terça-feira, 27 de julho de 2021

PRERROGATIVAS



A existência na Terra, em si mesma, é alta concessão da Divindade, para todos que nos encontramos no afã de conseguir a libertação dos atavismos ancestrais, que nos jugulam, ainda, no primarismo da origem orgânica.

Viver, portanto, no corpo somático, dando curso ao impositivo da evolução, é bênção que não pode ser desconsiderada ou malbaratada inutilmente.

O progresso é lei irreversível, e ninguém consegue evadir-se da sua injunção.

Passo a passo, a criatura avança, conquistando o conhecimento que ajuda a discernir e aprimorando o sentimento que facilita a emoção sublimada.

Na inevitável correnteza da reencarnação, o Espírito ascende atraído pela grande luz do amor de Nosso Pai, que lhe constitui a aspiração máxima.

Esse fatalismo resulta da própria origem do ser, que se encontra ínsita no Psiquismo Divino.

Passando pelos diferentes níveis do processus, superou o entorpecimento no mineral, adquiriu a sensibilidade no vegetal, conseguiu o instinto no animal, despertando, por fim, para a razão hominal e continuando futuro afora, galgando patamares mais elevados, que culminarão na plenitude que o aguarda, quando concluídas as etapas indispensáveis que lhe cumpre vencer.

Direcionado por essa compreensão, obstáculo algum pode impedir-lhe o avanço, antes lhe constituindo desafio que o fascina e aguarda pela superação.

À medida que o Espírito desenvolve as suas aptidões, mais percebe que as dificuldades são testes de avaliação para sua capacidade solucionadora de problemas, porquanto, convidado a novos embates, mais amplia o discernimento e melhor desenvolve os recursos que lhe dormem latentes, jamais lhe constituindo impedimento à marcha.

Quem se resolve pela lamentação ante a montanha que deve galgar nunca desfruta da paisagem imensa, atraente, que se descortina do alto. Assim também, aquele que se compraz com o vale estreito perde a oportunidade de viajar pelos horizontes infinitos que deslumbram.

O estágio prolongado na planície ou a montanha depende de quem aí se instala. A vida propõe sempre a elevação, a conquista de mais felizes patamares, em intérmina luta de valorização do ser. Quem, portanto, propõe-se à libertação dos vínculos com a retaguarda, com a horizontalidade, facilmente alcança as metas plenificadoras.

O ser humano está fadado à glória estelar. No entanto, cumpre-lhe avançar sem descanso, jamais se entregando ao desânimo ou recuando ante as dificuldades. Se para, tem como objetivo recuperar as forças, a fim de dar continuidade ao programa estabelecido.

Nenhuma prerrogativa, portanto, de exceção, nesse programa iluminativo, que faculte ao indivíduo honestamente dedicado ao crescimento interior permitir-se ascensão sem as experiências nas fases iniciais do desenvolvimento que lhe cumpre conquistar.

As suas prerrogativas, aquelas que lhe dizem respeito, são assinaladas pelas lutas de superação de si mesmo, nas variadas etapas pelas quais deve passar, assinalando o caminho com as vitórias que são conseguidas,

A própria consciência do dever estabelece os limites de repouso e as diretrizes de trabalho para a empresa encetada, que não pode sofrer solução de continuidade.

Quando o Espírito descobre o real significado da existência, empenha-se na conquista de si mesmo e dos valores que proporcionam o desenvolvimento infinito, não mais se submetendo às circunstâncias limitadoras.

Certamente existem prerrogativas nem sempre levadas em conta pelo indivíduo, destacando-se a de servir sempre e sem desfalecimento, assim construindo o bem por onde passa, deixando marcas positivas das suas realizações, que equivalem a tesouros que o iluminam por dentro.

Sempre se pensa que, diante de algumas conquistas, credencia-se a merecer prestígio e consideração que, em realidade, são sinais de decadência no cumprimento dos deveres morais abraçados.

Todo aquele que aspira à felicidade labora sem descanso para consegui-la, investindo energia e capacidade intelectual para deslindar-se dos difíceis cipoais da comodidade, do prazer, da ociosidade que espera sempre poder desfrutar privilégios que não merece.

As leis da Evolução funcionam em regime de igualdade para com todos os seres do Universo, abrindo o elenco das possibilidades de triunfo para aqueles que se lhes submetem através do empenho e do interesse por consegui-lo.

Prerrogativas, pois, disputadas pelas criaturas humanas encontram-se fora dos códigos que regem a vida, propondo, em si mesma, a solidariedade que a todos deve unir, o trabalho que não cessa, a alegria de realizar-se, que significa, estímulos para novos avanços.

Uma análise profunda em torno das prerrogativas que devem assinalar o indivíduo no seu processo de crescimento espiritual deve ter em conta a honra de estar consciente das suas responsabilidade e tarefas, o júbilo de encontrar-se desperto para a realidade estrutural, que é transcendente.

Aquele que está consciente do que deve fazer e de como proceder brilha e age em consonância com o grau de entendimento, porque já não crê na sua vitória sobre as paixões dissolventes, mas sabe que o triunfo é inevitável, pois para conquistá-los é que luta.

Empenha-te na vivência da prerrogativa de que és filho de Deus, rumando para o Infinito, e segue intimorato, fazendo o melhor ao teu alcance, sem preocupar-te com os problemas do cotidiano.

Quem se não esforça para atingir o cume da subida, reclama na baixada, vencendo pela comodidade perturbadora.

Somente os heróis sobre si mesmos merecem os lauréis da paz e da plenitude – prerrogativas, estas sim, da batalha sem quartel travada nos campos da consciência.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis


Fonte: http://www.divaldofranco.com.br/index.php
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

IRRADIE LUZ


Cada um de nós é um irradiador ambulante.

Irradiamos principalmente pensamentos e atitudes.

Profundamente de dentro nós, irradiamos nosso estado de ser, e o estado essencial original e eterno de cada ser é pacífico e amoroso.

Nós, porém, bloqueamos e distorcemos essa energia com nossos apegos.

Os apegos transformam amor em medo, paz em raiva e, então, distorcem nossas atitudes e ações em relação aos outros.

Isso não é relaxante para nós, nem para os que estão ao nosso redor.

É por essa razão que o desapego é o segredo para viver com leveza e amor.



Brahma Kumaris



Fonte: https://www.brahmakumaris.org.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 26 de julho de 2021

COMPREENDENDO A ACEITAÇÃO


Primeiro tente entender o significado da expressão: "Aceitação daquilo que É". Buda sempre usa muito essa expressão. Na linguagem dele, a palavra é tathata, aceitação daquilo que é.

Toda a orientação budista consiste em viver essa palavra, em viver com essa palavra com tamanha profundidade que a palavra desaparece e você se torna a aceitação daquilo que é. Por exemplo, você fica doente. A atitude de aceitação daquilo que é consiste em aceitar a doença e dizer a si mesmo: “Tal é o caminho do corpo”, ou “É assim que as coisas são”. Não lute, não comece a travar uma batalha. Depois que aceitar, depois que deixar de reclamar e parar de brigar, a energia passa a ser uma só por dentro. A ruptura se desfaz e muita energia passa a ser liberada, pois deixa de haver conflito e a própria liberação da energia passa a ser uma força de cura. Algo está errado no corpo: relaxe, aceite isso e simplesmente diga para si mesmo, não só com palavras, mas sentindo profundamente: "Tal é a natureza das coisas". O corpo é um conjunto, muitas coisas se combinam nele. O corpo nasce e está propenso a morrer. Trata-se de um mecanismo complexo e há toda a possibilidade de uma coisa ou outra sair errada. Aceite isso e não se identifique. Quando aceita, você fica acima, você transcende. Quando luta, você desce para o mesmo nível.

Aceitação é transcendência. Quando aceita, você fica sobre uma colina e o corpo é deixado para trás. Você diz: "Sim, tal é a sua natureza. O que nasce tem de morrer e, se tem de morrer, às vezes fica doente. Não é preciso se preocupar tanto." — fale como se isso não estivesse acontecendo com você, só acontecendo no mundo das coisas.

Esta é a beleza: quando não está lutando, você transcende e deixa de ficar no mesmo nível. Essa transcendência torna-se uma força de cura. De repente o corpo começa a mudar.

O mundo das coisas é um fluxo; nada é permanente ali. Não espere permanência! Se esperar permanência neste mundo onde tudo é impermanente, você provocará inquietação. Nada pode ser para sempre neste mundo; tudo o que pertence a este mundo é momentâneo. Essa é a natureza das coisas.

Se você relutar em aceitar um fato, viverá o tempo todo na dor e no sofrimento. Se você o aceita sem nenhuma queixa – não num estado de impotência, mas de compreensão – , trata-se de aceitação daquilo que é. Dali em diante você deixa de ficar preocupado e não existe mais problema. O problema surgiu não por causa do fato, mas porque você não o aceitava da maneira como estava acontecendo. Você queria que ele seguisse os seus pensamentos.

Lembre-se, a vida não vai seguir você, você é que tem de segui-la. Com má vontade ou com alegria, a escolha é sua. Se você seguir com má vontade, sofrerá. Se segui-la com alegria, você se tornará um buda e a sua vida se tornará um êxtase.


OSHO



Fonte: do livro "Osho em Todos os Dias"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

RECONECTANDO COM NOSSO CENTRO


[...] Buscarei descobrir o que é realmente a meditação. A meditação simplesmente é uma maneira de chegar a teu centro e de permanecer em teu centro desperto, vivo e quieto. O grande problema com a vida de muitos de nós é que vivemos em um nível incrivelmente superficial. Ao meditar buscamos encontrar nosso caminho à profundidade de nosso ser.

A palavra "meditação" vem do latim "meditare" que significa "stare in medio", estar no centro. A palavra "contemplação" é o mesmo. Não significa olhar algo - nem a Deus, nem a nada mais. Contemplação significa "estar no templo" com Deus. O templo é o próprio coração, a profundidade de nosso próprio ser.

Ao meditar abandonamos os níveis superficiais de nossa vida e entramos em algo que é profundo. Ao meditar renunciamos ao que se passa, ao efêmero e entramos no que é eterno. O último objetivo da religião é re-ligar, e o re-ligar é com nosso centro. Este é o propósito de toda a religião: que nos re-liguemos ao nosso centro.

Na revelação cristã, em nosso coração, nas profundidades de nosso espírito, vive o Espírito de Deus. A verdade que descobrimos desde nossa própria experiência, e se somente a vivenciarmos, é que só há um centro e que esse centro está em todos os lugares.


Dom John Main, OSB



Fonte: do livro "Hunger for Depth and Meaning"
Via https://permanecerensuamor.com/reconectando-nuestro-centro-john-main-osb/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 22 de março de 2021

OS QUE TRABALHAM PARA A UNIDADE


O nosso espírito deve viajar para se instruir e se aperfeiçoar. Por isso, não só podemos mudar de sexo de uma existência para outra, como encarnamos em países diferentes, em meios sociais diferentes, em religiões diferentes. Então, que sentido podem ter os fanatismos, as ideias de nacionalismo, de luta de classes, de combate pela verdadeira fé? Objetivamente, nada disso assenta em qualquer base sólida. O espírito viaja pelo espaço. São os humanos que, na sua cegueira, criam artificialmente as separações entre as raças e as culturas. Mas, um dia, nada restará destes pontos de vista limitados, pois nenhum tem razão nas suas reivindicações. Só têm razão os seres que trabalham para a unidade, para a realização do Reino de Deus na Terra.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com

QUALIDADES A DESENVOLVER


A base do autorrespeito é a fé de que Deus me ama. Através desta experiência posso cultivar o amor próprio. Ao estudar as virtudes de Deus e incorporá-las em minha vida diária, a fé no meu valor inerente aumenta. Mas não é fácil ter autorrespeito porque geralmente o senso que eu tenho de mim é baseado em coisas externas como elogio e posição. A medida que esses aspectos oscilam, a auto apreciação também oscila. Um dia sentirei que sou muito bom e no dia seguinte que não tenho valor. Na verdade, autorrespeito não é o que estou fazendo na minha vida mas o grau de qualidade e virtude que eu trago em cada ato. (Dadi Janki)

Quando tenho autorrespeito eu aprecio minha própria companhia. Se me falta autorrespeito me torno extrovertido, procuro em outros o que não consigo valorizar em mim. Autorrespeito me dá poder para acomodar todas as situações, uma vez que não me deixo afetar por elas. Autorrespeito me ensina a tomar benefício das críticas. Com autorrespeito eu não preciso provar a ninguém que estou certo. Isto me torna totalmente honesto.

Generosidade é mais do que simplesmente dar. O maior ato de generosidade é ver além das fraquezas e erros dos outros, ajudando-os a reconhecer seu valor inato. Os verdadeiros generosos são aqueles que se esforçam para serem mestres de si. Eles são sempre benevolentes com aqueles que criticam ou ignoram o que é bom. Eles entendem que para haver um profundo trabalho interior é preciso alcançar a bondade. Eles têm empatia pelas pessoas porque conhecem as dificuldades enfrentadas por elas na busca do autoconhecimento. Aqueles que nunca tentaram se aprimorar tem pouca tolerância em relação aos outros. (Dadi Janki)

Autoestima é um aspecto importante para o meu bem-estar e para melhorar a qualidade da conversa comigo mesmo. Para aumentar a autoestima eu preciso: (1) reduzir as conversas negativas; (2) pensar no meu progresso espiritual e compartilhar com os outros; (3) evitar pessoas negativas que me levam para baixo; (4) dar a mim revigoramento interior através da meditação; (5) focar nas minhas qualidades e tornar-me genuíno; (6) investir tempo naquilo que me faz sentir bem. (Dr. Usha Kiran)

Inspiração é diferente de motivação. Inspiração é um pensamento, motivação é uma ação. Uma pessoa auto motivada é como um imã que atrai recursos, oportunidades e experiências porque ela coloca pensamentos, ideias e planos na prática. Para sustentar a motivação é necessário ter a capacidade de decidir com precisão. Decidir o que pensar, o que falar, o que fazer. Esse poder pode ser assimilado através da meditação e do cultivo de pensamentos de qualidade. Pensamentos de qualidade são positivos, elevados e benéficos. Eles funcionam como um tônico para manter a motivação.


Brahma Kumaris



Fonte: https://www.brahmakumaris.org.br
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domingo, 7 de março de 2021

OS LAÇOS ESPIRITUAIS DOS RELACIONAMENTOS DE VIDAS ANTERIORES


 "É apenas uma questão de evolução até que as pessoas se lembrem de suas experiências terrestres anteriores e do que viveram nas antigas vidas terrestres e condições de existência." - Rudolf Steiner


Hoje em dia, os hereges não são tratados como eles costumavam ser. Eles não acabam sendo queimados na estaca, mas são vistos em vez disso como tolos e sonhadores cujas palavras são apenas o produto de uma imaginação caprichosa. Eles são ridicularizados e, a partir do alto tribunal de julgamento científico, eles são informados de que o que eles têm a dizer não pode ser harmonizado com a ciência genuína. Mas as pessoas que fazem tudo isso não estão conscientes de que a verdadeira e genuína ciência é precisamente o que demanda essa verdade.

E agora podemos citar centenas e centenas de verdades que nos mostram como a ciência espiritual pode iluminar a vida ao mostrar que existe um núcleo imortal nos seres humanos que transcende o portal da morte e se eleva aos mundos espirituais. Quando cumpre sua missão, retorna à existência física para reunir novas experiências que, então, são levadas pós morte para os mundos espirituais.

Veríamos como os laços estabelecidos entre uma pessoa e outra, de alma para alma em todas as áreas da vida, as atrações do coração que passam de alma para alma e das quais não há explicação, podem ser explicadas pelo fato de que eles foram formadas através de relacionamentos em vidas anteriores. Também veríamos que os laços espirituais que formamos hoje também não chegam ao fim quando a morte nos eleva da nossa existência terrena. Em vez disso, o que se move de alma para alma como um vínculo da vida é tão imortal quanto a própria alma humana; continua a viver com a alma enquanto esta passa pelo mundo espiritual, e voltará a viver em outras futuras relações terrestres e novas encarnações. É apenas uma questão de evolução até que as pessoas se lembrem de suas experiências terrestres anteriores e do que viveram nas antigas vidas terrestres e condições de existência.


Rudolf Steiner

Strasbourg, 2 de janeiro de 1910




Fonte do texto e da Gravura: Biblioteca Virtual da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/
Tradução livre: Leonardo Maia

sexta-feira, 5 de março de 2021

A ILUSÃO DA SEPARATIVIDADE


Um ser humano é parte limitada, em tempo e espaço, de um todo chamado universo.

O ser humano vivência a si mesmo como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão.

Ele vê seus pensamentos e sentimentos como separados do resto - um tipo de ilusão da sua consciência. 

Essa ilusão é um tipo de prisão para nós mesmos, que nos restringe aos nossos desejos pessoais e às afeições apenas às pessoas que estão mais próximas.

Nossa tarefa deve ser nos livrarmos dessa prisão ao aumentar nosso círculo de compaixão, para que ele inclua todas as pessoas e toda a natureza na sua beleza.

Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.



Albert Einstein



Fonte não citada.
Fonte da Gravura: Tumblr.com

PENSAMENTOS ERRANTES


Os pensamentos são entidades vivas. Alguns morrem muito depressa, outros subsistem por bastante tempo. Isso depende sempre da potência com que foram formados. Há mesmo aqueles que podem manter-se durante séculos. São entidades de todas as espécies. Assim, sede prudentes, estai atentos, ligai-vos ao mundo sublime. Quem deixa a cabeça, a alma e o coração abertos a todas as entidades errantes do espaço será sua vítima. De modo inverso, quem sabe preparar-se interiormente só pode atrair influências benéficas, que virão acompanhá-lo para o inspirar e alegrar continuamente. O discípulo, que conhece estas realidades, procura rodear-se apenas de obreiros luminosos que o ajudarão no seu trabalho.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/homem-pensamento-pensamentos-2546791/

quinta-feira, 4 de março de 2021

A PRESENÇA DIVINA EM NOSSA VIDA


[...] À medida que a dimensão espiritual é progressivamente despertada pela prática contemplativa regular, muitas pessoas tornam-se conscientes duma Presença na sua vida. Elas dirão muitas vezes, tal como eu, que isso lhes dá uma sensação de serem guiadas e acompanhadas. Posto deste modo, pode parecer um pouco arrepiante ou fantasmagórico; mas não é assim. Não é uma entidade separada que nos informa ou manipula ou que interfere com a nossa liberdade para escolher e assumir responsabilidades. Algumas pessoas interpretam-na dessa maneira. Mas isso é habitualmente uma fantasia construída ou, em casos extremos, uma patologia mental.

Talvez a Presença a que me refiro seja mais bem entendida como uma modificação da nossa autoconsciência. (Por um lado) à medida que crescemos e nos desenvolvemos (com o passar dos anos), um sentido do “eu”... torna-se presente para nós mesmos: auto-consciente, auto-julgador, auto-observador. “Ó, por que é que eu disse aquilo? Sinto que sou um fracasso... Ou, ocasionalmente, eu sou o maior!” Esta presença para nós mesmos pode tornar-se um fardo, até mesmo uma aflição... (Por outro lado) com uma crescente consciência contemplativa, esta intensa autoconsciência é modificada. Sabemos ainda quando erramos, mas somos menos duros conosco mesmos, menos suscetíveis e auto protetores.

De onde vem esta mudança? Algumas pessoas diriam que vem de um crescente sentido da Presença de Deus. Este sentido é como os outros sentidos físicos e o sexto sentido da intuição. É inato, mas precisa de ser libertado e de crescer. A Presença de Deus não é como uma pessoa que está a mais numa sala ou como a nossa sombra. É um “Eu Sou” que não compete ou ameaça. Vem para ser entendido como aquilo que nos torna capazes de estar presentes para nós mesmos, para os outros, para o mundo – e para Deus. Este “Eu Sou” está em todo o lado. Não lhe podemos fugir; e por que é que haveríamos de querer fazê-lo? Se o tentarmos, estaremos a tentar fugir de nós próprios. [...]


Dom Laurence Freeman, OSB



Fonte: Comunidade Mundial para a Meditação Cristã (Portugal)
https://www.meditacaocrista.com/
Fonte da Gravura: Tumblr.com

terça-feira, 2 de março de 2021

REFLEXÕES SOBRE A CONSCIÊNCIA E PODER ESPIRITUAL


Poder espiritual

Da mesma forma que uma casa abandonada atrairia ladrões para saqueá-la, quando nos esquecemos do nosso lar e identidade internos, a raiva, a ganância e a arrogância entram em nós e começam a nos roubar. Olhe para a sua vida. Quando você sente qualquer forma de falta de paz, a origem é um desses ladrões. O poder que permite que você tenha vitória sobre eles é o poder espiritual. (Dadi Gulzar)

Circunstância

Circunstâncias são como objetos. Elas não são vivas, você é que dá vida a elas. O positivo é mais poderoso do que o negativo. O positivo é inato. O negativo indica que algo está faltando. Luz existe e sua ausência é a escuridão. Nunca esqueça que você pode decidir que atitude tomar. Você tem um imenso potencial positivo a ser descoberto. Esses pensamentos lhe ajudarão a enfrentar qualquer circunstância com uma perspectiva diferente. (Enrique Simó, The Gift of Peace, Brahma Kumaris Information Services, London, 2002)

Consciência da alma

Consciência da alma é um lindo estado do ser, onde o senso total de si muda de uma identidade física para uma identidade espiritual. Na consciência da alma você não mais sente que é homem ou mulher, velho ou jovem. Sua auto estima nesse estado é marcada por uma profunda experiência do seu valor intrínseco como filho de Deus.

A perda da consciência de alma coloca o bem estar nas mãos do ambiente ao nosso redor. Nos tornamos escravos das influências das pessoas e situações. Nos sentimos felizes apenas quando os eventos externos garantem isso. Por outro lado, a consciência da alma nos liberta das influências externas, nos permitindo criar bem estar independente dos acontecimentos que fogem do nosso controle. (Dadi Janki)



Fonte: Brahma Kumaris
https://www.brahmakumaris.org.br/
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SILÊNCIO IMPONENTE


A linguagem é muito débil para a explicação da plenitude do mistério.

É por isso que o silêncio absoluto da meditação é muito importante.

Não tratamos de pensar em Deus, dirigir-nos a Deus ou imaginar a Deus.

Ficamos naquele silêncio imponente abertos ao silêncio eterno de Deus.

Descobrimos na meditação, pela prática e ensinamento diário da experiência, que este é o ambiente natural para todos nós.

Somos criados para isto e nosso ser prospera e se amplia naquele silêncio eterno.


Dom John Main, OSB



Fonte: do Blog “El Meditador Cristiano”
http://elmeditadorcristiano.blogspot.com/
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segunda-feira, 1 de março de 2021

FOCAR NO QUE NOS FALTA OU NO QUE TEMOS ?


Vós passeais por toda a parte com os vossos pequenos infortúnios: «Dói-me aqui, falta-me aquilo...» Por que vos focais sempre em tudo o que vos falta e nunca no que já tendes? Por que não dizeis todos os dias: «Tenho pernas, braços, boca, olhos, ouvidos. Recebo um ensinamento divino. Então, possuo o Céu e a Terra! Ah, que riqueza! A vida é bela!»? Todos os dias deveis pensar que sois um filho de Deus, uma filha de Deus, e que podeis voltar a ser o que éreis no passado longínquo, quando saístes do seio do Eterno. Perdestes esse estado ao quererdes, como o filho pródigo, fazer experiências longe da casa do vosso Pai. Mas agora podeis voltar para Ele. É isso o regresso à casa do Pai, a “reintegração dos seres”: quando o homem volta a ser todo-poderoso, senhor das forças da Natureza, e encontra finalmente a sua dignidade de herdeiro de Deus. É esta a sua verdadeira predestinação. Então, por que vos focais sempre nas pequenas coisas que vos faltam?...


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com

QUANDO UM CEGO GUIA OUTRO CEGO


Disse Jesus: Quando um cego guia outro cego, ambos cairão na cova (texto 34, do Evangelho de Tomé).

Nos outros evangelhos aparecem as mesmas palavras em conexão com os "guias cegos" da Sinagoga de Israel.

Mas essa palavras valem também num sentido geral para cada homem, e sobretudo para os diretores espirituais.

O ego humano é um cego, não tem a vidência da Verdade libertadora. Se esse cego não se deixar guiar por um vidente, desvia do caminho certo. O guia vidente seria o Cristo Interno, a Alma; mas, se ela mesma não tem a devida experiência do seu Cristo, esse ego cego é guiado por outro ego cego.

Daí a imperiosa necessidade de despertar em si o Eu Vidente. Auto-realização é impossível sem esse auto-conhecimento.

Estamos vivendo na "era dos gurus". Por toda a parte, desde o Oriente até o Ocidente, há homens que se arvoram em mestres e congregam discípulos. Os mestres prometem e conferem "iniciação" a seus discípulos; alguns até oferecem diplomas ou certificados de iniciação. Nesse processo há dois iludidos: o iniciador e o iniciado. Nenhum homem pode iniciar outro homem; não existe alo-iniciação; só existe auto-iniciação. Jesus, o maior dos Mestres espirituais, nunca iniciou nenhum de seus discípulos, durante os três anos de sua atividade pública. Entretanto, no dia de Pentecostes, 120 dos seus discípulos se auto-iniciaram, depois de 9 dias de silêncio e meditação.

O que o Mestre pode fazer é por setas na encruzilhada, indicando o caminho certo aos iniciandos. Mas a iniciação é obra de cada iniciando iniciável. Se o Mestre não é um verdadeiro iniciado na Verdade libertadora, nem sequer pode colocar setas no caminho, porque ele mesmo ignora o caminho certo - é um guia cego guiando outro cego.

Revela grande presunção um homem querer declarar que alguém é iniciado; iniciação é um processo misterioso que ninguém conhece a não ser o próprio iniciado. Dar certificado de iniciação a alguém revela tanta ignorância quanto arrogância. É possível iniciar alguém ritualmente, mas não espiritualmente. Se um ritualmente iniciado se considera realmente iniciado, é um pobre iludido.

Uma das maiores fraudes espirituais da humanidade de hoje se chama iniciação.



Fonte: do livro "O Quinto Evangelho - A Mensagem do Cristo segundo São Tomé", texto 34, tradução e notas de Huberto Rohden, Ed. Alvorada, 5ª ed., São Paulo/SP
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domingo, 28 de fevereiro de 2021

PODER DE RECOLHER-SE


Recolher-se é desapegar. É dar um passo atrás da situação atual. É me distanciar da influência das situações externas que me prendem nas teias dos sentimentos e emoções. Para que eu possa me recolher é crucial entender que não preciso ficar apegado aos acontecimentos rotineiros ou às marés da vida. A meditação me ajuda a construir esse poder. Aprendo a ficar mais quieto. Falo menos. Penso menos. Desenvolvo uma disciplina interior. Para isso, preciso considerar minha mente como minha filha. Não devo repreendê-la por pensar negativo, mas tratá-la com cuidado e amor. Isto trará perseverança e finalmente o poder de recolher-se.


Brahma Kumaris



Fonte: https://www.brahmakumaris.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/est%C3%A1tua-de-buda-est%C3%A1tua-musgo-378137/

EVANGELHOS E SIGNIFICADOS OCULTOS E ATEMPORAIS


Os evangelhos revelam verdades eternas tais como as leis do ser, as experiências místicas interiores e progresso das nações e dos homens.

Os incidentes relacionados, em acréscimo ao significado temporal como história, tem pelo menos quatro significados atemporais.

Eles descrevem leis e operações do divino na natureza cósmica e solares; a experiência mística do gênero humano em geral; despertares interiores em discípulos ou naqueles que se desenvolvem adiante da raça; e experiências durante as grandes iniciações.


Geoffrey Hodson



Fonte: do livro "A Vida do Cristo da Natividade à Ascensão", Ed. Teosófica, Brasília/DF
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/livro-aberto-b%C3%ADblia-escrituras-981405/

A VIDA TEM UM SENTIDO


Por mais decadentes que pareçam o homem e o mundo e por mais terrível que se torne o desespero humano, enquanto o homem continuar a ser homem, é a sua própria humanidade que continuará a dizer-lhe: a vida tem um sentido.

Essa é, de fato, uma das razões pelas quais tende o homem a rebelar-se contra si mesmo.

Se ele pudesse ver sem esforço o sentido da vida e chegar sem tropeço ao seu fim, jamais discutiria o fato de que a vida bem vale ser vivida.



​Thomas Merton, OSB




Fonte: do livro "Homem Algum é uma Ilha"
Via Comunidade Monástica Anglicana - Igreja Anglicana Tradicional do Brasil
https://www.mongesanglicanos.org/
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sábado, 6 de fevereiro de 2021

EXPERIÊNCIA GNÓSTICA


Os gnósticos chegaram à conclusão de que o único caminho para superar o sofrimento era reconhecer a verdade sobre o papel e o destino da humanidade no universo. Convencidos de que as únicas respostas estariam dentro deles mesmos, os gnósticos empenhavam-se em uma jornada interior intensamente particular. Ao dar-se conta desse seu Eu Essencial, do Divino dentro de si, o gnóstico rejubilava-se por ter-se libertado das restrições exteriores e celebrava sua identificação com a existência divina. O gnóstico não pode simplesmente confiar no que os outros dizem, exceto temporariamente, até ter encontrado o seu próprio caminho e descoberto a sua própria relação imediata com a verdade em si.


Elaine Pagels



Fonte: do livro "Os Evangelhos Gnósticos", Ed. Cultrix, São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/flor-lotus-planta-aqua-tabela-po%C3%A7a-3103636/

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

POR QUE CONTAMOS CONTOS DE FADAS NAS ESCOLAS WALDORF ?


Músicas e contos antes de ir dormir fortalecem os aspectos espirituais das crianças, além disso, são uma porta de entrada para os mistérios da noite e dos sonhos. Contos são pura sabedoria.​​​​​

Não há cultura nem etnia que não tenha em sua existência uma série de contos que se caracterizam por dar a conhecer suas próprias raízes e costumes: sua própria maneira de se aproximar da realidade e de compreender a vida. Os contos - como as músicas - dão a volta ao mundo e nós, desde que nascemos, vamos nos permeando deles.

Um conto sempre tem ouvidos para ser ouvido, principalmente os de uma criança que, por mais que avance a tecnologia, fica boquiaberta, enfeitiçada pela narração e pelo relato. Há contos que são recebidos por tradição oral e há contos que são lidos diretamente dos milhares de livros que os compilam.

Ouvir e ler contos vai moldando futuros leitores e amantes da literatura; o bom falar, a paixão por procurar palavras-chave para expressar cada emoção (como acontece com a poesia) e perceber que palavras podem servir tanto para ferir como para amar. Aprender a ler (e também a escrever) vai além de ser algo simplesmente funcional para não ser analfabeto.

Deleitar nossos meninos e meninas na linguagem é ajudá-los a se conhecerem melhor e a saberem se expressar da melhor maneira possível. Músicas e contos antes de ir dormir fortalecem os aspectos espirituais das crianças, além disso, são uma porta de entrada para os mistérios da noite e dos sonhos. Contos são pura sabedoria.

Com contos realizamos os dois melhores presentes que podemos fazer aos nossos filhos: tempo e paciência. Hora de crescer e amadurecer e paciência para que cada menino e cada menina se desenvolva como pessoa, trazendo o melhor de si para a comunidade. E que, com a ajuda dos contos, ajudemos as crianças a construir a sua maneira pessoal de viver a vida, de captar a realidade e de lutar pela verdade para que elas cheguem a ser pessoas nobres e honradas.

O nosso mundo precisa da voz das crianças, e nós adultos precisamos de contos para não perder a criança que levamos dentro e que, com o tempo e a vida que nos disseram que devemos viver, tem vindo a ficar submersa nas profundidades da rotina, desconsolo e falta de sentido. Os contos nos libertam de tudo isso através da imaginação e nos conectam com nosso mundo inconsciente, ávido e necessitado de valor.

Com os contos surgem os aspectos morais (em relação aos outros) e os aspectos éticos (em relação a si mesmo) como necessidade de explicar tanto a realidade que nos rodeia como a própria natureza humana. Alguns acompanham festas e celebrações antropológicas e outros refletem problemas e situações humanas.

Não há dificuldade, problema ou situação humana que não fique refletida nos contos e narrações orais. A narração oral surge espontaneamente em quase todas as comunidades e culturas como uma necessidade tanto individual como grupal de se explicar o mundo. Os contos realizam uma função catártica (purga emocional; profilaxia anímica) que facilita a reflexão e o controle dos pensamentos e sentimentos do ser humano, ao mesmo tempo que são alimento espiritual (e compreendemos o conceito espiritual sob um ponto de vista da transcendência da vida, não como crença religiosa; religião é uma maneira de entender o espiritual, mas não é a única).

Cada conto tem uma mensagem concreta e personagens e ações simbólicas, um tesouro por descobrir, algo valioso do que se apropriar que dá sentido ao próprio ato de busca e apropriação, ou seja, de viver a vida. Vamos aproveitar tudo isto e recuperar a tradição do conto na vida familiar para bem de todos!


Escola Waldorf Córdoba

Tradução livre: Leonardo Maia



Fonte do Texto e da Gravura: Biblioteca Virtual da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/

MEDITAÇÃO - O CONTATO COM A FONTE


A meditação é o caminho do crescimento, o caminho do aprofundamento do nosso compromisso com a vida, a nossa própria maturidade.

É a mais importante prioridade para cada um de nós possibilitar ao seu espírito duas coisas: primeiro, o contacto mais profundo possível com a fonte da vida, e, então, como resultado desse contacto, disponibilizar ao nosso espírito um espaço dentro do qual se possa expandir.



Dom John Main, OSB



Fonte: Comunidade Mundial para a Meditação Cristã (Portugal)
https://www.meditacaocrista.com/
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

PODER DE JULGAR


De forma imparcial e desapegada, eu julgo meus pensamentos, palavras e ações. Eu vejo se eles são benéficos e coerentes à situação. Eu me torno um juiz de mim mesmo, nunca um juiz dos outros. Como reflexo disso, há um equilíbrio entre amor e lei. Há amor espiritual pelos outros e disciplina para manter minha conduta elevada. Se eu vejo uma pessoa fazer algo que não me parece correto, há duas atitudes possíveis: (1) inspirá-la a agir corretamente, caso ela não tenha percebido o erro; (2) ter bons votos, caso ela tenha reparado no erro e está se esforçando para superá-lo.


Ken O'Donnell



Fonte: Brahma Kumaris
https://www.brahmakumaris.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/martelo-madeira-sala-de-tribunal-1017953/

ENSINAMENTO DE JOÃO CASSIANO SOBRE A ORAÇÃO


Foi no final do séc. IV que João Cassiano, que teve mais tarde uma grande influência em S. Bento, introduziu o uso de um versículo de oração no monaquismo ocidental. Tendo ele próprio recebido essa prática dos santos padres do deserto, Cassiano situava a sua origem à época de Jesus e dos apóstolos. Ele recomendava a quem se mostrasse desejoso de aprender a orar que pegasse num único versículo e o repetisse sem interrupção. Na sua Décima Conferência sobre a oração, ele aconselha vivamente a utilização desse método de repetição simples e contínua, para afastar as distrações e a tagarelice estéril da mente, a fim de poder ficar imóvel em Deus.

O ensinamento de Cassiano sobre a oração apoia-se nas palavras de Jesus nos evangelhos: “Quando rezares, não sejas como os hipócritas… mas entra no teu quarto e, depois de fechares a porta, reza a teu Pai em segredo, pois Ele, que vê o oculto, ouvir-te-á. Nas tuas orações não sejas como os gentios, que usam de vãs repetições porque julgam que, por muito falarem, serão atendidos. Não faças como eles, porque o teu Pai celeste sabe do que necessitas antes de Lho pedires”. (Mt: 6,5-8)


Autor não especificado.



Fonte: Comunidade Mundial para a Meditação Cristã (Portugal)
https://www.meditacaocrista.com/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/isl%C3%A2mica-ora%C3%A7%C3%A3o-crep%C3%BAsculo-sol-3710002/

DE PASSAGEM


Conta-se que no século XIX, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito.

Seu objetivo era visitar um famoso rabino.

O turista ficou surpreso ao ver que o rabino morava num quarto simples, cheio de livros.

As únicas peças de mobília eram uma mesa e um banco.

— Onde estão os seus móveis? — perguntou o turista.

E o rabino, bem depressa, perguntou também:

— Onde estão os seus?

— Os meus? — Disse o turista. — Mas eu estou aqui de passagem?!

— Eu também! — Disse o rabino.

A vida está além da dimensão do corpo carnal, exuberante e luminosa, aguardando todos que a enfrentaram.



Divaldo Pereira Franco



Fonte: do livro "Anotações Espíritas", FEB, 1ª ed., 2013
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A TRADIÇÃO DA PALAVRA SAGRADA OU MANTRA


A mente tem sido comparada a uma árvore monumental cheia de macacos turbulentos que saltam de ramo em ramo sem nunca parar o alarido e a agitação. Basta começarmos a meditar para nos darmos conta até que ponto esta imagem descreve com exatidão a agitação permanente que impera na nossa mente. A oração não consiste em aumentar essa confusão tentando cobri-la com mais palavreado.

A meditação tem por objectivo levar a nossa mente agitada e distraída à imobilidade, ao silêncio e à atenção. Para nos ajudarmos nesta tarefa recorremos ao uso de uma palavra sagrada ou mantra.

O meditante que se inicia pode escolher entre várias palavras sagradas, mas é preferível recorrer a uma palavra consagrada ao longo dos séculos pela nossa tradição cristã, como é o caso da palavra MARANATHA. Esta palavra aramaica significa “Vem Senhor, vem Senhor Jesus”. É a palavra recomendada por John Main (1926-1982), um monge beneditino que transcreveu para uma linguagem moderna o ensinamento ancestral desta forma de oração. Foi com esta palavra que S. Paulo concluiu a sua primeira carta aos Coríntios (1 Co 16,22) e S. João o seu Apocalipse (Ap 22,20). Esta foi a palavra escolhida porque não tem qualquer conotação visual ou emocional. A sua repetição contínua conduz-nos, com o tempo, a um silêncio cada vez mais profundo.

A repetição da palavra sagrada é uma prática cristocêntrica, o que significa que ela está centrada na oração de Cristo que brota em permanência das profundezas de cada ser humano. Assim, neste caminho de “oração pura” abandonamos todo o pensamento, toda a palavra e toda a imagem. Nesta via, renunciamos ao nosso eu egotista para morrer e renascer para o nosso verdadeiro eu em Cristo.


Autor não especificado.


Fonte: Comunidade Mundial para a Meditação Cristã (Portugal)
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LIBERDADE E ESCRAVIDÃO


Existe uma história sobre um santo e uma grande alma sentados em um barco. Era noite e eles não conseguiam enxergar, mas podiam sentir o movimento do barco. Passaram toda a noite pensando que estavam navegando e ficaram contentes de estar ali sentados. Mas quando amanheceu eles descobriram que ainda estavam atracados à margem. Esta história nos ensina a não ficarmos ancorados à margem de nossas escravidões. Devemos nos assegurar que estamos nos movendo para frente. E para isso o método é sentar-se no barco da verdade e romper todas as amarras que nos causam tristeza.


Dadi Janki



Fonte: Brahma Kumaris
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

A ANTIGUIDADE DA MEDITAÇÃO CRISTÃ


A meditação não é uma novidade na vida cristã; ela tem raízes profundas na tradição dos primeiros séculos do cristianismo.

Meditar, é ficar na quietude de corpo e espírito. O que é realmente extraordinário é que esse silêncio, apesar de todas as distrações do mundo moderno, é perfeitamente possível para cada um de nós. Para alcançar esse estado de silêncio e de quietude é preciso tempo, energia e amor.

O meio de empreender esta peregrinação consiste em recitar uma frase curta ou uma palavra, a que chamamos mantra. O mantra não é mais do que um meio de levarmos a nossa atenção para além de nós mesmos, um método de nos desligarmos dos nossos pensamentos e preocupações. O verdadeiro trabalho da meditação é aquele que nos faz chegar à harmonia do corpo, da mente e do espírito. É esse o objetivo para que nos aponta o salmista: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”.

São Paulo escreveu (Rom 8,26): “Não sabemos rezar como deve ser, mas o Espírito intercede por nós”. O que significa, na linguagem do nosso tempo, que, para rezarmos, devemos primeiro aprender a estarmos imóveis e atentos. Só depois é que entraremos com amor no conhecimento do espírito de Jesus, no mais profundo do nosso coração.

A meditação, também chamada de oração contemplativa, é a oração do silêncio, lugar onde o contacto direto com Cristo se pode realizar, uma vez que a atividade incessante da mente se interrompe. Na meditação, vamos para além das palavras, dos pensamentos e das imagens para estarmos na presença de Deus no interior de nós mesmos.

Segundo São João da Cruz, “Deus é o centro da minha alma“. A meditação é essa peregrinação quotidiana para o nosso centro.

Autor não especificado.


Fonte: Comunidade Mundial para a Meditação Cristã (Portugal)
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SOBRE O CONTENTAMENTO


É uma coisa interior que se associa à liberdade.

A liberdade depende dele, e quem não sabe ficar contente na adversidade não consegue ser livre.

O contentamento nada tem a ver com concessões ou derrota; é a condição para a vitória.

Pois quando estou contente eu reconheço que não preciso de outras condições e de nenhuma outra situação para ser livre e feliz.

Isso, em certo sentido, é transcender toda a questão!



Thomas Merton, OSB




Fonte: Merton na Intimidade, (Fisus, 2001) p. 171
Via Associação Thomas Merton - https://merton.org.br/
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SOLTAR NÃO É ...


Soltar não é me desligar, mas entender que eu não posso controlar o outro. Soltar é permitir-se aprender com as consequências naturais dos acontecimentos. Soltar é não culpar ou acusar outros, mas dar o melhor de mim. Soltar não é corrigir, mas dar suporte. Soltar não é negar, mas aceitar. Soltar não é repreender ou argumentar, mas identificar minhas próprias falhas e corrigi-las. Soltar não é ajustar tudo aos meus desejos, mas tomar cada dia como ele vem, e valorizar-me nele. Soltar não é reclamar do passado, mas crescer e viver para o futuro. Soltar é temer menos e amar mais.


Brahma Kumaris



Fonte: https://www.brahmakumaris.org.br/
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

O QUE É LÍCITO PEDIR AO ESPIRITISMO


Há pessoas que procuram na religião a satisfação utilitarista. Acreditam que a religião deverá lhes dar a vitória, o sucesso, a felicidade para essa vida, e a salvação eterna para a outra. Hoje, algumas seitas religiosas pregam isso abertamente, e convidam os que querem deixar para traz a infelicidade, o fracasso, a se unirem a elas.

Algumas pessoas chegam a dizer, que resolveram mudar de religião, para serem felizes. No dia a dia dos centros espíritas temos deparados com essa situação. Muitos o procuram no desejo de obter benefícios imediatos, como: curas, enriquecimento, conquistas amorosas, anular um desafeto, e outras coisas mais.

Contudo, a finalidade do Espiritismo não é o de arranjar a vida das pessoas. Os espíritos superiores, embora nos amem e nos auxiliem, não são serviçais à nossa disposição para os pequenos interesses humanos. Quando as pessoas insistem nesses pedidos, e não percebem o extraordinário novo campo de visão que se lhe abre à frente, acabam por perder a proteção dos bons espíritos, e os maus, os ignorantes tomam conta da situação, pois estão sempre prontos a atender a todos os pedidos, mesmo os injustos. Esses espíritos podem satisfazer certos pedidos, porém cobram muito caro a satisfação concedida.

Quando Jesus de Nazaré ofereceu a Água Viva do Evangelho para a mulher samaritana, afirmando que quem bebesse da água que ele oferecia nunca mais teria sede, a mulher pediu para que o Rabi Galileu lhe desse da tal água, porque assim ela não precisaria buscá-la diariamente. Ela não compreendeu que o Mestre não a isentava do trabalho, das lutas evolutivas, do aperfeiçoamento, mas alargava os seus horizontes espirituais.

O que devemos procurar no Espiritismo? Devemos procurar a elevada compreensão do processo que é a vida. O Espiritismo oferece essa compreensão. Ele é, no dizer de Herculano Pires, a plataforma para as novas conquistas da humanidade.

É proibido, então, à mãe que chora a perda de seu filhinho, buscar notícias que a console? É proibido ao homem que vê a esposa doente, em risco de vida, pedir a cura ou a esperança? Aquele que não consegue um emprego e precisa sustentar a família não pode pedir aos espíritos que o ajude a se empregar? O homem de negócios que está atormentado pelos fracassos sucessivos, não pode ir buscar orientação junto a uma casa espírita? Nada disso é proibido, e é natural que o centro espírita preste esse socorro e vários outros, mas é preciso que ensine a libertação, ou seja, o conhecimento espírita. É preciso que compreendam que os espíritos não fazem pelo homem, aquilo que ao homem compete fazer.

É comum ao ser humano, o desejo de se ver liberto das dores, angústias e dificuldades. É comum procurarem meios mais ou menos mágicos para resolver seus problemas. No Espiritismo não poderia ser diferente. Quase sempre, aqueles que se decepcionam com a Doutrina Espírita e a abandonam, são os que querem soluções mágicas. Não existem soluções sem esforços, luta, trabalho.

Não raro a dor, o problema aparentemente insolúvel, é o chamamento para uma nova postura, um novo caminho, um novo ideal. O fato de sermos espíritas ou médiuns, não nos dá privilégios, e sim responsabilidades. Não feche os olhos para a luz. Não peça o que o Espiritismo não lhe pode dar, e não se decepcionará com ele.


Amilcar Del Chiaro Filho



Fonte: A Doutrina Espírita Vista por Amilcar Del Chiaro Filho, 2011
Textos Extraídos de www.espirito.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/acesso-muitos-m%C3%A3os-pedido-de-ajuda-933120/

O INTELECTO E A VERDADE


O intelecto é uma faculdade que permite ao homem conhecer o mundo físico e alguma coisa, pouca, do mundo psíquico, mas nada mais. É, pois, uma faculdade muito reduzida. O intelecto sozinho não pode conhecer a verdade. A verdade não consiste apenas em conhecer a forma, a cor e o perfume de uma rosa. A verdade da rosa é uma alma, é uma emanação, uma existência que não se pode apreender pelo intelecto, porque para conhecê-la é preciso penetrar em todo esse conjunto de elementos que constituem uma rosa. E acontece o mesmo com o ser humano; a verdade sobre ele engloba tudo o que lhe diz respeito: a sua alma, o seu espírito, os seus pensamentos, os seus sentimentos, os seus projetos... Enquanto não os conhecerdes, não conhecereis a verdade a seu respeito. Conheceis uma pequeníssima parte, a aparência, mas não a verdade. A verdade é uma síntese que só pode ser conhecida pelo espírito.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/pensamento-c%C3%A9rebro-cabe%C3%A7a-id%C3%A9ia-2006869/

ESTUDO PSICOLÓGICO BUDISTA DAS EMOÇÕES


...O Budismo desenvolveu um estudo psicológico extremamente sutil das emoções, e eu gostaria de resumir rapidamente estes estudos.

Suponhamos que estou sentada no meu mosteiro na França, fora de casa em frente a uma pequena estrada. De repente vejo alguma coisa que vem por este caminho, e neste instante surge minha percepção, a visão. Primeiro vejo que é uma forma e percebo que é um ser humano, não um animal. À medida que se aproxima posso distinguir se é um homem ou uma mulher. Até então eu estava usando apenas a percepção visual, mas a partir do momento em que eu distingo esta pessoa começo a pensar se a conheço ou não. Agora surgem as emoções, então, ou eu me sinto contente ao encontrar esta pessoa, ou não me sinto nada contente em encontrá-la. Podemos imaginar que se gosto desta pessoa vou me alegrar, vou ser amável, sorrir. Mas se estou de mau humor, ou se é uma pessoa desagradável para mim vou me sentir decepcionada com a perspectiva deste encontro. Se é uma pessoa que me desgosta, que não aprecio, eu já começo a fazer caras e mesmo antes de encontrá-la crio uma maneira de recebê-la e preparo o espírito para o nosso encontro. Num instante passo por toda uma gama de emoções e sentimentos que se refletem no meu rosto. E tudo isto se passa em mim, pois a pessoa ainda está longe, mas nossa relação já esta contaminada pelos meus sentimentos...

E é assim que se forma o carma. Carma é um verbo que vêm do sânscrito e que significa "fazer". O carma é uma consequência das nossas palavras, dos nossos atos e dos nossos pensamentos...

Existe outro termo, muito importante no Budismo, que em sânscrito é "sanskara". Sanskara são as formações mentais, é exatamente o que aparece em mim no momento em que penso "eu conheço esta pessoa e não gosto dela." Nós temos uma tendência a agir, a pensar ou a falar em função de nossas lembranças, de nossas projeções mentais. Mas devemos ver que este carma somos nós mesmos que criamos a cada instante, não é alguma coisa fatal, que foi fixada anteriormente e da qual possamos dizer: "não posso fazer nada, é meu carma." Não posso de maneira nenhuma agir sobre o fato de que existe uma pessoa se aproximando, mas sou completamente livre quanto a minha reação face a ela. Podemos pensar que não somos livres, podemos achar que é normal estarmos irritados, com raiva depois de tudo o que aquela pessoa nos disse no nosso último encontro. Mas isto também é uma formação mental. É a nossa reação, e neste momento estamos dando andamento ao nosso carma e acrescentando algum sentimento passado a esta relação atual. Por isso é importante perceber que podemos reagir com liberdade, sem estarmos presos a recordações do passado.

Talvez eu também possa pensar que esta pessoa desconhecida que se aproxima, que eu não conheço, venha para me matar em função de seu carma passado, que eu desconheço. Mas mesmo assim sou livre, completamente livre na minha reação. Posso morrer sentindo ódio, raiva e recriar o mesmo carma, ou posso simplesmente aceitar as coisas como elas acontecem. O que dificulta tudo é que as emoções são extremamente atraentes, mesmo e sobretudo a raiva. Nas palavras de Buda a raiva é o primeiro veneno. Mas os momentos em que estamos com raiva são extremamente gratificantes. Nos sentimos cheios de razão, cheios de direitos: "realmente tenho razão em sentir tanta raiva", e nos sentimos muito bem em ferir e em lançar esta raiva contra as outras pessoas, que achamos que nos fizeram isto ou aquilo. Nós ficamos cheios de satisfação. E a cólera é uma emoção que sentimos frequentemente durante a meditação. Ficamos cheios de raiva contra alguém que nos vem à lembrança, ou contra uma situação da nossa vida, ou contra nós mesmos.

Durante a meditação, apesar de tentarmos evitar o que fizemos no nosso dia a dia, vamos poder reconhecer a cólera, e aceitá-la. Não vamos sucumbir à cólera como fazemos na vida cotidiana.

Nós nos sentimos bem com as nossas emoções porque é com elas que nos sentimos vivos. Vinculamos a sensação de estar vivo ao fato de experimentar emoções, alegria, tristeza, raiva. Penso que é por isso que vamos ver filmes tristes, para poder chorar, para poder sentir emoções. Achamos que se não tivermos mais emoções não seremos mais humanos, seremos como uma pedra. Mas durante a meditação começamos a compreender o que são realmente as emoções, começamos a perceber que elas são impermanentes e transitórias, baseadas nas formações mentais, no nada, no vazio.


Zuymyo Joshin Sensei



Fonte: Excertos do texto "Zen e a Transformação Interior" (a fonte é desconhecida)
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/nascer-do-sol-ioga-natureza-3848628/