sexta-feira, 28 de junho de 2013

O PODER DA IDEOLOGIA: UM DECRETO POLÍTICO QUE MUDOU A HISTÓRIA


O mundo tem demonstrado, através dos tempos, uma necessidade de criação de mitos relacionados a temas religiosos, dentre outros. A sociedade, praticamente sem se interrogar e questionar sobre a significação dos seus mitos, absorve signos, símbolos e estereótipos durante toda a vida.

Há casos de mitos que existem sem que possamos ter noção de sua origem, são atemporais, pois sua formação não é intencional, ou seja, nunca houve uma intenção inicial de criá-los, sendo assim, a sociedade, o tempo e o inconsciente coletivo os responsáveis pelo processo natural e gradativo da criação. Entretanto, há casos de mitos programados antecipadamente. É a mitificação artificial de coisas e pessoas com finalidades de conquistar a sociedade para interesses econômicos, políticos, sociais e religiosos.

Mas, o que é um mito? Muitas definições são encontradas. Porém, algumas são coincidentes e nos revelam ser uma tentativa de explicação de acontecimentos considerados sobrenaturais ou naturais que escapam da compreensão do homem. Surgem, então, as lendas, a poética, a fábula etc., que pertencem à sabedoria da humanidade através do tempo. São preservadas de geração em geração pelo inconsciente coletivo, sob a forma de arquétipos, símbolos e figuras. É através deles que são transmitidas as mensagens essenciais.

Por isto é muito difícil, com neutralidade, estudar e analisar o que representam os mitos. E quando  falamos em mitos, devemos ter a clara distinção de que há, por um lado, mitos atemporais, que nos projetam a um universo profundo, simbólico e de arquétipos, com fins pedagógicos e cheios de lições permanentes para todas as épocas e povos, como por exemplo os mitos simbólicos do “dilúvio”, de "os doze trabalhos/provas de Hércules”, da “caverna” de Platão, dos “contos de fadas” (“era uma vez...”), dos “orixás”, dos mitos de “criação do mundo” (“no princípio”) e de tantos outros mitos que são as bases de todas as Escrituras Sagradas e de todas as tradições (Antigo e Novo Testamentos, Alcorão, Bhavagad Gita, Vedas etc.). Por outro lado, há mitos programados, a mitificação artificial de coisas e pessoas. E aqui reside o perigo, o engano, a hipnose coletiva. São os mitos sociais, políticos, religiosos e econômicos no sentido perverso da ideologia de domínio e exploração.

É, portanto, neste sentido que os mitos se tornam ou benéficos ou maléficos. Ou seja, enquanto uns falam à nossa alma nos ensinando a transcender problemas, lidar com nossos problemas interiores, existenciais e entender sobre nossa origem, missão e destino, outros nos levam a uma inércia mental, a uma alegria ilusória, a uma vida sem sentido, a uma alienação cultural, política, a uma “militância” subjugada a interesses egoístas de inúmeras ideologias, a ideias preconceituosas, a mitos raciais, a dogmas religiosos, econômicos e científicos indiscutíveis, a ídolos objetivos e subjetivos (artistas, super heróis, políticos, modo de vestir-se, novelas, comportamento, desportistas etc.), a patriotismos desmedidos e a tantos outros mitos que nos afastam da realidade e do verdadeiro sentido de uma vida plena, consciente e de crescimento.

A título de exemplo, trarei à tona três, dos milhares de exemplos de mitificação artificial e programados. O primeiro deles não chega a representar um grande problema, mas nos exemplifica claramente como absorvemos detalhes que se tornam “peças” fundamentais e “inseparáveis” de nossas crenças e costumes. O segundo já toma proporções maiores porque envolve uma ideologia, uma crença, uma fonte econômica e uma subjugação alienante e idólatra. O terceiro exemplo, que é o ponto fundamental deste artigo, nos fala de um “decreto político que mudou a história”.

Vamos ao primeiro exemplo: “O Gato Ritual - complicando o que é simples” (conto zen budista). “Quando um mestre espiritual e seus discípulos começavam a meditação do anoitecer, um gato que vivia no monastério fazia tanto barulho que os distraía. Então, o professor ordenou que o gato fosse amordaçado durante a prática noturna. Anos depois, quando o mestre morreu, o gato continuou a ser amarrado durante a meditação. E quando o gato morreu, outro gato foi trazido para o monastério e amarrado. Séculos depois, quando todos os fatos do evento estavam perdidos no passado, praticantes intelectuais que estudavam os ensinamentos daquele mestre espiritual escreveram longos tratados escolásticos e teológicos sobre a significância de se amordaçar um gato durante a prática da meditação...”. Dá para discordar?

Como segundo exemplo, temos a crença na padroeira do Brasil: Nossa Senhora Aparecida. Poucos questionam, analisam e enxergam o simples fato de que algo, uma estátua em questão, em algum momento tenha sido deixado cair na água, por acidente, ou tenha sido levado por alguma correnteza durante uma chuva, e que quando foi encontrada e resgatada das águas pelos pescadores, tenha sido apenas uma das possibilidades de resgate acidental daquelas águas; a outra possibilidade poderia ter sido a de até hoje estar submersa e, neste caso, não haveria "padroeira". Porém, a mentalidade da época, não muito diferente da de hoje, logo partiu para a ideia do milagre, aviso, aparição. A “fé” cega e a necessidade de ídolos que lhes protegessem no dia a dia levou, por um lado, o povo da época a construir mais um objeto de culto. Por outro lado, estava a Igreja, sempre pronta a incorporar em seus dogmas qualquer fato, por mais absurdo que possa ser, que lhe rendesse fiéis e lucro. Estava assim formado, no Brasil, mais um culto que tomaria proporções gigantescas. Culto este com uma sólida estrutura política, social e digna de um feriado nacional. Um verdadeiro paraíso para “os vendilhões do templo” e para a Igreja. Eis um mito, um culto forjado, que encontrou terreno fértil no senso comum e sofrido da população. Não devemos desmerecer a maneira de expressão e pensamento do homem movido pelo senso comum, mas não podemos também permanecer sem uma superação, rumo a uma abordagem crítica e coerente. O erro está na acomodação no papel de vítima e de dominado.

No terceiro exemplo, temos as proporções maiores da mitificação artificial de pessoas com finalidades de conquistar a sociedade para interesses econômicos, políticos, sociais e religiosos. Trata-se de um tema polêmico e que está contido  profundamente no modo de vida e crenças do Ocidente. Quer trate-se de algo que esteja no “inconsciente coletivo”, “memória genética”, “vida após vida”, ou de tudo um pouco, o fato é que teve um começo, um auge e agora está havendo um profundo questionamento do que foi criado em torno de um personagem, um grande homem, um espírito evoluído, chamado Jesus, pelos ocidentais.

Sabe-se, historicamente, que nos dias de opressão romana o povo judeu estava nos limites de sua força e tolerância. Uma ideia e desejo de liberdade e “salvação” já percorria o coração e a mente de cada judeu. A ideia começou a concretizar-se em doutrinas e movimentos (essênios, nazarenos etc.). Os grupos estavam sendo organizados em “fraternidades” (chevrot, em hebraico), também conhecidos como “grupo de servidores” (chaburah, em hebraico). Os membros eram chamados de “companheiros”, “servidores”, “membros”, (chaverim, em hebraico). Tinham como ideal a  pobreza, a abstinência, os banhos simbólicos de purificação. Enfim, uma preparação à “redenção” sempre iminente. Eis a gênese, o solo fértil para um outro grupo que estava para nascer.

Jesus, um espírito esclarecido no judaísmo e na cabala (iniciado por José de Arimatéia), também se referia à vinda de um “messias”. Alertava o povo sobre o poder do amor, sobre as injustiças sociais, sobre o erro daqueles que tratavam a religião como comércio, sobre a hipocrisia e tantas outras coisas. E sabemos do trágico fim que estas ideias lhe custou.

Mas, até então, os pequenos grupos simplesmente compartilhavam das ideias e ouviam a Jesus. Porém, um pouco mais adiante, já consideravam-se como seus discípulos, mas ainda judeus. Tais grupos continuaram após a sua morte e foram tomando proporções maiores. Passaram a crer, seus companheiros e discípulos, que o próprio mestre havia cumprido o destino de “messias”. Já surgia a crença que ele teria “ressucitado dos mortos” e retornaria do paraíso como governante de uma nova era final. Não é necessário citar todas as crenças e doutrinas que se fermentavam em torno do nosso querido irmão Jesus, porque já é de conhecimento de todos. Mas é claro que Jesus nunca andou em meio do povo proclamando-se messias, ou pedindo que o seguissem porque era rei. Ele apenas era um homem consciente, conhecedor do lado espiritual mais profundo, um conhecedor do lado esotérico da vida e do poder do amor e da justiça. Um ser além do seu tempo em visão e evolução.

O tempo passava, os grupos e crenças em torno de Jesus cresciam. As reuniões começavam a se tornar menos públicas em vários lugares porque já estavam a despertar a atenção de líderes religiosos e políticos. Tudo isto ainda acontecendo dentro do terreno do judaísmo. Mas um dia, o personagem chamado Paulo de Tarso, abriu as portas aos não-judeus, e os grupos, a partir de então, já não se regiriam totalmente pelas leis judaicas. Começava uma espécie de “cristianismo primitivo”. Cristianismo porque tem origem no nome de origem grega, cristo, o “salvador”, o “ungido” etc. Aqui começa a sobreposicão, aos poucos, dos mitos judaicos, gregos, romanos, egípcios, persas e outros nos novos núcleos em torno de Jesus. Cada vez mais as palavras de um homem tomavam formas e crenças diversas. Não me refiro aqui que as outras crenças, mistérios e mitos sejam inválidos; refiro-me somente à sobreposição que estava havendo.

Tudo isso, historicamente se sabe, não estava passando desapercebido pelos romanos. Estes percebiam o forte crescimento desse “movimento popular”. Estava, portanto, prestes a começar o conflito entre as comunidades que se expandiam e o poder do imperador romano. Em Roma já estava configurado o dilema, e era preciso escolher: o imperador ou Jesus. A princípio temidos, depois odiados, os novos “cristãos” iam se alastrando pelo Império. Entretanto, como a seita que crescia era aberta a todas as raças, a partir de Paulo, adquiria um caráter mais universalista, e isso começou a agradar ao Império Romano mais adiante. O culto ao imperador estava já prestes a tomar outro rumo. Mas antes, muito sofrimento e perseguição era a realidade vivida pelos chamados cristãos. E após a perseguição de vários imperadores romanos, que culminou com Dioclesiano, temos no Imperador Constantino o personagem que transformou o cristianismo em religião oficial do Império Romano.

Assim, temos em um decreto político, um rumo histórico-social que quase todos conhecem, mas não questionam. E toma, em resumo, após a oficialização pelo Imperador Constantino, o caráter de disputas pelo poder político e econômico. Ou seja, Concílios desenham, então, o modo de vida da humanidade cristã que a influencia até hoje: Jesus se torna Deus, Deus se divide em 3, formando a Santíssima Trindade; nasce a figura do demônio; a Igreja se torna a única intermediária entre Deus e o homem; adquire justificativas santas para silenciar os inimigos; renascimento se transforma em ressurreição (também por decreto!); e assim estava se formando uma teologia onde tudo se adequava ao perfil da Igreja (aos interesses). Mais adiante, o Protestantismo faz a reforma, mas sai da mesma raiz e continua nas mesmas disputas e interesses ideológicos.

E o que vemos hoje? A religião, como a política, atualmente, tornou-se um palco, um circo, um negócio muito lucrativo. Hoje já nem se fala tanto da Igreja Católica, mestra antiga no que se refere à sede de poder, ouro, corrupção, crime e falsidade, mas salta aos nossos olhos o "evangelismo", subdividindo-se continuamente em diversas denominações “evangélicas”, “pentecostais”, “neo pentecostais”, às centenas, verdadeiras multinacionais, gerenciadas por estelionatários e enganadores que assaltam a multidões sofridas e sem discernimento. Eis o porquê de C. Marx ter dito que a religião é o opium do povo. Imaginem o que Marx diria atualmente!

Mas a verdadeira educação está, aos poucos, mostrando a sua face. Mais cedo ou mais tarde, as Leis Divinas estarão acima das leis dos homens e dos "intermediários" e "sábios” do divino. A evolução não pára. A Verdade sempre será a Verdade, mesmo que pervertida pelos homens. O Divino está acima dos interesses humanos, interesses disfarçados de leis, pregadores, padres, pastores, evangelistas, missionários, dirigentes espíritas “donos da verdade”, monges, "devotos", "milagres" e de "iluminados". Enfim, acima de interesses de todas as religiões e seus ministros.

Atualmente, há várias correntes em torno do ideal chamando cristianismo, Jesus, cristo ou messias: a tradicional católica romana, as ortodoxas, as protestantes (centenas), as judaico-messiânicas, o espiritismo e os esoteristas cristãos.

As católicas, ortodoxas e protestantes a história já tem demonstrado sua trajetória e interesses até os nossos dias. Só uma cegueira hipnótica, a tradição cega, o inconsciente coletivo, ou vida após vida dentro dessas tradições, forjadas no medo e tortura, poderiam explicar a razão de uma continuidade da humanidade atrelada, ou melhor, acomodada em  suas doutrinas e crenças.

As judaico-messiânicas deram um grande passo. Um retorno às origens é salutar. O problema, entretanto, continua quanto ao “ideal messiânico” ou de “messias”. É a conhecida tendência psicológica de materializar o espiritual. Ou seja, “tomar a letra que mata pelo espírito que vivifica”. O ideal de um messias que já veio também foi cristalizado num homem (Jesus) e mais uma vez a letra sufocou o espírito da mensagem. Esquecemos que o ideal messiânico, que o próprio Jesus falava, é individual. Cada um o receberá no seu coração. Não é “alguém” o ideal, mas um “estado crístico” que cada um chegará por evolução. Esta é a “redenção”.  A era messiânica sempre esteve, está  e estará aberta a cada um que buscar dentro de si o amor, as corretas relações humanas, a reforma íntima; é um novo sentido de vida, uma “conversão”, um redescobrir-se a si mesmo.

No espiritismo temos um caso interessante. Ele é, em sua essência, uma ciência e uma filosofia com consequências morais e éticas, não religiosas como o entendemos por religião. Allan Kardec, como ocidental, referia-se às palavras de Jesus como sendo bons conselhos e ideais maravilhosos, dignos de serem seguidos, mas nunca codificou um cristianismo espírita, como querem no Brasil. O “igrejismo” espírita começou, em terras brasileiras, com Bezerra de Menezes e Francisco Cândido Xavier, principalmente. E o povo, sem bases culturais e conhecimento do espiritismo clássico, filosófico e científico, acostumado e impregnado do cristianismo vigente, logo adotou a postura cristã. Por isto ouvimos no meio espírita expressões como: “Jesus é o único modelo e guia”; “espiritismo sem Jesus não é espiritismo”; “não compreendo um espiritismo sem Jesus”; "mediunidade com Jesus", e assim temos centenas de expressões similares. Provavelmente tudo isto seja efeito do que já me referi acima, ou seja, inconsciente coletivo, memória genética, vida após vida, arquétipos, símbolos etc., que perduram na mente dos espíritas encarnados e desencarnados, sendo que muitos destes últimos foram clérigos católicos. No espiritismo também há uma confusão entre Jesus e o “estado crístico” a ser atingido. Lógico, depois de praticamente dois mil anos de medo, tortura e condicionamentos, torna-se difícil enxergar mais nitidamente os fatos e muitas coisas temperam o espiritismo, inconscientemente. E pesa-se ainda o fato de que a grande maioria dos espíritas é de origem católica e protestante.

Temos ainda os “esoteristas cristãos”. São pertencentes a organizações, ordens, fraternidades e escolas espirituais que tem suas origens mesmo antes da época de Jesus. São cristãos no verdadeiro sentido da palavra, pois têm a “cristo”, a “essência crística” como objetivo de vida e doutrina. Consideram que Jesus atingiu esse estado e que falava disso aos seus contemporâneos, incentivando-os a buscar o amor, o reino, a sabedoria, o arrependimento etc. Algumas correntes de "esoteristas cristãos" também não ficaram imunes à influência do "cristianismo tradicional" e adotaram uma postura mais ortodoxa referindo-se ao "mestre dos mestres".

Assim, rapidamente, dentro dos parâmetros de um artigo, busquei evidenciar o poder da mitificação que tornou um homem em um fato político-social, e a construção, cada um a seu modo e interesses, de toda  uma história que custou milhares de vidas, guerras “santas”, discussões teológicas, ideologias e desunião. Uma verdadeira aspiração de uma época que se personificou num homem e que mais tarde foi transformada em um decreto político que veio a influenciar toda a história e trajetória ocidental.

Finalizando, um pequeno conto indiano exemplifica, “mutatis mutandis”, o que tentei expôr acima. Um homem desejava livrar-se de todas as formas de ritos religiosos, deixando apenas a essência da direta experiência da Verdade. Ele atraiu discípulos que costumavam se reunir a seu redor toda semana, quando ele falava a todos sobre seus princípios. Após algum tempo, eles começaram a se  reunir antes do mestre aparecer, porque eles gostavam de estar em grupo e cantar juntos. Eventualmente foi construída uma casa para as reuniões, com uma sala especial para o mestre. Após sua morte, tornou-se uma prática entre seus seguidores fazer uma reverência respeitosa à sala vazia, antes de se entrar no salão. Em uma mesa especial a imagem do mestre era mostrada em uma moldura, e as pessoas deixavam lá flores e incenso, em respeito ao mestre. Em poucos anos uma religião tinha crescido em torno daquele homem, que em vida não praticava nada disso, e que, ao contrário, sempre disse aos seus seguidores que ficar preso a estas práticas levava frequentemente a pessoa a se iludir no caminho da Verdade. (desconheço o autor)


Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)



Algumas referências e sugestões bibliográficas:

- “Quatro Milênios de Existência Judaica”, Fritz Pinkuss, Revista de História (USP)
- “Jesus: uma biografia revolucionária”, John Dominic Crossan, Ed. Imago
- “O Dogma de Cristo”, Erich Fromm, Ed. Zahar
- “Origem e Evolução da Ideologia”, Oto Alcides Ohlweiler, Ed. Universidade
- “Sociologia Geral”, Eva Maria Lakatos, Ed. Atlas
- “Quem Matou Jesus? As Raízes do Anti-Semitismo”, John Dominic Crossan, Ed. Imago
- “Saber Cuidar”, Leonardo Boff, Ed. Vozes
- “A Psicanálise dos Contos de Fada”, Dr. Bruno Bettelheim, Ed. Paz e Terra
- “Revisão do Cristianismo”, J. Herculano Pires, Ed. Paidéia
- “Filosofando: introdução à Filosofia”, Maria Lucia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires   Martins, Ed. Moderna
- “La Evolución del Pensamiento Judío”, Jacob Bernard Agus, Ed. Paidós
- “Heresia: o jogo de poder das seitas cristãs nos primeiros séculos depois de Cristo”, Joan O'Grady, Ed. Mercúrio


Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 27 de junho de 2013

AJUSTAMENTO PSICOLÓGICO NA REENCARNAÇÃO

Podemos dizer que na zona do inconsciente, influenciando o processo da herança, seria uma zona construída pelas experiências que se perdem na noite dos tempos, todas calcadas em diversos corpos físicos (personalidades) que ocupou e continua ocupando na trilha evolutiva.

O espírito necessita de imensas experiências como lastros de aptidões, a fim de que numa determinada etapa reencarnatória possa oferecer tais condições de criatividade, como elaboração alicerçada no acúmulo de qualidades. Aconteceria como que um real ajustamento de proposições que no cadinho das específicas reações psicológicas, em determinada época, jorrasse em torrente por necessidade de equilíbrio psíquico. Essa torrente seria tanto mais harmoniosa e bela, quanto mais plena de experiências construtivas for lastreado o espírito.

Compreende-se perfeitamente, se não houver um ajustamento adequado de qualidades, que a zona espiritual só poderá oferecer pequenos fragmentos, até mesmo sem sentido, de algo que está por derramar, que se desgarrou do conjunto, ainda não bem elaborada.

O processo de deságue pode dar-se ordenadamente ou mesmo com certo atropelo, traduzindo na zona consciente, algo harmônico e belo, ou com reflexos destoantes.

É bem lógico que o mecanismo em pauta estaria relacionado com o grau de evolução e consequente biótipo psicológico de determinado ser encarnado, considerando-se também, os aspectos das influências que propiciam experiências, principalmente àquelas relacionadas com a conduta educacional.

Os vôos do espírito são imensos em seus graus e variações, tudo a depender de um grandioso processo elaborativo diante do rosário de vivências na matéria. De reencarnação em reencarnação o espírito vai elaborando as suas aquisições cujas aptidões alcançadas no incontável tempo das sedimentações experienciais se vão transformando num bloco energético de potencialidades; estas por sua vez vão incentivando as telas reflexivas da consciência na busca de novos horizontes, cada vez mais claros e luminosos, transformando as sombra e dores do passado em sementes elaborativas de uma ainda imortalidade incompreendida e infinita.

É justamente na construção do próprio corpo físico que o espírito encontra o exaustor ideal para sua depuração, caso existam negatividades.

Pelo visto o processo reencarnatório não será tão somente condição de pagamento das deficiências passadas, mas, principalmente, fatores de impulsão evolutiva.



Dr. Jorge Andrea


Fonte: do livro “Visão Espírita nas Distonias Mentais"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

PROFUNDIDADE

A maioria de nós pensa muito, principalmente sobre acontecimentos e pessoas, sejam elas locais ou globais, famosas ou não. 

Quando pensamos no que está acontecendo na superfície da vida - o visível - é como se estivéssemos vivendo uma vida superficial. 

Mas lá no fundo há uma voz, uma saudade, um chamado à profundidade. É o nosso coração nos lembrando que devemos visitar, explorar e expressar as profundezas de nós mesmos. 

Para aprofundar e ser profundo precisamos de momentos de introversão e uma boa conversa com nós mesmos. 

Como podemos ver o que está em nosso coração, a menos que a gente mergulhe fundo, acenda a luz e olhe? E o que vemos? 

Simples, apenas beleza e verdade. Elas estão sempre lá, esperando por nós. Esperando para nos acolher e nos apresentar a nós mesmos.



Brahma Kumaris



Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

APENAS DIFERENTES LINGUAGENS

O estudo comparado de religiões, filosofias e tradições e sua vivência íntima e sem apegos, nos leva a conhecer e a perceber a Verdade maior intrínseca e transcendente a todas.

Mas, como disse o cabalista Prof. Ian Mecler em seu livro "Aqui, Agora": "As religiões, as escolas, as estruturas políticas, são todas fundamentadas no sistema baseado na CULPA, o que faz uma grande neurose tomar conta da humanidade. Quanto mais culpado, menos consciente. E se você seguir essa sistemática estará sempre dividido e acuado. Afinal, como lidar simultaneamente com forças opostas e com a imposição social que define como você deveria ser?"

Dentre tantas consequências danosas, essa culpa tem levado os homens à cegueira de não perceber que todas as religiões e filosofias são apenas diferentes linguagens, e que suas tradições não são maiores do que a Verdade; são apenas diferentes estradas para um único fim. Óbvio que aqui não se enquadram as "religiões" comerciais, fundamentalistas e fanáticas.

Aprendemos, assim, com despretensão, as reais diferenças entre o ter uma religião e o ser religioso. Pois na maioria das vezes a religião é o próprio obstáculo à religiosidade. Isto não quer dizer que não se possa ser religioso dentro de uma escola religiosa, filosófica.

Buscar a experiência interior de religiosidade, de interioridade e de transcendência deve ser o motivo principal e essencial; o restante é apenas uma peça teatral a nos dizer e indicar algo, a didática.

Então, não é mais inteligente entender a essência da mensagem da peça teatral do que ficar preso à figuração e à técnica da peça?

Forma e conteúdo: o que é mais importante? A forma pode ser atraente, mas de pouco valor sem o conteúdo. Entretanto, se o objetivo for o conteúdo a forma pode ser de grande auxílio.


Prof. Hermes Edgar Machado Jr. (Issarrar Ben Kanaan)



Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 26 de junho de 2013

PSICOSSOMÁTICA

Os espíritos reencarnantes, carentes e necessitados de reconstrução e reequilíbrio, podem apresentar variações em seus respectivos tipos psicológicos, em faixas consideradas normais ou patológicas.

Sabemos que o nosso planeta alberga a maioria de indivíduos em processo de expiação; em breve se elevará a fim de conquistar a faixa regenerativa.

Nos tempos atuais, por serem momentos de transição, as reações cármicas se mostram mais ativas e acentuadas, porquanto mais ativa e acentuada é a exigente lei de equilíbrio da vida.

As reações cármicas tornaram-se mais bem compreendidas quando as doenças chamadas psicossomáticas foram alertadas pela ciência. Esta compreendeu a importância das forças psíquicas refletidas no arcabouço material.



Dr. Jorge Andrea



Fonte: do livro "Visão Espírita nas Distonias Mentais"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

EM TI MESMO

“Tens fé? Tem-na em ti mesmo, diante de Deus.” — Paulo. (ROMANOS, cap. 14, vers. 22)

No mecanismo das realizações diárias, não é possível esquecer a criatura aquela expressão de confiança em si mesma, e que deve manter na esfera das obrigações que tem de cumprir à face de Deus.

Os que vivem na certeza das promessas divinas são os que guardam a fé no poder relativo que lhes foi confiado e, aumentando-o pelo próprio esforço, prosseguem nas edificações definitivas, com vistas à eternidade.

Os que, no entanto, permanecem desalentados quanto às suas possibilidades, esperando em promessas humanas, dão a ideia de fragmentos de cortiça, sem finalidade própria, ao sabor das águas, sem roteiro e sem ancoradouro.

Naturalmente, ninguém poderá viver na Terra sem confiar em alguém de seu círculo mais próximo; mas, a afeição, o laço amigo, o calor das dedicações elevadas não podem excluir a confiança em si mesmo, diante do Criador.

Na esfera de cada criatura, Deus pode tudo; não dispensa, porém, a cooperação, a vontade e a confiança do filho para realizar. Um pai que fizesse, mecanicamente, o quadro de felicidades dos seus descendentes, exterminaria, em cada um, as faculdades mais brilhantes.

Por que te manterás indeciso, se o Senhor te conferiu este ou aquele trabalho justo? Faze-o retamente, porque se Deus tem confiança em ti para alguma coisa, deves confiar em ti mesmo, diante dEle.



Emmanuel/Francisco Cândido Xavier



Fonte: do Livro "Caminho, Verdade e Vida"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DESPERTANDO BÊNÇÃOS A PARTIR DO CAOS

Quando os tempos se tornam realmente duros, é difícil enxergar a Luz.

Mas os kabalistas revelam que, mesmo em nossos momentos mais sombrios, existe uma forma de despertar bênçãos. 

Primeiramente, temos que saber que o Criador é uma força infinita de compartilhar e de amor, e como tal, jamais faria qualquer coisa para nos ferir. Existe uma lei espiritual de que não existe nada que o universo nos envie que não seja para o nosso bem. Com esse conhecimento, percebemos que não existe nada que tenha acontecido ou que possivelmente possa acontecer em nossas vidas que seja “ruim”. Pode não fazer sentido naquele momento, mas no final das contas tudo ocorre para nossa própria proteção ou crescimento.

Poderíamos ficar chateados quando nosso carro não pega e estamos atrasados para o trabalho, mas no panorama mais amplo, talvez o universo esteja nos protegendo de um acidente. Choramos por causa de relacionamentos rompidos, mas e se tudo que aprendemos com aquele relacionamento esteja pavimentando nosso caminho em direção à nossa alma gêmea? 

Até mesmo as coisas verdadeiramente trágicas nos tornam mais fortes, nos aproximam dos outros, nos fornecem ensinamentos ou uma maior apreciação pela própria vida.

O segredo para despertar bênçãos a partir do caos é saber que até mesmo o que parece ser caos, na verdade constitui uma bênção.

Passamos no teste quando temos certeza de que aquilo é para o nosso bem. Não é fácil, mas tente se lembrar no meio da tempestade que de fato ela está criando pastos mais verdejantes.



Rav Yehuda Berg



Fonte: www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DESEJO DE FAZER O BEM

Querer fazer o bem é uma coisa e fazê-lo realmente é outra. Sim, infelizmente, o desejo de fazer o bem é insuficiente: nós devemos também ser muito lúcidos e honestos para admitir que, crendo que estamos a agir bem, podemos cometer erros. Por isso, devemos estar ainda mais desconfiados em relação a nós mesmos do que em relação aos outros. E também pode acontecer que, agindo bem, se atraia o ódio, as inimizades. Ouve-se muitas vezes as pessoas dizer: «Fazei o bem e colhereis o mal», e é verdade. Mas isso não deve justificar o egoísmo e a recusa de ajudar os outros. Então, qual é a atitude do sábio? Ele faz o bem com conhecimento de causa e, se colher mal de volta, não ficará surpreendido nem triste, pois sabia à partida aquilo a que se expunha. Portanto, aquele que quer fazer o bem deve primeiro estudar honestamente as suas intenções e os meios que utiliza. Depois, deve saber que, mesmo que faça realmente o bem, pode receber o mal como retorno.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 25 de junho de 2013

PALAVRAS CRIAM LIMITAÇÕES

Existe um pensamento sem a palavra? 

Quando a mente não está atravancada com palavras, então pensamento não é pensamento como conhecemos, mas é uma atividade sem a palavra, sem o símbolo, portanto não tem fronteira, a palavra é a fronteira. 

A palavra cria a limitação, a divisa. E uma mente que não está funcionando nas palavras, não tem limitação, não tem fronteiras, não tem divisa. 

Tome a palavra amor e veja o que ela desperta em você, olhe para si mesmo; no momento em que eu menciono essa palavra, você começa a sorrir e aceita, você sente. Então a palavra amor desperta todos os tipos de ideias, todos os tipos de divisões tais como carnal, espiritual, profano, infinito e todo o resto. Mas descubra o que o amor é. Certamente, senhor, para descobrir o que o amor é, a mente deve estar livre dessa palavra e do significado dessa palavra.




J. Krishnamurti



Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

INTERCÂMBIO

Quando o encarnado demonstra sinais inequívocos de mediunidade significa que no plano espiritual várias entidades se preparam para fazer o intercâmbio. Nessa preparação estão incluídos refinamento de afinidade e aprimoramento de conhecimentos.

O bom médium transmite o pensamento do espírito da maneira mais objetiva possível, servindo-se da própria bagagem literária como forma de expressão. Os pensamentos não podem ser contraditórios entre espírito e medianeiro, pelo menos no que se refere à essência do que se quer transmitir. Essa identidade deve existir no campo das ideias fundamentais que alicerçam uma obra doutrinária, científica ou filosófica; caso contrário serão notadas contradições e incoerências que anulam o trabalho de ambos.

Muito se tem escrito sobre mediunidade, mas não é demais enfatizar que uma parceria proveitosa entre encarnado e desencarnado não se improvisa. Em alguns casos os parceiros já conviveram em situação de proximidade no passado, conhecendo-se espiritualmente, situação que facilita o intercâmbio. Em outros, a afinidade acontece quando o encarnado se aprofunda no terreno da religião ou da ciência e passa a granjear a atenção de espíritos “apaixonados” pelo mesmo tema. A ideia da parceria brota a seguir.

Não existem milagres nessas parcerias. A mediunidade se assenta em leis naturais ainda pouco conhecidas. Os médiuns não são santos, assim como a maioria dos espíritos manifestantes. Somos candidatos à santidade. A mediunidade empregada no bem é instrumento vigoroso no campo do autoaperfeiçoamento.



Luiz Sérgio



Fonte: do livro "O MUNDO É UMA GRANDE ESCOLA"
http://omundoqueeuencontrei.blogspot.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 24 de junho de 2013

LIGAÇÃO COM DEUS

A única coisa que Deus quer de nós é que sejamos felizes e espalhemos felicidade ao redor. 

Ele nos diz como podemos ser felizes quando nos ensina a LEI DO CARMA: o que semearmos iremos colher. 

Aqueles que amam Deus e são obedientes dessa maneira, experimentam Seu amor e proteção. Todas as preocupações acabam. 

Esse é o papel que precisamos desempenhar agora: conectar com Deus, captar Seu amor, canalizar isso para os colegas e enriquecer suas vidas. 

Essa ligação de amor com Deus chama-se IOGA e tem o poder de transformar seres humanos em anjos.


Brahma Kumaris


Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ESCRITURAS SAGRADAS


Um aspecto pouco lembrado quando estudamos a Torá (Pentateuco) é que o povo judeu foi subjugado mais de uma vez por outras nações (Assíria, Babilônia, Egito etc.). É compreensível, portanto, que no cativeiro o povo judeu teve contato com o folclore desses outros povos e, num processo muito natural, acabou incorporando elementos estrangeiros ao seu.

A Gênese, por exemplo, é visivelmente uma interpretação ou visão da saga de Gilgamesh (Babilônia). Sabemos que grandes enchentes e catástrofes ocorreram (como sempre ocorrem) em vários pontos do planeta. Praticamente todas as culturas antigas falam de uma grande cheia e, a partir desse fato, nasceram muitas histórias, narrações e mitos simbólicos.

Tendo em vista a degradação moral, mental e espiritual dos povos daquela época, por um lado, e a ocorrência de uma grande enchente (ou várias enchentes), por outro lado, a associação tomou um sentido moral e teológico. Assim, em todas as tradições e mitos o homem era purificado de sua degeneração, colhendo dos males que ele mesmo plantou, pela ação dos elementos, no caso em questão, a água. Esta assume uma qualidade de purificadora e restauradora.

Mas o mais importante em todas as narrativas e mitos simbólicos é que acabam por esclarecer diversos aspectos da caminhada humana. A lenda ou narrativa do "dilúvio", nos mostra, claramente, dentre inúmeras interpretações e ensinamentos válidos, duas lições.

A primeira delas é que a natureza (o Criador) sempre preserva a criação (numa "arca", no caso bíblico), ou o melhor da criação, em todas as circunstâncias.

A segunda lição que podemos tomar é que quando momentos caóticos ("diluvianos") acontecem na vida humana, precisamos nos "salvar" construindo uma "arca", ou seja, um espaço interior para análise, reflexão e tomada de novos rumos na vida. O mesmo acontece com a humanidade como um todo.

Os mitos, parábolas e alegorias de todas as escrituras do mundo são ricas em ensinamentos desde que não tomadas literalmente, ou se transformem em bibliomania ou bibliolatria.


Prof. Hermes Edgar Machado Jr. (Issarrar Ben Kanaan)



Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal

domingo, 23 de junho de 2013

ALTERNATIVA AO CENTRO NO EU

“Vacuidade” (“shunyata” em sânscrito) tem muitos significados sutis no budismo, mas talvez isso possa ser compreendido de modo mais simples como a ausência de centramento no eu. Geralmente consideramos o centramento no eu como um problema de personalidade, algo que faria nossos amigos nos recomendar terapia. Mas “centramento no eu” tem um significado mais fundamental.

Isso ocorre quando criamos ou mantemos a ideia de um eu no centro de nossas vidas, um ponto de referência para tudo que pensamos e sentimos. O centro no eu é uma ideia ou sentimento de alguém por trás de todas as experiências, alguém a quem isso está acontecendo.

A maioria de nós vive no campo gravitacional desse centro em si, circulando em volta das esperanças e medos, planos e preocupações, nosso trabalho e relacionamentos. Nossas vidas parecem girar em torno do desejo por experiências sempre novas, mesmo que as vejamos mudando constantemente.

Mas com atenção inteligente sustentada, através do poder da consciência plena e investigação, começamos a deixar essa familiar órbita auto-referencial. Começamos e ter vislumbres do centro zero da vacuidade, em vez do auto-centramento do ego ansiando, e isso se torna a nova força gravitacional de nossas vidas. Podemos ver insinuações disso em nossas vidas ordinárias quando entramos em um estado de fluxo sem esforço, ou talvez com música, arte ou esporte. As coisas parecem continuar sem nós mesmos — e são muito melhores assim.



Joseph Goldstein



Fonte: “One Dharma” (loc. 2774)
(traduzido no Brasil como “Dharma – O caminho da libertação”)
http://darma.info/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

AS REPRESENTAÇÕES MENTAIS E SEUS DANOS

Psicologia Gnóstica
Nas palestras anteriores, viemos estudar os diferentes aspectos relacionados com a Mente, e acredito que devemos seguir nos aprofundando no terreno prático, nos fatos interessantes que consistem na eliminação dos agregados psíquicos, que são bastante difíceis, mas que é possível eliminá-los. Entretanto, existe algo que devemos vigiar, que são exatamente as representações da mente.

Na Mente existem muitas representações mentais, suponhamos que temos na nossa Mente a representação de um amigo a quem estimamos e que alguém muito importante fala mal desse nosso amigo, levantando contra ele toda classe de calúnias, ofensas etc. Nós “damos ouvidos” a toda esta conversa e então a Imagem que temos do nosso amigo, a representação, fica alterada.

Antes era a imagem de um sujeito muito amável e que agora esta imagem assume, em nosso entendimento, a figura que o outro lhe tem dado, possivelmente de um bandido, um falso amigo etc.
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Dentro da nossa Mente existem milhares de representações que podem ser alteradas, se dermos ouvidos às conversações negativas, às calúnias, ouvir o que “ouvi dizer” etc.

De maneira que, não somente os agregados psíquicos, vivas representações dos nossos defeitos psicológicos, que levamos dentro do nosso ser, constituem um fardo pesado que carregamos, mas não devemos nunca esquecer essa questão das Representações da Mente.

Caminhantes do Sendeiro que deram ouvido às conversações negativas, por estarem em corredores onde somente se escutam frases negativas, tendem a se deformar em muitas Representações da Mente. É que elas são verdadeiros demônios que criam uma série de obstáculos intransponíveis para o despertar da Consciência.

É grave carregar tais elementos inimigos dentro de si mesmo, na nossa própria Mente. O melhor é não ter Efígies de tipo negativo, por isso é necessário apelar ao Poder Serpentino, que se desenvolve no corpo do gnóstico, Devi Kundalini Shakti, para que elimine tais representações de tipo negativo.

Na realidade, não deveríamos ter representações negativas ou positivas na nossa Mente… A Mente tem de se tornar serena e à disposição do Ser, para isso a personalidade humana deve ser passiva. Uma personalidade passiva recebe as mensagens que vêm das Partes mais elevadas do Ser, que passam através dos Centros Superiores do Ser, antes de entrar na Mente.

Por isso temos de eliminar os elementos pesados, os agregados difíceis, relacionados com o Mundo de 96 Leis, ou seja, a Região do Tártaro, para termos uma personalidade passiva…

A personalidade ativa é controlada pelos agregados de ódio, orgulho, inveja, luxúria, os abomináveis amores, o egoísmo, a vaidade perante os nossos semelhantes, por isso esquecemos que somos simples vermes no lodo da terra.

Se eliminarmos da nossa psique todos esses elementos psicológicos tão pesados, nossa personalidade humana torna-se passiva e a Mente se volta receptiva para as mensagens que descem das Partes mais elevados do Ser, através dos Centros Superiores do nosso Ser.

Compreenderam agora, meus irmãos, a necessidade de eliminar esses elementos que tenho citado? Com Devi Kundalini Shakti, ou seja, a Serpente Ígnea dos nossos mágicos poderes, pode-se eliminar, de fato, esses elementos pesados. Se continuarmos dando alimento às diferentes representações, é claro que a Mente não será serena, jamais será uma Mente projetista que está acondicionada no tempo e na dor.

Analisando a fundo, vê-se que devemos não só eliminar os agregados psíquicos indesejáveis, mas também as Representações, que são um problema difícil para a Iluminação Interior.

As representações e os diversos agregados acondicionam de tal forma a Consciência que a mantêm presa dentro de um trilho, nada agradável da subconsciência, da infraconsciência ou da inconsciência. No mundo oriental se fala muito em síntese, aliás já falamos sobre isso, no Budismo Zen-Chan se diz que: “Temos de conseguir a Quietude da Mente, o Silêncio da Mente, com o propósito de chegar, um dia, a entrar no Vazio Iluminador”.
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Nós estamos sempre, na vida prática, na batalha das teses e antíteses, nessa luta terrível dos opostos nunca existe paz numa Mente assim…

Madame Blavatsky, no seu livro A Voz do Silêncio, tem uma frase que gosto muito, que diz: “Antes que a Chama de Ouro possa arder com a Luz Serena, a lâmpada deve ser bem cuidada, estar ao abrigo de todos os ventos e dos pensamentos, que devem cair mortos na porta do Templo…”

Conforme formos estudando as pregas da Mente, percebemos que a quietude, silêncio total da Mente é possível se ela não estiver ocupada com os agregados psíquicos e as representações.

Não devemos carregar em nossa Mente coisas que não são do nosso Ser. Poderiam me contestar, dizendo que existem representações louváveis, claras, magníficas, maravilhosas etc., tudo isso é aceitável, mas o mais importante em nós é o Ser. Enquanto nosso Templo estiver cheio de elementos estranhos, coisas de fora, animais, representações, agregados, pode-se dizer que existe um sono profundo na Consciência. Se existir inconsciência, há de ter sonhos vagos, mórbidos, néscios, incoerentes, imprecisos etc.

Já dizia Platão: “Conhece-se o homem por seus sonhos”. Realmente, a vida dos sonhos é uma consulta importantíssima, porque os sonhos de cada um dizem o que cada um é… Feliz o dia em que nós deixaremos de sonhar…, aí teremos triunfado! Enquanto existirem os sonhos na Mente, sonhos imprecisos e absurdos, isto nos indica que vamos muito mal. O verdadeiro Iluminado não tem sonhos, os sonhos são para os adormecidos.

O Verdadeiro Iluminado vive nos Mundos Superiores, fora do corpo físico, em estado de intensificada vigília, sem sonhar jamais, está desperto no Espaço Psicológico. Por isso, reflitam sobre a necessidade de se conseguir a Quietude ou o Silêncio da Mente.

Expliquei na vez passada sobre os três alimentos, disse que o primeiro alimento é do corpo físico, falamos também sobre o segundo alimento, que é a respiração, mais importante do que aquele do estômago, que não vou acrescentar nada hoje sobre eles, mas há um terceiro alimento que eu já disse a vocês, o das Impressões.

Ninguém pode viver sem as impressões. Vocês enxergam através das impressões, assim também me escutam, a mente de vocês está percebendo o quê? Uma série de impressões, que vem a vocês numa figura vestida com uma indumentária Sagrada da Ordem dos Cavaleiros do Santo Graal etc. Tudo isto chega a vocês através das Impressões…

Infelizmente, o ser humano não sabe selecionar as suas impressões, o que diriam vocês se agora, estando aqui neste salão, abríssemos a porta para que ladrões entrassem aqui? É claro que o Guardião não cometeria esse um absurdo e todos eles fugiriam… Mas não fazemos o mesmo com as Impressões, abrimos as portas para as Impressões Negativas do mundo, elas penetram em nossa psique e fazem o diabo lá dentro, transformando-se em agregados psíquicos e desenvolvendo o Centro Emocional Negativo. Conclusão, elas chegam do lodo e nós abrimos as portas… É correto isso? É correto que uma pessoa que está cheia de emoções negativas, emanando do seu Centro Emocional Negativo, seja acolhida por nós? É certo que abramos as portas a essa pessoa?

Parece que não sabemos selecionar as Impressões e isso é grave! Temos de aprender a abrir e fechar as portas da nossa psique às Impressões; abrir as portas às impressões nobres, limpas e fechar às Impressões Negativas e absurdas.

Vejam o que faz uma pessoa estando na multidão; eu lhes asseguro que ninguém agora se atreveria a sair à rua para lançar pedras contra ninguém, certo? Entretanto, se alguém está dentro de uma grande manifestação pública, e esteja apaixonado pelo entusiasmo, se a multidão lança pedras, ele também acabará lançando pedras, ainda que diga depois para si mesmo: “Por que eu as lancei?”

Aqui no Distrito Federal, há uns 15 anos, vimos professores muito decentes, cultos, dignos, mas que na multidão pegavam pedras e as lançavam contra os vidros das janelas, contra as pessoas, contra tudo o que podiam. Esses professores de escolas nunca fariam essas coisas sozinhos, mas só em grupos.

Isso acontece porque se abrem as portas às impressões negativas e acaba-se fazendo o que nunca se faria sozinho, por isso é necessário que aprendamos a ser cuidadosos com as impressões.
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Se abrirmos as portas às impressões negativas para uma pessoa cheia de Ira, porque alguém lhe causou um mal, terminamos aliados dessa pessoa contra aquela que lhe proporcionou o dano, e terminamos também cheios de ira, sem ter parte alguma no processo. Se abrirmos as portas às impressões negativas de um bêbado numa diversão, terminaremos aceitando um copo de bebida, nos associaremos ao bêbado.

Da mesma forma com o sexo oposto, terminamos também fornicando com todas as classes de delito. Assim é que os seres humanos se contagiam uns aos outros dentro de ambientes negativos, os bêbados contagiam os bêbados; os ladrões transformam outros em ladrões; os drogados se contagiam entre si etc.

Selecionemos as Impressões! Se alguém nos traz emoções positivas de luz e harmonia, de beleza, de sabedoria, de amor, de poesia e de perfeição, abramos os nossos corações…

Se alguém nos trouxer emoções negativas, não devemos abrir as portas do nosso coração a essas pessoas. Fechemos as portas às Impressões negativas! Desintegrado o Ego, termina a dor, a raiz da dor está no Ego, e quando este termina, fica somente a Beleza do Ser em nós, que se transforma em Amor e Felicidade.

Para se chegar a isso, a Mente deve estar quieta, em silêncio, não projetar, deve ser uma Mente que não se ofende, não reaja por nada, só receba as mensagens que vêm das Partes Superiores do Ser, é uma Mente cheia de plenitude. Repito: temos de eliminar os agregados psíquicos e também as Representações da Mente, tanto as positivas como as negativas.

Precisamos limpar o Templo da Mente de toda essa sujeira, necessitamos que a Luz brilhe dentro do Templo da Mente para que a Chama de Ouro possa arder com a Luz serena dentro do templo, pois quando a Mente está quieta, em absoluto silêncio, advém o novo…

Dizer que é impossível ter a Mente quieta, em silêncio, quando vivemos num mundo cheio de problemas e dificuldades, é um absurdo! Porque desintegrando os agregados inumanos que em nosso interior carregamos, assim como as Representações Mentais, os problemas e as dificuldades terminam.

A Mente deve estar clara, limpa, deve ser um Templo solitário e luminoso, onde arda, unicamente, a Chama de Prájña, ou seja, a Chama do Ser…



Fonte do texto e das Gravuras: Gnosis OnLine
http://www.gnosisonline.org/



sábado, 22 de junho de 2013

ESPÍRITO QUE TRANSCENDE O CORPO

Pergunta: Na próxima etapa do desenvolvimento da humanidade, ela será mais sensível. Há uma série de tendências que confirmam isto. Primeiro, as crianças de hoje são muito mais sensíveis a receber informações. Em segundo lugar, nós vemos que hoje existem dezenas de programas de entretenimento na televisão em que médiuns e muitas outras pessoas com mais sensibilidade sutis aparecem com uma clareza que é desconhecida para nós.

Tem-se a impressão de que a humanidade está mudando internamente, senão externamente, seja ao nível da organização do corpo biológico ou do método de processamento da informação. Será que existe algum tipo de lei aqui?

Resposta: Todos esses problemas começaram mesmo a aparecer centenas de milhares de anos atrás, na época da transição do macaco para o ser humano. Nós descemos das árvores, parando gradualmente de caçar, começamos a nos envolver com a agricultura, passamos por um sistema de escravidão, começamos a estabelecer cidades e civilizações, imprimimos dinheiro, inventamos a escrita, e assim por diante. Tudo isso ajudou no desenvolvimento humano.

Assim, em nossos dias, está surgindo na humanidade a necessidade de sentir o poder orientador que nos dará a possibilidade de descobrir por que estamos vivendo, a capacidade de sentir o seu propósito e de alcançar isso enquanto ainda estamos vivos neste mundo e não só no outro mundo, como a religião nos dizia. Nós precisamos atingir o próximo estado mais elevado, independentemente do corpo estar vivo ou morto. Apesar de estar no corpo físico, é como se realmente nos encontrássemos fora dele, ao lado dele, apenas identificando-nos com o corpo.

Com a ajuda das lições especiais de educação integral, que ajudam a pessoa a  desenvolver conexões – como "sair de si mesmo" para sentir o outro, para viver dentro dele, para amá-lo, para ser integrado a ele -, a pessoa desenvolve a tecnologia para a saída psicológica de si mesma.

Além disso, quando ela começa a perceber isso, percebe que não é um corpo, mas sim um espírito, desejo e intelecto, que não existe dentro de um corpo. O corpo é apenas seu transportador temporário, mas o transportador pode transmitir todas as suas informações onde quer que deseje, de um portador para outro, de um computador para outro.

Quando a pessoa começa a entender que pode "se transferir", uma sensação de liberdade aparece nela. Assim, a partir disso, ela pode resolver problemas completamente diferentes.



Rav Dr. Michael Laitman, PhD.



Fonte: de KabTV "Através do Tempo" 20/03/13
http://laitman.com.br/2013/06/espirito-que-transcende-o-corpo/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CÂNCER: CONSTRUIR COM LUZ (Que tipo de vida estamos construindo?)

Dentre todos os doze signos do Zodíaco, Câncer ou Caranguejo é o que mais está associado à materialidade e concretude. E a nossa experiência no mundo material sempre envolve a construção e a utilização de formas. Que formas temos construído e como as estamos utilizando? Que formas queremos construir e como queremos utilizá-las? Questões como estas, de um modo ou de outro, são trazidas à nossa atenção durante o mês de Câncer.

A primeira forma que construímos para nos manifestar neste mundo é o nosso próprio corpo. Ele é construído ao longo da vida e reconstruído diariamente, através dos nossos hábitos de alimentação, de respiração, de higiene, de sono e de exercícios físicos. É construído também de acordo com os nossos hábitos emocionais e mentais, que influenciam a constituição do corpo muito mais do que geralmente supomos. É importante cuidar de todos esses fatores, pois o corpo é, necessariamente, o nosso primeiro e principal instrumento no mundo; todas as nossas experiências materiais se fazem através dele.

A segunda forma que construímos é a casa. É o nosso porto seguro em meio ao mundo, o nosso local de refúgio, recolhimento e restauração. Outra forma fundamental é a família, seja a biológica ou aquela escolhemos ao longo da vida. Ela é o nosso primeiro núcleo de relações humanas, de apoio mútuo, acolhimento e incentivo.

Corpo, casa, família — a partir destas formas básicas, todas as demais são construídas: grupos, instituições, Estados. E assim construímos coletivamente aquela grande forma que chamamos de sociedade. Mas, se, por um lado, a sociedade é um produto dos indivíduos e famílias, por outro lado, é no seio da sociedade que nascem e crescem os indivíduos e famílias, amparados por toda a estrutura e as facilidades que a sociedade provê. Corpo, casa, família e sociedade — são estas as formas básicas que tornam possível, segura e frutífera toda a existência humana neste mundo.

A influência de Câncer contribui para que nos mantenhamos sempre devidamente ancorados no corpo e para que jamais nos afastemos do mundo, da sociedade e da vida humana comum. Incentiva-nos a não fugir das experiências concretas e mundanas, mas utilizá-las apropriadamente, para que finalmente alcancemos um estado de consciência capaz de incluir o interno e o externo, o espírito e a matéria, o ideal possível e a realidade atual. Assim, o estímulo de Câncer ajuda-nos a não fazer da espiritualidade um caminho de fuga, mas sim um verdadeiro caminho de realização integral.

Câncer nos encoraja a buscar manifestar na vida humana diária as nossas elevadas visões, ideias e sonhos. E a mais poderosa ferramenta de que dispomos para construir em nossas vidas aquilo que queremos é a imaginação. É na imaginação que todas as construções começam. Imaginar é construir com energia mental e emocional, e as formas assim construídas subjetivamente sempre procuram se concretizar. Através da imaginação, com foco e clareza, podemos reconstruir inteiramente as nossas vidas e torná-las a materialização de todas as nossas aspirações superiores.

A vida no mundo material pode ser uma experiência de limitação, escuridão e isolamento, mas também pode ser uma experiência de liberdade, luminosidade e partilha. As formas que vamos construindo em nossas vidas podem tornar-se, finalmente, uma prisão que nos confine e nos separe dos demais. Ou podemos construir formas que, finalmente, convertam a nossa vida numa estação de luz, na qual tudo o que temos é compartilhado livremente com os demais. No mês de Câncer, somos levados a lidar com esta questão: Que tipo de vida estamos construindo?



Ricardo Georgini



Fonte do Texto e da Gravura: Grupo Logos
http://logosastrologiaesotericaport.blogspot.com.br/2010/06/cancer-construir-com-luz.html

DETERMINAÇÃO

A determinação torna possível o impossível. 

Quando você mantém a fé, mesmo diante de circunstâncias difíceis, isso é determinação. 

Quando você tem firmeza de propósito, coragem e auto-iniciativa, isso é determinação. 

Quando você tem fé em si e age de acordo com as leis divinas, então você sempre terá as bênçãos de Deus. Você será capaz de esculpir um lindo destino independente de obstáculo ou adversidade. 

Lembre-se: Deus ajuda quem ajuda a si mesmo.



Brahma Kumaris



Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

IDADE ESPIRITUAL

«Não se pode amar o que não se vê», dizem certas pessoas para justificar a sua indiferença em relação a Deus. É muito simplesmente porque elas não procuram saber sob que forma Ele se nos apresenta.

Será que o bebê acabado de nascer ama a sua mãe? Ele não a conhece, não tem consciência do que ela representa para ele, e não se pode chamar amor ao laço que o une a ela. Mas ele ama o seio que o alimenta, é uma primeira etapa. Mais tarde, amará a mão que o lava, o acaricia e segura na sua para o ensinar a caminhar. Depois, aprenderá a apreciar o rosto da sua mãe, o seu sorriso, as suas palavras, e um dia amará também a sua alma. 

Acontece o mesmo em relação ao amor a Deus. O nome pelo qual o nosso amor O conhece  –  vida, bondade, beleza, luz, paz, alegria...  –  determina a nossa idade espiritual e torna-O visível para nós.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CÂNCER: A ENCARNAÇÃO DA INTUIÇÃO

Pensar no aporte que o signo de Câncer faz à humanidade, no lugar que ocupa em nossa consciência, imediatamente nos leva a uma palavra: construção, muito afim, por certo, do lema esotérico deste signo, que é “construo uma casa iluminada e nela moro”.

No entanto, convém não tomar o termo superficialmente, mas antes refletir sobre o que se entende por construção. Da perspectiva comum, indica-nos uma atividade de “fazer”, seja física, emocional (“manejar” emoções) ou mental (o mesmo com os pensamentos). Mas aqui a teoria esotérica nos lembra que o plano mental, onde nós procuramos nos firmar, é apenas o subplano gasoso do plano físico cósmico e, portanto, não é um princípio, como repetidamente diz O Tibetano. Significa que a verdadeira atividade e o impulso mais puro não emana do nosso plano mental (o gasoso cósmico), mas dos subplanos etéricos cósmicos, de qual o búdico é o primeiro.

E nos lembra também que a alma é uma grande construtora, mas que, diferente da personalidade “constrói sem tocar”; a atividade, a intenção e o esforço do eu são necessários, mas a alma inspira, não faz; esta é uma grande chave para a criação espiritual, e uma palavra afim que ajuda a manter a personalidade nos limites é “naturalidade” na ação que se quer que resulte espiritual.

Falar então de construção de uma perspectiva mais profunda nos leva diretamente ao plano búdico, ao reino da intuição e da razão pura, do qual o plano mental é um reflexo condicionado. É ali onde se geram as causas que oportunamente mobilizarão os construtores dos planos inferiores e, de um ponto de vista oculto, os esforços realizados nestes níveis são parte da Grande Ilusão, e embora válidos até que se comece a viver na intuição, oportunamente se revelarão insuficientes, obscuros e aprisionantes. É interessante ver que Câncer rege também a construção nos três planos inferiores, e a Lua é seu regente; também se faz referência ao mau emprego das energias cancerianas, que terminam armadilhando o eu na escuridão do seu próprio carma.

Ao mesmo tempo, a evolução leva a que esses níveis de consciência se revelem como uma prisão para o ser, que aí toma consciência da sua situação e procura se aproximar mais do que agora percebe como a verdadeira luz. Aprecia-se aqui outro triângulo: Câncer (prisão) – Leão (consciência) – Capricórnio (luz, saída) que tem um papel definido nesta fase do progresso interno, esteja ou não visível na carta natal.

Assentada a ideia de que Câncer também pode ser interpretado do plano búdico, será bom aprofundar, na medida do possível. Pouco se conhece em verdade deste nível de consciência: a literatura esotérica nos fala profusamente do movimento no plano mental, o estudo, a iluminação, a concentração etc., todo tipo de miradas desta perspectiva. Ao contrário, quase não se conhecem as leis do plano búdico, como se entra em contato com ele, como se o domina, como se pode prestar serviço dali. Mais ainda: na percepção de quem o experimentou, fala-se da intuição como algo amorfo e demasiado elevado para distinguir de outra coisa, como se não tivesse um sentido em si mesma, e como se não estivesse submetida a uma Lei superior, mas que fosse uma espécie de fim.

Como base para compreender o exposto, o indivíduo deve se convencer consciente e inteligentemente de que é Mônada (Espírito), parte da Mônada logoica solar, em contato com as matérias dos 6 mundos que constituem os 6 subplanos do plano físico cósmico: monádico, átmico, búdico, mental, astral e físico, através de diversos instrumentos ou veículos, sendo que no momento o contato mais forte é com os mundos mental inferior, astral e físico, os quais devem ser totalmente dominados e controlados pelo uso da Vontade e do Conhecimento verdadeiro, ou seja, o conhecimento da realidade velada por maya (mundo físico), espelhismo (mundo astral) e ilusão (mundo mental inferior).  Na atualidade, a humanidade em seu conjunto tem pela frente conhecer e dominar o plano mental, e somente à medida que as Eras passem o mesmo ocorrerá com o plano búdico, ao qual só é possível ter acesso por meio da mente iluminada, o que, hoje, é a meta de alguns poucos, falando-se em termos comparativos.

Câncer rege o que O Tibetano denomina “as águas” e não é casual que represente este elemento. A consciência massiva, que logicamente tem aplicação direta neste estado indiferenciado que é a consciência instintiva, também tem uma dimensão intuitiva. Com efeito, se o coração é convidado a acompanhar a mente e depois se afina a atenção, poderá ser apreciado que a percepção sintética não tem um limite definido, como ocorre com a mental, mas que resulta mais difusa e englobante, ao mesmo tempo que profundamente clara. A energia que chega se verte através de Netuno, que assim demonstra porque rege esotericamente o signo.

Ao mesmo tempo, se a sensibilidade ainda permite “dar uma volta em torno”, se notará que existe algum grau de abstração ou de domínio sobre este plano, e este estado possivelmente tenha a ver com a frase do Tibetano de “o Espírito sobre as águas”. Ali começa a construção subjetiva de Câncer, do centro do coração, passeando a consciência através do plano etérico cósmico, o qual põe o ser em contato com distintos tipos de energia, porque o plano etérico é sempre o plano da energia, dos raios enfocados através das estrelas, as constelações, os signos e seus planetas regentes que, segundo a afinidade com o raio do próprio ser vão se expressar através dos distintos chacras, humanos e planetários, segundo a evolução.

O interessante é que neste processo de busca o estado da consciência não é pessoal nem individual, mas sutilmente grupal, porque é claro que se entra em contato com energias que estão mais além do eu, e para isso, embora seja inconscientemente, é necessário se conectar com outros que não são o eu, mas que têm uma afinidade vibratória que permite uma invocação de energia como a que se alcança. Não é por nada que em “Os Raios e as Iniciações” se fala do progresso grupal e se dão as regras muito profundas conectadas com o plano búdico.

E seguindo com a ideia do contato com energias elevadas, pode-se ver que se trata de um estado criativo, de um Idealismo criativo, e isso explica porque o 6º raio de Devoção (expressado por Marte) e Idealismo se manifesta através de Netuno. E inclusive, em um determinado momento, cessa esse divino idealismo, e se “encontram os limites da criação”, que não é senão a Vontade dos Seres que dão vida às energias com as que se entrou em contato. Isso faz que conscientemente se obedeça à Sua intenção, uma Lei interna mais elevada que as que conhecemos, e isso “fecha” a criação e precipita a forma no plano mental, produzindo a encarnação.

Surge do exposto acima que a encarnação é um processo grupal, nunca individual, porque sempre é resultado da Intenção de uma Vida Divina, que o ocultismo divide em estrelas, um sistema solar, um planeta, um reino da natureza e demais, cada um qualificado por um raio determinado, que dá uma “cor” especial à manifestação, e em termos concretos um matiz à forma mental que se queira expressar no mundo. Em outras palavras, o Plano (e suas analogias superiores) é o que produz a encarnação, e o resultado do contato da alma com esse Plano é o que a precipita no mundo, junto à onda de energia que se liberou no planeta nesse momento.

Daí que as interpretações individuais sobre o tema das vidas passadas tenha pouca clareza, porque opera nos três planos inferiores, o físico, o astral e o mental, e em grande medida se encontra subordinada ao que ocorre em nível grupal, onde algum dia será possível encontrar a verdadeira chave e não somente retalhos da verdade.

O período presidido por Câncer é, portanto, um momento propício para aproveitar a conexão interna alcançada graças a Gêmeos, elevar-se ao reino da intuição e ser parte silenciosa do verdadeiro processo de criação, do qual o acontecido nos planos físico, astral e mental não é senão um reflexo, assim como o subplano etérico é o princípio e os subplanos sólido, líquido e gasoso se encontram sob sua regência.

É também um bom período para vivenciar a massividade especial do plano búdico, abrir o ser a novas energias, um plano que é grupal e indistinto em forma muito diferente ao que ocorre no plano astral, que nem por nada é sua analogia inferior e tem águas muito mais densas (e escuras) que o primeiro. E em todo caso se impõe aqui ter em mente o triângulo Câncer – Leão – Capricórnio assinalado, e fazer  primar a consciência e a luz, a humildade e a razão, antes que o espelhismo.

Por último, destaquemos que a influência de Câncer e o serviço bastante desconhecido que se realiza através do plano búdico também têm a ver com a construção de uma morada iluminada, aquela esplendorosa forma mental onde poderá habitar segura e evolutivamente a humanidade durante a Era de Aquário e durante outros ciclos tão misteriosos que por agora somente podemos imaginar.



Martín Dieser



Fonte: Grupo Logos 
http://logosastrologiaesotericaport.blogspot.com.br/2010/06/cancer-encarnacao-da-intuicao.html
Fonte da Gravura: http://luzesdevenus.blogspot.com

sexta-feira, 21 de junho de 2013

4º TRABALHO DE HÉRCULES: A CAPTURA DA CORÇA CERINEIA --- CÂNCER: CONSCIÊNCIA INTUITIVA

O trabalho de Hércules ligado ao signo de Câncer é a Captura da Corça Cerineia. Câncer está relacionado com as nossas raízes na vida, como o corpo, a casa e a família. Este trabalho representa o processo de lançar raízes no alto, no mundo espiritual, para eventualmente dar frutos em baixo, no mundo material. A árvore invertida, com raízes nos céus e frutos na terra, é um símbolo do modo de vida espiritual, e essa árvore começa a germinar pelo cultivo da consciência intuitiva.

No Monte Cerineu, vivia uma corça com galhada de ouro e cascos de prata. Diana, a deusa caçadora, afirmava que a corça era sua. Ela cuidara do animal até então, e ele lhe era útil. Mas a corça também pertencia ao deus-sol Apolo, e Hércules devia levá-la para o templo do deus. Hércules passou um ano inteiro perseguindo a corça de canto a canto, pois ela era muito esquiva, e Diana ainda o atrapalhava sutilmente cada vez que ele estava próximo de capturá-la. Finalmente, quando a corça, cansada pela interminável fuga, descansava às margens de um lago tranquilo, Hércules aproximou-se suavemente e lançou uma flecha que feriu o seu calcanhar. Assim ele conseguiu capturá-la, colocou-a sobre seus ombros, junto ao seu coração, e conduziu-a até o templo.

A corça é um animal de constituição delicada; com os cascos de prata e a galhada de ouro do mito, ela representa a consciência. A corça era muito esquiva, e é muito difícil entender ou explicar o que exatamente é a consciência. Mas talvez baste dizer que a consciência é a grande dádiva do ser humano e é aquilo que faz dele o que ele é. Ela lhe permite conhecer, aprender, discernir, refletir, compreender, escolher. E é um tremendo desafio fazer tudo isso verdadeiramente, conscientemente, e não apenas de maneira mecânica e superficial.

Diana e Apolo representam duas facetas da consciência. Eles eram irmãos gêmeos. Mas Diana era associada à lua, e a deusa caçadora representa a consciência intelectual, sempre em busca de algo. Já Apolo era o deus-sol, e representa a consciência intuitiva, que produz esclarecimento ou iluminação. Portanto, levar a corça para o templo de Apolo significa cultivar a consciência intuitiva, ou seja, criar condições e oportunidades para que a intuição comece a despertar.

É importante não confundir intuição com pressentimento ou previsão. A intuição é simplesmente a capacidade da consciência de reconhecer uma verdade. O intelecto apenas analisa se um pensamento é coerente ou não; a intuição é que pode indicar se este pensamento expressa ou não uma verdade. É pelo reconhecimento intuitivo, por exemplo, que uma pessoa apreende os princípios éticos e valores universais. Naturalmente, intelecto e intuição devem trabalham em cooperação. A intuição revela as ideias superiores, e cabe ao intelecto interpretá-las e aplicá-las corretamente.

E como podemos cultivar a consciência intuitiva? O mito sugere: É preciso muita perseverança, pois o processo é lento (o trabalho levou um ano inteiro); temos que estar atentos às armadilhas do intelecto (Diana atrapalhava Hércules); deve haver estabilidade emocional (o lago tranquilo); e devemos ajudar o processo usando a flecha do pensamento claro e certeiro.

À medida que a consciência intuitiva desabrocha, podemos aprender a reconhecer o que é ensinamento espiritual genuíno e o que foi distorcido; podemos aprender a nos apoiar em princípios e valores espirituais; podemos descobrir o mundo das ideias universais como o nosso verdadeiro lar e porto seguro; podemos descobrir a humanidade toda como a nossa verdadeira família espiritual, e autenticamente encontrar em cada ser humano um irmão.



Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br



Fonte: Grupo Logos
http://logosastrologiaesotericaport.blogspot.com.br/2011/07/cancer-consciencia-intuitiva.html
Fonte da Gravura: http://osdozeolimpianos.blogspot.com

MURMURAÇÕES

“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas.” — Paulo. (FILIPENSES, Cap. 2, V. 14)

Nunca se viu contenda que não fosse precedida de murmurações inferiores. É hábito antigo da leviandade procurar a ingratidão, a miséria moral, o orgulho, a vaidade e todos os flagelos que arruinam almas neste mundo para organizar as palestras da sombra, onde o bem, o amor e a verdade são focalizados com malícia.

Quando alguém comece a encontrar motivos fáceis para muitas queixas, é justo proceder a rigoroso auto-exame, de modo a verificar se não está padecendo da terrível enfermidade das murmurações.

Os que cumprem seus deveres, na pauta das atividades justas, certamente não poderão cultivar ensejo a reclamações.

É indispensável conservar-se o discípulo em guarda contra esses acumuladores de energias destrutivas, porque, de maneira geral, sua influência perniciosa invade quase todos os lugares de luta do Planeta.

É fácil identificá-los. Para eles, tudo está errado, nada serve, não se deve esperar algo de melhor em coisa alguma. Seu verbo é irritação permanente, suas observações são injustas e desanimam.

Lutemos, quanto estiver em nossas forças, contra essas humilhantes atitudes mentais.

Confiados em Deus, dilatemos todas as nossas esperanças, certos de que, conforme asseveram os velhos Provérbios, o coração otimista é medicamento de paz e de alegria.


Francisco Cândido Xavier/Emmanuel



Fonte: do livro "Pão Nosso"
www.caminhosluz.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal