quinta-feira, 14 de julho de 2022

A LUZ É O VERBO


A luz é a matéria que Deus, o Fogo Primordial, emanou de Si, na origem do mundo, quando disse: «Haja luz!».

Essa luz é o Verbo mencionado no início do Evangelho de São João: «No começo era o Verbo, e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus. Tudo o que foi feito, foi feito por Ele...».

A luz é o Verbo que o Criador proferiu e pelo qual criou o mundo.

O mundo físico, tal como nós o conhecemos, não passa de uma condensação da luz primordial.

Deus, o princípio ativo, projetou a luz, e foi sobre essa luz, que já era uma matéria, que Ele agiu para criar o Universo."



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O ECO INTERIOR


Meu pai espiritual costumava me dizer: sua vida é oração e a maneira como você a vive é seu método particular. Nesse sentido, pode ser muito bom ter “momentos fortes” de oração como dizem, mas cuidado para não cairmos no esquecimento depois.

Ele sempre insistiu que a vida deveria ser uma liturgia ou uma cerimônia de louvor. Que se de alguma forma separássemos o que era oração ou meditação do resto de nossas ações, poderia haver uma inclinação gradual para a dessacralização de certas atividades ou momentos. Admitiu, sem dificuldade, que todos nós temos etapas e momentos diferentes no caminho espiritual; reconhecia, então, que já não estava mais acostumado a pedir e nem mesmo agradecer especialmente, mas sim a “deixar-se ir”. Esse deixar-se guiar tinha indicadores claros e o principal deles era a percepção da Presença.

Perguntei-lhe muito sobre esse assunto, sobre como era possível que Deus fosse percebido. E ele respondeu que essa percepção era a oração contínua a que se referia. Que poderia tomar muitas formas, como "A Oração de Jesus"*, vivendo no “cântico” do Nome; que muitas outras devoções diversas poderiam ser usadas ou que havia mesmo aqueles que haviam substituído os pensamentos pela repetição de salmos ou passagens da escritura sagrada. Mas que a principal pista que ele poderia me dar e ao mesmo tempo a mais simples era esta: se você está em seus pensamentos você não percebe Deus. No momento em que você ignora seus pensamentos, você se aproxima Dele e quando você fica em silêncio, ou seja, quando você realmente presta atenção, sua Presença aparece.

Eu era apaixonado por isso como uma possibilidade e ao mesmo tempo me revoltava. Como o silêncio poderia ser tudo o que era necessário? O que é o silêncio, perguntei a ele? No início, é parar a marcha, desacelerar tudo e, paradoxalmente, ouvir os sons. Quando você pára você percebe o movimento do mundo, você se torna um ponto fixo. Quanto mais parado, mais tudo se move.

No começo você acalma seu corpo, depois desacelera a respiração, depois ouve os sons próximos e depois de um tempo presta atenção aos que estão longe, muito longe. E aí você já percebe uma mudança importante no fluxo das coisas, que nada mais é do que o rio dos seus pensamentos. Não brigue com os pensamentos, deixe-os passar sem lhes dar importância. Este era um modo que lhe servia bem em meio à agitação. Saia do ritmo geral e preste atenção. Atenção em quê? Ao silêncio que estava no fundo de todo barulho, à quietude que abraça todos os movimentos.

Ele não se referia a uma determinada meditação, mas a uma forma de se “vestir” no meio da cidade ou em meio às tarefas. Mas ele disse que todos nós temos nossa marca única ou a maneira pela qual Deus se dá a conhecer a nós. Há aqueles que se conectam pela observação da beleza de qualquer forma que se apresente, ou seja, naquela harmonia especial que produz a combinação das coisas em um dado momento. Outros foram canalizados pela absoluta dedicação à atividade do momento. Alguns se apaixonaram pelo Santo Nome** e não conseguiam mais parar de ouvi-lo em seus corações ou em uma certa forma de “eco” interior.

Ele costumava me dizer que o único propósito da vida humana era "se deixar levar" por Deus. Que venhamos a ser inflamados pelo seu Espírito e que nessa união ígnea estavam todas as respostas para todas as perguntas e que foi em vão tentar entender. Querer entender Deus e o projeto sagrado com nossa compreensão é como tentar navegar em um navio de pedra. Os dentes são para mastigar, os pulmões para respirar, a mente para implementar questões funcionais. Não é o órgão para se juntar a Ele.

No entanto, deixou claro que a razão não deve se opor à fé, porque senão em momentos difíceis a fé perdeu substância e foi derrotada pelas contradições da razão. Ele também insistiu que a fé não é o que comumente entendemos por ela. Essa fé não é realmente acreditar, mas já, de alguma forma, conhecer e saber com certeza. Apesar de receber todo esse ensinamento, Deus parecia fugidio, completamente ausente, e a beleza que eu via em tudo estava envolta na nostalgia da finitude.

* "Oração de Jesus" ou "oração do Coração": "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tenha misericórdia (piedade) de mim (de nós) pecador(es)."

** "Santo Nome": Senhor Jesus Cristo.




El Santo Nombre (Autor não citado)



Fonte: Blog El Santo Nome
https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: Acerco de autoria pessoal

domingo, 3 de julho de 2022

O QUE É UM INICIADO?


Uma das causas mais frequentes da obscuridade aparente dos estudos de ciência oculta diz respeito à confusão dos termos empregados por aqueles que tratam dessas questões. É, então, indispensável bem definir primeiro as palavras que se empregam, sob pena de cairmos no erro que acabamos de indicar. Poucos termos prestam-se mais a confusão do que aquele de Iniciado. Uns consideram o Iniciado como o ser excepcional, designado com veneração por todos os autores do ocultismo; outros encaram o termo com uma significação bem menos elevada e que se pode aplicar de uma maneira geral.

Basta reportarmos-nos a significação primitiva dessa palavra para verificar que a última acepção é a mais correta. Com efeito, o titulo de Iniciado, na Antiguidade, indicava simplesmente um homem instruído, cujos graus de instrução variavam, segundo os casos, sem que o titulo geral de Iniciado sofresse a mínima modificação.

O Iniciado nos pequenos mistérios possuía uma instrução equivalente àquela dada em nossos dias pela universidade; o Iniciado nos grandes mistérios aprendia a manejar as grandes forças ocultas da natureza. Chegado ao ápice dessa instrução, ele adquiria o titulo de Vidente, de Profeta ou de Adepto. Assim, Iniciado ou Adepto são os dois termos que designam respectivamente o começo e o apogeu da carreira de ocultista. Todos os homens instruídos adquiriam, na Antiguidade, o titulo de Iniciados e os títulos de filho da mulher, filho da Terra, filho dos deuses, filho de Deus* designando sua elevação hierárquica na ordem dos conhecimentos humanos.

Sem querer nos aprofundar sobre o ensinamento que eles recebiam, falemos, entretanto, de um ponto muito importante. A doutrina ensinada era sobretudo sintética e a pesquisa da Unidade Universal lhes era indicada como o objetivo de seus esforços. De outro lado, os Iniciados aprendiam a adaptar o ensinamento aos temperamentos diversos dos povos que eles eram encarregados de organizar como legisladores. É por isso que vemos as leis de Orfeu, de Moisés, de Licurgo, de Solon, de Pitágoras serem tão diferentes em aparência, enquanto que todos esses homens adquiriram seus conhecimentos numa mesma fonte. A perda desses dados conduz nossos legisladores contemporâneos à ruína e à subjugação das nações que eles querem organizar, todas sobre a mesma base. O povo possuía, então, uma religião ou uma organização social, com relação absoluta ao seu próprio temperamento, e que era um excelente meio de torná-lo feliz; o homem instruído, ao contrário, sabia convictamente que não existia senão uma religião, e que todos os cultos eram adaptações, como as cores são aspectos diversos de uma única luz branca.

Assim, a guerra religiosa era quase totalmente desconhecida na Antiguidade, pois nenhum homem inteligente poderia sequer pensar em tal possibilidade; o povo, tão somente, seria capaz dessas infantilidades. A sociedade antiga aparece-nos, agora, com todo o esplendor de sua organização unitária e compreendemos porque o Iniciado podia entrar em todos os templos e sacrificar a todos os deuses, em comunhão com os sacerdotes de todos os cultos, que o reconheciam como um filósofo da unidade, assim como eles próprios. Os ignorantes sectários, que pretendem hoje em dia falar de religião, proclamam a esse respeito o politeísmo, sem compreender que os cristãos de hoje aparecem, ao pesquisador ingênuo, mais politeísta do que os membros de qualquer outra seita.

Imaginemos, com efeito, um homem instruído, mas ignorante de nossos costumes religiosos, que subitamente fosse convidado a fazer um estudo a esse respeito, não possuindo como dados senão monumentos. Veja se suas conclusões não seriam essas: “A religião desses povos curiosos parece consistir principalmente na adoração de um velho, de um supliciado e de uma pomba. Todos seus templos apresentam essas imagens. Eles adoram, além disso, vários deuses que se encontram sobre seus altares sob os nomes de São José, São Luís etc. Além disso, eles oferecem sacrifícios de flores recém desabrochadas a uma divindade que parece ser aquela da natureza e que eles chamam Maria. Encontram-se, também, várias imagens de animais sobre seus altares, um cachorro, ao lado de um deus inferior, São Roque, e, mesmo, um porco, acompanhando um outro deus, Santo Antônio. Existem, também, cervos, cordeiros etc. Eles parecem ter particularmente adorado esse animal, que seguidamente representam deitado sobre um livro.”

Essas conclusões nos fazem rir e balançar a cabeça. O que diria, com efeito, um Iniciado do mundo antigo, instrutor de Moisés ou de Pitágoras, acusado pelo sábio contemporâneo de adorar batatas ou crocodilos! O argumento do politeísmo e de idolatria não prova senão uma coisa: é a ignorância ou a má fé daqueles que o empregam.

O papel do Iniciado do mundo antigo era, antes de tudo, social. Os Iniciados formavam, no mundo inteiro, uma fraternidade de inteligência unida por uma doutrina unitária. É essa fraternidade que certas sociedades secretas têm como objetivo mais ou menos delineado de reconstituir. Mas esse objetivo e esses estudos não têm para nós senão um interesse secundário. A Antiguidade, por atraente que seja seu estudo, não incitaria tanto nossa atenção como nossa sociedade atual. É nela, que devemos ver agora o Iniciado.

Digamos, inicialmente, que é muito fácil ser um Iniciado. Basta, para isso, conhecer os dados mais elementares da ciência oculta e compreender, graças ela, a necessidade imperiosa de união fraternal de todos os homens. Esses dados podem ser obtidos pelo trabalho pessoal ou pelas sociedades de iniciação. Isto exige algumas palavras adicionais de explicação.

Se foi bem compreendida a diferença capital que atribuímos aos termos de Iniciado e de Adepto, é fácil deduzir que se pode, até certo ponto, formar Iniciados, mas não se formam Adeptos. Esses homens, cada vez mais raros, só chegam ao adeptado por suas próprias forças. O objetivo inicial de uma sociedade de iniciação é indicar a seus membros, da melhor maneira possível, o caminho do aperfeiçoamento espiritual, que deve ser realizado pelo esforço individual. A doutrina ensinada deve versar sobre a fraternidade, fonte de todos os desenvolvimentos posteriores do ser humano.

Na prática, a sociedade deve envidar todos os seus esforços para realizar, entre seus membros, o objetivo que ela persegue, para fazer de cada um deles um apóstolo militante e, após, um verdadeiro Iniciado. Dois grandes procedimentos são empregados para o ensino da iniciação; esses procedimentos, diferenciando particularmente as escolas de iniciação de fonte oriental daquelas de origem ocidental, indicam facilmente a origem de um centro oculto.

A iniciação oriental opera sobretudo pela mediação, isto é, o objetivo sendo de fazer criar, para cada indivíduo, sua doutrina sintética, sua maneira de ver o Universo e sua constituição. A iniciação oriental dá a seu discípulo um texto bastante curto e sintético sobre o qual ele deve meditar longas semanas, ou mesmo meses. O resultado dessa meditação é de livrar pouco a pouco os princípios analíticos contidos no texto e de criar uma doutrina fazendo-a, por assim dizer, sair de si mesma.

A iniciação ocidental procede de maneira diferente. Ela dá, inicialmente, a seu discípulo, uma serie de dados sobre a questão, a serem pesquisados e meditados longamente, impelindo-o a condensar todas as opiniões e ideias diversas num resumo sintético.

Das duas maneiras, chega-se ao mesmo resultado: a iniciação oriental ampliando um texto sintético e a iniciação ocidental condensando textos analíticos, obtendo uma síntese geral. Digamos, enfim, que certas sociedades praticam, ao mesmo tempo, esses dois procedimentos, escalonando-os gradualmente. De qualquer maneira, o primeiro ou o único objetivo procurado, é de levar o aluno a criar sua própria doutrina.

Pouco importa, inicialmente, que essa doutrina seja, em todos os detalhes, excelente ou não. O essencial é que ela exista. A Sociedade dando as bases gerais ao Iniciado evita erros fundamentais. O Iniciado tendo uma criação pessoal, modifica-a posteriormente, segundo seus estudos e sua evolução interior. Constata-se, dessa maneira, a inanidade dos ensinamentos dados pelas sociedades, que perderam totalmente essa base indispensável e que quiseram praticar a fraternidade universal sem criar, em primeiro lugar, homens capazes de compreender seu alcance. Tais sociedades não tardam a transformar-se num corpo político, tendendo à dissolução, desde que não retorne energicamente a seu objetivo primitivo, por uma rápida reorganização.

A utilidade social dos Iniciados é incontestável; basta imaginar a grandeza possível das gerações futuras se a unidade se realiza. Certas sociedades procuram agir sobre as massas para chegar a essa unidade, cuja necessidade pressentiram. As sociedades de iniciação, ao contrário, dirigem-se às inteligências menos numerosas, e mais capazes de compreender a nobreza da fraternidade universal.

O dia em que o padre católico, tornado Iniciado, souber receber em sua igreja, como um igual, o Iniciado ortodoxo, o Iniciado muçulmano e o Iniciado budista, a fraternidade dos povos estará bem mais perto de realizar-se na prática. Esse dia está, talvez, muito longe; quem sabe, ao contrário, ele se aproxima mais rapidamente do que pensamos. Seria temerário esperar essa união dos povos? É possível que esse ideal seja utópico, inatingível; entretanto, nesta época de positivismo exagerado, é consolador viver esse sonho da união dos Iniciados, realizando um pouco a união universal de todos os homens na paz e na harmonia.

* Saint-Yves D’Alveydre: “La Mission des Juifs”, Paris, ed. Traditionelles, 1972, vol. 2



Dr. Gérard Encausse (Papus)




Fonte: Extraído e traduzido da Revista L’Initiation, N. 4, 1973
Via: www.martinismocuraecaridade.blogspot.com/2021/02/o-que-e-um-iniciado.html
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/buda-rezar-meditar-budismo-1053130/

sexta-feira, 1 de julho de 2022

RESPONSABILIDADE - SOMOS A CAUSA DOS ACONTECIMENTOS


A partir deste momento, comece a pensar que você é a causa de sua vida e de seu mundo. Esse é o significado de ser um buscador: assumir total responsabilidade pelo seu próprio ser.

A infelicidade não tem causa externa; a causa é interna. Você insiste em atirar a responsabilidade para fora de si mesmo, mas isso é apenas uma desculpa.

Sim, a infelicidade é desencadeada de fora, mas o exterior não o cria. Quando alguém o insulta, o insulto vem de fora, mas a raiva está dentro de você. A raiva não é causada pelo insulto, não é o efeito de insulto. Se não houvesse a energia da raiva em você, o insulto permaneceria impotente. Ele teria simplesmente passado e você não teria se perturbado por ele.

Causas não existem fora da consciência humana, elas existem dentro de você. Você é a causa de sua vida, e entender isso é entender uma das verdades mais básicas; entender isso é começar uma jornada de transformação.


OSHO




Fonte: do livro "Todos os Dias - 365 Meditações Diárias", p. 181
Ed. Versus, Rio de Janeiro/Campinas, 17ª ed., 2017
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O MOMENTO PRESENTE É A VONTADE DE DEUS


O momento presente é sempre como um embaixador que manifesta a vontade de Deus, e o coração fiel sempre responde: fiat. Assim a alma em todas as escolhas está localizada em seu centro e correto lugar. Sem deter-se jamais, está indo firme, e todos os caminhos conduzem-na da mesma forma para a frente, para o longe e infinito: tudo é para ela, sem diferença alguma, meio e instrumento de santidade, desde que considere que o que se apresenta seja a única coisa necessária (Lc 10,42). Já não procura, a alma, como preferência, a oração ou o silêncio, o retiro ou a conversão, a leitura ou as escrituras, nem a reflexão ou cessar de refletir; não lhe preocupa o distanciamento ou a busca de livros espirituais ou a escolha entre abundância ou escassez, doença ou saúde, vida ou morte. Simplesmente o que ela procura em cada momento é a vontade de Deus. A única coisa que ela quer é o despojamento, a renúncia a tudo o que foi criado, seja real ou apenas afetivo; nunca ser nada por si e para si, mas estar sempre conforme a vontade de Deus, para agradar-lhe em tudo, fazendo da fidelidade ao momento presente sua única alegria e como se não houvesse outra coisa no mundo digna de sua atenção.


Jean-Pierre de Caussade, SJ



Fonte: do livro "O Abandono à Divina Providência"
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quinta-feira, 30 de junho de 2022

NOSSA PRIMEIRA PÁTRIA: O MUNDO ESPIRITUAL

O ser humano, tal como hoje o conhecemos, é o resultado de uma longa evolução. Foram precisos milhões de anos para o espírito do homem tomar posse do seu corpo físico, para ele descer às suas células, a fim de as animar, e fazer dele este ser capaz de refletir, de ter sentimentos, de agir. Mas, ao aprender a manifestar-se cada vez mais no plano físico, o homem perdeu o contacto com o mundo divino, ao ponto de agora negar a existência desse mundo, do qual já nem sequer se lembra. É certo que estava nos planos da Inteligência Cósmica que o homem aprendesse a agir na matéria, mas tal aconteceu à custa do lado espiritual e, por isso, ele deve agora restabelecer o contacto com o mundo divino. Aliás, com a chegada da Era do Aquário, começam a aparecer no mundo correntes que vão nessa direção. Por um lado, a técnica e o progresso material assumem uma importância cada vez maior, é certo, mas por outro lado sente-se que os humanos se dirigem – embora ainda desajeitadamente – para a Ciência Iniciática, porque sentem necessidade de retomar o contacto com o mundo invisível, que foi a sua primeira pátria.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ALÉM DA MOTIVAÇÃO


Uma das coisas básicas que nos interessa é encontrar nosso caminho, não apenas para a harmonia externa de nossas vidas, onde não há conflito ou atrito, mas para a harmonia interior, algo que só podemos descrever com a palavra “paz”. A sensação de paz é a sensação de estar intacto, inteiro, completo. É imensamente maior do que a sensação de estar calmo. É transcendentalmente mais do que a ausência de turbulência. É algo muito mais positivo. É uma sensação de bem-estar extático.

A paz flui em nós quando descobrimos nossa harmonia na dimensão externa como interna. É uma harmonia interior como uma harmonia de que somos capazes através da relação com os outros e da harmonia, por exemplo, que experimentamos na natureza, quando vemos as montanhas num dia claro, ou o mar em toda a sua força. Nesses momentos de revelação de harmonia, surge algo sobre nossa humanidade: um sentimento de unidade com a natureza, consigo mesmo e com os outros. É por isso que meditamos. É triste e perigoso encontrar pessoas que rejeitam esses momentos como se fossem sentimentais ou escapistas. A paz não é uma fuga das lutas da vida. As lutas da vida são honrosamente concluídas.

Quando você começa a meditar, você deve ter uma motivação. Você deve ter um objetivo para começar, um empurrão para iniciar o caminho. Não há melhor incentivo do que alcançar este estado de harmonia interior e exterior. A paz é um objetivo nobre e unificador. Em muitas das escrituras sagradas do Oriente e do Ocidente, esse estado é descrito como um estado de bênção, glória, salvação ou simplesmente vida. O significado é ser totalmente completo, humanamente vivo. Então, sim, aqui está uma motivação para meditar que pode ser boa.

Mas uma vez que você comece a meditar de forma regular diária, logo perceberá que a meditação opera em uma dinâmica diferente. Não é necessário estar constantemente afirmando ou definindo sua motivação ou seu objetivo. Há um impulso direcional na própria meditação que o leva adiante com cada vez menos automotivação ou motivação externa. É muito diferente de qualquer outra atividade em sua vida. Você não visualiza isso da maneira convencional, como se dissesse: "Se eu meditar tantas vezes, vou conseguir isso, ou tal nível de paz, e se eu for particularmente leal, obterei algo mais por isso."

Uma vez que você começa a meditar, descobre que chega a ela com uma quantidade menor de demanda sem procurar uma recompensa. Meditamos simplesmente porque é o caminho mais claro para um senso de totalidade, de unidade, que está além de nosso controle ou posse, e só pode ser desfrutado quando aceitamos a natureza de ser um presente.


Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

RUMO AO AUTOCONHECIMENTO


O apelo “Conhece-te a ti mesmo” costuma ser atribuído a Sócrates, mas na verdade essas palavras servem de base a muitos sistemas e escolas ainda mais antigas. O pensamento moderno conhece esse princípio, embora compreenda seu sentido e sua importância de maneira vaga. A típica pessoa educada de hoje, mesmo a que tem interesses filosóficos ou científicos, não percebe que o princípio “Conhece-te a ti mesmo” refere-se à necessidade de conhecermos nossa própria máquina, a "máquina humana", que é mais ou menos a mesma em todas as pessoas. É um apelo, em primeiro lugar, para estudarmos a estrutura, as funções e as leis de nosso organismo. Todas as partes da máquina humana acham-se tão interligadas, cada coisa dependendo de outras, que é completamente impossível estudar qualquer função isolada, sem estudarmos todas as demais. Logo, pelo menos no que diz respeito à máquina humana, precisamos conhecer tudo a fim de conhecer qualquer coisa em nós. E, na verdade, isso é possível. Mas exige tempo e esforço e, acima de tudo, a aplicação do método certo sob orientação adequada.

O princípio “Conhece-te a ti mesmo” é um imperativo rico e profundo. Exige, antes de qualquer coisa, que quem quer se conhecer compreenda seu significado, suas consequências e seus requisitos. De fato nos conhecermos é uma meta imensa, mas muito vaga e distante — bem além de nossa capacidade atual. Assim, em termos estritos, não podemos nem afirmá-la como nossa meta atual. Em vez de nos preocuparmos com o autoconhecimento, temos de nos contentar, no presente, com o autoestudo, aceitando-o como objetivo imediato. Portanto, a meta deve ser começarmos a nos estudar, a nos conhecer, da maneira certa. O autoestudo é o trabalho, o caminho, que acabará levando ao autoconhecimento.

Mas, antes de podermos nos dedicar a um autoestudo, precisamos aprender a estudar, por onde começar e que métodos usar. O principal método de autoestudo é a auto-observação, necessária a fim de se compreender como as diversas funções da máquina humana relacionam-se umas com as outras. Esse método, por sua vez, irá nos permitir compreender como e por que, em ocasiões específicas, tudo está “feito” em nós. Essa noção básica das funções e características da máquina humana é um pré-requisito para se compreender os princípios fundamentais de sua atividade. Sem compreender esses princípios e mantê-los sempre em mente, qualquer tentativa de auto-observação será intrinsecamente falha. Logo, para o verdadeiro autoconhecimento, aquela introspecção à qual as pessoas costumam se dedicar habitualmente no curso da vida é inútil e não leva a lugar algum.

Temos de entender que cada uma de nossas funções psíquicas normais é um modo de obter certo tipo de conhecimento. A mente permite-nos perceber um aspecto das coisas e dos eventos; as emoções, outro aspecto; as sensações, um terceiro. Entretanto, só podemos ter o conhecimento pleno de alguma coisa se a examinarmos simultaneamente com a mente, o sentimento e a sensação. Tal nível de percepção, possível apenas com um tipo diferente de existência, deveria ser a meta de todas as pessoas que almejam o conhecimento verdadeiro.

Em condições normais, vemos o mundo através de um vidro escuro, mas, mesmo que percebamos isso, somos impotentes para mudar essa realidade. Nosso modo de percepção depende do funcionamento de nosso organismo como um todo. Todas as nossas funções estão interligadas, são interdependentes, e todas procuram manter um estado de equilíbrio mútuo. Portanto, ao começarmos a nos estudar, devemos compreender que, se descobrirmos um aspecto do qual não gostamos, não seremos capazes de mudá-lo. Estudar é uma coisa, mudar é outra bem diferente. Mas o estudo é o primeiro passo a fim de se perceber o potencial de mudança no futuro. No começo, devemos compreender que, por um longo tempo, todo o nosso trabalho será dedicado a estudarmos sozinhos.


Georges Ivanovitch Gurdjieff



Fonte: do livro "Em Busca do Ser - o quarto caminho para uma nova consciência"
Tradução de Marcello Borges
São Paulo, Ed. Pensamento, 2017
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 8 de junho de 2022

O QUE ESPERAR DA DIREÇÃO ESPIRITUAL?


É certamente um grande auxílio; não devemos, entretanto, esperar que opere maravilhas.

Algumas pessoas, especialmente algumas pessoas religiosas, que deveriam ter mais juízo, parecem pensar ser-lhes possível encontrar um guia espiritual que, com uma só palavra, faça desaparecer todos os seus problemas.

Esses não procuram um guia, mas sim um milagreiro.

Em realidade, muitas vezes queremos contar com pessoas que resolvam problemas que nós mesmos deveríamos ser capazes de resolver.

Isso, não tanto por nossa própria sabedoria, mas pela generosidade em enfrentar fatos e obrigações que, para nós, representam a vontade de Deus.


Thomas Merton



Fonte: do livro "Direção Espiritual e Meditação", Ed. Vozes, Petrópolis/RJ
Via: Associação Thomas Merton - www.merton.orb.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/mestre-chin%c3%aas-barba-velhote-1152482/

segunda-feira, 6 de junho de 2022

CARREGANDO O PASSADO

A incapacidade, ou melhor, a relutância da mente humana em deixar de lado o passado é primorosamente ilustrada na história dos dois monges zen, Tanzan e Ekido, que caminhavam numa estrada enlameada depois de uma forte chuva. Próximo a uma aldeia, eles encontraram uma moça que estava tendo dificuldade em atravessar a estrada por causa da lama. Se ela continuasse a caminhar, estragaria seu quimono de seda. Sem titubear, Tanzan a pegou no colo e a carregou para o outro lado da estrada.

Os monges prosseguiram na sua caminhada em silêncio. Cinco horas depois, quando já estavam perto do templo onde passariam a noite, Ekido não conseguiu mais se conter.

– Por que você carregou a moça para o outro lado da estrada? – perguntou. – Nós, monges, não devemos fazer essas coisas.

– Faz horas que coloquei aquela jovem no chão – respondeu Tanzan. – Você ainda a está carregando?

Agora, imagine como seria a vida de alguém que viva como Ekido o tempo todo, incapaz de parar de pensar nas situações ou não querendo fazer isso e acumulando cada vez mais “material” dentro de si. Isso nos dá uma ideia de como é a vida da maioria das pessoas. Que pesado fardo do passado elas carregam na mente.

O passado vive em nós na forma de lembranças, no entanto elas em si mesmas não são um problema. Na verdade, é por meio delas que aprendemos com nossas experiências e com os erros que cometemos. Somente quando as recordações, isto é, os pensamentos sobre o passado, nos dominam completamente é que elas se transformam num fardo, começam a ser problemáticas e a fazer parte do que entendemos como o eu. Nossa personalidade, que é condicionada pelo passado, se torna nossa prisão. Essas memórias são investidas de uma percepção do eu, e nossa história passa a ser a percepção que temos de nós mesmos. Esse “pequeno eu” é uma ilusão que obscurece nossa verdadeira identidade como a presença eterna e sem forma.

Nossa história, porém, é formada por lembranças mentais e emocionais – emoções antigas que são revividas continuamente. Assim como o monge que carregou o fardo do ressentimento por cinco horas, alimentando-o com pensamentos, a maioria das pessoas leva consigo uma grande quantidade de bagagem desnecessária, tanto mental quanto emocional, ao longo de toda a vida. Esses indivíduos se limitam com ressentimentos, arrependimentos, hostilidade e culpa. Seu pensamento emocional se torna seu eu e, assim, eles se apegam a velhas emoções porque estas fortalecem sua identidade.

Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que eu chamo de “corpo de dor”.

Podemos, no entanto, parar de acrescentar ao corpo de dor aquilo que já temos. Somos capazes de aprender a refrear o hábito de acumular e perpetuar antigas emoções batendo nossas asas, metaforicamente falando, e nos abstendo de viver com a mente no passado, não importa se um incidente aconteceu ontem ou 30 anos atrás. Temos como aprender a não manter vivos acontecimentos e situações e, em vez disso, sempre dirigir a atenção para o momento presente – puro, atemporal –, em vez de nos deixarmos atrair por histórias mentais produzidas pela mente. Assim, nossa própria presença se torna nossa identidade, e não nossos pensamentos e nossas emoções.

Absolutamente nada que tenha acontecido no passado pode nos impedir de estar presentes agora. E, se o passado não tem como evitar nosso estado de presença, que poder ele tem?


Eckhart Tolle



Fonte: do livro "Um Novo Mundo", Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2011
www.sextante.com.br
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sábado, 4 de junho de 2022

A VERDADE É O REMÉDIO


Por que as quedas ocorrem no caminho espiritual?

Porque o caminho espiritual é como qualquer caminho ou senda na Terra, se não se prestar atenção, tropeçará. Se você ficar muito distraído acaba todo golpeado e se caminhar perto dos abismos... tropeçar pode ser muito doloroso. Então, o que é preciso é caminhar devagar, contemplando o caminho e a paisagem que o acompanha, descansando em uma atenção viva e calorosa.

Estou cansado de cair, de perder o entusiasmo, de acreditar e depois cair. Existe algo que eu possa fazer definitivamente?

É importante descobrir o significado das quedas. Normalmente, se as aceitamos bem, elas nos mostram o verdadeiro estado interior em vez do que a mente inventa com alguma história justificadora. Se o seu destino é Bogotá e você descobre que está viajando para Santiago, é doloroso dar-se conta disso, mas você não pode negar que descobri-lo é um grande benefício. Também entender a raiz do que gera nossa desatenção é essencial. O sapato aperta em cada um de nós em um lugar diferente. É preciso conhecê-lo, assumi-lo com humildade e estabelecer o remédio adequado.

Não é bom colocar a vara muito alta, isso geralmente é um truque do adversário, também chamado de orgulho espiritual. Você tem que pretender pouco, mas verdadeiro e permanente. Aspirar à Presença na vida cotidiana, a uma oração cada vez mais frequente, a viver numa serena alegria confiada à providência... não é pouca coisa! Não é necessário mais. É claro que cada um tem suas circunstâncias para adaptar as tentativas pessoais nesse sentido.

Meu professor me disse que devia haver uma aspiração máxima e uma mínima. E que o mínimo era suficiente, o resto estava nas mãos do Senhor, principalmente. Eu disse a ele que minha aspiração máxima era construir um Athos (Monastério no Monte Athos, na Grécia) dentro do cristianismo ocidental, um reflorescer da fé, que a Oração de Jesus ressoasse por toda parte... que era a mesma coisa que ele queria fazer em sua vida quando era mais jovem. E ele me disse: «É muito bom, mas basta para você não ser uma pessoa má e não voltar ao alcoolismo».

Há uma grande diferença entre a mente e o coração. O espírito mora no templo interior, no coração, e é o que dá calor ao coração. Deixe-se guiar por ele. A mente é vaidosa, julgadora, especulativa, e sem o espírito no comando é um constante aborrecimento e não serve de ferramenta. Cada vez que nos descobrimos seguindo o fio das divagações, voltemos ao momento presente, que é o único que existe e onde Deus se manifesta. Acolha silenciosamente à percepção que sente, fazendo uma pequena pausa em seus movimentos. Então, deixe o Santo Nome de Jesus brotar em você.



El Santo Nombre



Fonte: Blog El Santo Nome
https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: Acerco de autoria pessoal

terça-feira, 31 de maio de 2022

ALGUÉM PRECISA DE VOCÊ


Você já se sentiu alguma vez como um zero à esquerda, ou seja, sem valor algum?

Você pode responder que não, mas outras tantas pessoas já tiveram o seu dia de baixa auto-estima.

São aqueles dias em que a gente olha ao redor e não consegue ver nada em que possamos ser úteis.

No entanto, e por essas mesmas razões, há sempre alguém que precisa de você.

Há pessoas caladas que precisam de alguém para conversar.

Há pessoas tristes que precisam de alguém que as conforte.

Há pessoas tímidas que precisam de alguém que as ajude vencer a timidez.

Há pessoas sozinhas que precisam de alguém para conversar.

Há pessoas com medo que precisam de alguém para lhes dar a mão.

Há pessoas fortes, mas que precisam de alguém que as faça pensar na melhor maneira de usar a sua força.

Há pessoas habilidosas que precisam que alguém as ajude a descobrir a melhor maneira de usar sua habilidade.

Há pessoas que julgam não saber fazer nada e que precisam de alguém que as ajude a descobrir o quanto podem fazer.

Há pessoas apressadas que precisam de alguém que lhes mostre tudo o que não têm tempo para ver.

Há pessoas impulsivas que precisam de alguém que as ajude a não magoar os outros.

Há pessoas que se sentem perdidas e precisam de alguém que lhes mostre o caminho.

Há pessoas que se julgam sem importância alguma e precisam de alguém que as ajude a descobrir como são valiosas.

E você, que muitas vezes pensa não ter nenhuma utilidade, pode ser justamente a pessoa que alguém está precisando agora...

É claro que você não precisa, nem pode ser a solução para todos os problemas, mas faça o melhor ao seu alcance.

Se não puder ser uma árvore frondosa no topo da colina, seja um arbusto no vale – mas seja o melhor arbusto do vale.

Se não puder ser um arbusto, seja um ramo – mas seja o ramo mais exuberante a enfeitar a paisagem.

E se não puder ser um ramo, seja um pequeno tapete de relva para dar alegria a algum caminhante...

Se deseja ser um lindo ramalhete de flores perfumadas, e não consegue, seja uma singela flor silvestre – mas seja a mais bela.

E nesse esforço de ser útil a alguém que precisa de você, irá cada vez se tornando mais forte e mais confiante.

E todos as alegrias que espalhar pelo caminho serão as mesmas alegrias que encontrará na própria estrada.

Por mais difícil que esteja a situação, nunca deixe de lembrar que alguém precisa de você. E o mais importante: você pode ajudar alguém.

* * *

A Terra é uma grande escola, onde o Criador nos matriculou para que aprendamos a ser feliz.

A grande maioria das pessoas que habita este planeta não é completamente feliz.

Somos todos caminheiros da estrada chamada evolução, e, num momento ou noutro pode ser que precisemos de alguém.

Assim sendo, como sempre estamos rodeados de pessoas, é importante que você fique alerta, pois ao seu lado pode estar alguém que precise de você, neste exato momento.



Fonte: Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria desconhecida.
http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1004&let=A&stat=0
Via: Espiritualidade e Sociedade - http://www.espiritualidades.com.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

OS DESEJOS E SEUS RESULTADOS


As ciências ocultas apresentam às pessoas toda a espécie de métodos para obterem a realização dos seus desejos, mas sem explicarem o que lhes acontecerá se esses desejos forem demasiado pessoais e egoístas, se transgredirem as leis da Natureza, se forem contra a ordem divina.

Dizem apenas: «Fazei isto... fazei aquilo...» e, muitas vezes, aqueles que o fazem dão-se mal. Por isso, esses métodos só serão bons e válidos se os vossos desejos forem divinos, se não forem bons unicamente para vós, mas também para o mundo inteiro.

Deveis saber que tudo se realiza, e é aí que está o perigo. Dir-me-eis que não vedes esse perigo. Mas quem vos diz que, se os vossos desejos se realizarem, não ireis sofrer, porque não soubestes prever as complicações daí resultantes?

Aquele que não estudou as relações entre os seus desejos e as leis da Natureza e da vida, que não se questionou sobre os resultados que esses desejos desencadearão se se realizarem, expõe-se a grandes desilusões.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

domingo, 29 de maio de 2022

SER UNO COM A LUZ


Uma das palavras usadas para descrever o propósito da meditação é 'iluminação'. Meditamos para ser iluminados. São João, em seu Evangelho, descreve que o propósito da vinda de Cristo é dissipar as sombras. Ele fala do poder de sua luz pessoal que é tão grande que a escuridão não pode prevalecer, nem pode tirar a luz.

No entanto, podemos perceber que há muita escuridão em nosso mundo. Ouvimos diariamente sobre as terríveis injustiças, violência, ódio, controle, ganância cega e destruição doentia. Também vemos isso em um nível pessoal e político, entre nossos vizinhos em casa ou no exterior. Muitos de nós não estão cientes da sombra residual dentro de nós. Devemos reconhecer, nós também, que temos um lado sombrio. Temos a capacidade de autonegação de viver no nível que não vale o nosso destino humano e não como pessoas que são imagens de Deus.

Quando começamos a meditar, logo percebemos que não podemos entrar na experiência de meditação com apenas uma parte de nós. Tudo o que somos, a totalidade do nosso ser, está envolvido nesta entrada integral de nós, que nos leva a nos realizar plena e harmoniosamente.

Outra maneira de colocar isso é que cada parte oculta e sombria de nós deve vir à tona. Não meditamos apenas para desenvolver nosso lado religioso ou nossa capacidade moral. A meditação é o caminho para a integração harmoniosa de todo o nosso ser e de toda a realidade. Um homem verdadeiramente espiritual está em harmonia com todas as suas habilidades. Esta é a razão pela qual uma pessoa espiritual faz tudo no mais alto espírito de perfeição que leva ao maior Amor possível e à maior alegria.

A razão é esta – a meditação não é o processo onde tentamos ver a luz. Nesta vida não podemos ver plenamente a luz e continuar a viver. Nosso ponto de atenção deve ser visto pela luz que nos procura e nos conhece, e ilumina.

A meditação é o processo pelo qual vamos em direção à luz. Como consequência natural desse processo, começamos a ver tudo: o entrelaçamento integral da realidade da vida, pelo poder da luz. Neste momento, devemos analisar nossa linguagem. O que é essa "luz"? Qual é o significado deste grande símbolo espiritual? O que é que nos ilumina e que muda a forma como percebemos a realidade cotidiana? Jesus nos diz que esse poder chamado "luz" é o Amor. Assim, para o meditador cristão, o teste de nosso progresso na meditação é simplesmente ver que estamos caminhando para o estado de iluminação, sendo capazes de ver tudo inter-relacionado pela luz, a luz de Deus. Ver através da luz desse Amor universal nos faz amar tudo também. Sem julgar, sem rejeitar, mas ver cada pessoa, e de fato toda a criação por esta luz, nos leva a descobrir a fonte do Amor em nossos corações. Devemos saber-nos ser amados: este é o conhecimento da iluminação cristã.


Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

RESPIRAR CONSCIENTEMENTE


Pela respiração, pode-se captar no ar uma quinta-essência muito preciosa a que os yoguis hindus chamam “prana”. O “prana” está na base de todas as energias do Cosmos. É de manhã, ao nascer do sol, que ele é mais abundante. Ao fazer-se passar conscientemente o ar pelas narinas, põe-se a funcionar certas fábricas no corpo que começam a trabalhar para extrair esta quinta-essência. Uma vez captada, ela começa a circular ao longo dos nervos. Os yoguis, os sábios da Índia, que estudaram o sistema nervoso, compreenderam que este “prana” tão subtil circula como fogo nas ramificações nervosas situadas de ambos os lados da coluna vertebral. Do mesmo modo que o sangue circula através das veias, das artérias e dos vasos capilares, este fluido muito subtil, o “prana”, circula através do sistema nervoso. É um alimento que aumenta a vitalidade, o equilíbrio, a lucidez.

Há muito tempo – eu ainda não devia ter dezessete anos, pois não tinha ainda encontrado o Mestre Peter Deunov -, eu fazia muitos exercícios de respiração, e como era muito jovem e não dispunha de um instrutor para me guiar, não tinha qualquer noção da medida certa e acabei por adoecer. Mas recordo-me de que um dia, durante um desses exercícios de respiração, tive subitamente a sensação de ter aspirado um fogo que descia até aos meus pulmões. Foram instantes de uma alegria, de uma felicidade, de uma iluminação indescritíveis. Evidentemente, nessa altura eu não sabia o que estava acontecendo. Anos mais tarde, compreendi que talvez fosse isso o Espírito Santo, esse fogo divino que o homem recebe em si por intermédio do ar.

A respiração tem grandes poderes, ela pode mesmo permitir, àqueles que se treinaram, saírem livremente do seu corpo e viajarem no espaço para conhecerem as realidades do mundo invisível de que nos falam os Iniciados. Do modo de respirar depende também o despertar dos chacras e a aquisição das faculdades espirituais.

Há que aprender a respirar conscientemente, isto é, a ligar o pensamento à respiração, para se poder chegar às forças ocultas no subconsciente. A respiração consciente e profunda traz bênçãos incalculáveis para a vida intelectual, para a vida emocional e para a vida física. Precisais de observar os seus efeitos positivos no vosso cérebro, na vossa alma, em todas as vossas faculdades: é um fator muito importante para todos os domínios da vida. Nunca deixeis esta questão de lado.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: Opúsculo 303 - "A Respiração - Dimensão espiritual e aplicações práticas", 12ª parte, cap. II
Publicações Maitreya, Porto - Portugal
newsletter@publicacoesmaitreya.pt - www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/photos/fantastic-light-heaven-girl-breath-6915743/

terça-feira, 17 de maio de 2022

O EU AUTOCENTRADO


A mente está sempre querendo alimentar-se para pensar. Ela procura alimento para sua própria identidade, para seu sentido de ser. É assim que o ego se cria e se recria continuamente.

Quem percebe isso? Quem compreende que sua forma física e psicológica é passageira? É o EU SOU; que não tem nada a ver com o passado e o futuro.

O que restará de todos os medos e desejos associados aos problemas de sua vida e que diariamente exigem o máximo de sua atenção? Restará apenas seu nome gravado na lápide de sua sepultura e as datas ligando seu nascimento à sua morte.

Para o eu autocentrado, para o ego, esse é um pensamento deprimente. Para o que você é essencialmente, é libertador.

Quando cada pensamento absorve toda a sua atenção, isso mostra que você se identifica com a voz que está dentro da sua cabeça. O pensamento se confunde então com o sentido do eu. Esse é o eu criado pela mente, o que chamamos de ego. Esse ego construído pela mente se sente totalmente INCOMPLETO e PRECÁRIO. Por isso o medo e o desejo são as emoções e forças dominantes e motivadoras desse ego.

Quando você se dá conta de que existe uma voz na sua cabeça que pretende ser você e não para de falar, percebe que, de forma inconsciente, você vem se identificando com a corrente do pensamento. Quando percebe a existência dessa voz, você compreende que NÃO É ESSA VOZ, mas a pessoa que a PERCEBE. Ter LIBERDADE é saber que você é a CONSCIÊNCIA por trás dessa voz.

O ego está sempre buscando. Busca sem cessar isso ou aquilo para se sentir mais completo. Isso explica por que ele se preocupa compulsivamente como futuro. Ao concentrar toda a atenção no momento presente, uma INTELIGÊNCIA muito SUPERIOR à mente autocentrada entra em sua vida.

Ao viver através do ego, você faz do momento presente apenas um meio para atingir um fim. Você vive em função do futuro, mas, quando atinge seus objetivos, eles não o satisfazem ou não o satisfazem por muito tempo.

Quase todo ego tem um pouco do que poderíamos chamar de identidade da vítima. Muitas pessoas se vêem de tal forma como vítimas que essa imagem se torna ponto central de seu ego. O ressentimento e a mágoa passam a ocupar uma parte essencial da visão que essas pessoas têm de si mesmas. Mesmo que suas mágoas sejam muito justas, ao assumir a identidade de vítima, você cria uma prisão cujas grades são feitas de formas de pensar. Veja o que está fazendo com você mesmo, ou melhor: o que a sua mente está fazendo com você. Sinta a ligação emocional que você tem com sua história de vítima e perceba sua compulsão de pensar ou falar a respeito. Testemunhe o seu estado interior. Você não precisa fazer mais nada além disso. Ao PERCEBER isso, a TRANSFORMAÇÃO e a LIBERDADE virão.

Reclamar e reagir são as formas preferidas da mente para fortalecer o ego. Para muitas pessoas, grande parte da atividade mental e emocional consiste em reclamar e reagir contra isso ou aquilo. Procuram fazer com que os outros ou as coisas estejam errados e só elas estejam certas. Estando certas, elas se sentem superiores e, assim, fortalecem seu ego. No entanto, estão apenas fortalecendo a ILUSÃO do ego. Pare um pouco e pense: você tem esses padrões de comportamento? Consegue perceber a voz em sua mente que está sempre reclamando e apontando os outros como culpados? O eu autocentrado precisa do conflito para fortalecer sua identidade. Ao lutar contra algo ou alguém, ele demonstra para si mesmo que isto sou eu e aquilo não sou eu.

É comum que países, tribos e religiões procurem fortalecer sua SENSAÇÃO de identidade coletiva colocando-se em oposição aos seus inimigos. Quem seriam os crentes se não existissem os que não creem?

Ao se relacionar com pessoas, você é capaz de perceber em si mesmo sentimentos sutis de superioridade e de inferioridade em relação a elas? Quando isso acontece, é o ego que está se manifestando, porque ele precisa da comparação para se afirmar. A identidade do ego depende da comparação e se alimenta do mais. Ele se agarra a qualquer coisa. Quando nada disso funciona, as pessoas procuram fortalecer seu ego considerando-se mais injustamente tratadas pela vida, mais doentes ou mais infelizes do que os outros. Quais são as histórias que você cria para encontrar sua própria identidade?

O eu autocentrado tem também necessidade de se opor, resistir e excluir para manter a ideia de separação da qual depende sua sobrevivência. Assim, ele coloca o eu contra os outros e nós contra eles. O ego precisa estar em conflito com alguém ou alguma coisa. Isso explica por que, apesar de você querer paz e amor, não consegue suportar a paz, a alegria e o amor por muito tempo. Você diz que quer ser feliz, mas está viciado em ser infeliz.

A culpa é outra forma que o ego tem para criar uma identidade. Para o ego não importa que essa identidade seja negativa ou positiva. O que você fez ou deixou de fazer foi uma manifestação de inconsciência, que é natural da condição humana. Se você estivesse mais ALERTA, mais CONSCIENTE, teria agido de outra maneira.

Se você estabelece objetivos autocentrados na sua busca de libertação e de autovalorização, mesmo que os atinja eles não irão satisfazê-lo.

Disse o mestre, quando lhe pediram para explicar o sentido mais profundo do budismo: "Sem o ego, não há problema".



Eckhart Tolle




Fonte: do livro "O Poder do Silêncio", cap. 3, Ed. Sextante
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/cachoeira-agua-fluxo-sil%c3%aancio-5138793/

sábado, 14 de maio de 2022

O CAMINHO DA DESPOSSESSÃO - DESAPEGO


Na meditação descobrimos que a aceitação desse dom (desapego) é o que nos dá vida, integridade, unidade, e assim ativar o potencial que está livre em nossas vidas, para a felicidade, para o ser. Meditar é para o espírito o que respirar é para o corpo. Se alguém lhe perguntasse qual é a sua motivação para respirar, você teria que responder: “Não tenho motivação a não ser viver. É preciso respirar para viver. Não tenho motivação consciente para isso.” Quanto mais você meditar, mais você experimentará seu espírito em harmonia pacífica com toda a criação e com seu Criador.

Você mais perceberá que não precisa de nenhuma motivação para meditar. Você medita porque você é, e porque Deus é, porque este é o tecido da realidade, e porque é para isso que você foi criado: Deus, o Criador e eu, a criatura, vivemos na criação de Deus. A meditação é simplesmente o caminho de estar totalmente vivo para essa realidade abrangente.

Antes de se sentar para meditar todos os dias, lembre-se de que o objetivo é perder sua autoconsciência (da mente). Não nos importamos em criar ou projetar uma imagem para alguém. Estamos apenas focados em ser, ser quem somos, onde estamos. Estar em paz é aceitar o dom de ser e, ao aceitá-lo, abdicamos da autoconsciência da mente.

Se algo acontece quando você está meditando, especialmente quando você começa, uma grande sensação de paz toma conta de você. Então você diz a si mesmo: “Isso é uma coisa maravilhosa. Onde isso vai me levar? Do que se trata? Eu quero experimentar isso.” Então você para de repetir o seu mantra e o que pode acontecer é que assim que o fizer, a sensação de paz irá embora e se tornará uma lembrança. Mas há algo ainda pior, que é tentar voltar para recuperá-lo. Então você começa a repetir seu mantra mais alto e mais intensamente, de uma forma mais autoconsciente para tentar possuir essa sensação de paz. Mas a meditação, como descreve São João da Cruz, é o caminho da desapropriação. Você não tenta possuir paz, ou Deus, ou pegá-lo para lhe dar graça, conforto ou um momento de êxtase. Não estamos pedindo nada.


Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 11 de maio de 2022

A MATÉRIA VIVIFICADA PELO ESPÍRITO


O cristianismo pôs a tônica no lado doloroso e trágico da cruz, no seu lado “morte”, associando-a essencialmente à morte de Jesus.

Na realidade, é preciso ver na cruz um significado muito mais vasto: o da matéria à qual o espírito desce para a vivificar.

Evidentemente, pode acontecer que o espírito mergulhe na matéria e adormeça; se ele não tiver forças suficientes para a animar, esta união torna-se o túmulo do espírito e, infelizmente, é o que acontece com a maioria das pessoas, que deixam o espírito enterrar-se nelas.

A matéria é a cruz na qual o espírito se sacrifica constantemente, mas este sacrifício só tem razão de ser se a matéria se transformar e se tornar mais viva, mais pura.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal