o Poder, a realeza oriunda da Sabedoria Divina, que é conquistada pela transmutação dos metais impuros de nossa natureza humana. Significa, no plano de onde provém (Baltazar é o Pai da Trindade Celestial) o atributo da Vontade sem a qual nada se pode fazer. Em alquimia ele é o enxofre e está relacionado à fase do trabalho alquímico chamada “Ressurreição”.

O incenso trazido por Melchior é o elemento volátil ou o mercúrio. Representa, em linguagem alquímica, o Amor Divino, que deve preceder a toda obra de Magia Branca. É o perfume real que alimenta com o néctar da vida os poderes subutilizados da Alma. Ele representa o atributo essencial do Cristo recém-nascido e o esteio para a obra do verdadeiro alquimista chegar à etapa que, no trabalho alquímico é chamada de “Rubificação”.

Quanto a mirra, ela tem um campo bem reduzido de aplicações. Geralmente é utilizada em forma de pó, aplicado sobre úlceras cancerosas e em defumadores para desinfetar habitações onde exista um enfermo. Mas o seu significado oculto, como o presente do Rei Gaspar ao Cristo-criança está relacionado a Terceira Pessoa da Trindade.

Os 3 Reis Magos representam esotericamente os três atributos da Trindade e figuram, para o estudante da Sabedoria Antiga, essa Trindade e Seus Atributos.

Notemos, porém, que Gaspar tem uma singularidade em relação aos dois outros que não pode ser descuidada, ou seja, sua cor negra, que é a cor das Deusas Ísis e Devaki, ou seja, a Divina Mãe tanto para os egípcios como para os Hindus, que é também a cor de N. S. Aparecida no Brasil, N. S. de Montserrat, N.S. de Chartres, N.S. de Baieux, N.S. de Amiens, N.S. de Caen e a representação da Virgem, ou 3° Aspecto da Trindade, A Mãe Divina ou Mãe do Mundo das várias religiões pagãs que precederam o Cristianismo e que, não coincidentemente, mais propositadamente é a cor do Tattwa Akasha, do qual tudo nasce e para o qual tudo volta após cumprir seu objetivo.

Hoje, a ciência ortodoxa comprova a sabedoria deste símbolo representativo da Divina Mãe, ao encontrar, sem compreender seu significado espiritual, a matéria negra que envolve todo o Universo atualmente conhecido, do qual tudo que existe emana, ou seja, parece encontrar sua substância primordial. Blavatsky chamava esta substância negra de Prakriti. O domínio sobre esta substância é a busca de todo Mago e a base do Alquimista para a conquista da Pedra Filosofal. Este domínio representa o presente de Gaspar, o 3° da Trindade, ao Cristo Criança recém-nascido.

Em Alquimia a cor preta é chamada a fase da “Putrefação” e está relacionada com o sal.

Agora, pensando em termos poéticos, que maior dádiva poderia ser ofertado ao Redentor dos homens senão o domínio sobre a matéria, que representa a libertação da amargura do sofrimento humano?

Que melhores oferendas poderiam ser dadas à tenra consciência Crística que desperta, senão o ouro puríssimo simbolizando a transmutação dos metais impuros de nossa humana natureza?

Não é este, em verdade, o Cristo que sentimos, o Cristo que desejamos, o Cristo que amamos e que devemos realizar?...

Que outro símbolo mais elevado poderia corresponder à nossa consciência espiritual que acorda (desperta) senão o de uma criança recém-nascida na palhoça modestíssima da personalidade humana?

Concluímos o presente trabalho afirmando que a fé Cristã tem permitido, apesar do dogma e da doutrina, apesar das distorções do teólogo acadêmico e das imposições de alguns clérigos ignorantes, a compreensão da união de Deus ao homem, fundidos no Cristo, apresentando a verdade que “todo ser humano também pode experimentar a Divindade”.

Esta verdade vital, dramática, apresentada misticamente, mas sempre viva em cada ser humano, quando captada pela mente e compreendida pelo coração capacitará, a qualquer verdadeiro aspirante aos Mistérios Cristãos, a transpor os umbrais do novo Nascimento para a Luz, caminhando, de maneira crescente, nessa mesma Luz, a partir do momento que a entenda, porque “...a senda dos justos é como a Luz da aurora, que brilha mais e mais, até que o dia seja perfeito”.


Nota explicativa:
MIRRA - De acordo com a mitologia antiga, esta resina foi produzida pelas lágrimas da deusa Mirra, que se uniu incestuosamente com seu pai e concebeu o gentil Adonis, o Chrestos (Cristo) Solar dos Antigos, adorado na Grécia e em vários países do mundo antigo e na própria Roma, até meados do ano 300, onde o culto de Adonis-Mitra era muito mais popular do que o Cristianismo, que por sua essência (humildade, caridade, amor ao próximo, desapego aos valores materiais) não conseguia conquistar as elites governantes. Somente com a imposição promulgada por Constantino, que necessitava das massas para impor seu domínio, é que o Cristianismo triunfou, assimilando a maioria dos rituais mitraicos e substituindo os deuses vigentes na época pelos santos que a Igreja Católica promulgou.



Jayr Rosa de Miranda (Panyatara)



Fonte: "Revelando os Mistérios do Oculto"
http://revelandoosmisteriosdooculto.blogspot.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/papel-de-parede-papai-noel-rudolph-4711725/

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

AS BÊNÇÃO DO NATAL


Ainda pairam sob os céus sombreados de expectativas dolorosas da criatura humana os estupores inexoráveis das possibilidades da guerra de extermínio total, em face da alienação que se apossa de homens e governos arbitrários, em ludíbrio dos lídimos valores da existência, na sua desventurada volúpia de dominação equivocada.

Não saturado das inditosas jornadas bélicas, em que os povos se levantaram nas cidades em escombros, assinalados por inomináveis anarquias, e a orfandade defluente das lutas se transformou em homens cépticos e desiludidos, insta-se, na Terra, pela vigência dos estados alucinatórios de indivíduos e grupos, que avançam, galopantes, sobre o corcel do prazer e do pavor, com que escravizam e a que se submetem inermes.

As ambições de um dia, não obstante passem, deixando cinzas e aflições, fascinam as mentes desarvoradas que assomam, de quando em quando, em toda parte, gerando as dores superlativas que são obrigadas a carpir, posteriormente, graças às inderrogáveis leis da Soberana Justiça.

Fadado ao bem e atraído pela beleza, o homem não se conscientizou, por enquanto, do nobre fanal do amanhã, atado aos liames do atavismo das injunções anteriores donde procede...

O poder da força constitui-lhe recurso soberano para a aquisição de uma felicidade que se converte em taça de veneno que sorve, em inominável desesperação...

As suas conquistas, que impulsionam o progresso tecnológico e poderiam fomentar as legítimas aspirações dos ideais superiores, são convertidas em armas de destruição, em vãs tentativas de domínio sobre os outros, em razão da momentânea impossibilidade de dominar-se a si mesmo, sem dúvida tarefa mais grave e mais difícil.

Em tal empresa não se dá conta que o triunfador, não raro tomba sobre o vencido, com ele sucumbido e passando na voragem devoradora do tempo...

Para modificar, porém, a arcaica estrutura do homem-fera, tornando-o criatura-anjo, veio Jesus. Revolucionário do amor, viveu a apoteose da renúncia e do auto-encontro, com que logrou encontrar todas as criaturas.

Não obstante o abutre da dominação romana que sobrevoava o cadáver das civilizações e povos vencidos, Ele instituiu o código dos direitos humanos, já insculpido nas consciências pela determinação divina, em vibrante apelo pela paz de todos.

Utilizando-se do cenário da Natureza, compôs a mais comovedora sinfonia de esperança, e, na cátedra natural de um monte, apresentou a regra áurea para a Humanidade, através dos robustos e desafiadores conceitos insertos nas bem-aventuranças...

Dignificou um estábulo e sublimou uma Cruz...

Exaltou um grão pequenino de mostarda e repudiou a hipocrisia dourada dos poderosos em trânsito para o túmulo, quanto a pusilanimidade bafiosa, embora disfarçada dos corifeus da ilusão mentirosa...

Conviveu com a ralé, e, trabalhando-a, logrou fazer heróis e santos, servidores incansáveis e ases da abnegação...

Sua palavra, seus feitos, seus silêncios estoicos dividiram os tempos e os fastos da História.

Colocou-se fora dos tempos, num tempo permanente, sem ontem, num momentoso hoje-amanhã...

Quase vinte séculos se passaram depois d'Ele, e, no entanto, tão próxima destes dias está a Sua vida!

As circunstâncias eram, então, quase as mesmas. Afinal, o homem tem sido o explorador doutro homem, o mais fraco, aquele que lhe tomba à frente...

Eis porque as bênçãos do Natal de ontem são convite vigoroso para que te deixes penetrar pela Sua mensagem nestes dias difíceis, permitindo que Ele volte a nascer nas províncias da tua alma.

O Natal é a história do maior amor que jamais esteve na Terra. Recordá-lo significa impregnar-te do seu conteúdo feliz e ungir-te de abnegação e esforço, de modo a modificares as ásperas situações da atualidade, iniciando esse mister no imo e ampliando-o na direção dos sofredores que espiam a tua abundância com olhos enevoados pela cortina das lágrimas e pelos pesados crepes da dor.

Face ao dia em que Jesus nasceu e acenou com as possibilidades de um homem novo e de um mundo melhor, celebra a tua comunhão com a concórdia e a fraternidade, fazendo a outrem o que gostarias que ele te fizesse neste Natal.



Divaldo P. Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Rumos Libertadores"
Livraria Espírita "Alvorada" - Editora, Salvador/BA, 1978
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/estrela-advento-natal-6803666/


Notas:
Estupor - feiura/mau aspecto
Inexorável - inabalável
Ludíbrio - engano
Lidimo - autêntico
Volúpia - luxúria
Inditoso - infeliz
Defluente - decorrente, consequente
Corcel - ágil (cavalo)
Inerme - indefeso, inofensivo
Assomar - aparecer, mostrar
Atavismo - herança
Injunção - exigência
Inserto - inserido
Pusilanimidade - falta de coragem
Bafioso - exagerado
Corifeu - destaque
Estoico - fiel, firme
Fastos - ostentação, luxo
Imo - âmago
Crepe - tecido