sexta-feira, 7 de outubro de 2022

DESCOBRINDO DEUS NO NOSSO INTERIOR


Em suas reflexões sobre a natureza da meditação, São João da Cruz escreveu: "Deus é o centro da minha alma". Um dos grandes dilemas religiosos do nosso tempo é que aqueles de nós que pensam que são religiosos estão tentando entender Deus com nossas mentes, e aqueles de nós que não são abertamente religiosos, por outro lado, rejeitam Deus em suas vidas. O que todos nós devemos descobrir é que a única maneira de podermos falar sobre Deus de maneira significativa é descobrindo-o dentro de nós. Descobrindo a nós mesmos, descobrindo nossa própria capacidade de ser mais completos, encontramos Aquele que é. Nessa descoberta nos libertamos...

A meditação é uma oportunidade maravilhosa para todos nós, porque retornando à nossa origem, às raízes do nosso ser, voltamos à nossa inocência. O chamado à meditação, para os primeiros Padres da Igreja, era um chamado à pureza de coração e isso é precisamente inocência: pureza de coração.

Uma visão sem nuvens de egoísmo, desejo ou imagens, um coração simplesmente movido pelo amor. A meditação nos leva à pura clareza, clareza de visão, clareza de compreensão e clareza de amor; uma clareza que vem da simplicidade. E começar a meditar não requer nada mais do que a simples determinação de começar e depois continuar.

Deixe-me lembrá-lo do que é. A meditação é o caminho da atenção. Na meditação vamos além dos pensamentos, além do desejo e da imaginação e nesse além começamos a saber quem somos aqui e agora em Deus "em quem vivemos e nos movemos e em quem existimos." (At 17,28) O caminho da simplicidade é o caminho da palavra única, a repetição de uma palavra (mantra, pensamento semente). É a recitação e a fé com que pronunciamos a palavra todas as manhãs e todas as noites que nos leva para além do barulho das palavras, para além do labirinto das ideias, para a unidade.

Os grandes problemas da vida surgem da incapacidade de comunicação - de comunicar-se até mesmo com o nosso interior - e a meditação é o caminho para alcançar a comunhão plena, a unidade do ser. Na meditação e na vida enriquecida pela meditação somos plenamente nós mesmos, quem quer que sejamos.



Dom John Main, OSB


Carla Cooper (Organ.)
Traducido por WCCM España




Fonte: “Deus é o centro da minha alma”. Trecho de “The Road to the Unknown” de John Main, OSB (New York: Crossroad, 1990) pp. 18-20.
Via: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana - http://wccm.es/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A NATUREZA DO SOFRIMENTO E A LEI DO CARMA


Assim como a evolução dos seres orgânicos se verifica segundo um conjunto de leis (lei da gravidade, do eletromagnetismo, da hereditariedade, da seleção natural etc.), também a evolução dos Espíritos se dá segundo leis de diferentes naturezas, desconhecidas da ciência oficial e, paulatinamente, reveladas pela doutrina espírita.

Kardec denominou esse conjunto de princípios de lei natural, afirmando que é a única necessária à felicidade dos homens e que apenas sofremos quando nos afastamos dela. (O Livro dos Espíritos, item 614) O progresso se dá pelo cumprimento da lei natural, que se encontra estabelecida na consciência do homem. (O Livro dos Espíritos, item 621) O bem consiste em nos identificarmos com ela, o mal em desconsiderarmos seus princípios. O bem traz consigo o melhoramento do ser e a aquisição de faculdades nobres que nos aproximam de Deus. O mal, ao contrário, provoca a paralisação dessa marcha, o embotamento das forças do Espírito e a inserção em experiências educativas, que muitas vezes, são dolorosas. Há, portanto, uma sanção à infração da lei natural.

Em decorrência de uma atitude humana equivocada segue-se, como visto, uma resposta da lei divina, que se dá, a princípio, na consciência do Espírito faltoso. Essa resposta pode ser examinada do ponto de vista qualitativo e quantitativo.

Sob o aspecto qualitativo, parece ser uma resposta mais ou menos padronizada. O pensamento espírita admite que cada um é punido naquilo em que pecou. Esta afirmação dos Espíritos veio em resposta ao questionamento de Kardec: se da análise das vicissitudes da vida corpórea se possa induzir quanto ao gênero da existência anterior. Kardec parece ter entendido que sim, que o tipo de sofrimento guarda relação de intimidade com o tipo de ação cometida em existência pretérita. Pode-se deduzir isso pelo seguinte comentário de Kardec:

[...] a natureza dessas vicissitudes e das provas que sofremos também nos podem esclarecer acerca do que fomos e do que fizemos, do mesmo modo que neste mundo julgamos dos atos de um culpado pelo castigo que lhe inflige a lei. (O Livro dos Espíritos, item 399)

Ao voltar ao assunto, em outra obra, Kardec é ainda mais explícito, ao afirmar que:

[...] pela natureza dos sofrimentos da vida corpórea pode julgar-se a natureza das faltas cometidas em anteriores existências. (O céu e o inferno, parte I, cap. 7)

Examinando a lei de causa e efeito agora sob o aspecto quantitativo, é natural indagar-se: havendo Espíritos de diversos graus, o bem e o mal seriam os mesmos para todos eles? Kardec preocupou-se com essa questão e perguntou aos Espíritos se são absolutos, para todos os homens, o bem e o mal. A essa indagação, seguiu-se a resposta:

A lei de Deus é a mesma para todos; porém, o mal depende principalmente da vontade que se tenha de praticá-lo. O bem é sempre o bem e o mal sempre o mal, qualquer que seja a posição do homem. Diferença só há quanto ao grau da responsabilidade. (O Livro dos Espíritos, item 636)

No item seguinte, Kardec insiste no tema, perguntando se o selvagem que, cedendo ao seu instinto, se nutre de carne humana é culpado? Na resposta, os Benfeitores reafirmam o que disseram:

[...] tanto mais culpado é o homem, quanto melhor sabe o que faz. (O Livro dos Espíritos, item 637)

Diante do pensamento dos Benfeitores, Kardec comenta:

As circunstâncias dão relativa gravidade ao bem e ao mal. Muitas vezes, comete o homem faltas que, nem por serem consequência da posição em que a sociedade o colocou se tornam menos repreensíveis. Mas, a sua responsabilidade é proporcionada aos meios de que ele dispõe para compreender o bem e o mal. Assim, mais culpado é, aos olhos de Deus, o homem instruído que pratica uma simples injustiça, do que o selvagem ignorante que se entrega aos seus instintos. (O Livro dos Espíritos, item 637)

Pode-se concluir, portanto, que do ponto de vista quantitativo erros equivalentes nem sempre receberão da lei uma resposta de igual intensidade. Vários fatores se relacionam a uma atitude equivocada, sob o aspecto da culpabilidade, atenuantes uns, agravantes outros.

A própria definição de ato moral, que é o objeto de estudo da ética filosófica, relaciona a atitude em si mesma com as suas motivações e com a intenção de fazê-la. Os atos morais são atos humanos conscientes e voluntários dos indivíduos que afetam outros indivíduos, determinados grupos sociais ou a sociedade em seu conjunto. O ato moral se apresenta como uma totalidade de elementos: motivo, intenção ou fim, decisão pessoal, emprego de meios adequados, resultados e consequências. Sendo, então, um ato consequencial livre, ele só pode ser considerado como tal, e passível de punição, se for cometido livremente por alguém consciente do que está fazendo. Ato cometido sob absoluta pressão, que não deixa ao agente a possibilidade de não fazê-lo, não é considerado como passível de responsabilidade.

O Livro dos Espíritos estabelece, então, que a lei natural culpabiliza os erros humanos segundo dois parâmetros: a intenção e o grau de conhecimento que se tenha em relação ao cometido. (O Livro dos Espíritos, item 954)

Do ponto de vista da intenção, vê-se que, muitas vezes, erros de consequências danosas são cometidos por pessoas bem intencionadas (o que obviamente atenua sua responsabilidade), e, de forma diversa, o desejo do mal, às vezes, não se concretiza apenas por falta de oportunidade, o que não deixa de ser um erro.

Por outro lado, a ignorância pode atenuar uma falta. No entanto, o desconhecimento nem sempre pode desculpar a falta por completo, pois a ausência de conhecimento, em muitas ocasiões, se dá por descaso ou indolência.

Não se pode desculpar aquele que alega não conhecer o erro, quando a possibilidade de conhecê-lo encontrava-se à sua mão. Como regra geral, a culpabilidade diante de uma falta é diretamente proporcional ao progresso intelectual amealhado, pois este lhe dá a verdadeira medida do que foi feito e das possíveis consequências do ato praticado.

Em resumo: a atitude equivocada lesa a mente, e a partir daí, se desencadeia a resposta imposta pela lei natural. Podemos então aventar a hipótese de que a energia psíquica gerada pelo ato criminoso terá um poder lesivo diferente, relacionado ao contexto em que foi perpetrado e proporcional aos dois fatores previamente citados: intenção e conhecimento.

Vejamos a seguinte metáfora: em uma parede são desferidos tiros com armas de calibres distintos. Todos os tiros estarão danificando a parede, mas o grau de dano será proporcional à energia de impacto decorrente do tamanho da bala e da potência da arma. Uma espingarda de “chumbinho” talvez apenas danifique a pintura, mas um tiro de canhão vai destruí-la por completo. Acreditamos que o mesmo se dê com os atos humanos. Atitudes criminosas cometidas por indivíduos em fase primária da evolução humana serão como tiros de “chumbinho”. A mesma atitude cometida por indivíduos em condição evolutiva superior serão como tiros de canhão.




Ricardo Baesso de Oliveira




Fonte: do livro "O Sentido da Reencarnação"
EVOC – Editora Virtual O Consolador, 2020
Londrina-PR
Fonte da Gravura: https://cdn.mensagenscomamor.com/content/images/m000484897.jpg?v=1&w=463&h=410

UM GRITO AO CÉU


Muitos acontecimentos penosos dizem respeito ao conjunto da colectividade e é impossível evitá-los: uma inundação, um tremor de terra ou uma guerra, por exemplo. Durante uma guerra, não se pode escapar às provações, às infelicidades, às grandes perdas, mas aquele que ora, que age através da alma e do espírito, transforma interiormente nele próprio estas provações, ainda que exteriormente os acontecimentos sejam os mesmos, onde os outros fraquejam, perdem a coragem ou até se suicidam, ele encontra em si próprio forças, um alimento espiritual, um encorajamento.

Os humanos habituaram-se a receber tudo do exterior. Por um lado, é normal, porque eles não poderiam viver sem as numerosas matérias e energias que recebem da água, do ar, do sol e da terra. Nós somos criaturas e todas as criaturas, toda a Criação é obrigada a receber do exterior aquilo de que necessita para continuar a viver. Só o Criador escapa a esta lei: Ele não necessita de esperar que o alimentem. Sim, mas como Ele deixou uma partícula de Si mesmo em cada criatura, uma centelha, um espírito que é da mesma natureza que Ele, graças ao espírito cada criatura pode tornar-se, ela própria, criadora. O ser humano, em vez de estar à espera de tudo do exterior, pode agir interiormente através do seu pensamento, da sua vontade, do seu espírito, e captar o maior número de elementos de que necessita para se alimentar física e psiquicamente. Por isso, o Ensinamento dos Iniciados foi sempre o ensinamento do espírito criador e aqueles que aceitam este Ensinamento serão sempre fortes, independentes, estarão sempre acima das circunstâncias.

Não se deve suportar as situações passivamente, deixar-se ir, mas sim procurar reagir. Não podereis melhorar tudo, não estais ainda à altura de o fazer, mas a vossa oração é como uma pequena semente que dá frutos imediatos. Vós pronunciastes algumas palavras, concentrastes-vos numa linguagem luminosa, e isso foi como um grito para que venham salvar-vos. Vós não observais a vida em vosso redor, todavia eu estou sempre a dizer-vos que é daí que deveis tirar lições. Olhai uma criança: quem a instruiu, quem lhe revelou que a palavra é uma força? Quando se sente em perigo, ela grita: «Mamã!» Como é que esta criança aprendeu a servir-se de uma palavra mágica? Se ela não tivesse gritado, a mãe não teria sabido que se passava qualquer coisa. Mas ela ouve-a e vai apressadamente salvá-la. Então, porque não pensais vós em lançar pelo menos um grito ao Céu?



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Opúsculo 305, "A Oração" - Publicações Maitreya, Porto, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

OBEDIÊNCIA - OUVIR COM ATENÇÃO


O primeiro dos votos beneditinos é o de obediência. A raiz latina desta palavra, "ob-audire", significa "ouvir com atenção".

Os cristãos do deserto foram obedientes, ouviram com atenção: a Deus, aos mandamentos, que no deserto se chamavam bem-aventuranças, e a seu "Abba" e "Amma", seus pais e mães espirituais. Um dos anciãos disse que Deus pede aos monges e monjas dois tipos de obediência: que eles obedeçam às Sagradas Escrituras e que obedeçam a seus Pais e Mães espirituais.

O objetivo desta escuta profunda é silenciar os desejos do ego, nosso próprio desejo e aprender a ouvir a "voz mansa e delicada" dentro do nosso ser mais profundo, a vontade de Deus. A obediência está, portanto, intimamente relacionada às virtudes da pobreza e da humildade, conhecer nossa necessidade de Deus e conhecer nossas próprias limitações.

A essência da meditação também é escutar atentamente, escutar nosso mantra ressoando por si mesmo em nosso ser. Lembremo-nos do que disse John Main: "Nossa meditação realmente começa quando, em vez de pronunciar o mantra, começamos a ouvi-lo envolto em atenção cada vez mais profunda." (John Main, OSB, "A Word Made Silence")

Silenciando nossos pensamentos, colocando nossa atenção no mantra e deixando para trás nossas imagens condicionadas, que muitas vezes são resultado de nossas feridas emocionais, transcenderemos nosso "ego", a parte consciente de nosso ser. Então, com o tempo, seremos capazes de deixar nosso verdadeiro eu, a centelha divina dentro de nós, permear todos os nossos pensamentos e ações. A atenção concentrada é a essência da oração, como enfatizou Evagrius (Evágrio Pôntico): "Quando a atenção busca atenção, ela a encontra. Porque se há algo que acontece no caminho da atenção é a oração e, portanto, deve ser cultivada."

A mesma atenção deve ser dada às Escrituras. A cultura do século IV ainda era em grande parte uma cultura oral e as Escrituras eram lidas em assembleias semanais – chamadas synaxis. Prestar atenção era essencial...

Depois de ouvir as escrituras, os monges do deserto deveriam ir para suas celas e repetir um ou dois versos que os tocassem ou ressoassem particularmente. Eles não devem refletir sobre seu significado, mas internalizar as palavras e deixá-las que lhes falassem pessoalmente. Isso poderia levá-los à oração e à contemplação, estando na presença silenciosa de Deus. Esta disciplina tornou-se "lectio divina" na tradição beneditina: lectio, meditação, oração e contemplação. A repetição das palavras sagradas leva ao silêncio da verdadeira contemplação. Isso é realmente parte da disciplina e prática da meditação, como John Main e Laurence Freeman nos ensinaram. "Precisamos ler as Escrituras, saboreá-las e deixar as Escrituras nos inspirarem", como aponta Laurence Freeman, OSB. E então permitiremos que influencie a maneira como conduzimos nossas vidas.



Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana - http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e em português por este blog.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SEGUINDO AS PEGADAS DIVINAS


Exteriormente, os versos que descrevem as travessuras de Krishna quando criança parecem retratar fatos objetivos, mas eles têm um profundo valor subjetivo. Vocês devem usar a imagem objetiva como uma chama para acender a emoção subjetiva da devoção. Por exemplo, há uma descrição do menino Krishna virando um pote de coalhada e fugindo com uma bola de manteiga; conta-se que a Mãe Yashodha descobriu o seu esconderijo seguindo as pegadas impressas no chão pelas solas dos seus pés lambuzados de coalhada. 

A manteiga que o Senhor Krishna cobiça é o fruto da ioga, o produto final da batedura da mente por meio do discernimento (viveka). Ele adora se deleitar com essa manteiga e se afasta com ela para a solitude da autorrealização. Vocês também podem descobrir o Senhor por meio das suas pegadas, que podem ser achadas em todos os lugares, desde que se empreenda uma busca sincera com olhos treinados. Vocês as encontrarão onde quer que haja beleza, virtude, humildade, justiça, verdade, amor e paz. Os olhos têm que ser treinados para descobrir as pegadas de Deus; é assim que se deve dominar a mente.



Sathya Sai Baba
Divino Discurso, 25 de outubro de 1966)



Fonte: www.sathyasai.org.br
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terça-feira, 4 de outubro de 2022

EGO E SELF: A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO


O Mestre Jesus, conhecendo e compreendendo em profundidade os conflitos internos da alma humana, criou parábolas de impressionante eficácia que, em quaisquer tempos e culturas, despertam os homens para os elevados valores do espírito. Por tratarem de fatos e enredos simples da vida cotidiana sobre a Terra, as parábolas de Jesus são facilmente compreensíveis, residindo, porém, seu mais alto valor, na profundidade da reflexão que as mesmas suscitam. Na parábola do Filho Pródigo, podemos verificar a capacidade que as mesmas têm de tocar a alma humana.

Está claro que qualquer indivíduo de boa vontade, independentemente do seu nível de escolaridade, tem nas parábolas de Jesus, oportunidades imensas de aprendizado e reflexão, entretanto, os conhecimentos sobre a psique humana, à luz da doutrina dos espíritos, que nos são trazidos pela benfeitora Joanna de Ângelis, possibilitam enxergar nas parábolas informações preciosas que reforçam e aprofundam esses conhecimentos.

O ego do filho ingrato, por exemplo, na ânsia pela satisfação imediata de seus desejos, compele o rapaz a buscá-los a partir da posse, igualmente imediata, da herança a que faria jus após a morte do genitor. Eis, aí, o ego primitivo do espírito, que se manifesta com suas principais características e que, quando ainda não chamado ao desejo sincero de viver os valores elevados do espírito, surdo aos apelos do self, despreza tudo o que estiver fora de seus interesses rasteiros de sobrevivência e prazer. As palavras de Joanna de Ângelis confirmam essa constatação:

Herdeiro dos instintos agressivos, que lhe predominam em a natureza íntima, o ser humano jornadeia entre revoltado e temeroso por efeito das condutas ancestrais.

A necessidade da preservação da vida impele-o ao imediatismo, à volúpia do prazer, ao significativo desconhecimento dos valores ético-morais, ou mesmo quando os conheça, desconsiderando aqueles que podem representar sacrifício, luta nobre, abnegação...

Propelido para esse prazer sensorial, asselvajado, as emoções elevadas, defluentes dos sentimentos da beleza, do idealismo, são deixadas à margem, pela pouca significação que lhes é atribuída ou pela falta de hábito de as vivenciar.

Identificamos, nessas palavras, o desprezo pelos insights do self, contidos nas emoções elevadas, difluentes dos sentimentos da beleza, do idealismo, que foram deixados à margem pelo filho pródigo. Já, aqui, podemos perceber o caráter educativo das parábolas do mestre Jesus, uma vez que o mesmo ego primitivo, que moveu o filho pródigo à sua ação ousada, e os mesmos insights do self, que o trarão de volta ao lar paterno, atingem a nós que, frequentemente e do mesmo modo, fechamos os ouvidos aos chamamentos divinos.



Josué Douglas Rodrigues




Fonte: do livro "Joanna de Ângelis ao alcance de todos"
1ª edição eletrônica: julho de 2017
Editora EME Ltda. - Capivari-SP - www.editoraeme.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O MERGULHO DA MEDITAÇÃO


Para acalmar a mente e mantê-la em equilíbrio, a meditação é prescrita como um exercício espiritual. A meditação é o processo pelo qual os aspectos positivos e negativos da mente são regulados.

O homem goza de bem-aventurança ilimitada quando o estado de não-pensamento é alcançado. Uma amostra desta experiência é oferecida ao homem durante seu sono profundo e sem sonho, quando nenhum desejo ou vontade, nenhum anseio ou negação, o perturba. Quão mais gratificante deveria ser a bem-aventurança quando atingimos tal estado, com toda consciência, através da meditação! (Divino Discurso em 21/11/1979)

Por meio da meditação, as pessoas alcançam a experiência Divina da realização do Atma (Ser Supremo) dentro delas. Pela meditação, os aspirantes espirituais são capazes de expulsar os envoltórios da ignorância, camada após camada. Eles removem suas percepções dos sentidos, do contato com as experiências objetivas mundanas.

O processo que visa essa consumação sagrada merece ser chamado de meditação. Para esse processo, deve-se estar equipado de bons hábitos, disciplinas e ideais elevados. Deve-se estar cheio de renúncia em relação às coisas mundanas e a seus atrativos. Qualquer que seja a situação, o indivíduo deve conduzir-se com entusiasmo e alegria. Tudo o que é feito deve ser dedicado não a ganhar o sustento da vida, mas a merecer a bem-aventurança do Atma. (Dhyana Vahini, Cap. 2)

Pode ser possível ensinar, a uma pessoa, a postura, a pose, a posição de pernas, pés, mãos, pescoço, cabeça ou costas, a maneira e a velocidade da respiração. Mas a meditação é uma função do Ser interno que motiva a profunda tranquilidade subjetiva, o emprego da mente e o preenchimento com a luz que emerge da centelha Divina interna. (Divino Discurso em 23/11/1970)

Mediante a meditação você mergulha na ideia da universalidade e onipotência de Deus. Não é para você uma diária constatação que uma preocupação maior domina uma outra menor e o leva a esquecer-se desta?

Quando você plenifica sua mente com a de Deus, quando por Ele você anseia e a Ele levanta seu clamor, todos os demais anseios, todos seus desapontamentos e mesmo todas as realizações desmaiam, sumindo na própria insignificância. Você esquece tudo. Desejos, frustrações e realizações jazem submersas na inundação do divino anseio e, logo depois, no próprio oceano da bem-aventurança. (Sadhana, O Caminho Interior)



Sathya Sai Baba




Fonte: https://www.sathyasai.org.br/meditacao
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/buda-est%c3%a1tua-tail%c3%a2ndia-budismo-5641534/

A VERDADEIRA SENSIBILIDADE


É importante distinguir a verdadeira sensibilidade da sensibilidade doentia, a que seria mais exato chamar suscetibilidade ou pieguice. A verdadeira sensibilidade é uma faculdade que nos torna capazes de nos elevarmos muito alto, muito longe, e de termos acesso a um mundo cada vez mais sutil, para captarmos as suas realidades. A pieguice, essa, é uma manifestação da natureza inferior que, tomando-se pelo centro do mundo, acha sempre que não lhe dispensam a consideração suficiente, sente-se frustrada, ferida, e torna-se agressiva. Quando se vê esta distinção, compreende-se que há todo um trabalho a realizar sobre a natureza inferior para a dominar, a agarrar pelos colarinhos: é a única maneira de permitir que a verdadeira sensibilidade se expanda e se enriqueça. A sensibilidade não é apenas a faculdade de nos emocionarmos e de nos maravilharmos com os seres que amamos, a beleza da Natureza ou as obras de arte; ela também nos abre as portas da imensidão, da luz, também nos dá a compreensão da ordem divina das coisas e nos permite vibrar em uníssono com os planos superiores, as entidades e as correntes do Céu.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O DESAFIO DO COMEÇO


A maior dificuldade é começar, dar o primeiro passo, lançar-se nas profundezas da realidade de Deus que se revela em Cristo. Uma vez que deixamos o limite de nosso próprio ser, logo nos juntamos às correntes da realidade que nos dão direção e impulso. Quanto mais atentos e imóveis permanecemos, mais sensíveis somos a essas correntes. E desta forma, mais plena e verdadeiramente espiritual se torna a nossa fé.

Através da quietude do espírito, entramos no oceano de Deus. Se tivermos a coragem de nos empurrar para fora da periferia, não deixaremos de encontrar essa direção e energia. Quanto mais avançamos, mais forte a corrente se torna e mais profunda nossa fé. Por um tempo, a profundidade de nossa fé é desafiada pelo paradoxo de que o horizonte de nosso destino está sempre recuando. Para onde vamos com essa fé profunda? Então, pouco a pouco, vamos reconhecendo o significado da corrente que nos guia e podemos ver que o oceano é infinito.

Sair da periferia é o primeiro grande desafio, mas só é preciso começar a enfrentar esse desafio. Mesmo que os desafios sejam maiores, temos certeza de que teremos tudo o que precisamos para enfrentá-los. Começamos pronunciando o mantra*. Pronunciar o mantra é estar sempre no início, voltar ao primeiro passo. Com o tempo aprendemos que há apenas um passo entre Deus e nós. O próprio Cristo deu. Além disso, Ele mesmo é esse passo. A única maneira de conhecer Cristo é entrar em seu mistério pessoal, abandonando ideias e palavras. Nós as deixamos para trás para entrar no silêncio do conhecimento total e do amor para o qual a meditação guia cada um de nós.

* Caminho do mantra (detalhes): https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html



Dom John Main, OSB

Carla Cooper (Organ.)

Traducido por WCCM España e em português por este blog.



Fonte: “Oceanos de Deus”. Trecho de "The Christ Present", de John Main, OSB (New York: Crossroad, 1991) pp. 111-112, 116-117.
Via: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana - http://wccm.es/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DEVOÇÃO E AMOR


Devoção significa amor.
Amor pelo Divino é o único amor verdadeiro.
Todas as outras expressões do amor são meros apegos de um tipo ou outro.
Amor é Deus.
Vivam em amor.
Comecem o dia com amor.
Preencham o dia com amor.
Terminem o dia com amor.
Esse é o caminho para Deus.
Esse amor deve ser considerado divino pelas pessoas de qualquer fé.
Manifestem o seu amor, independentemente de como os outros se comportem.
Cultivem esse amor.


Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/fantasia-religi%c3%a3o-sol-monumento-3029542/

sábado, 1 de outubro de 2022

HARMONIZAÇÃO COM O NOSSO CENTRO


Quando contemplardes o Sol, tentai reencontrar o centro em vós – o vosso espírito, que é omnipotência, sabedoria, omnisciência, amor universal – e aproximai-vos dele, dia após dia. Enquanto permanecerdes afastados do centro, estareis à mercê das correntes mais desordenadas e contraditórias. É certo que, por vezes, se é obrigado a abandonar o centro para realizar atividades na periferia. Sim, devemos saber afastar-nos do centro, porque é necessário, mas isso não significa que devemos cortar a ligação com ele. Pelo contrário, quanto mais atividades tiverdes no mundo, ou seja, na periferia, mais deveis reforçar a ligação com o centro, com o Espírito, porque é do centro que recebeis a energia, a luz e a paz de que necessitais para levar a bom termo tudo o que pretendeis realizar.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
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DOR - EXPERIÊNCIA DE CRESCIMENTO


As experiências de dor devem ser entendidas como experiências de crescimento. Todos trazemos, de vivências anteriores, lições inacabadas que precisam ser concluídas, programas mentais equivocados que necessitam ser reinstalados, sentimentos que precisam ser depurados, amor acanhado que pede para ser expandido.

Examinando a progressão dos Espíritos, Kardec registra: "[...] será passando pelas provas que Deus lhes impõe que os Espíritos adquirem conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinada. Outros, só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade." (O Livro dos Espíritos, item 115)

O pensamento coloca-nos diante de duas possíveis posturas diante das dificuldades da vida: a atitude dos que aceitam submissos e a dos que a suportam murmurando. A primeira postura evoca a atitude pacificada, não do indivíduo conformado, acomodado, pois o pensamento kardequiano é dinâmico por excelência, mas do indivíduo que assume perante os desafios árduos ou dolorosos um estado de espírito que abre portas na solução das dificuldades. Pessoas que já estão conscientes de que toda queixa corresponde a desgaste emocional e tempo perdido, e que lhes compete receber as dificuldades por lições, aceitando-lhes a utilidade e o objetivo. A segunda postura se identifica com a revolta, a inconformação, o desespero e os desastres decorrentes disso.

Escreveu Emmanuel no livro "Coragem": "A educação é obra de sacrifício no espaço e no tempo, e atendendo à Divina Sabedoria, que jamais nos situa uns à frente dos outros sem finalidade de serviço e reajustamento para a vitória do amor, amemos nossas cruzes por mais pesadas e espinhosas que sejam, nelas recebendo as nossas mais altas e mais belas lições. [...] Imagina como seria difícil de suportar um educandário em que os alunos tão somente soubessem chorar na hora do ensino. Reportamo-nos à imagem para considerar que sendo a Terra nossa escola multimilenária, urge receber-lhe as dificuldades por lições aceitando-lhe a utilidade e o objetivo. Diante dos obstáculos, ninguém precisa fixar-se no lado escuro que apresentem. Um náufrago, faminto de estabilidade, ao sabor das ondas, não se lembrará de examinar o lodo no fundo das águas, mas refletirá no melhor meio de alcançar a terra firme. Todo minuto de queixa é minuto perdido, arruinando potencialidades preciosas para a solução dos problemas, sobre os quais estejamos deitando lamentação. Toda prova, seja qual for, aparece na estrada, a fim de elastecer-nos a força e aperfeiçoar-nos a experiência. Em síntese, quase toda dificuldade implica sofrimento e todo sofrimento, notadamente aqueles que não provocamos, redunda em renovação e auxílio para nós mesmos, lembrando a treva noturna, em cujo ápice começa a alvorada nova. Saibamos arrostar os impedimentos da vida, sem receá-los. Cada qual deles é portador de mensagem determinada. Esse é um desafio a que entesoures paciência, aquele outro te impele à sublimação da capacidade de amar no cadinho da provação. Tuas dificuldades – tuas bênçãos."

Comenta Emmanuel, ainda no livro "Coragem": "Às vezes, nós – Espíritos eternos – perdemos sucessivas reencarnações, simplesmente pelo medo de facear certas dificuldades justas e necessárias ao nosso burilamento. Problemas, no entanto, constituem o preço da evolução. Não há conhecimento sem experiência e não há experiência sem provas. [...] Nunca te certificarias se possuis bastante reservas de coragem, sem o obstáculo que te ensina a decifrar os segredos da auto superação, e jamais saberias se realmente amas, sem a dor que te ajuda a desentranhar os mais puros sentimentos do coração. Problemas são sinônimos de lições. Se tens o caminho repleto deles, isso significa que chegaste à madureza de espírito, com a possibilidade de frequentar simultaneamente vários cursos de aperfeiçoamento no educandário do mundo."

Muitas vezes, só o sofrimento é capaz de fazer por nós aquilo que deveríamos ter feito espontaneamente. Se a vida nos coloca em uma máquina de polir pedras, temos duas opções: sair dela moídos e triturados, ou polidos como o diamante. A experiência de sofrimento só será uma experiência de crescimento se, de alguma maneira, contribuir para o nosso amadurecimento. A dor terá um significado profundo se nos modificar por dentro. Ao nos tornar mais sensíveis ao sofrimento alheio, depura os nossos sentimentos e amplia a nossa capacidade de amar. Nos tornamos mais compassivos e respeitosos. A dor vivenciada com dignidade sinaliza para dentro de nossa intimidade as emoções e sentimentos que outras pessoas, em igual situação, estariam vivenciando. E isso promove o desenvolvimento moral.

[...] O modo evolucionista de pensar, contudo, nos dá o real entendimento dos dissabores da vida: amadurecimento espiritual, possibilidades de crescimento, expansão dos bons sentimentos.

Quando tudo vai bem nós mal conseguimos perceber os limites de nosso próprio poder. Os avanços da ciência nos dão a sensação de invulnerabilidade. Isso deixa pouco espaço para Deus e nos deixa com a desconfortável sensação de estarmos no comando de tudo o que acontece conosco. Nós, que em geral, somos tão autoconfiantes, de repente, diante de uma tragédia pessoal, nos damos conta de que o que realmente importa em nossa vida, muitas vezes, está além de nosso controle. Quando chegamos ao limite de nossas próprias forças, precisamos socorrer a uma força maior do que nós e do que tudo o que existe no Universo. Quantas pessoas encontram Deus, quando chegaram ao limite de suas forças! Costuma-se dizer que não existem ateus nas trincheiras de guerra, pois são nesses momentos, em que chegamos ao limite de nossa resistência, que pedimos socorro. Deus não costuma ser encontrado nos momentos felizes. O pedido de socorro é o rompimento com a autossuficiência, quebra a nossa arrogância e nos torna permeáveis ao sentido da espiritualidade e às mudanças que têm significado profundo.

[...] Importante considerar, também, que boa parte das tribulações, aborrecimentos e ansiedades da vida são pertinentes à inferioridade do mundo em que estagiamos. A inferioridade da Terra responde por grande parte das dificuldades da vida.

Chico Xavier contou para um grupo de amigos, que, em determinada época de sua vida, pensou em transferir residência de Uberaba. As dificuldades eram tremendas! Confrades convidaram-no para ir morar em São Paulo, outros queriam que ele fosse para o Rio... Emmanuel, então lhe disse: "– Chico, para onde você for, a dificuldade irá atrás. Chico comentava que boa vida não leva ninguém a lugar nenhum. Até mesmo Jesus sofreu intensa perseguição dos Espíritos perturbados. Ele não podia se demorar por muito tempo numa cidade – logo, as “trevas” davam um jeito de colocar as autoridades contra ele... Ele pregou o Evangelho em fuga! Jesus passou aos três anos de sua peregrinação sob o constante assédio das trevas. E concluía: por que nós, tão inferiores espiritualmente, vamos querer boa vida?

O nosso (planeta) é um mundo de provas e expiações, na definição Kardequiana. Esses mundos... "servem de lugar de exílio para Espíritos rebeldes à Lei de Deus. Os Espíritos têm aí de lutar, ao mesmo tempo, com a perversidade dos homens e com a inclemência da natureza, duplo e árduo trabalho que simultaneamente desenvolve as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, em sua bondade, faz que o próprio castigo redunde em proveito do progresso do Espírito. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IV)

Destacamos no texto as expressões perversidade dos homens e inclemência da natureza, que estão na origem de grande parte dos nossos desafios pessoais. O nosso mundo, por ora, é um mundo onde campeia a desonestidade, a disputa selvagem pelo poder, a propina, a irresponsabilidade, a corrupção, a incompetência e o descaso humanos, e, por outro lado, a hostilidade do clima, as epidemias e as tragédias naturais. Somos, então, chamados a conviver de forma pacífica com aqueles que não entendem a paz e superar com determinação os imensos inconvenientes do meio ambiente em que vivemos, usando a inteligência para minorar suas consequências danosas.

Mesmo considerando a inferioridade da Terra, muitos infortúnios poderiam ser plenamente evitados se nos conduzíssemos melhor perante a vida.

Lembra Kardec "... que as aflições da vida são muitas vezes a consequência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeições, tanto menos tormentos. Aquele que não é invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que se originam desses defeitos." (O Livro dos Espíritos, item 133-a)

Assim, quantas pessoas infelizes com os filhos porque nunca se ocuparam com eles! Quantas pessoas caminhando sozinhas porque nunca deram valor à família! Quantos infelizes na atividade profissional porque nunca se esforçaram para conseguir algo melhor! Quantos amargando enfermidades crônicas evitáveis se tivessem se preocupado um pouco mais com a saúde. Quantos atormentados por dívidas cumulativas porque gastam mais do que ganham; pessoas que poderiam viver em paz com o pouco que dá o necessário, mas vivem perturbados com o muito que é falso, que não condiz com suas possibilidades financeiras.



Ricardo Baesso de Oliveira



Fonte: do livro "O Sentido da Reencarnação"
EVOC – Editora Virtual O Consolador, 2020
www.oconsolador.com
Londrina-PR
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O DHARMA NASCE NO CORAÇÃO


Para descobrir o que é correto (dharma) e o que é incorreto (adharma), aplique este simples teste: se vai contra a Verdade e o Amor, é incorreto; se promove a Verdade e o Amor, ou é repleto destes, é correto. (Sai Baba -Sathya Sai Speaks, vol. XVI, p. 86)

A palavra dharma, que está realmente relacionada com uma infinita variedade de significados, está sendo inadequadamente descrita, na era moderna, por uma palavra – dever. Dever é apenas aquilo que está conectado com uma condição individual, ou com uma época ou país em particular. Por outro lado, o dharma é eterno, o mesmo para todos em todos os lugares. Ele expressa o significado do Ser Interno (Atma). O lugar de nascimento do dharma é o coração. Aquilo que emana do coração como uma ideia pura, quando traduzido em ação é chamado dharma. Se tivesse que dizer de uma maneira que se pudesse entender, a pessoa poderia dizer ‘faça aos outros o que você quer que façam a você; isto é dharma. O dharma consiste em descartar ações que iriam ferir os outros. Se alguém causa felicidade a você, então, você, em retorno, deveria fazer coisas que causassem felicidade aos outros. Quando nós reconhecemos que o que os outros fazem irá causar dificuldades e fazemos mesmo, isto é adharma (ausência de retidão). (Digest, p. 95)

Obs: a palavra dharma é geralmente traduzida como retidão, ação correta, dever, mas, de acordo com o contexto, também pode se referir à Lei Eterna ou Ordem Cósmica, à Religião Eterna, à missão do indivíduo no mundo etc.

Existem 7 facetas do dharma (aqui, no sentido de retidão ou ação em harmonia com a Lei Cósmica), assim como existem 7 cores contidas nos raios do sol. A primeira faceta do dharma é a verdade. A segunda faceta é o bom caráter. A terceira é a conduta correta. A quarta é o controle dos sentidos. A quinta é a penitência ou austeridade. A sexta é a renúncia e a sétima é a não-violência. Todas esta facetas foram estabelecidas para a proteção do indivíduo e o bem-estar da sociedade. (Digest, p. 97)

Define-se dharma como Ação-Correta, Retidão. Este não é o significado mais apropriado. Dharma, por si só, é a Verdade. Assim, o que nasce da Verdade é dharma. Para o fogo, a capacidade de queimar é dharma. Quando este não pode queimar, não pode ser fogo: torna-se apenas carvão. O dharma do açúcar é a sua doçura. Se não há doçura, não pode ser açúcar, mas apenas pó. Assim, se nós não manifestarmos nossa consciência, não seremos dharma. Devemos, em tudo, seguir nossa consciência. Existem dois tipos de dharma: um é o dharma mundano, e o outro é o que se origina da divindade. Seguir a Vontade Divina é o verdadeiro dharma. Em tudo, a pureza do coração é importante. O primeiro passo é: o que ensinamos aos outros, devemos praticar. Esta é a verdadeira natureza humana. Qual é a razão para que verdade (sathya), retidão (dharma), paz (shanti), amor (prema) e não-violência (ahimsa) não estejam sendo preservados atualmente? A propagação e a publicidade destes valores está sendo feita, sem que os mesmos estejam sendo praticados.Vocês devem mostrar, pelo falar e pelo exemplo, que o caminho da auto-realização é o que conduz à alegria perfeita. Consequentemente, sobre vocês repousa grande responsabilidade: a de demonstrar por sua calma, serenidade, humildade, pureza e virtude, coragem e convicção em todas as circunstâncias, que o caminho por vocês percorrido os tornou pessoas melhores, mais felizes e mais úteis. Pratiquem. Demonstrem. (Sri Sathya Sai Bal Vikas - Maio/94)



Sathya Sai Baba



Fonte: Editado pelo S.S.S. Education in Human Values Trust - Bombay
https://www.sathyasai.org.br/citacoes-diversas
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/hindu%c3%adsmo-ganesh-adora%c3%a7%c3%a3o-divindade-1633815/

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

AUTOCONHECIMENTO PURIFICADO RADICAL


Consideremos todas as inúmeras coisas que podem dar errado em nossas vidas. Então, reflitamos sobre: como poderemos sair dessas catástrofes? O que pode curar essas feridas inevitáveis? Em cada caso, a resposta é 'o poder do Amor'. O amor é o que cura, o que nos renova, o que nos enche de esperança, o que nos liberta da prisão do nosso egoísmo.

Com a meditação aprendemos a ficar em silêncio, calmos, mais centrados e conscientes da presença do Amor de Deus em nossos corações. Este despertar ocorre por revelação, não por nossa manipulação. O que temos que fazer, no entanto, é ficar parado.

Sua presença não é apenas mais uma teoria, ou uma teologia especulativa. É uma presença pessoal e dinâmica que se encontra no coração de cada um de nós, que só se encontra se aceitarmos ficar quietos. A quietude é a porta pela qual entramos nesse estado de transcendência e encontramos a realidade.

Entrar nessa presença é muito simples e, ao mesmo tempo, é a coisa mais importante em nossas vidas. É a maior prioridade do nosso dia e cada fase da nossa vida é preenchida com a energia do Amor divino e isso significa que seremos constantemente curados. Estamos alcançando um estado de unidade inerente. Estamos constantemente sendo totalmente reconstruídos e, como resultado, estamos continuamente descobrindo novas forças para continuar vivendo com esperança na bondade de Deus e com a suprema confiança de que seu plano está operando em nossas vidas.

Devemos estar mais conscientes do destino que Deus nos dá e mais corajosos em responder a ele. Muitas vezes deixamos de ver isso. É como se estivéssemos sujeitos a forças totalmente arbitrárias em ação em nossas vidas. Mas o plano está aí e o plano para cada um de nós é que alcancemos essa maturidade, medida por nada menos que a plenitude de Cristo. A meditação nos ajuda a focar no coração do mistério divino e, a partir desse ponto, nos vemos dentro do próprio mistério divino – surge então um autoconhecimento purificado radical.



Fr. John Main, OSB




Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

EDUCARE - VERDADEIRO CONHECIMENTO


A educação não significa simplesmente fornecer informações. Aprendemos muitas coisas nos livros didáticos, mas talvez não possamos compreender o seu real significado. Antes de qualquer coisa, perguntem-se “Quem sou eu?”, “Quem sou eu?”, “Quem sou eu?”. Então terão a verdadeira resposta.

Ler livros e assimilar o conhecimento mundano não é grande coisa. Isso é somente conhecimento livresco. Vocês devem buscar o conhecimento sobre o seu próprio ser (o ser interno). Esse é o conhecimento verdadeiro. Esse é imutável e eterno. A Verdade é uma, somente, não duas. A Verdade é Deus. A Retidão é Deus. A Paz é Deus. O Amor é Deus.

"Educare" significa trazer para fora as qualidades latentes e os valores do âmago de nosso interior. Se as pessoas desenvolverem "Educare", todos serão unidos.



Sathya Sai Baba




Fonte: https://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/coruja-p%c3%a1ssaro-lendo-livro-estude-4783407/

VERDADE E LIBERTAÇÃO


Jesus, sem sombra de dúvida, é nosso libertador. Não como muitos pensam, na figura do senhor das guerras, que viria para atuar em questões políticas. Na realidade, sua proposta é muito mais abrangente.

Em seus ensinamentos, reuniu com maestria a simplicidade, o poder de síntese e a verdade iluminadora. Sabia da dificuldade de entendimento de seus irmãos mais novos, nós, mas não se deteve frente à nossa ignorância, que sabia ele ser passageira e compreensível dentro do nosso patamar evolutivo.

No "Encontrareis a verdade e ela vós libertará" (João 8:32), encontramos um belo exemplo da simplicidade, profundidade e objetividade de seus ensinamentos. Para encontrar algo, precisamos querer, ir ao encontro, estarmos abertos e atentos, enfim, buscar… No caso da verdade, a situação não é diferente.

Mas o que seria a verdade?

Para muitos filósofos a verdade é uma questão de ponto de vista. No dicionário, podemos encontrar as definições: estar de acordo com os fatos ou a realidade, ou ainda, ser fiel às origens ou a um padrão. Usos mais antigos incluíam o sentido de fidelidade, constância ou sinceridade em atos, palavras e caráter. Assim, "a verdade" pode significar o que é real, ou possivelmente real, dentro de um sistema de valores.

Enquanto a metafísica, a lógica e a filosofia discutem sobre a verdade, cada um de nós, de certa maneira, também concebe a ‘sua’ verdade, na subjetividade das experiências, crenças e capacidade de percebê-la.

Poderemos nos enganar se buscarmos a verdade somente nos aspectos materiais. Ou ainda mais triste, nos julgarmos donos absolutos dela. Assim agem os que não aceitam opiniões contrárias, os que estão fechados em suas distorcidas concepções do mundo e do outro.

Quando observamos o universo, suas criaturas e as leis harmoniosas que regem a vida de forma perfeita e justa, identificamos o amor de Deus como base de tudo o que existe. Dentro deste aspecto, poderíamos entender que se o amor está na base de tudo, ele seria a verdade. O que estaria de acordo com a afirmação de Jesus, quando diz que estaríamos libertos pela verdade.

O que poderia ser mais libertador do que o amor?

Quem ama serve e prossegue sem prender-se, não aguardando elogios, reconhecimento ou gratidão. Faz o bem pelo simples prazer de ver a felicidade do outro. Encontra na falta de entendimento do semelhante oportunidade bendita de trabalho e semeadura. Semeia, mas não se prende pela colheita, pois entende que tudo pertence a Deus. Dirige, mas não busca o domínio tirano e escravacionista sobre as consciências, pois permite que o outro possa crescer, mesmo que por escolhas diferentes das suas.

Quem ama verdadeiramente sabe usufruir das riquezas materiais com justiça e bondade, pois já reuniu dentro de si mesmo a certeza de que só há uma verdade absoluta, o AMOR…



Umberto Fabbri




Fonte: Correio News - https://correio.news/reflexoes/verdade-e-libertacao
O Correio.news é o canal de mídia digital do jornal Correio Fraterno, que há 50 anos acompanha o espiritismo no Brasil e no mundo. O Correio.news está ligado à editora Correio Fraterno e ao Lar da Criança Emmanuel, instituição filantrópica de São Bernardo do Campo, SP, que em 60 anos já atendeu milhares de crianças e jovens da comunidade ao redor, oferecendo educação e orientação às famílias para que construam hoje um futuro diferente.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

ALCANÇANDO A LUZ ATRAVÉS DA MEDITAÇÃO


A meditação e o constante retorno a ela, todos os dias de nossas vidas, é semelhante a traçar um caminho para a realidade. Uma vez que conhecemos nosso lugar, começamos a ver tudo sob uma nova luz, porque nos tornamos quem realmente somos. E, ao nos tornarmos quem somos, podemos ver tudo como é e, assim, podemos ver os outros como eles realmente são. É através da experiência e da prática que aprendemos a estar enraizados em nosso ser essencial. Aprendemos que estar enraizado em nosso ser essencial é estar enraizado em Deus, o autor e princípio de toda a realidade. Ao acessar a realidade e nos tornar quem somos, nos libertamos de todas as imagens que constantemente nos inundam. Não temos que ser a imagem que os outros têm de nós, mas simplesmente ser a pessoa real que somos.

Meditar é exigente. Devemos aprender a meditar quer tenhamos vontade ou não, quer chova ou faça sol; independe do dia que temos. Na visão cristã da meditação, perspectiva adquirida a partir das palavras de Jesus, encontramos a realidade do grande paradoxo que Ele ensina: se queremos encontrar nossas vidas, temos que estar dispostos a perdê-las. Isso é exatamente o que fazemos quando meditamos. Nós nos encontramos porque estamos dispostos a nos abandonar nas profundezas que são as profundezas de Deus.

Reflita sobre estas palavras da primeira carta de São João sobre a jornada de sua vida: “Nosso tema é a palavra de vida. Esta vida tornou-se visível; nós vimos e somos testemunhas disso; aqui e agora anunciamos a vocês a vida eterna que habitava no Pai e que se tornou visível para nós. Anunciamos a você o que vimos e ouvimos, para que juntos você e nós possamos compartilhar, em uma vida comum, a vida que compartilhamos com Deus. Esta é a mensagem que dele ouvimos e que vos transmitimos: Deus é luz e nele não há trevas.” (1Jo 1,1-5)

Nossa missão como cristãos é alcançar essa luz e assim abandonar definitivamente todas as trevas. O caminho para essa luz é o caminho para a humildade em silêncio; é o caminho do mantra.*

* Caminho do mantra (detalhes): https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html




Carla Cooper





Traducido por WCCM España
Fonte: Trecho de "O CORAÇÃO DA CRIAÇÃO": Meditação, uma maneira de liberar Deus no mundo (Norwich: Canterbury 2007), pp 10-11.
Via: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana - http://wccm.es/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/orar-est%c3%a1tua-de-buda-rezar-a-medida-5183164/

MANTRA - DUAS MANEIRAS DE SER: PARTÍCULA E ONDA


John Main, ... falando sobre “o medo mais obsessivo do homem: isolamento e solidão, e de que o mundo seja, ele próprio, apenas um terrível engano”. Ele continua, afirmando que isto é “uma imagem absurda e errônea da realidade”, que é “dissolvida pela força absoluta, do puro poder, do amor de Deus”. Experimentamos por meio da oração "que a condição básica do homem não é a da separação, mas da comunhão, ser-com". Como é que a oração / meditação faz isso? Como isso nos leva da falta de sentido para o sentido pleno da realidade?

O ponto importante aqui é o papel desempenhado pela ATENÇÃO. John Main sabia disso intuitivamente, e por experiência própria. Daí a ênfase que ele deu ao seu conselho: apenas repita sua palavra (MANTRA). O quão certo ele estava, agora foi provado pela neurociência. A pesquisa mostrou que, prestando atenção concentrada em nosso mantra, passamos da utilização do hemisfério esquerdo cérebro para o modo do hemisfério direito do cérebro. O cérebro tem a capacidade de acessar duas formas complementares de interpretar a realidade.

Talvez uma analogia com a física quântica possa nos ajudar a compreender esses dois aspectos diferentes de nossa consciência mais ampla. Experimentos mostraram que uma partícula subatômica, um elétron, exibe propriedades de 'partícula' e propriedades de 'onda', dependendo da configuração experimental, das circunstâncias através das quais examinamos a realidade: "Temos que lembrar que o que observamos não é a própria natureza, mas a natureza que se manisfesta ao nosso método de questionamento". (Heisenberg)

Uma vez que somos compostos de elétrons, poderíamos entender isso como também se aplicando a nós. Dadas as circunstâncias em que nos encontramos, metaforicamente falando, ou exibimos nossa natureza de "partícula", ou nossa natureza de "onda". Quando tratamos de nossos negócios diários, nos identificamos com nossa natureza de 'partícula'; estamos em nosso manifesto aspecto físico de 'matéria', governado pelo 'ego' - separados, lutando pela sobrevivência. Quando entramos na solitude e silêncio internos, nos conectamos com nossa natureza de 'onda', e no centro está nosso verdadeiro ‘eu’, 'Self', através do qual estamos conectados com a realidade de 'onda' de toda a humanidade, a criação, o Cosmos, o Divino.

Nosso lado esquerdo do cérebro fixa-nos em nossa natureza de 'partícula' e nosso lado direito do cérebro acessa nossa natureza de 'onda'. Podemos estar fixos no tempo e no espaço, ou em um estado de mudança fluida. Quando estamos preocupados com questões tais como, 'Como somos neste momento em particular? Qual é a nossa posição na vida? Qual é a nossa aparência? ', restringimos nosso ser e consciência à nossa natureza de "partícula", focada em nossa personalidade superficial separada, julgando e avaliando. No entanto, quando nossa consciência não está ocupada com pensamentos específicos, quando ligamos nosso hemisfério direito, fazemos conexões instintivas e nos tornamos intuitivamente cientes da unidade subjacente; estamos em nossa natureza de 'onda'. Tocar nesse aspecto da realidade leva ao conhecimento verdadeiro e experiencial: "de que somos e estamos em Deus, e de que n'Ele descobrimos a nossa identidade essencial, e o nosso singular significado.



Kim Nataraja




Fonte: Comunidade Mundial para a Meditação Cristã - Brasil
https://www.wccm.com.br/cartas/82-ano-3/1178-carta-320
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/espalhamento-mec%c3%a2nica-qu%c3%a2ntica-145104/

NENHUMA AÇÃO É ISENTA DE CONSEQUÊNCIAS


Nada do que fazeis fica sem consequências. Imaginai que, há umas centenas de anos, um homem cavou um sulco na montanha para levar água ao seu jardim. Pouco a pouco, sob o efeito das condições atmosféricas – chuva, vento, gelo, Sol... – esse sulco foi ficando mais largo e mais fundo, e agora é um vale! De igual modo, quando fazeis um gesto, pronunciais uma palavra, lançais um olhar ou ofereceis um sorriso, cada um desses movimentos inscreve-se na matéria astral, e todas as forças do mundo psíquico trabalham, como as forças da Natureza, para moldar essa matéria. Se tiverdes inscrito algo de bom, após um certo tempo vivereis em alegria e em paz... Mas, se tiverdes inscrito algo de negativo, atenção!... Evidentemente, os resultados não aparecem logo, mas tende paciência e vereis os sulcos que traçastes nos vossos corações, nos vossos intelectos e nas vossas almas tornarem-se autênticos vales: vales de lágrimas ou de alegrias!



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal