quinta-feira, 30 de junho de 2022

NOSSA PRIMEIRA PÁTRIA: O MUNDO ESPIRITUAL

O ser humano, tal como hoje o conhecemos, é o resultado de uma longa evolução. Foram precisos milhões de anos para o espírito do homem tomar posse do seu corpo físico, para ele descer às suas células, a fim de as animar, e fazer dele este ser capaz de refletir, de ter sentimentos, de agir. Mas, ao aprender a manifestar-se cada vez mais no plano físico, o homem perdeu o contacto com o mundo divino, ao ponto de agora negar a existência desse mundo, do qual já nem sequer se lembra. É certo que estava nos planos da Inteligência Cósmica que o homem aprendesse a agir na matéria, mas tal aconteceu à custa do lado espiritual e, por isso, ele deve agora restabelecer o contacto com o mundo divino. Aliás, com a chegada da Era do Aquário, começam a aparecer no mundo correntes que vão nessa direção. Por um lado, a técnica e o progresso material assumem uma importância cada vez maior, é certo, mas por outro lado sente-se que os humanos se dirigem – embora ainda desajeitadamente – para a Ciência Iniciática, porque sentem necessidade de retomar o contacto com o mundo invisível, que foi a sua primeira pátria.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ALÉM DA MOTIVAÇÃO


Uma das coisas básicas que nos interessa é encontrar nosso caminho, não apenas para a harmonia externa de nossas vidas, onde não há conflito ou atrito, mas para a harmonia interior, algo que só podemos descrever com a palavra “paz”. A sensação de paz é a sensação de estar intacto, inteiro, completo. É imensamente maior do que a sensação de estar calmo. É transcendentalmente mais do que a ausência de turbulência. É algo muito mais positivo. É uma sensação de bem-estar extático.

A paz flui em nós quando descobrimos nossa harmonia na dimensão externa como interna. É uma harmonia interior como uma harmonia de que somos capazes através da relação com os outros e da harmonia, por exemplo, que experimentamos na natureza, quando vemos as montanhas num dia claro, ou o mar em toda a sua força. Nesses momentos de revelação de harmonia, surge algo sobre nossa humanidade: um sentimento de unidade com a natureza, consigo mesmo e com os outros. É por isso que meditamos. É triste e perigoso encontrar pessoas que rejeitam esses momentos como se fossem sentimentais ou escapistas. A paz não é uma fuga das lutas da vida. As lutas da vida são honrosamente concluídas.

Quando você começa a meditar, você deve ter uma motivação. Você deve ter um objetivo para começar, um empurrão para iniciar o caminho. Não há melhor incentivo do que alcançar este estado de harmonia interior e exterior. A paz é um objetivo nobre e unificador. Em muitas das escrituras sagradas do Oriente e do Ocidente, esse estado é descrito como um estado de bênção, glória, salvação ou simplesmente vida. O significado é ser totalmente completo, humanamente vivo. Então, sim, aqui está uma motivação para meditar que pode ser boa.

Mas uma vez que você comece a meditar de forma regular diária, logo perceberá que a meditação opera em uma dinâmica diferente. Não é necessário estar constantemente afirmando ou definindo sua motivação ou seu objetivo. Há um impulso direcional na própria meditação que o leva adiante com cada vez menos automotivação ou motivação externa. É muito diferente de qualquer outra atividade em sua vida. Você não visualiza isso da maneira convencional, como se dissesse: "Se eu meditar tantas vezes, vou conseguir isso, ou tal nível de paz, e se eu for particularmente leal, obterei algo mais por isso."

Uma vez que você começa a meditar, descobre que chega a ela com uma quantidade menor de demanda sem procurar uma recompensa. Meditamos simplesmente porque é o caminho mais claro para um senso de totalidade, de unidade, que está além de nosso controle ou posse, e só pode ser desfrutado quando aceitamos a natureza de ser um presente.


Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

RUMO AO AUTOCONHECIMENTO


O apelo “Conhece-te a ti mesmo” costuma ser atribuído a Sócrates, mas na verdade essas palavras servem de base a muitos sistemas e escolas ainda mais antigas. O pensamento moderno conhece esse princípio, embora compreenda seu sentido e sua importância de maneira vaga. A típica pessoa educada de hoje, mesmo a que tem interesses filosóficos ou científicos, não percebe que o princípio “Conhece-te a ti mesmo” refere-se à necessidade de conhecermos nossa própria máquina, a "máquina humana", que é mais ou menos a mesma em todas as pessoas. É um apelo, em primeiro lugar, para estudarmos a estrutura, as funções e as leis de nosso organismo. Todas as partes da máquina humana acham-se tão interligadas, cada coisa dependendo de outras, que é completamente impossível estudar qualquer função isolada, sem estudarmos todas as demais. Logo, pelo menos no que diz respeito à máquina humana, precisamos conhecer tudo a fim de conhecer qualquer coisa em nós. E, na verdade, isso é possível. Mas exige tempo e esforço e, acima de tudo, a aplicação do método certo sob orientação adequada.

O princípio “Conhece-te a ti mesmo” é um imperativo rico e profundo. Exige, antes de qualquer coisa, que quem quer se conhecer compreenda seu significado, suas consequências e seus requisitos. De fato nos conhecermos é uma meta imensa, mas muito vaga e distante — bem além de nossa capacidade atual. Assim, em termos estritos, não podemos nem afirmá-la como nossa meta atual. Em vez de nos preocuparmos com o autoconhecimento, temos de nos contentar, no presente, com o autoestudo, aceitando-o como objetivo imediato. Portanto, a meta deve ser começarmos a nos estudar, a nos conhecer, da maneira certa. O autoestudo é o trabalho, o caminho, que acabará levando ao autoconhecimento.

Mas, antes de podermos nos dedicar a um autoestudo, precisamos aprender a estudar, por onde começar e que métodos usar. O principal método de autoestudo é a auto-observação, necessária a fim de se compreender como as diversas funções da máquina humana relacionam-se umas com as outras. Esse método, por sua vez, irá nos permitir compreender como e por que, em ocasiões específicas, tudo está “feito” em nós. Essa noção básica das funções e características da máquina humana é um pré-requisito para se compreender os princípios fundamentais de sua atividade. Sem compreender esses princípios e mantê-los sempre em mente, qualquer tentativa de auto-observação será intrinsecamente falha. Logo, para o verdadeiro autoconhecimento, aquela introspecção à qual as pessoas costumam se dedicar habitualmente no curso da vida é inútil e não leva a lugar algum.

Temos de entender que cada uma de nossas funções psíquicas normais é um modo de obter certo tipo de conhecimento. A mente permite-nos perceber um aspecto das coisas e dos eventos; as emoções, outro aspecto; as sensações, um terceiro. Entretanto, só podemos ter o conhecimento pleno de alguma coisa se a examinarmos simultaneamente com a mente, o sentimento e a sensação. Tal nível de percepção, possível apenas com um tipo diferente de existência, deveria ser a meta de todas as pessoas que almejam o conhecimento verdadeiro.

Em condições normais, vemos o mundo através de um vidro escuro, mas, mesmo que percebamos isso, somos impotentes para mudar essa realidade. Nosso modo de percepção depende do funcionamento de nosso organismo como um todo. Todas as nossas funções estão interligadas, são interdependentes, e todas procuram manter um estado de equilíbrio mútuo. Portanto, ao começarmos a nos estudar, devemos compreender que, se descobrirmos um aspecto do qual não gostamos, não seremos capazes de mudá-lo. Estudar é uma coisa, mudar é outra bem diferente. Mas o estudo é o primeiro passo a fim de se perceber o potencial de mudança no futuro. No começo, devemos compreender que, por um longo tempo, todo o nosso trabalho será dedicado a estudarmos sozinhos.


Georges Ivanovitch Gurdjieff



Fonte: do livro "Em Busca do Ser - o quarto caminho para uma nova consciência"
Tradução de Marcello Borges
São Paulo, Ed. Pensamento, 2017
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 8 de junho de 2022

O QUE ESPERAR DA DIREÇÃO ESPIRITUAL?


É certamente um grande auxílio; não devemos, entretanto, esperar que opere maravilhas.

Algumas pessoas, especialmente algumas pessoas religiosas, que deveriam ter mais juízo, parecem pensar ser-lhes possível encontrar um guia espiritual que, com uma só palavra, faça desaparecer todos os seus problemas.

Esses não procuram um guia, mas sim um milagreiro.

Em realidade, muitas vezes queremos contar com pessoas que resolvam problemas que nós mesmos deveríamos ser capazes de resolver.

Isso, não tanto por nossa própria sabedoria, mas pela generosidade em enfrentar fatos e obrigações que, para nós, representam a vontade de Deus.


Thomas Merton



Fonte: do livro "Direção Espiritual e Meditação", Ed. Vozes, Petrópolis/RJ
Via: Associação Thomas Merton - www.merton.orb.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/mestre-chin%c3%aas-barba-velhote-1152482/

segunda-feira, 6 de junho de 2022

CARREGANDO O PASSADO

A incapacidade, ou melhor, a relutância da mente humana em deixar de lado o passado é primorosamente ilustrada na história dos dois monges zen, Tanzan e Ekido, que caminhavam numa estrada enlameada depois de uma forte chuva. Próximo a uma aldeia, eles encontraram uma moça que estava tendo dificuldade em atravessar a estrada por causa da lama. Se ela continuasse a caminhar, estragaria seu quimono de seda. Sem titubear, Tanzan a pegou no colo e a carregou para o outro lado da estrada.

Os monges prosseguiram na sua caminhada em silêncio. Cinco horas depois, quando já estavam perto do templo onde passariam a noite, Ekido não conseguiu mais se conter.

– Por que você carregou a moça para o outro lado da estrada? – perguntou. – Nós, monges, não devemos fazer essas coisas.

– Faz horas que coloquei aquela jovem no chão – respondeu Tanzan. – Você ainda a está carregando?

Agora, imagine como seria a vida de alguém que viva como Ekido o tempo todo, incapaz de parar de pensar nas situações ou não querendo fazer isso e acumulando cada vez mais “material” dentro de si. Isso nos dá uma ideia de como é a vida da maioria das pessoas. Que pesado fardo do passado elas carregam na mente.

O passado vive em nós na forma de lembranças, no entanto elas em si mesmas não são um problema. Na verdade, é por meio delas que aprendemos com nossas experiências e com os erros que cometemos. Somente quando as recordações, isto é, os pensamentos sobre o passado, nos dominam completamente é que elas se transformam num fardo, começam a ser problemáticas e a fazer parte do que entendemos como o eu. Nossa personalidade, que é condicionada pelo passado, se torna nossa prisão. Essas memórias são investidas de uma percepção do eu, e nossa história passa a ser a percepção que temos de nós mesmos. Esse “pequeno eu” é uma ilusão que obscurece nossa verdadeira identidade como a presença eterna e sem forma.

Nossa história, porém, é formada por lembranças mentais e emocionais – emoções antigas que são revividas continuamente. Assim como o monge que carregou o fardo do ressentimento por cinco horas, alimentando-o com pensamentos, a maioria das pessoas leva consigo uma grande quantidade de bagagem desnecessária, tanto mental quanto emocional, ao longo de toda a vida. Esses indivíduos se limitam com ressentimentos, arrependimentos, hostilidade e culpa. Seu pensamento emocional se torna seu eu e, assim, eles se apegam a velhas emoções porque estas fortalecem sua identidade.

Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que eu chamo de “corpo de dor”.

Podemos, no entanto, parar de acrescentar ao corpo de dor aquilo que já temos. Somos capazes de aprender a refrear o hábito de acumular e perpetuar antigas emoções batendo nossas asas, metaforicamente falando, e nos abstendo de viver com a mente no passado, não importa se um incidente aconteceu ontem ou 30 anos atrás. Temos como aprender a não manter vivos acontecimentos e situações e, em vez disso, sempre dirigir a atenção para o momento presente – puro, atemporal –, em vez de nos deixarmos atrair por histórias mentais produzidas pela mente. Assim, nossa própria presença se torna nossa identidade, e não nossos pensamentos e nossas emoções.

Absolutamente nada que tenha acontecido no passado pode nos impedir de estar presentes agora. E, se o passado não tem como evitar nosso estado de presença, que poder ele tem?


Eckhart Tolle



Fonte: do livro "Um Novo Mundo", Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2011
www.sextante.com.br
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sábado, 4 de junho de 2022

A VERDADE É O REMÉDIO


Por que as quedas ocorrem no caminho espiritual?

Porque o caminho espiritual é como qualquer caminho ou senda na Terra, se não se prestar atenção, tropeçará. Se você ficar muito distraído acaba todo golpeado e se caminhar perto dos abismos... tropeçar pode ser muito doloroso. Então, o que é preciso é caminhar devagar, contemplando o caminho e a paisagem que o acompanha, descansando em uma atenção viva e calorosa.

Estou cansado de cair, de perder o entusiasmo, de acreditar e depois cair. Existe algo que eu possa fazer definitivamente?

É importante descobrir o significado das quedas. Normalmente, se as aceitamos bem, elas nos mostram o verdadeiro estado interior em vez do que a mente inventa com alguma história justificadora. Se o seu destino é Bogotá e você descobre que está viajando para Santiago, é doloroso dar-se conta disso, mas você não pode negar que descobri-lo é um grande benefício. Também entender a raiz do que gera nossa desatenção é essencial. O sapato aperta em cada um de nós em um lugar diferente. É preciso conhecê-lo, assumi-lo com humildade e estabelecer o remédio adequado.

Não é bom colocar a vara muito alta, isso geralmente é um truque do adversário, também chamado de orgulho espiritual. Você tem que pretender pouco, mas verdadeiro e permanente. Aspirar à Presença na vida cotidiana, a uma oração cada vez mais frequente, a viver numa serena alegria confiada à providência... não é pouca coisa! Não é necessário mais. É claro que cada um tem suas circunstâncias para adaptar as tentativas pessoais nesse sentido.

Meu professor me disse que devia haver uma aspiração máxima e uma mínima. E que o mínimo era suficiente, o resto estava nas mãos do Senhor, principalmente. Eu disse a ele que minha aspiração máxima era construir um Athos (Monastério no Monte Athos, na Grécia) dentro do cristianismo ocidental, um reflorescer da fé, que a Oração de Jesus ressoasse por toda parte... que era a mesma coisa que ele queria fazer em sua vida quando era mais jovem. E ele me disse: «É muito bom, mas basta para você não ser uma pessoa má e não voltar ao alcoolismo».

Há uma grande diferença entre a mente e o coração. O espírito mora no templo interior, no coração, e é o que dá calor ao coração. Deixe-se guiar por ele. A mente é vaidosa, julgadora, especulativa, e sem o espírito no comando é um constante aborrecimento e não serve de ferramenta. Cada vez que nos descobrimos seguindo o fio das divagações, voltemos ao momento presente, que é o único que existe e onde Deus se manifesta. Acolha silenciosamente à percepção que sente, fazendo uma pequena pausa em seus movimentos. Então, deixe o Santo Nome de Jesus brotar em você.



El Santo Nombre



Fonte: Blog El Santo Nome
https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: Acerco de autoria pessoal

terça-feira, 31 de maio de 2022

ALGUÉM PRECISA DE VOCÊ


Você já se sentiu alguma vez como um zero à esquerda, ou seja, sem valor algum?

Você pode responder que não, mas outras tantas pessoas já tiveram o seu dia de baixa auto-estima.

São aqueles dias em que a gente olha ao redor e não consegue ver nada em que possamos ser úteis.

No entanto, e por essas mesmas razões, há sempre alguém que precisa de você.

Há pessoas caladas que precisam de alguém para conversar.

Há pessoas tristes que precisam de alguém que as conforte.

Há pessoas tímidas que precisam de alguém que as ajude vencer a timidez.

Há pessoas sozinhas que precisam de alguém para conversar.

Há pessoas com medo que precisam de alguém para lhes dar a mão.

Há pessoas fortes, mas que precisam de alguém que as faça pensar na melhor maneira de usar a sua força.

Há pessoas habilidosas que precisam que alguém as ajude a descobrir a melhor maneira de usar sua habilidade.

Há pessoas que julgam não saber fazer nada e que precisam de alguém que as ajude a descobrir o quanto podem fazer.

Há pessoas apressadas que precisam de alguém que lhes mostre tudo o que não têm tempo para ver.

Há pessoas impulsivas que precisam de alguém que as ajude a não magoar os outros.

Há pessoas que se sentem perdidas e precisam de alguém que lhes mostre o caminho.

Há pessoas que se julgam sem importância alguma e precisam de alguém que as ajude a descobrir como são valiosas.

E você, que muitas vezes pensa não ter nenhuma utilidade, pode ser justamente a pessoa que alguém está precisando agora...

É claro que você não precisa, nem pode ser a solução para todos os problemas, mas faça o melhor ao seu alcance.

Se não puder ser uma árvore frondosa no topo da colina, seja um arbusto no vale – mas seja o melhor arbusto do vale.

Se não puder ser um arbusto, seja um ramo – mas seja o ramo mais exuberante a enfeitar a paisagem.

E se não puder ser um ramo, seja um pequeno tapete de relva para dar alegria a algum caminhante...

Se deseja ser um lindo ramalhete de flores perfumadas, e não consegue, seja uma singela flor silvestre – mas seja a mais bela.

E nesse esforço de ser útil a alguém que precisa de você, irá cada vez se tornando mais forte e mais confiante.

E todos as alegrias que espalhar pelo caminho serão as mesmas alegrias que encontrará na própria estrada.

Por mais difícil que esteja a situação, nunca deixe de lembrar que alguém precisa de você. E o mais importante: você pode ajudar alguém.

* * *

A Terra é uma grande escola, onde o Criador nos matriculou para que aprendamos a ser feliz.

A grande maioria das pessoas que habita este planeta não é completamente feliz.

Somos todos caminheiros da estrada chamada evolução, e, num momento ou noutro pode ser que precisemos de alguém.

Assim sendo, como sempre estamos rodeados de pessoas, é importante que você fique alerta, pois ao seu lado pode estar alguém que precise de você, neste exato momento.



Fonte: Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria desconhecida.
http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1004&let=A&stat=0
Via: Espiritualidade e Sociedade - http://www.espiritualidades.com.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

OS DESEJOS E SEUS RESULTADOS


As ciências ocultas apresentam às pessoas toda a espécie de métodos para obterem a realização dos seus desejos, mas sem explicarem o que lhes acontecerá se esses desejos forem demasiado pessoais e egoístas, se transgredirem as leis da Natureza, se forem contra a ordem divina.

Dizem apenas: «Fazei isto... fazei aquilo...» e, muitas vezes, aqueles que o fazem dão-se mal. Por isso, esses métodos só serão bons e válidos se os vossos desejos forem divinos, se não forem bons unicamente para vós, mas também para o mundo inteiro.

Deveis saber que tudo se realiza, e é aí que está o perigo. Dir-me-eis que não vedes esse perigo. Mas quem vos diz que, se os vossos desejos se realizarem, não ireis sofrer, porque não soubestes prever as complicações daí resultantes?

Aquele que não estudou as relações entre os seus desejos e as leis da Natureza e da vida, que não se questionou sobre os resultados que esses desejos desencadearão se se realizarem, expõe-se a grandes desilusões.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

domingo, 29 de maio de 2022

SER UNO COM A LUZ


Uma das palavras usadas para descrever o propósito da meditação é 'iluminação'. Meditamos para ser iluminados. São João, em seu Evangelho, descreve que o propósito da vinda de Cristo é dissipar as sombras. Ele fala do poder de sua luz pessoal que é tão grande que a escuridão não pode prevalecer, nem pode tirar a luz.

No entanto, podemos perceber que há muita escuridão em nosso mundo. Ouvimos diariamente sobre as terríveis injustiças, violência, ódio, controle, ganância cega e destruição doentia. Também vemos isso em um nível pessoal e político, entre nossos vizinhos em casa ou no exterior. Muitos de nós não estão cientes da sombra residual dentro de nós. Devemos reconhecer, nós também, que temos um lado sombrio. Temos a capacidade de autonegação de viver no nível que não vale o nosso destino humano e não como pessoas que são imagens de Deus.

Quando começamos a meditar, logo percebemos que não podemos entrar na experiência de meditação com apenas uma parte de nós. Tudo o que somos, a totalidade do nosso ser, está envolvido nesta entrada integral de nós, que nos leva a nos realizar plena e harmoniosamente.

Outra maneira de colocar isso é que cada parte oculta e sombria de nós deve vir à tona. Não meditamos apenas para desenvolver nosso lado religioso ou nossa capacidade moral. A meditação é o caminho para a integração harmoniosa de todo o nosso ser e de toda a realidade. Um homem verdadeiramente espiritual está em harmonia com todas as suas habilidades. Esta é a razão pela qual uma pessoa espiritual faz tudo no mais alto espírito de perfeição que leva ao maior Amor possível e à maior alegria.

A razão é esta – a meditação não é o processo onde tentamos ver a luz. Nesta vida não podemos ver plenamente a luz e continuar a viver. Nosso ponto de atenção deve ser visto pela luz que nos procura e nos conhece, e ilumina.

A meditação é o processo pelo qual vamos em direção à luz. Como consequência natural desse processo, começamos a ver tudo: o entrelaçamento integral da realidade da vida, pelo poder da luz. Neste momento, devemos analisar nossa linguagem. O que é essa "luz"? Qual é o significado deste grande símbolo espiritual? O que é que nos ilumina e que muda a forma como percebemos a realidade cotidiana? Jesus nos diz que esse poder chamado "luz" é o Amor. Assim, para o meditador cristão, o teste de nosso progresso na meditação é simplesmente ver que estamos caminhando para o estado de iluminação, sendo capazes de ver tudo inter-relacionado pela luz, a luz de Deus. Ver através da luz desse Amor universal nos faz amar tudo também. Sem julgar, sem rejeitar, mas ver cada pessoa, e de fato toda a criação por esta luz, nos leva a descobrir a fonte do Amor em nossos corações. Devemos saber-nos ser amados: este é o conhecimento da iluminação cristã.


Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

RESPIRAR CONSCIENTEMENTE


Pela respiração, pode-se captar no ar uma quinta-essência muito preciosa a que os yoguis hindus chamam “prana”. O “prana” está na base de todas as energias do Cosmos. É de manhã, ao nascer do sol, que ele é mais abundante. Ao fazer-se passar conscientemente o ar pelas narinas, põe-se a funcionar certas fábricas no corpo que começam a trabalhar para extrair esta quinta-essência. Uma vez captada, ela começa a circular ao longo dos nervos. Os yoguis, os sábios da Índia, que estudaram o sistema nervoso, compreenderam que este “prana” tão subtil circula como fogo nas ramificações nervosas situadas de ambos os lados da coluna vertebral. Do mesmo modo que o sangue circula através das veias, das artérias e dos vasos capilares, este fluido muito subtil, o “prana”, circula através do sistema nervoso. É um alimento que aumenta a vitalidade, o equilíbrio, a lucidez.

Há muito tempo – eu ainda não devia ter dezessete anos, pois não tinha ainda encontrado o Mestre Peter Deunov -, eu fazia muitos exercícios de respiração, e como era muito jovem e não dispunha de um instrutor para me guiar, não tinha qualquer noção da medida certa e acabei por adoecer. Mas recordo-me de que um dia, durante um desses exercícios de respiração, tive subitamente a sensação de ter aspirado um fogo que descia até aos meus pulmões. Foram instantes de uma alegria, de uma felicidade, de uma iluminação indescritíveis. Evidentemente, nessa altura eu não sabia o que estava acontecendo. Anos mais tarde, compreendi que talvez fosse isso o Espírito Santo, esse fogo divino que o homem recebe em si por intermédio do ar.

A respiração tem grandes poderes, ela pode mesmo permitir, àqueles que se treinaram, saírem livremente do seu corpo e viajarem no espaço para conhecerem as realidades do mundo invisível de que nos falam os Iniciados. Do modo de respirar depende também o despertar dos chacras e a aquisição das faculdades espirituais.

Há que aprender a respirar conscientemente, isto é, a ligar o pensamento à respiração, para se poder chegar às forças ocultas no subconsciente. A respiração consciente e profunda traz bênçãos incalculáveis para a vida intelectual, para a vida emocional e para a vida física. Precisais de observar os seus efeitos positivos no vosso cérebro, na vossa alma, em todas as vossas faculdades: é um fator muito importante para todos os domínios da vida. Nunca deixeis esta questão de lado.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: Opúsculo 303 - "A Respiração - Dimensão espiritual e aplicações práticas", 12ª parte, cap. II
Publicações Maitreya, Porto - Portugal
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terça-feira, 17 de maio de 2022

O EU AUTOCENTRADO


A mente está sempre querendo alimentar-se para pensar. Ela procura alimento para sua própria identidade, para seu sentido de ser. É assim que o ego se cria e se recria continuamente.

Quem percebe isso? Quem compreende que sua forma física e psicológica é passageira? É o EU SOU; que não tem nada a ver com o passado e o futuro.

O que restará de todos os medos e desejos associados aos problemas de sua vida e que diariamente exigem o máximo de sua atenção? Restará apenas seu nome gravado na lápide de sua sepultura e as datas ligando seu nascimento à sua morte.

Para o eu autocentrado, para o ego, esse é um pensamento deprimente. Para o que você é essencialmente, é libertador.

Quando cada pensamento absorve toda a sua atenção, isso mostra que você se identifica com a voz que está dentro da sua cabeça. O pensamento se confunde então com o sentido do eu. Esse é o eu criado pela mente, o que chamamos de ego. Esse ego construído pela mente se sente totalmente INCOMPLETO e PRECÁRIO. Por isso o medo e o desejo são as emoções e forças dominantes e motivadoras desse ego.

Quando você se dá conta de que existe uma voz na sua cabeça que pretende ser você e não para de falar, percebe que, de forma inconsciente, você vem se identificando com a corrente do pensamento. Quando percebe a existência dessa voz, você compreende que NÃO É ESSA VOZ, mas a pessoa que a PERCEBE. Ter LIBERDADE é saber que você é a CONSCIÊNCIA por trás dessa voz.

O ego está sempre buscando. Busca sem cessar isso ou aquilo para se sentir mais completo. Isso explica por que ele se preocupa compulsivamente como futuro. Ao concentrar toda a atenção no momento presente, uma INTELIGÊNCIA muito SUPERIOR à mente autocentrada entra em sua vida.

Ao viver através do ego, você faz do momento presente apenas um meio para atingir um fim. Você vive em função do futuro, mas, quando atinge seus objetivos, eles não o satisfazem ou não o satisfazem por muito tempo.

Quase todo ego tem um pouco do que poderíamos chamar de identidade da vítima. Muitas pessoas se vêem de tal forma como vítimas que essa imagem se torna ponto central de seu ego. O ressentimento e a mágoa passam a ocupar uma parte essencial da visão que essas pessoas têm de si mesmas. Mesmo que suas mágoas sejam muito justas, ao assumir a identidade de vítima, você cria uma prisão cujas grades são feitas de formas de pensar. Veja o que está fazendo com você mesmo, ou melhor: o que a sua mente está fazendo com você. Sinta a ligação emocional que você tem com sua história de vítima e perceba sua compulsão de pensar ou falar a respeito. Testemunhe o seu estado interior. Você não precisa fazer mais nada além disso. Ao PERCEBER isso, a TRANSFORMAÇÃO e a LIBERDADE virão.

Reclamar e reagir são as formas preferidas da mente para fortalecer o ego. Para muitas pessoas, grande parte da atividade mental e emocional consiste em reclamar e reagir contra isso ou aquilo. Procuram fazer com que os outros ou as coisas estejam errados e só elas estejam certas. Estando certas, elas se sentem superiores e, assim, fortalecem seu ego. No entanto, estão apenas fortalecendo a ILUSÃO do ego. Pare um pouco e pense: você tem esses padrões de comportamento? Consegue perceber a voz em sua mente que está sempre reclamando e apontando os outros como culpados? O eu autocentrado precisa do conflito para fortalecer sua identidade. Ao lutar contra algo ou alguém, ele demonstra para si mesmo que isto sou eu e aquilo não sou eu.

É comum que países, tribos e religiões procurem fortalecer sua SENSAÇÃO de identidade coletiva colocando-se em oposição aos seus inimigos. Quem seriam os crentes se não existissem os que não creem?

Ao se relacionar com pessoas, você é capaz de perceber em si mesmo sentimentos sutis de superioridade e de inferioridade em relação a elas? Quando isso acontece, é o ego que está se manifestando, porque ele precisa da comparação para se afirmar. A identidade do ego depende da comparação e se alimenta do mais. Ele se agarra a qualquer coisa. Quando nada disso funciona, as pessoas procuram fortalecer seu ego considerando-se mais injustamente tratadas pela vida, mais doentes ou mais infelizes do que os outros. Quais são as histórias que você cria para encontrar sua própria identidade?

O eu autocentrado tem também necessidade de se opor, resistir e excluir para manter a ideia de separação da qual depende sua sobrevivência. Assim, ele coloca o eu contra os outros e nós contra eles. O ego precisa estar em conflito com alguém ou alguma coisa. Isso explica por que, apesar de você querer paz e amor, não consegue suportar a paz, a alegria e o amor por muito tempo. Você diz que quer ser feliz, mas está viciado em ser infeliz.

A culpa é outra forma que o ego tem para criar uma identidade. Para o ego não importa que essa identidade seja negativa ou positiva. O que você fez ou deixou de fazer foi uma manifestação de inconsciência, que é natural da condição humana. Se você estivesse mais ALERTA, mais CONSCIENTE, teria agido de outra maneira.

Se você estabelece objetivos autocentrados na sua busca de libertação e de autovalorização, mesmo que os atinja eles não irão satisfazê-lo.

Disse o mestre, quando lhe pediram para explicar o sentido mais profundo do budismo: "Sem o ego, não há problema".



Eckhart Tolle




Fonte: do livro "O Poder do Silêncio", cap. 3, Ed. Sextante
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/cachoeira-agua-fluxo-sil%c3%aancio-5138793/

sábado, 14 de maio de 2022

O CAMINHO DA DESPOSSESSÃO - DESAPEGO


Na meditação descobrimos que a aceitação desse dom (desapego) é o que nos dá vida, integridade, unidade, e assim ativar o potencial que está livre em nossas vidas, para a felicidade, para o ser. Meditar é para o espírito o que respirar é para o corpo. Se alguém lhe perguntasse qual é a sua motivação para respirar, você teria que responder: “Não tenho motivação a não ser viver. É preciso respirar para viver. Não tenho motivação consciente para isso.” Quanto mais você meditar, mais você experimentará seu espírito em harmonia pacífica com toda a criação e com seu Criador.

Você mais perceberá que não precisa de nenhuma motivação para meditar. Você medita porque você é, e porque Deus é, porque este é o tecido da realidade, e porque é para isso que você foi criado: Deus, o Criador e eu, a criatura, vivemos na criação de Deus. A meditação é simplesmente o caminho de estar totalmente vivo para essa realidade abrangente.

Antes de se sentar para meditar todos os dias, lembre-se de que o objetivo é perder sua autoconsciência (da mente). Não nos importamos em criar ou projetar uma imagem para alguém. Estamos apenas focados em ser, ser quem somos, onde estamos. Estar em paz é aceitar o dom de ser e, ao aceitá-lo, abdicamos da autoconsciência da mente.

Se algo acontece quando você está meditando, especialmente quando você começa, uma grande sensação de paz toma conta de você. Então você diz a si mesmo: “Isso é uma coisa maravilhosa. Onde isso vai me levar? Do que se trata? Eu quero experimentar isso.” Então você para de repetir o seu mantra e o que pode acontecer é que assim que o fizer, a sensação de paz irá embora e se tornará uma lembrança. Mas há algo ainda pior, que é tentar voltar para recuperá-lo. Então você começa a repetir seu mantra mais alto e mais intensamente, de uma forma mais autoconsciente para tentar possuir essa sensação de paz. Mas a meditação, como descreve São João da Cruz, é o caminho da desapropriação. Você não tenta possuir paz, ou Deus, ou pegá-lo para lhe dar graça, conforto ou um momento de êxtase. Não estamos pedindo nada.


Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 11 de maio de 2022

A MATÉRIA VIVIFICADA PELO ESPÍRITO


O cristianismo pôs a tônica no lado doloroso e trágico da cruz, no seu lado “morte”, associando-a essencialmente à morte de Jesus.

Na realidade, é preciso ver na cruz um significado muito mais vasto: o da matéria à qual o espírito desce para a vivificar.

Evidentemente, pode acontecer que o espírito mergulhe na matéria e adormeça; se ele não tiver forças suficientes para a animar, esta união torna-se o túmulo do espírito e, infelizmente, é o que acontece com a maioria das pessoas, que deixam o espírito enterrar-se nelas.

A matéria é a cruz na qual o espírito se sacrifica constantemente, mas este sacrifício só tem razão de ser se a matéria se transformar e se tornar mais viva, mais pura.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

REENCARNAÇÃO: VOLTAR ATÉ APRENDER AS LIÇÕES DA VIDA

Ouvi uma história sobre um grande músico. Ele cantava uma canção, e as pessoas que o escutavam eram grandes amantes da música. Ele terminou a canção e toda a multidão gritou: "Bis, bis!" Ele a cantou de novo, muito feliz por ter sido tão bem recebido.

Quando terminou, toda a multidão gritou de novo, e mais alto: "Bis, bis!" E ele cantou novamente. Quando terminou a mesma canção pela terceira vez, a multidão gritou ainda mais alto. E ele disse: "mas sei outras canções também". Então uma pessoa do público disse: "Até você cantar direito, vamos continuar a pedir bis".

Isso é o que acontece na vida: somos enviados de volta, de novo e de novo. Você pode morrer, mas será mandado de volta até ter aprendido a lição. E a lição pode ser aprendida.


OSHO



Fonte: do livro "Meditações para a Noite", Verus Editora, 5a. ed., 2016, Campinas/SP
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 9 de abril de 2022

A ORAÇÃO DO CORAÇÃO: ESPIRITUALIDADE DO DESERTO


A oração hesicástica (1), que leva ao descanso em que a alma habita com Deus, é a oração do coração. Para nós que damos tanta importância à mente, aprender a rezar com o coração e a partir dele, tem importância especial. Os monges do deserto nos mostram o caminho. Embora não exponham nenhuma teoria sobre a oração, suas narrativas e seus conselhos concretos apresentam as pedras com as quais os autores espirituais ortodoxos mais tardios construíram uma espiritualidade magnífica. Os autores espirituais do monte Sinai, do monte Atos e os startsi (2) da Rússia oitocentista (3) apoiam-se todos na tradição do deserto. Encontramos a melhor formulação da oração do coração nas palavras do místico russo Teófano, o Recluso: "Rezar é descer com a mente ao coração e ali ficar diante da face do Senhor, onipresente, onividente dentro de nós". No decorrer dos séculos, essa perspectiva da oração tem sido central no hesicasmo. Rezar é ficar na presença de Deus com a mente no coração, isto é, naquele ponto de nossa existência em que não há divisões nem distinções e onde somos totalmente um. Ali habita o Espírito de Deus e ali acontece o grande encontro. Ali, coração fala a coração, porque ali ficamos diante da face do Senhor, onividente, dentro de nós. É bom saber que aqui a palavra "coração" é usada em seu sentido bíblico pleno. Em nosso meio, ela se tornou lugar-comum. Refere-se à sede da vida sentimental. Expressões como "coração partido" e "sentido no coração" mostram ser comum pensarmos no coração como o lugar quente onde se localizam as emoções, em contraste com o frio intelecto onde têm lugar nossos pensamentos. Mas, na tradição judaico-cristã, a palavra "coração" refere-se à fonte de todas as energias físicas, emocionais, intelectuais, volitivas e morais.

No coração, originam-se impulsos impenetráveis, além de sentimentos, disposições e desejos conscientes. O coração também tem suas razões e é o centro da percepção e do entendimento. Finalmente, ele é a sede da vontade: faz planos e chega a uma boa decisão. Assim, é o órgão central e unificador de nossa vida pessoal. Nosso coração determina nossa personalidade e é, portanto, não só o lugar onde Deus habita mas também o lugar ao qual “Satanás” dirige seus ataques mais ferozes. Esse coração é o lugar da oração. A oração do coração dirige-se a Deus a partir do centro da pessoa e, assim, afeta toda a nossa compaixão.

Um dos monges do deserto, Macário, o Grande, diz: "A tarefa principal do atleta (isto é, do monge) é entrar em seu coração". Isso não significa que o monge deva procurar encher sua oração de sentimento; significa que deve esforçar-se para deixar que ela remodele toda a sua pessoa. O discernimento mais profundo dos monges do deserto é que entrar no coração é entrar no Reino de Deus. Em outras palavras, o caminho para Deus é pelo coração. Isaac, o Sírio, escreve:

"Procure entrar na câmara do tesouro... que está dentro de você e então descobrirá a câmara do tesouro do céu. Pois ambas são a mesma coisa. Se conseguir entrar em uma, você verá ambas. A escada para este Reino está escondida dentro de você, em sua alma. Se você purificar a alma, ali verá os degraus da escada que deve subir."

E João de Cárpato diz: "É preciso grande esforço e luta na oração para alcançar aquele estado da mente que é livre de toda perturbação; é um céu dentro do coração (literalmente 'intracardíaco'), o lugar onde, como o apóstolo Paulo assegura, "Cristo está em vós" (2Cor 13,5).

Em suas falas, os monges do deserto nos indicam uma visão bastante holística de oração. Eles nos afastam de nossas práticas intelectuais, nas quais Deus se transforma em um dos muitos problemas com os quais temos de lidar. Mostram-nos que a verdadeira oração penetra no âmago de nossa alma e não deixa nada sem tocar. A oração do coração não nos permite limitar nosso relacionamento com Deus a palavras interessantes ou emoções piedosas. Por sua própria natureza, essa oração transforma todo o nosso ser em Cristo, precisamente porque abre os olhos de nossa alma à verdade de nós mesmos e também à verdade de Deus. Em nosso coração passamos a nos ver como pecadores abraçados pela misericórdia de Deus. É essa visão que nos faz clamar: "Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, tem misericórdia de mim, pecador". A oração do coração nos exorta a não esconder absolutamente nada de Deus e a nos entregar incondicionalmente a sua misericórdia.

Assim, a oração do coração é a oração da verdade. Desmascara as muitas ilusões sobre nós mesmos e sobre Deus e nos conduz ao verdadeiro relacionamento do pecador com o Deus misericordioso. Essa verdade é o que nos dá o "descanso" do hesicasta. Quando ela se abriga em nosso coração, somos menos distraídos por pensamentos mundanos e nos voltamos mais sinceramente para o Senhor de nossos corações e do universo. Assim, as palavras de Jesus: "Felizes os corações puros: eles verão a Deus" (Mt 5,8) tornam-se reais em nossa oração. As tentações e as lutas continuam até o fim de nossas vidas, mas com um coração puro ficamos tranquilos, mesmo em meio a uma existência agitada.

Isso levanta o problema de como praticar a oração do coração em um ministério bastante agitado. É a essa questão de disciplina para a qual precisamos agora voltar a atenção.


Oração e Ministério

Como nós, que não somos monges nem vivemos no deserto, praticamos a oração do coração? Como ela influencia nosso ministério cotidiano?

A resposta a essa pergunta está na formulação de uma disciplina definitiva, uma regra de oração. Há três características da oração do coração que nos ajudam a formular essa disciplina:

- A oração do coração alimenta-se de orações breves e simples;

- A oração do coração é incessante;

- A oração do coração inclui tudo.


Alimenta-se de Orações Breves

No contexto de nossa cultura verbosa, é significativo ouvir os monges do deserto nos aconselhando a não usar palavras em excesso:

"Perguntaram ao aba Macário: 'Como se deve rezar?' O ancião respondeu: 'Não há, em absoluto, necessidade de fazer longos discursos; basta estender a mão e dizer: Senhor, como queres e como sabes, tem misericórdia. E se o conflito ficar mais ameaçador, dizer: Senhor, ajuda. Ele sabe muito bem do que precisamos e nos mostra sua misericórdia'".

João Clímaco é ainda mais explícito:

"Quando rezar, não procure se expressar em palavras extravagantes pois, quase sempre, são as frases simples e repetitivas de uma criancinha que nosso Pai do céu acha mais irresistíveis. Não se esforce em muito falar, para que a busca de palavras não lhe distraia a mente da oração. Uma única frase nos lábios do coletor de impostos foi suficiente para lhe alcançar a misericórdia divina; um pedido humilde feito com fé foi suficiente para salvar o bom ladrão. A tagarelice na oração sujeita a mente à fantasia e à dissipação; por sua natureza, as palavras simples tendem a concentrar a atenção. Quando encontrar satisfação ou contrição em determinada palavra de sua oração, pare nesse ponto".

Essa é uma sugestão muito útil para nós que tanto dependemos da capacidade verbal. A tranquila repetição de uma única palavra (4) ajuda-nos a descer com a mente ao coração. Essa repetição nada tem a ver com mágica. Não tem o propósito de enfeitiçar Deus, nem de forçá-lo a nos ouvir. Pelo contrário, uma palavra ou sentença repetida com frequência ajuda-nos a nos concentrar, a nos mover para o centro, a criar uma tranquilidade interior e, assim, a ouvir a voz de Deus. Quando simplesmente tentamos ficar sentados em silêncio e esperar que Deus nos fale, nos vemos bombardeados por intermináveis pensamentos e ideias conflitantes. Mas quando usamos uma sentença bastante simples como: "Ó Deus, vem em meus auxílio", ou "Jesus, mestre, tem piedade de mim", ou uma palavra como "Senhor" ou "Jesus", é mais fácil deixar as muitas distrações passarem sem nos deixarmos iludir por elas. Essa oração simples, repetida com facilidade, esvazia aos poucos nossa vida interior apinhada e cria o espaço sossegado onde habitamos com Deus. É como uma escada pela qual descemos ao coração e subimos a Deus. Nossa escolha de palavras depende de nossas necessidades e das circunstâncias do momento, mas é melhor usar palavras da Escritura.

Quando somos fiéis a essa oração simples e a praticamos com regularidade, ela nos conduz devagar a uma experiência de descanso e nos abre à presença ativa de Deus. Além disso, em um dia muito atarefado, podemos levar essa oração conosco. Quando, por exemplo, passamos, no início da manhã, 20 minutos sentados na presença de Deus com as palavras: "O Senhor é meu pastor", elas lentamente constroem em nosso coração um pequeno ninho para si mesmas e ali ficam o restante de nosso dia atarefado. Até enquanto falamos, estudamos, cuidamos do jardim ou construímos alguma coisa, a oração continua em nosso coração e nos mantém conscientes da orientação onipresente de Deus. A disciplina não é agora dirigida para um discernimento mais profundo do que significa chamar Deus de nosso Pastor, mas para a íntima experiência da ação pastoral de Deus em tudo que pensamos, dizemos ou fazemos.


Incessante

A segunda característica da oração do coração é ser incessante. A pergunta de como seguir a ordem de Paulo: "Orai incessantemente" foi fundamental no hesicasmo desde a época dos monges do deserto até a Rússia oitocentista. Há muitos exemplos desse interesse nos dois extremos da tradição hesicástica. (Vejamos um dos principais:)

Na famosa história do Peregrino Russo (5) lemos:

"Pela graça de Deus sou cristão, mas pelas minhas ações sou um grande pecador... No vigésimo quarto domingo depois de Pentecostes, fui à igreja para ali fazer minhas orações durante a liturgia. Estava sendo lida a primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses e, entre outras palavras, ouvi estas: 'Orai incessantemente' (1Ts 5,17). Foi esse texto, mais que qualquer outro, que se inculcou em minha mente, e comecei a pensar como seria possível rezar incessantemente, já que um homem tem de se preocupar também com outras coisas a fim de ganhar a vida".

O camponês foi de igreja em igreja, para ouvir sermões, mas não encontrou a resposta que queria. Finalmente, encontrou um santo staretz (6) que lhe disse:

"A oração interior incessante é um anseio contínuo do espírito humano por Deus. Para sermos bem-sucedidos nesse exercício consolador, precisamos suplicar com mais frequência a Deus que nos ensine a rezar sem cessar. Rezar mais e rezar com mais fervor. É a própria oração que lhe revela como rezá-la sem cessar; mas leva algum tempo".

Então, o santo staretz ensinou ao camponês a Oração de Jesus: "Senhor Jesus Cristo, tem misericórdia de mim". Enquanto viajava como peregrino pela Rússia, o camponês passou a repetir essa oração com os lábios. Até considerava a oração de Jesus sua companheira verdadeira. E, então, um dia, teve a sensação de que a oração passou sozinha de seus lábios para seu coração. Ele diz:

"... parecia que, pulsando normalmente, meu coração começava a dizer as palavras da oração a cada batida... Desisti de dizer a oração com os lábios. Passei simplesmente a ouvir o que meu coração dizia".

Aqui aprendemos outro jeito de chegar à oração incessante. A oração continua a rezar dentro de mim, até enquanto falo com os outros ou me concentro no trabalho manual. Ela se torna a presença ativa do Espírito de Deus que me guia pela vida.

Desse modo vemos como, pela caridade e pela atividade da oração de Jesus em nosso coração, nosso dia todo se transforma em oração contínua. Não sugiro que imitemos o peregrino russo, mas que, também nós, em nosso ministério atarefado, nos preocupemos em rezar sem cessar, para que, seja o que for que comamos ou bebamos, seja o que for que façamos o façamos pela glória de Deus. (Veja 1Cor 10,31). Amar e trabalhar pela glória de Deus não pode permanecer uma ideia sobre a qual pensamos de vez em quando. Deve se tornar uma incessante doxologia (7) interior.


Inclui Tudo

Uma última característica da oração do coração é que ela inclui todos os nossos interesses. Quando entramos com a mente no coração e ali ficamos na presença de Deus, então todas as nossas preocupações mentais se transformam em oração. O poder da oração do coração é precisamente que, por meio dela, tudo que está em nossa mente se transforma em oração.

Quando dizemos a alguém: "Vou rezar por você", assumimos um compromisso muito importante. É uma pena que esse comentário muitas vezes não passe de uma expressão de interesse. Mas, quando aprendemos a descer com nossa mente em nosso coração, todos os que fazem parte de nossa vida são guiados à presença curativa de Deus e tocados por ele no centro de nosso ser. Falamos aqui de um mistério para o qual palavras são inadequadas. É o mistério em que o coração, centro de nosso ser, é transformado por Deus em seu coração, um coração grande o bastante para abraçar todo o universo. Pela oração, carregamos em nosso coração toda a dor e tristeza humanas, todos os conflitos, agonias, toda a tortura e a guerra, toda a fome, solidão e miséria, não por causa de alguma grande capacidade psicológica ou emocional, mas porque o coração de Deus uniu-se ao nosso.

Aqui vislumbramos o sentido das palavras de Jesus:

"Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque eu sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas. Sim, o meu jugo é fácil de carregar, e o meu fardo é leve" (Mt 11,29-30).

Jesus nos convida a aceitar seu fardo, que é o do mundo todo, um fardo que inclui o sofrimento humano em todos os tempos e lugares. Mas esse fardo divino é leve e podemos carregá-lo quando nosso coração se transforma no coração manso e humilde de nosso Senhor.

Vemos aqui o íntimo relacionamento entre oração e ministério. A disciplina de conduzir todo o nosso povo com suas lutas ao coração manso e humilde de Deus é a disciplina de oração e também do ministério. Enquanto o ministério significar apenas que nos preocupamos muito com as pessoas e seus problemas; enquanto significar um número interminável de atividades que dificilmente conseguimos coordenar, ainda dependeremos muito de nosso coração tacanho e ansioso. Mas quando nossas preocupações são elevadas ao coração de Deus e ali se transformam em oração, ministério e oração se tornam duas manifestações do mesmo amor universal de Deus.

Vimos como a oração do coração se nutre de orações breves, é incessante e inclui tudo. Essas três características mostram como a oração do coração é o alento da vida espiritual e de todo o ministério. Na verdade, essa oração não é apenas uma atividade importante, mas o próprio centro da nova vida que queremos representar e na qual queremos iniciar nosso povo. As características da oração do coração deixam claro que ela exige uma disciplina pessoal. Para levar uma vida de oração não podemos passar sem orações específicas. Precisamos dizê-las de uma forma que nos ajude a ouvir melhor o Espírito que reza em nós. Precisamos continuar a incluir em nossa oração todas as pessoas com as quais e para as quais vivemos e trabalhamos. Essa disciplina vai nos ajudar a passar de um ministério entontecedor, fragmentário e muitas vezes frustrante para um ministério integrador, holístico e muito gratificante. Ela não vai facilitar o ministério, mas simplificá-lo; não vai torná-lo doce e piedoso, mas sim espiritual; não vai fazê-lo indolor e sem lutas, mas tranquilo no verdadeiro sentido hesicástico.



Henri J. M. Nouwen



Fonte: Capítulo extraído do livro "A Espiritualidade do Deserto e o Ministério Contemporâneo - O Caminho do Coração" - por Henri J. M. Nouwen, Ed. Loyola, 2000.
Fonte da Gravura: https://acaminhodasantidade.files.wordpress.com/2013/04/jesus_christ.jpg



Notas:

(1) HESICASMO - Em grego, a palavra hesychia designa um estado de calma, paz, repouso, quietude, tranquilidade, resultado da ausência disciplinada de agitação interna e externa. É o exercício feito para se libertar do barulho, conflito, inquietude, preocupação e medo. Indica também recolhimento da alma, silêncio, solidão interior e exterior, uma plena união com Deus. Este termo é também usado na espiritualidade monástica para indicar o estado de quietude e de silêncio de todo o ser humano, para que ele possa permanecer ligado no divino. Pode-se, então, definir o hesicasmo como um sistema espiritual de orientação essencialmente contemplativa, que consiste no aperfeiçoamento do humano na busca da união com Deus através da oração contínua.

(2) STARTSI – Monge, eremita.

(3) RÚSSIA OITOCENTISTA - Oitocentista é algo relativo ao século XIX ou classifica uma pessoa que viveu no século XIX.

(4) ORAÇÃO CENTRANTE – O Pe. William Meninger, OCSO, junto com Dom Thomas Keating, OCSO, e Dom Basil Pennington, OCSO, criaram as bases para a Oração Centrante, fazendo a releitura do clássico "A Nuvem do Não-Saber", e dos escritos de Sta. Teresa de Ávila e adaptando aos nossos tempos. A Oração Centrante é um método de oração silenciosa (meditação) que pode levar à contemplação. Da mesma forma, vem da tradição hesicasta dos Padres do deserto. O Método: escolhe-se uma "palavra sagrada" ou uma "palavra de amor" como símbolo de sua intenção e consentimento de estar na presença de Deus por um determinado tempo. Sentado numa posição confortável, costas eretas, de preferência num lugar onde se possa permanecer sem ser perturbado, o orante fecha os olhos, e, mentalmente, tenta guardar esta palavra no coração. A cada vez que se perceber sua atenção em outra coisa, simplesmente retorne à sua intenção original, por meio da palavra escolhida, de estar na presença de Deus.

(5) PEREGRINO RUSSO - Relatos de um Peregrino Russo é o título em português de uma obra fundamental da mística cristã. O autor é um russo anônimo do século XIX, que relata sua jornada geográfica e espiritual pelo interior da Rússia, enquanto descobre e pratica a Oração de Jesus. Como auxílio à concentração, ele se vale de um rosário cristão oriental (komboskini) e da leitura da Filocalia*. A obra conta a história de um homem que queria aprender a rezar. Ele ouviu certa vez na Bíblia que deveríamos "orar sem cessar". Ele procurou muitos mestres, e nenhum o satisfez, até que encontrou um monge (um starets) que lhe ensinou a ORAÇÃO DE JESUS, a repetição do nome de JESUS… O homem então começou a repetir o nome de JESUS até que a oração tomou conta de sua mente e de seu coração. Ao longo do século XX e início do século XXI, autores da Filosofia Perene, entre eles Frithjof Schuon, William Stoddart e Rama Coomaraswamy, recomendaram fortemente "O Peregrino Russo" como um dos grandes clássicos da espiritualidade universal, expondo a convergência de fundo da oração do peregrino com métodos espirituais análogos em outras tradições, como o mantra indiano e o dhikr** sufi.

* Um livro clássico da literatura católica ortodoxa. Nele encontramos conselhos sobre o hesicasmo, como alcançar os três estados espirituais, katharsis (purificação), theoria (iluminação) e theosis (glorificação). Filocalia significa "amor à beleza", ou "amor ao bem".

** Dhikr (ou zikr 'memória, pronunciamento ou invocação de Deus'), é um ato de devoção islâmica caracterizado pela repetição dos nomes de Deus bem como súplicas ou fórmulas tomadas dos textos da aḥādīṯ e de versos do Corão. O dhikr costuma ser feito de forma individual, mas em algumas ordens sufis institui-se como uma atividade cerimonial. Ao mesmo tempo, o dhikr abrange um significado mais amplo nas fontes islâmicas, inclusive quando diz que Deus é o que realiza o dhikr.

(6) STARETZ - Um starets é um ancião de um mosteiro ortodoxo russo que funciona como conselheiro e professor venerado. Os anciãos ou os pais espirituais são líderes espirituais carismáticos cuja sabedoria deriva de Deus como obtida da experiência ascética.

(7)  DOXOLOGIA – Louvor, glorificação.