quinta-feira, 9 de outubro de 2014

FELICIDADE POSSÍVEL

Acreditavas que a felicidade seria semelhante a uma ilha fantástica de prazer constante e paz permanente. Um lugar onde não houvesse preocupação, nem se apresentasse a dor; no qual os sorrisos brilhassem nos lábios, e a beleza engrinaldasse de festa as criaturas.

Uma felicidade feita de fantasias parecia ser a tua busca.

Planejastes a vida, objetivando encontrar esse reino encantado, onde, por fim, descansasses da fadiga, da aflição e fruísses a harmonia.

Passam-se anos, e somas frustrações, anotando desencantos e amarguras, sem anelada conquista.

Lentamente, entregas-te ao desânimo, e sentes que estás discriminado no mundo, quando vês as propagandas apresentadas pela mídia, nas quais desfilam os jovens, belos e jubilosos, desperdiçando saúde, robustez, corpos venusinos e apolíneos, usando cigarros e bebidas famosas, brincando em iates de luxo, ou exibindo-se em desportos da moda, invejáveis, triunfantes...

Crês que eles são felizes...

Não sabes quanto custa, em sacrifício e dor, alcançar o topo da fama e permanecer lá.

Sob quase todos aqueles sorrisos, que são estudados, estão a face da amargura e as marcas do ressaibo, do arrependimento.

Alguns envenenaram a alma dos charcos por onde andaram, antes de serem conhecidos e disputados.

Muitos se entregaram a drogas perturbadoras, que lhes consomem a juventude, qual ocorreu com as multidões de outros, que os anteciparam e desapareceram.

Esquecidos e enfermos, aqueles que foram pessoas-objeto, amargam hoje a miséria a que se acolheram ou foram atirados.

Felicidade, porém, é conquista íntima.

Todos os que se encontram na Terra, nascidos em berços de ouro ou de palha, homenageados ou desprezados, belos ou feios, são feitos do mesmo barro frágil de carne, e experimentam, de uma ou de outra forma, vicissitudes, decepções, doenças e desconforto.

Ninguém, no mundo terreno, vive em regime especial. O que parece, não excede a imagem, a ilusão.

Se desejas ser feliz, vive, cada momento, de forma integral, reunindo as cotas de alegria, de esperança, de sonho, de bênção, num painel plenificador.

As ocorrências de dor são experiências para as de saúde e de paz.

A felicidade não são coisas: é um estado interno, uma emoção.

Abençoa os acidentes de percurso, que denominas como desdita, segue na direção das metas, e verás quantas concessões de felicidade pela frente, aguardando por ti.

Quem avança monte acima, pisa pedregulhos que ferem os pés, mas também flores miúdas e verdejante relva, que teimam em nascer ali colocando beleza no chão.

Reúne essas florezinhas em um ramalhete, toma das pedras pequeninas fazendo colares, e descobrirás que, para a criatura ser feliz, basta amar e saber discernir, nas coisas e nos sucessos da marcha, a vontade de Deus e as necessidades para a evolução.




Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis





Fonte: do livro "Momentos Enriquecedores", Ed. LEAL
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CONSTRUÇÃO PERFEITA E LUMINOSA

As vossas fraquezas, os vossos defeitos, são o resultado de maus hábitos que adquiristes nas vossas encarnações anteriores e vós pensais que, para vos desembaraçardes deles, o método adequado é combatê-los obstinadamente. Mas não, o método adequado é neutralizá-los. Como? Ocupando-vos daquilo que podeis construir para o futuro. 

Pensai assim: “Agora vou construir em mim algo de novo”, e começais a trabalhar todos os dias com uma fé inquebrantável, uma convicção absoluta. Recorrei a todos os meios que Deus vos deu – o pensamento, o sentimento, a imaginação – e começai a formar em vós as mais belas imagens. Esforçai-vos por vos ver na poesia, na música, na luz, na perfeição das formas, com todas as qualidades, todos os dons, todas as virtudes: a bondade, a generosidade, a possibilidade de apoiar os outros, de os esclarecer. Depois, fazei com que, ao longo de todo o dia, essas imagens inspirem os vossos atos, todo o vosso comportamento.

Esta construção luminosa, perfeita, cobrirá pouco a pouco as lacunas e as imperfeições que trouxestes do passado.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Chuva de Néctar
Pintura de Freydoun Rassouli
http://www.rassouli.com/

OUVINDO A SI MESMO - SEM ESFORÇO - COM LIBERDADE - SEM PENSAMENTO - ALÉM DO RUÍDO DAS PALAVRAS - SEM BARREIRAS - COM CALMA

Enquanto estou aqui lhe ouvindo, parece que compreendo tudo, mas quando estou fora daqui, não compreendo, mesmo que eu tente aplicar o que você disse.

Você está ouvindo a si mesmo, e não ao orador. Se estiver ouvindo ao orador, ele se torna seu líder, seu meio de compreensão – o que é um horror, uma abominação, pois assim você estabeleceu uma hierarquia de autoridade. Então, o que você está fazendo aqui é ouvir a si mesmo. Você está olhando para o quadro que o orador pinta, que é seu próprio quadro, não o do orador. Se isto estiver muito claro, que você está olhando para si mesmo, então você pode dizer, “Bem, eu estou me vendo como sou, e não quero fazer nada sobre isto” e é o fim disto. Mas se você diz, “Eu vejo a mim mesmo, e deve haver uma mudança”, então você começa a trabalhar a partir de sua própria compreensão o que é inteiramente diferente de aplicar o que o orador está dizendo. Mas se, conforme o orador fala, você está ouvindo a si mesmo, então, a partir desse ouvir há clareza, há sensibilidade; a partir desse ouvir a mente fica saudável, forte. Não obedecendo nem resistindo, ela fica viva, intensa e é apenas tal ser humano que pode criar uma nova geração, um novo mundo.

Você está me ouvindo agora; não está fazendo esforço para prestar atenção, está apenas ouvindo; e se houver verdade no que você escuta, perceberá uma mudança notável acontecendo em você – uma mudança que não é premeditada ou desejada, uma transformação, uma completa revolução em que só a verdade é mestre e não as criações de sua mente. E se me permite sugerir, você deve ouvir a tudo desse modo – não apenas ao que eu estou dizendo, mas também ao que outras pessoas dizem, aos pássaros, ao apito de uma locomotiva, ao barulho do ônibus passando. Você descobrirá que quanto mais você ouve a tudo, maior é o silêncio, e esse silêncio, então, não é quebrado pelo barulho. Só quando você resiste a alguma coisa, quando está colocando uma barreira entre você mesmo e aquilo que você não quer ouvir, só então é que existe luta.

Quando você faz esforço para ouvir, está ouvindo? Esse próprio esforço não é uma distração que impede o ouvir? Você faz um esforço quando ouve uma coisa que o alegra?... Você não está cônscio da verdade, nem vê o falso como falso, enquanto sua mente estiver ocupada de algum modo com o esforço, com comparação, com justificação ou condenação. O ouvir em si é um ato completo; o ato de ouvir traz sua própria liberdade. Mas estamos realmente interessados em ouvir, ou em alterar o tumulto interior? Se você ouvisse... no sentido de estar cônscio de seus conflitos e contradições sem forçá-los em nenhum padrão particular de pensamento, talvez eles pudessem cessar completamente. Veja, estamos sempre tentando ser isto ou aquilo, chegar a um estado particular, capturar algum tipo de experiência e evitar outro, então a mente fica sempre ocupada com alguma coisa; ela nunca está imóvel para ouvir o ruído de suas próprias lutas e dores. Seja simples... e não tente se tornar uma coisa ou capturar uma experiência.

Ouvir não é uma arte fácil, mas nela há grande beleza e compreensão. Nós ouvimos com as várias profundidades de nosso ser, mas nosso ouvir é sempre com uma preconcepção ou a partir de um ponto de vista particular. Nós não ouvimos simplesmente; há sempre a barreira da interferência de nossos próprios pensamentos, conclusões e preconceitos. Para ouvir deve haver uma quietude interior, uma liberdade da tensão de adquirir, uma atenção relaxada. Este estado passivo, mas alertado é capaz de ouvir o que está além da conclusão verbal. Palavras confundem; elas são apenas o meio exterior da comunicação, mas para comungar além do ruído das palavras, deve haver no ouvir uma passividade alertada. Aqueles que amam podem ouvir; mas é extremamente raro encontrar um ouvinte. A maioria de nós busca resultados, metas atingidas; estamos para sempre superando e conquistando, e assim não há ouvir. Apenas no ouvir pode se escutar a canção das palavras.

Eu não sei se você já ouviu um pássaro. Ouvir alguma coisa demanda que sua mente esteja quieta – não numa quietude mística, mas apenas quietude. Eu estou lhe dizendo algo, e para me ouvir você tem que estar quieto, não ter todo tipo de ideias buzinando em sua mente. Quando você olha para uma flor, você olha para ela, não dá nome nem classifica, não diz que pertence a determinada espécie; quando você faz estas coisas, deixa de olhar para ela. Assim, estou dizendo que uma das coisas mais difíceis é ouvir – ouvir ao comunista, ao socialista, ao congressista, capitalista, qualquer um, sua esposa, seus filhos, seu vizinho, o motorista do ônibus, o pássaro – apenas ouvir. Só quando você ouve sem a ideia, sem pensamento, você está diretamente em contato; e estando em contato, você compreenderá se o que ele está dizendo é verdadeiro ou falso; você não tem que discutir.

Como você ouve? Você ouve com suas projeções, através de sua projeção, através de suas ambições, desejos, medos, angústias, escutando apenas o que quer escutar, apenas o que vai ser satisfatório, o que vai gratificar, o que dará conforto, o que aliviará seu sofrimento por um momento? Se você ouve através da barreira de seus desejos, então, obviamente, ouve sua própria voz; está ouvindo seus próprios desejos. E existe alguma outra forma de ouvir? Não é importante descobrir como ouvir não só ao que está sendo dito, mas a tudo – ao ruído das ruas, ao chilrear dos pássaros, ao ruído do bonde, ao mar agitado, à voz de seu marido, sua esposa, seus amigos, ao choro do bebê? Ouvir tem importância apenas quando não se está projetando os próprios desejos através dos quais se escuta. Pode a pessoa deixar de lado todas estas barreiras através das quais se ouve, e realmente ouvir?

Você já sentou silenciosamente, não com sua atenção fixada em alguma coisa, não fazendo esforço para se concentrar, mas com a mente muito quieta, realmente imóvel? Então você escuta tudo, não escuta? Escuta os ruídos distantes assim como os mais próximos e aqueles que estão muito perto, os sons imediatos; o que significa realmente que você está ouvindo tudo. Sua mente não está confinada a um estreito e pequeno canal. Se você puder ouvir assim, ouvir com calma, sem tensão, descobrirá uma grande mudança acontecendo em você, uma mudança que chega sem sua vontade, sem seu pedido; e nessa mudança há uma grande beleza e profundo insight.




J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

QUANDO O VENTO DO AMOR SOPRA

Os desejos são uma fonte de prazer para o homem, mas são também a causa de dor. 

A mente deve ser mantida sob controle. Mesmo milhares de homens não podem parar um trem em rápido movimento. Mas o trem para no momento em que o freio é acionado. O mesmo se aplica aos caprichos da mente. Quando a mente é controlada, todas as dores cessam. 

O Atma Divino, que habita o coração de cada ser humano, não é reconhecido porque está coberto pelas nuvens do desejo. 

O esplendor do sol é revelado quando um vento afasta as nuvens que escondem o sol. Da mesma forma, quando o vento de amor sopra para longe as nuvens de desejo no coração, o ego (senso de "eu") e a possessividade (senso de "meu") são expulsos e o esplendor do Atma interior é revelado em toda a sua glória.



Sathya Sai Baba




Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: A Alma do Universo
Pintura de Freydoun Rassouli
http://www.rassouli.com/

HUMILDADE - CARIDADE - CIRCUNSTÂNCIAS

A humildade coloca uma pena a mais em nossas asas. Esta virtude nos mostra o caminho mais suave, rápido e seguro para qualquer lugar. Todos se aproximam e oferecem ajuda àqueles que são humildes. Com humildade os corações se abrem e grandes tarefas se tornam fáceis. Humildade é a virtude que lega todos os seus poderes aos outros. Uma pessoa humilde tem consciência do seu valor, mas não o enaltece.

Ato de caridade é ajudar outros a sair da escuridão e entrar na claridade. Lembre-se que todos são seus e ninguém é seu. Deixe que haja limpeza em seus pensamentos. Veja a necessidade e dê cooperação. Fique desperto e desperte outros. Com sua estabilidade interna, expulse os obstáculos. Seja um bom exemplo, coloque inspiração em sua vida e torne-se um instrumento para todos. Não use sua cabeça demais, use o poder do amor. Com amor verdadeiro Deus trabalhará através de você.” (Dadi Janki)

Circunstâncias são como objetos. Elas não são vivas, você é que dá vida a elas. O positivo é mais poderoso do que o negativo. O positivo é inato. O negativo indica que algo está faltando. Luz existe e sua ausência é a escuridão. Nunca esqueça que você pode decidir que atitude tomar. Você tem um imenso potencial positivo a ser descoberto. Esses pensamentos lhe ajudarão a enfrentar qualquer circunstância com uma perspectiva diferente.” (Enrique Simó, The Gift of Peace, Brahma Kumaris Information Services, London, 2002)




Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A VOZ DO SILÊNCIO

Só aquele que, graças ao conhecimento das verdades espirituais, soube pôr ordem em si mesmo, realiza o verdadeiro silêncio. E é neste silêncio que a voz da sua natureza divina se faz ouvir.

Há toda uma tradição mística que faz menção à “voz do silêncio”. Como deve ser compreendida esta expressão?

Evidentemente, o silêncio não tem voz, mas no seio do silêncio há uma voz que se faz ouvir: a da nossa natureza divina.

A meditação e a oração, como todas as práticas preconizadas pelos ensinamentos espirituais, têm um único objetivo: fazer calar a natureza inferior no homem, para dar à sua natureza superior possibilidades sempre mais amplas para se exprimir. 

O silêncio é, pois, um estado de consciência no seio do qual algo misterioso, profundo, começa a revelar-se. 

É a esse “algo” que se chama “voz do silêncio”. 

Aquele que consegue apaziguar tudo nele mesmo e até parar o seu pensamento – pois, no seu movimento, o pensamento faz barulho – ouve essa voz.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NASCER DE NOVO (A IMPERATRIZ TEODORA E A SUPRESSÃO DA REENCARNAÇÃO)

... “a proibição da Doutrina da Reencarnação foi um erro histórico, sem qualquer validade eclesiástica", sendo o tal "elo perdido do Cristianismo” ...


A Reencarnação é diferente da Ressurreição, sendo ainda um processo necessário à evolução dos seres humanos (e animais), ao longo das Eras, até alcançarem a sua perfeição. De resto, Jesus dizia mesmo a Nicodemus (um Ancião e Mestre de Israel) que ele teria de “nascer de novo” da água (matéria – placenta) e do espírito (‘sopro’ de vida, pneuma – anima) para entrar no “Reino dos Céus”. E mais dizia que todos devemos tornar-nos justos e perfeitos como o “Pai Celestial” (Deus) e isso não se consegue naturalmente numa só vida ou existência física aqui na Terra, mas ao longo do tempo e do espaço, na esteira dos séculos e milênios, até ficarmos gloriosos e imortais e nos fundirmos na Luz de Deus nas Regiões Celestiais. A finalidade da vida neste Planeta é isso mesmo, pois é certo que “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança”, mas na essência, não na existência. Na essência o homem é já o ser divino, eterno e imortal; na existência é ainda um ser efêmero, que nasce e morre na matéria onde evolui e se aperfeiçoa ao longo do tempo na sua forma hominal, para se tornar um dia num ser angelical e mais tarde num Ser Celestial. A lagarta já é a formosa borboleta (na sua essência) mas tem de passar por várias ‘metamorfoses’ (na sua existência) para se tornar na criatura alada e perfeita que todos conhecemos, cheia de cor e beleza na sua nova forma atual...

A Ressurreição, pois, é diferente da Reencarnação. Tem a ver com um estado perfeito do Ser que já se elevou ou se projeta na vida noutra dimensão com um “corpo-luz” com o qual ascende aos Céus e não precisa repetir mais na matéria aquilo que a maioria dos seres humanos tem de fazer ainda e aprender (pelo sofrimento ou pela obtenção do Conhecimento), para se libertar dos erros e da ignorância de gerações que carrega ainda ao longo desta vida cheia de muitas crenças e convicções.

De resto, “Conhecei a verdade e ela vos libertará”, dizia Jesus na sua Pregação, pelo que não nos devemos limitar aos conceitos e pré-conceitos dos homens desta ou daquela Religião, todas divergindo entre si criando muitas vezes o fanatismo, o obscurantismo e a obstinação, rejeitando até a ideia da Reencarnação.

O “nascer de novo” não tem a ver somente com aceitação consciente de um compromisso religioso assumido pelas águas do Batismo desta ou daquela Igreja (que pode levar ou não a uma renovação interior), mas sim tem a ver acima de tudo com a questão da Reencarnação que já era muito comum no tempo de Jesus Cristo e ainda hoje é ou faz parte da cultura milenar dos povos do Mundo Oriental cuja Sabedoria supera em muito a do Mundo Ocidental em questões de ordem espiritual. De fato, “A Luz veio do Oriente”...

Quando algumas Igrejas cristãs hoje dizem que “a questão da Reencarnação nada tem a ver com Cristo e com a sua missão”, limitam-se apenas em interpretar à sua maneira alguns trechos das Sagradas Escrituras onde não conseguem discernir nenhum ato relacionado com a ideia da Reencarnação. Penso que isso resulta de um total desconhecimento de algo tão banal, universalmente aceite no Mundo Oriental, onde milhões de hindus, tibetanos, japoneses etc., cultivam há muito este seu conhecimento sobre a evolução do ser humano no mundo terreno ao longo de muitas vidas que o próprio Jesus Cristo bem conhecia e referia na sua conversa com Nicodemus e este nem entendeu a mensagem velada sobre o novo nascimento. Aliás, Jesus diria mesmo ao mestre de Israel o seguinte: "se te falo de coisas terrestres e não me entendes, como queres entender se te falo das coisas celestiais?"...

Alguém pretendeu dizer-me, um dia destes, que “um verdadeiro cristão não deve aceitar ou acreditar na Reencarnação” (apesar desta já estar cientificamente comprovada - ver estudos e provas documentais publicadas pelo Dr. Ian Stevenson da Universidade de Virginia nos EUA na sua obra “Twenty Suggestive Cases Of Reincarnation”), mas o fato é que já os primeiros cristãos sabiam e acreditavam na Reencarnação, tendo sido suprimida a crença no Mundo Ocidental pelo Concílio de Constantinopla no ano 553 d.C. por ordem do Imperador Justiniano (déspota e autocrata) influenciado pela sua mulher Teodora que na realidade era quem manejava o poder e pretendia que se acabasse com a crença por alguma razão. Na verdade, tudo se resume numa história que só poucos conhecem, porquanto:


Teodora era filha de um guardador de ursos do anfiteatro de Bizâncio e como cortesã ambiciosa (por quem o imperador Justiniano se apaixonou ou se agradou), começou a sua rápida ascensão ao Império. Como tinha um passado de que se envergonhava e receando ser descoberta por quem seguia os Ensinamentos de Orígenes que ministrava a doutrina da Reencarnação e das almas endividadas que pagam sempre neste mundo seus atos passados, ela empenhou-se logo em mandar suprimir essa crença porque tinha mandado matar quinhentas "colegas" suas que bem a conheciam.

É este pois o verdadeiro motivo da supressão da doutrina de Orígenes e não outra. De resto, a Reencarnação era aceite pela própria Igreja Cristã da época que acreditava na pré-existência das almas e nas vidas sucessivas neste mundo onde todos colhemos sempre de acordo com o que fazemos ao longo dos tempos, porque efetivamente "cá se faz, cá se paga"... como diz o velho ditado popular.

Portanto, foi no tal Concílio de Constantinopla, convocado por Justiniano, pela vontade de sua mulher Teodora, que ficou decidido mudar aquilo que Orígenes (o Pai da Igreja Católica) ensinava, tendo apenas participado nesse Concílio os bispos ortodoxos de sua confiança e nenhum de Roma, sendo que o próprio Papa Virgílio na altura deixou bem claro que não concordava com as ideias do Imperador, recusando-se mesmo a participar, fato que levaria o Papa a ficar cativo por um período de 8 anos...

Assim, a Imperatriz Teodora (vista hoje como uma 'santa' da Igreja Ortodoxa), viu concretizados seus desejos pessoais de suprimir a crença na Reencarnação pelos motivos que poucos conhecem. Foi deste modo (e não outro) que a doutrina sobre a Reencarnação (que fazia parte da Igreja Cristã daquele tempo) ficou omitida até hoje.

De resto, esta atitude levou mesmo a muitas reações contrárias como as do Cardeal Nicolau de Cusa que sustentou, em pleno Vaticano, a pluralidade das vidas sucessivas e dos mundos habitados, com a concordância do Papa Eugênio IV (1431 -1447), embora isso provocasse descontentamento de influentes clérigos da Cúria Romana.

Enfim, esta é a verdadeira questão da supressão da crença na Reencarnação no século I d.C. que a Igreja instituiu e nada mudou até hoje. Será que os ‘fieis’ da Igreja Católica e outras cristãs sabem isto?

No entanto isso não altera nada, absolutamente nada, da realidade da Lei dos Renascimentos e muitos entendidos no assunto (religiosos ou não) até dizem que: “a proibição da Doutrina da Reencarnação foi um erro histórico, sem qualquer validade eclesiástica", sendo o tal "elo perdido do Cristianismo”...


A verdade é que nas suas obras “De Principiis e Contra Celsum”, Orígenes (grande exegeta e Teólogo da Igreja Antiga, profundo conhecedor das Sagradas Escrituras e estudioso da Filosofia Grega), já pensava que certas passagens do Novo Testamento só poderiam ser explicadas à luz da Reencarnação.

Efetivamente, é pelo conhecimento e aceitação da “Palingenética” (a Reencarnação - conhecida por Sócrates e Platão), que se pode afastar todos os maus juízos que muita gente faz ainda sobre Deus, questionando mesmo a sua existência por causa dos males na Terra onde existem tantas guerras, fome, miséria, injustiças, desigualdades sociais, desgraças, sofrimentos etc.

Tudo ficaria mais claro se as pessoas aceitassem que existem leis de Causa e Efeito (que os orientais chamam de Leis do Karma) fazendo recair sobre os homens aquilo que semeiam ao longo do tempo e do espaço, tecendo a teia de seus próprios destinos pelo “livre-arbítrio“ que possuem, sendo certo aquilo que Jesus dizia: “A semeadura é livre, mas a colheira é obrigatória” e “a colheita é conforme a semeadura” ao longo dos tempos da nossa História, concluindo ainda que o 'pagamento' (ou ajustamento) será sempre "até ao último ceitil”...

Por isso têm reencarnado milhões de almas neste Planeta (as mesmas de outras vidas) ou até de outros mundos que aqui venham em missão, envergando um traje físico pela porta dum novo nascimento e evoluir na sua própria condição, até alcançar um “corpo-luz” (como o que já possuía Jesus) para libertarem-se definitivamente da 'Roda' dos Renascimentos e entrar na Vida Eterna pela via da Ressurreição. Só assim entendo esta...




Rui Palmela





Fonte: http://www.novaera-alvorecer.net/nascer_de_novo.htm
Fonte da Gravura: A Mãe do Mundo
Pintura de Nicholas Roerich
http://www.roerich.org/

NATUREZA DO HOMEM

A União entre a Vontade Divina e o desejo do Homem

De fato, o Homem pode fazer com que a Vontade Divina propriamente dita venha até ele para se unir com seu desejo; a partir de então ele passa a trabalhar e a atuar de acordo com a Divindade, que se digna, por assim dizer, a compartilhar Sua obra, Suas propriedades e Seus poderes com o Homem; e se, ao lhe dar o desejo, que é como a raiz da planta, Ele reserva a Vontade, que é como seu botão ou flor, não é com a intenção de que o homem permaneça na privação desta Vontade Divina e não a conheça; mas, ao contrário, Seu desejo é que o homem chame por ela, a conheça por ele mesmo; pois, se o Homem é a planta, Deus é a seiva ou a vida. E o que seria da árvore se a seiva não corresse em suas veias?


O Pacto Divino

É nesta profundidade, nas regiões naturais e verdadeiras da emanação do Homem, que o pacto divino é estabelecido; tal pacto liga a Fonte Suprema ao Homem. Através deste pacto, a Fonte Suprema, só podia transmitir ao Homem todos os seus próprios germens sagrados, se acompanhados de todas as fundamentais e incontestáveis leis que constituem sua própria Essência criativa Eterna, das quais não pode se separar sem deixar de existir. Este pacto não sofre alterações, como sofrem os pactos materiais pela vontade das partes.

Ao formar o Homem, a Fonte Suprema haveria de ter-lhe dito: "Com os fundamentos eternos ou com as bases de meu ser, e as leis, eternamente inerentes a eles, Eu te constituo, Homem; Não tenho regras para fixar a ti senão aquelas que resultam naturalmente de minha eterna harmonia; não tenho nem mesmo a necessidade de impor qualquer penalidade a ti se não as infringi-las; cada cláusula de nosso pacto está, exatamente, nas bases de tua constituição. Se tu observá-las e não cumpri-las, irás causar teu próprio julgamento e punição; pois, a partir deste momento deixarás de ser Homem.


O Pacto se estende por toda a Natureza

Podemos observar este princípio em toda cadeia de seres, onde descobriremos que todas as criações estão ligadas, cada uma de acordo com sua classe, à sua fonte gerativa por um tratado implícito; destas fontes procedem todas as suas leis; e, na verdade estes seres caíram em desarmonia no momento em que estas leis foram infligidas, leis que carregam em sua essência e que são recebidas de suas fontes gerativas no instante em que lhe dão a vida.


O peso, número e medida na Natureza

Ao prestarmos atenção nas leis fixas e regulares, pelas quais a Natureza produz e governa todas as suas obras, e acompanhando, passo a passo, cuidadosamente, as pistas deixadas por ela, reconheceremos em todo lugar, um peso, um número e uma medida que são os inseparáveis ministros da Natureza; eles mostram que existiam, primitivamente, na Fonte mencionada acima, e constituem o ternário eterno, cuja imagem encontramos em nós mesmos; sobre eles repousa o pacto divino.

Vemos, além do mais, que estas três bases, satisfazem o Onipotente, pois estabelecem as fundações de todas as obras da Natureza caracterizando externamente todas as variedades de Sua produção, ou aqueles desenvolvimentos externos da forma, cor, duração, cheiro, propriedades essenciais, qualidades etc., coisas que não são números, embora possuam números para manifestação e indicação.

É desta forma que o ternário Universal varia, "ad infinitum", multiplicando suas operações, e as mantendo sempre em operação no infinito do qual dependem; assim, o Homem nunca pode numerá-las ou apoderar-se delas; e, de fato, é suficiente para ele ter o uso destas operações; ele está proibido de as possuir com suas propriedades, já que, através desta multiplicidade de meios que o todo poderoso possui de variar as manifestações de seu ternário Universal, Ele assegura somente a si mesmo, o direito de propriedade deste ato gerativo; nunca deixando, contudo, de manifestar esta infinidade, de forma externa, para que seja admirada.




Louis Claude de Saint-Martin, SI.'./'.'





Fonte: do livro "Homem - Sua Verdadeira Natureza e Ministério Sobre o Homem"
Tradução: Sociedade das Ciências Antigas - SCA
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

OLHE COM INTENSIDADE

A mim parece que aprender é assustadoramente difícil, como ouvir também é. Nós realmente nunca ouvimos coisa alguma porque nossa mente não está livre; nossos ouvidos estão entupidos com aquelas coisas que já conhecemos, assim ouvir se torna extraordinariamente difícil. Eu acho, ou melhor, é um fato que se a pessoa puder ouvir uma coisa com todo o seu ser, com vigor, com vitalidade, então o próprio ato de ouvir é um fator de liberação, mas infelizmente você nunca ouve, como você nunca aprendeu sobre isto. Afinal, você só aprende quando entrega todo o seu ser a alguma coisa. Quando você entrega todo o seu ser à matemática, você aprende; mas quando está em estado de contradição, quando não quer aprender mas é forçado a aprender, aí isso se torna meramente um processo de acumulação. Aprender é como um romance com inúmeros personagens; ele requer sua total atenção, não atenção contraditória. Se você quiser aprender a respeito de uma folha – uma folha da primavera ou uma do outono – deve realmente olhar para ela, ver sua simetria, a textura, a qualidade da folha viva. Existe beleza, existe vigor, existe vitalidade numa única folha. Assim, para aprender sobre a folha, a flor, a nuvem, o pôr do sol, ou um ser humano, você deve olhar com toda intensidade.




J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://www.good-will.ch/postcards_es.html

terça-feira, 7 de outubro de 2014

FALAR DOS OUTROS É REVELAR-SE A SI MESMO

Em geral, não são as pessoas de bem que mais fazem notar a desonestidade, a injustiça ou a maldade dos outros e que se mostram mais desconfiadas. Pelo contrário, muitas vezes são aqueles que têm esses defeitos que estão sempre a assinalá-los por toda a parte. 

Por quê? Porque uma natureza viciosa tem sempre tendência para projetar o seu olhar particularmente sobre o que é mau e vicioso como ela. Aqueles que têm grandes qualidades morais não se interessam assim tanto pelos defeitos de quem os rodeia, por vezes até nem lhes dão atenção e, se os notam de passagem, não se detêm neles, pois têm tendência a ver os outros através das qualidades que eles próprios possuem.

Cada ser humano só pode ver através dos seus próprios olhos e é ele que molda os seus olhos por intermédio dos seus pensamentos e dos seus sentimentos. 

Se encontrardes pessoas que só vos falam das lacunas e dos maus comportamentos dos outros, ficai a saber que, de uma forma ou de outra, é sobre elas próprias, em primeiro lugar, que elas vos fazem revelações. Se elas tivessem nobreza, bondade, honestidade, descobririam também essas qualidades nos outros e seria dessas qualidades que elas vos falariam em primeiro lugar.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TODOS SOMOS PARTE INTEGRANTE DO MESMO PRINCÍPIO DIVINO

Quando você oferece saudações a alguém, entenda que está saudando seu próprio eu. Esse "alguém" não é outro senão o seu próprio reflexo. 

Veja os outros assim como você vê seu próprio reflexo no espelho. Quando está cercado por muitos espelhos, você vê uma série de reflexos. Reflexos são muitos, mas a pessoa é uma só. 

Reações, reflexões e ressonâncias são muitas, mas a realidade é uma só. Nomes e formas podem ser diferentes, mas todos os seres são parte integrante do mesmo Princípio Divino. 

A Divindade é o princípio subjacente na multiplicidade aparente deste mundo. 

Quando estou falando aqui, minha voz é ouvida através de cada alto-falante neste salão. Da mesma forma, existe o princípio da unidade em nossos corações que nós temos de reconhecer.




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

QUANDO APRENDER É POSSÍVEL?

A palavra “aprender” tem grande significado. Existem dois tipos de aprendizagem. Para a maioria de nós aprender significa o acúmulo de conhecimento, de experiência, de tecnologia, de uma habilidade, de uma língua. Existe também aprendizagem psicológica, aprender pela experiência, ou as experiências imediatas de vida, que deixam certo resíduo, de tradição, de raça, de sociedade. Existem estes dois tipos de aprendizagem de como encontrar a vida: psicológico e fisiológico; habilidade externa e habilidade interna. Não existe realmente linha de demarcação entre os dois; eles se sobrepõem. Nós não estamos considerando, no momento, a habilidade que aprendemos pela prática, o conhecimento tecnológico que adquirimos pelo estudo. Estamos interessados na aprendizagem psicológica que adquirimos através dos séculos ou herdamos como tradição, como conhecimento, como experiência. Isto nós chamamos de aprender, mas eu questiono se é de fato aprender. Não estou falando de aprender uma habilidade, uma língua, uma técnica, mas estou perguntando se a mente aprende psicologicamente. Ela aprendeu, e com o que aprendeu encontra os desafios da vida. Ela está sempre traduzindo a vida ou o novo desafio com o que aprendeu. É isso que estamos fazendo. Isso é aprender? Aprender não implica uma coisa nova, uma coisa que eu não sei e estou aprendendo? Se eu fico apenas adicionando ao que já aprendi, não é mais aprender.

Inquirir e aprender é a função da mente. Por aprender não estou querendo dizer o simples cultivo da memória ou a acumulação de conhecimento, mas a capacidade de pensar claramente e sensatamente sem ilusões, começar com fatos e não com crenças e ideais. Não há aprendizagem se o pensamento se origina de conclusões. Meramente adquirir informação e conhecimento não é aprender. Aprender implica o amor de compreender e o amor de fazer uma coisa por ela mesma. Aprender só é possível quando não há coerção de nenhum tipo. E a coerção assume muitas formas, não é? Existe coerção pela influência, pelo apego ou ameaça, pelo encorajamento persuasivo, ou formas sutis de recompensa. Muitas pessoas consideram que a aprendizagem é encorajada pela comparação, ao passo que o contrário é o fato. Comparação gera frustração e simplesmente encoraja a inveja, o que é chamado de competição. Como outras formas de persuasão, a comparação impede a aprendizagem e gera medo.




J. Krishnamurti




Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

FRAQUEZAS SÃO SINAIS

Cada ser humano tem uma ou várias fraquezas – seria demasiado moroso enumerá-las – e as possibilidades de sucumbir às tentações não faltam, surgem continuamente situações que despertam nele a gula, a sensualidade, a frivolidade, a ganância, a agressividade... 

Quem quer vencer as suas fraquezas deve tentar identificar os sinais que lhe anunciam a vinda da tentação. Ele descobrirá que esses sinais são sempre os mesmos e que são um aviso. Deve analisar-se e perceber em que ocasião sucumbiu e por que sinais a tentação começou a insinuar-se nele. Esses sinais podem ser um movimento de impaciência, uma sensação no plexo solar, um pensamento que o atravessa, uma imagem que se lhe apresenta etc.

Há sempre sinais que vos advertem de que a tentação se aproxima. Eles são diferentes consoante as pessoas e, por isso, cabe-vos a vós ter consciência deles. Quando, finalmente, tiverdes descoberto esses sinais precursores, podereis tornar-vos senhores da situação, pois, assim que eles aparecerem, sabereis que deveis aumentar a vossa vigilância.



Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ACEITAÇÃO - INTROSPECÇÃO - PAZ

Quando há honestidade e leveza no eu não há problema na comunicação com os outros. Se alguém insultar você, mantenha sua paz. Se alguém se dirigir a você de cabeça quente, não fique quente também. Permaneça calmo internamente e você manterá a boa comunicação. Tentar explicar algo para alguém que está quente, não funcionará. Leve sua mente para além da desconsideração, aceite o que está acontecendo e seja flexível.

Quando me dirijo ao mundo interior, não é para escapar do barulho incessante das ações, das exigências e confusões dos outros. Não é para alienar-me dos acontecimentos e das pessoas. É para fertilizar o solo interno, onde todas as minhas virtudes e poderes podem brotar, crescer e desabrochar. Quando estou bem alimentado por dentro, não me torno um mendigo do amor ou de respeito, porque sei ser meu próprio amigo e amigo dos outros. (Ken O'Donnell)

Cultive o hábito de criar pensamentos realmente pacíficos e poderosos. Aprenda a ficar em paz no silêncio e você nem precisará pensar. Pensamentos bons e benéficos surgirão naturalmente. Novas ideias virão na sua mente. Se algo precisa ser feito, isso virá de forma sutil e tranquila. Assim, se você tiver que encontrar alguém, essa pessoa virá até você sem que você a chame. Permaneça em paz e os pensamentos que você tiver serão colocados na prática. (Dadi Janki)

Cuide-se, mantenha sua paz. Foque sua consciência na sua forma espiritual uma pequenina estrela como um minúsculo ponto de luz no centro da testa. Experimente realmente a diferença entre você, a Estrela Brilhante, e você, o corpo, o veículo físico. O cansaço acabará e a irritação também. Suas ações serão preenchidas de amor, para si e para os outros.



Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autorial pessoal

DEFICIÊNCIA MENTAL E LOUCURA (QUESTÕES DE "O LIVRO DOS ESPÍRITOS")

371. A opinião de que os deficientes mentais teriam uma alma inferior tem fundamento?

- Não. Eles têm uma alma humana, muitas vezes mais inteligente do que pensais, que sofre da insuficiência dos meios que tem para se manifestar, assim como o mudo sofre por não poder falar.

372. Qual o objetivo da Providência ao criar seres infelizes como os loucos e os deficientes mentais?

- São Espíritos em punição (educação/expiação - observação minha) que habitam corpos deficientes. Esses Espíritos sofrem com o constrangimento que experimentam e com a dificuldade que têm de se manifestarem por meio de órgãos não desenvolvidos ou desarranjados.

372a. É exato dizer que os órgãos não têm influência sobre as faculdades?

- Nunca dissemos que os órgãos não têm influência. Têm uma influência muito grande sobre a manifestação das faculdades; porém, não as produzem; eis a diferença. Um bom músico com um instrumento ruim não fará boa música, mas isso não o impedirá de ser um bom músico.

Comentário de Allan Kardec: É preciso distinguir o estado normal do estado patológico (*). No estado normal, a moral (**) suplanta o obstáculo que a matéria lhe opõe. Mas há casos em que a matéria oferece tanta resistência que as manifestações são limitadas ou deturpadas, como na deficiência mental e na loucura. São casos patológicos e, nesse estado, não desfrutando a alma de toda a sua liberdade, a própria lei humana a livra da responsabilidade de seus atos.

373. Qual pode ser o mérito da existência para seres que, como os loucos e os deficientes mentais, não podendo fazer o bem nem o mal, não podem progredir?

- É uma expiação obrigatória pelo abuso que fizeram de certas faculdades; é um tempo de prisão.

373a. O corpo de um deficiente mental pode, assim, abrigar um Espírito que teria animado um homem de gênio em uma existência precedente?

- Sim. A genialidade torna-se às vezes um flagelo quando dela se abusa.

Comentário de Allan Kardec: A superioridade moral nem sempre está em razão da superioridade intelectual, e os maiores gênios podem ter muito para expiar. Daí resulta frequentemente para eles uma existência inferior à que tiveram e causa de sofrimentos. As dificuldades que o Espírito experimenta em suas manifestações são para ele como correntes que impedem os movimentos de um homem vigoroso. Pode-se dizer que deficientes mentais são aleijados do cérebro, assim como o coxo das pernas e o cego dos olhos.

374. O deficiente mental, no estado de Espírito, tem consciência de seu estado mental?

- Sim, muito frequentemente; ele compreende que as correntes que impedem seu vôo são uma prova e uma expiação.

375. Qual é a situação do Espírito na loucura?

- O Espírito, no estado de liberdade, recebe diretamente suas impressões e exerce diretamente sua ação sobre a matéria. Porém, encarnado, se encontra em condições bem diferentes e na obrigatoriedade de só fazer isso com a ajuda de órgãos especiais. Se uma parte ou o conjunto desses órgãos for alterado, sua ação ou suas impressões, no que diz respeito a esses órgãos, são interrompidas. Se ele perde os olhos, torna-se cego; se perde o ouvido, torna-se surdo etc. Imagina agora que o órgão que dirige os efeitos da inteligência e da vontade, o cérebro, seja parcial ou inteiramente danificado ou modificado e ficará fácil compreender que o Espírito, podendo dispor apenas de órgãos incompletos ou deturpados, deverá sentir uma perturbação da qual, por si mesmo e em seu íntimo, tem perfeita consciência, mas não é senhor para deter-lhe o curso, não tem como alterar essa condição.

375a. É então sempre o corpo e não o Espírito que está desorganizado?

- Sim. Mas é preciso não perder de vista que, da mesma forma como o Espírito age sobre a matéria, também a matéria reage sobre o Espírito numa certa medida, e que o Espírito pode se encontrar momentaneamente impressionado pela alteração dos órgãos pelos quais se manifesta e recebe suas impressões. Pode acontecer que, depois de um período longo, quando a loucura durou muito tempo, a repetição dos mesmos atos acabe por ter sobre o Espírito uma influência da qual somente se livra quando estiver completamente desligado de todas as impressões materiais.

376. Por que a loucura leva algumas vezes ao suicídio?

- O Espírito sofre com o constrangimento e a impossibilidade de se manifestar livremente, por isso procura na morte um meio de romper seus laços.

377. O Espírito de um doente mental é afetado, depois da morte, pelo desarranjo de suas faculdades?

- Pode se ressentir durante algum tempo após a morte, até que esteja completamente desligado da matéria, como o homem que acorda se ressente por algum tempo da perturbação em que o sono o mergulha.

378. Como a alteração do cérebro pode reagir sobre o Espírito após a morte do corpo?

- É uma lembrança. Um peso oprime o Espírito e, como não teve conhecimento de tudo que se passou durante sua loucura, precisa sempre de um certo tempo para se pôr a par de tudo; é por isso que, quanto mais tempo durar a loucura durante a vida terrena, mais tempo dura a opressão, o constrangimento após a morte. O Espírito desligado do corpo se ressente, durante algum tempo, da impressão dos laços que os uniam.


Notas:

(*) - Estado patológico: situação em que o organismo sofre alterações provocadas por doenças (N. E.).
(**) - A moral: o conjunto das virtudes; a vergonha; o brio (N. E.).




Allan Kardec





Fonte: do livro "O Livro dos Espíritos", 76º ed., Rio de Janeiro, RJ, FEB, 1995
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CONHECER TODO O CONTEÚDO DO SEU PENSAMENTO

Não ser coisa alguma é o começo da liberdade. Assim, se você é capaz de sentir, de entrar nisto descobrirá, conforme estiver consciente, que você não é livre, que está limitado a muitas coisas diferentes, e que, ao mesmo tempo, a mente espera ser livre. E você pode ver que as duas coisas são contraditórias. Então a mente tem que investigar por que ela se prende a alguma coisa. Tudo isto implica trabalho duro. É muito mais árduo do que ir ao escritório, do que qualquer tarefa, do que todas as ciências reunidas. Porque a mente humilde, inteligente está interessada em si mesma sem ser egocêntrica; portanto, ela tem que estar extraordinariamente alerta, consciente, e isso significa verdadeiro trabalho árduo todo dia, toda hora, todo minuto. Isto exige trabalho insistente, pois a liberdade não chega facilmente. Tudo impede – sua esposa, seu marido, seu filho, seu vizinho, seus Deuses, suas religiões, sua tradição. Tudo isto o impede, mas você as criou porque quer segurança. E a mente que está buscando segurança nunca pode encontrá-la. Se você observou um pouco no mundo, sabe que não existe tal coisa como segurança. A esposa morre, o marido morre, o filho vai embora, alguma coisa acontece. A vida não é estática, embora gostássemos que fosse. Nenhuma relação é estática porque a vida é movimento. Essa é uma coisa a ser percebida, a verdade a ser vista, sentida, não uma coisa para se argumentar a respeito. Então você verá, ao começar a investigar, que isto é realmente um processo de meditação. Mas não fiquem hipnotizados com essa palavra. Estar consciente de cada pensamento, saber de que fonte ele brota e qual a sua intenção, isso é meditação. E conhecer todo o conteúdo de seu pensamento revela a totalidade do processo da mente.





J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Áries, a descida em 10 passos
Pintura de Ludger Philips
http://www.ludgerphilips.org/

DESENVOLVIMENTO INTERIOR E CONFLITOS (INDIVIDUALIDADE E PERSONALIDADE)

(...) pode dar a impressão de que é o Eu que evolui. Por isso, faz-se mister esclarecer que, sendo uma centelha do Absoluto, o Eu já é perfeito e completo em si mesmo e não tem necessidade de evoluir, de progredir. Na realidade, o que evolui, o que cresce é o Seu aspecto consciência.

(...) a parte do Eu que encarna, que se encerra nos veículos da personalidade, evolui ao longo de um processo de crescimento e despertar lento e progressivo, até chegar ao auto-reconhecer.

A energia divina do Eu autolimita-se ao imergir na matéria, mas não se dispersa, não se anula. A muito custo, inconscientemente, ela tende a retornar à origem de onde veio e, remontando através da matéria dos diversos planos, "transforma-a em consciência".

É exatamente isso que o querem dizer as palavras de Sri Aurobindo: "A evolução é uma lenta transformação da energia em consciência."

A personalidade, que é o conjunto de três veículos (físico-etérico, emotivo e mental), constitui simbolicamente a matriz, a Mãe, onde a semente do Eu cresce e progride, dela recebendo seu alimento.

Todavia, a evolução da consciência é muito lenta e gradativa, e não pode acontecer de maneira rápida e regular enquanto a personalidade também não estiver formada, organizada e integrada. Na verdade, os veículos da personalidade também passam por um amadurecimento e uma evolução que ocorrem paralelamente, e às vezes independentemente, a partir do desenvolvimento da consciência do Eu.

Esse desenvolvimento é muito moroso e inconsciente nas primeiras encarnações e, de início, revela-se apenas como consciência do eu, como autoconsciência, porém no seu aspecto mais negativo de separatividade, egoísmo, fechamento... Além disso, há uma completa identificação dessa consciência do eu com os veículos pessoais e não raro com o corpo físico.

Portanto, a evolução do homem em suas primeiras vidas é sobretudo uma formação, uma organização e qualificação de corpos pessoais que de um estado inicial bruto, amorfo, não-organizado, confuso, passam a adquirir qualidades, faculdades, sensibilidades e se delineiam e organizam em decorrência das várias experiências e eventos da vida e dos contatos com o mundo exterior.

Essa evolução dos corpos pessoais, entretanto, por acontecer enquanto o Eu, o verdadeiro Eu, ainda está latente e inconsciente, pode levar ao desenvolvimento de características e tendências negativas, ou seja, permeadas de egoísmo, orgulho, ambição, desejo. A personalidade, ou seja, o conjunto dos três corpos, pode chegar a um grau relativamente avançado de formação e integração, só que sob a orientação, não do eu verdadeiro, do Eu, mas de um "eu" falso e construído que é essencialmente uma força, quase uma entidade independente. É como se houvesse uma idade da personalidade e uma idade da Alma, entendendo-se por Alma a consciência do Eu imanente.

Na verdade, existem pessoas dotadas de uma personalidade forte, eficiente e organizada, que têm êxito na vida mas são imaturas do ponto de vista interior e espiritual. Isso acontece sobretudo com as pessoas extrovertidas, cuja energia vital está toda voltada para fora, para o mundo objetivo, em busca de experiências, de ação, de conhecimento da realidade exterior.

Às vezes pode acontecer o oposto. Pode ocorrer um grande desenvolvimento interior, uma sensibilidade ao mundo subjetivo e abertura de consciência decorrentes de uma ou de mais vidas dedicadas ao misticismo, à interioridade, à introversão, ao recolhimento, e ao mesmo tempo uma personalidade carente, deficitária, não-desenvolvida e bruta. É o caso dos introvertidos.

A meta é o desenvolvimento global do homem, tanto do ponto de vista da consciência do Eu quanto do ponto de vista dos veículos pessoais, uma vez que o Eu precisa de uma personalidade bem-formada e desenvolvida para poder utilizá-la plenamente.

Tal meta, contudo, não é alcançada por um caminho direto e fácil, mas por uma trilha tortuosa, difícil, indireta, semeada de lutas, crises, perigos, ilusões e condicionamentos a serem superados. Por essa razão, é preciso saber quais são as eventuais fases desse desenvolvimento interior e distinguir entre as diversas manifestações da nossa complexa natureza humana para compreender quais delas provêm do Eu, ou seja, da nossa individualidade, e quais, ao contrário, se originam na personalidade.

Desenvolvemo-nos com base em duas diretrizes paralelas, que muitas vezes se alternam: uma objetiva, exterior, outra subjetiva, interior; devemos tomar consciência de que vivemos no dualismo entre o nosso verdadeiro ser, o eu real, e o eu pessoal, que, embora construído e ilusório, é forte e organizado.

Nas primeiras vidas esse dualismo é inconsciente, porque o eu real, o Eu, é de todo latente e entorpecido; aos poucos, entretanto, ele se torna cada vez mais manifesto e consciente, e tem início um período de alternâncias durante o qual prevalece ora a personalidade, ora a individualidade, até que essas duas forças se confrontam e principia, então, o conflito decisivo.

Muito embora esse dualismo tenha sido criado ilusoriamente pela nossa identificação com os instrumentos pessoais, é puramente teórico afirmar que somos "unos" porque na prática agimos como se fôssemos "dois" e todo o nosso caminho evolutivo, até o momento da completa identificação com o Eu, é marcado pelo dualismo, pelo conflito e atrito entre duas forças opostas: a da personalidade e a da individualidade.

Ainda assim esse dilacerante dualismo é inevitável e, aliás, necessário, uma vez que "antes de poder unir é preciso dividir", como diz Alan Watts, ou seja, é preciso passar pela experiência da divisão, do conflito, da separação, para então poder reencontrar conscientemente a unidade.

Para se alcançar mais facilmente essa meta, é útil conhecer a constituição interior do homem, começar a entender a natureza das energias que agem e circulam nele e aprender a distinguir entre os impulsos que procedem do Eu, e aquilo que, ao contrário, é uma manifestação alterada, distorcida, falseada de um dos veículos da personalidade.

O conhecimento das características, qualidades e funções específicas de cada um dos corpos pessoais, embora de início seja apenas teórico, nos ajudará a desenvolver gradativamente uma das qualidades mais importantes para o nosso crescimento interior: o discernimento. Essa qualidade capacita o homem a não cair nas ilusões, nas falsas identificações, a saber distinguir entre o que é pessoal, factício, falso (ou seja, proveniente do eu pessoal), e o que é real (ou seja, proveniente do Eu). Permite-lhe desenvolver a sensibilidade e a intuição para entender a diferença entre a verdadeira e a falsa consciência. 

O desenvolvimento da capacidade de discernir e sua utilização constituem a primeira fase do lento processo de reunificação interior, da superação do dualismo aparente entre o Eu e os seus veículos, e corresponde à necessidade de "dividir" antes de reunir. Na realidade, o discernimento não divide em dois a "essência fundamental", que é a mesma tanto na individualidade quanto na personalidade. Ele distingue o verdadeiro do falso, o autêntico do ilusório, e ajuda a reencontrar a "essência" em meio às infra-estruturas, às falsas construções, aos hábitos e automatismos, que não têm uma realidade e consistência efetivas.

Os veículos pessoais não são "falsos" em si mesmos, não são "impuros" em sua essência — são falsos e impuros na medida em que são condicionados e usados erroneamente.

"A impureza é um erro funcional", diz Sri Aurobindo. Devemos, pois, descobrir a verdadeira função de cada um dos veículos, para utilizar as suas energias na direção correta e fazer com que se tornem o que realmente são: instrumentos de expressão do Eu.

Cada um dos corpos da personalidade é um reflexo de um dos aspectos do Eu.

Segundo as doutrinas esotéricas, o Eu tem três aspectos:

Vontade (Atma);
Amor (Buddhi);
Inteligência Criativa (Manas).

Estes, por sua vez, correspondem e são o reflexo no microcosmo dos três aspectos da Divindade, presentes em todas as religiões, a saber:

Pai... Vontade... Atma;
Filho... Amor... Buddhi;
Espírito Santo... Inteligência Criativa... Manas.

Essa triplicidade divina do Uno reflete-se, portanto, no homem, conferindo ao Eu individual três aspectos, três qualidades que, por sua vez, se refletem na personalidade, dando vida a três corpos, ou veículos de expressão, como segue:

Corpo mental ... Vontade (1º aspecto)... Pai;
Corpo astral (ou emotivo) ... Amor (2º aspecto)... Filho;
Corpo físico-etérico... Inteligência Criativa (3º aspecto)... Espírito Santo.

Através da evolução gradativa da consciência, o homem deve descobrir essas ligações e reconduzir os seus veículos à sua função correta. Deve compreender que construiu inconscientemente na personalidade automatismos, hábitos e "erros funcionais" por não ter consciência de sua verdadeira natureza e identificou-se com um "eu" ilusório, criando em si um dualismo e uma separação entre a individualidade ainda latente e a personalidade de superfície.

O trabalho é longo, difícil e cheio de obstáculos, porque a personalidade, embora feita de hábitos, automatismos e condicionamentos, se estabilizou e quase se consolidou sobre esses erros, tornando-se uma entidade separada, conquanto ilusória, que resiste continuamente às tentativas de mudar de direção.

Urge trabalhar com constância e persistência e ir a fundo para erradicar esses hábitos, desmascarar os condicionamentos, dispersar as névoas das ilusões e reconduzir gradativamente as energias dos veículos à sua verdadeira função.

Assim, como primeiro passo para tomar-nos senhores das energias dos corpos pessoais, para entender as leis que delas resultam, suas peculiaridades, e começar a desmantelar a construção falsa e cristalizada que nos limita, que nos impede de ser nós mesmos e de realizar a verdadeira tarefa dos instrumentos de expressão do Eu, é necessário conhecer minuciosamente a estrutura oculta do homem.




Dra. Angela Maria la Sala Bàta





Fonte: do livro "O Eu e seus Veículos de Expressão", cap. 2, Ed. Pensamento, 1991
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal