sexta-feira, 21 de junho de 2013

CÂNCER: A MORADA DA ALMA

O mantra espiritual de Câncer é: “Eu construo uma casa iluminada e nela habito.”

Uma casa é um abrigo, um ponto de apoio no mundo e uma base de operações. Para estar em meio ao mundo material, a alma (o puro ser ou pura consciência) também precisa de uma casa ou habitação, um suporte material. Por isso a alma constrói para si três instrumentos: um veículo mental (nossa mente), um veículo emocional (que costumamos chamar de coração) e um veículo físico (nosso corpo). Esses três constituem a nossa personalidade, que é verdadeiramente a morada da alma.

Nesse processo de adotar uma forma mental, uma forma emocional e uma forma física, sempre existe limitação. A consciência fica limitada pela forma. Em si mesma, a alma é pura potência e plenitude de possibilidades. Mas ao habitar uma mente, um coração e um corpo, apenas algumas capacidades e qualidades da alma conseguem se manifestar. Por outro lado, a forma permite que a alma participe da vida coletiva no mundo, se manifeste em alguma medida e expresse pelo menos algumas de suas qualidades. Manifestação e limitação andam juntas; sem limitação não há manifestação. Isso é algo que todos devemos aprender. Quando não abrimos mão de fazer tudo, acabamos não fazendo nada. A chave é saber fazer alguma coisa.

Mas além dessa limitação inevitável, comumente ficamos ainda mais limitados porque nos identificamos demasiadamente com a nossa própria personalidade. Achamos que somos só mente, emoções e corpo; não sabemos que somos a consciência interna que habita esses três veículos. A alma é transcendência e poder transformador, mas quando não estamos em sintonia com essa nossa essência, acabamos nos cristalizando e nos restringindo a certos modos de pensar, sentir e agir. Então expressamos sempre apenas as mesmas qualidades, e deixamos de expressar tantas e tantas outras possíveis.

Conhecer a si mesmo como alma é estar aberto para a autotransformação e a expressão cada vez maior dos próprios potenciais. Quando sabemos que somos a consciência interna, plena de possibilidades, compreendemos que podemos e devemos aperfeiçoar nossa mente, coração e corpo, para que sejam melhores veículos para a alma, expressando mais e mais das suas qualidades. Esse autoaperfeiçoamento acontece através do próprio pensar, sentir e agir, pois cada ato nosso sempre contribui para a contínua reconstrução da nossa personalidade.

Todo ato de pensamento, por exemplo, contribui para reconstruir a nossa mente, reforçando uma ou outra qualidade, dependendo do que for pensado. Através da reflexão sobre as qualidades da alma (como amor, sabedoria, boa vontade e alegria), podemos impregnar mais e mais a nossa mente com tais qualidades, até que, com o tempo, se tornem o nosso modo normal e espontâneo de expressão mental.

A nossa personalidade é hoje aquilo que fizemos dela até agora, e podemos torná-la o que quer que escolhamos. Basta orientar o nosso pensar, sentir e agir na direção escolhida, e a transformação inevitavelmente acontecerá com o tempo, seja longo ou curto. Podemos desenvolver quaisquer habilidades e aprender qualquer coisa. Tudo o que é possível está dentro de nós como semente. E cada dia é uma preciosa oportunidade para fazermos desabrochar o potencial de nossa alma, revelando toda a sua beleza, luz e amor.



Ricardo Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br



Fonte: Grupo Logos 
http://logosastrologiaesotericaport.blogspot.com.br/2012/07/cancer-morada-da-alma.html
Fonte da Gravura: http://astrosbrida.blogspot.com

O VERDADEIRO MESTRE JAMAIS LHE DÁ A RESPOSTA

Perguntaram Osho: Amado Osho, as perguntas parecem ser os frutos da capacidade de duvidar; e a dúvida, a centelha de uma inteligência viva e ativa. Sem as perguntas - e, portanto, sem as dúvidas -, como pode a inteligência continuar a florescer? E, entretanto, dentro de você está o supremo em silêncio e o silêncio em inteligência.


De início, isso é verdade. A dúvida ajuda a sua inteligência, aguça-a. O questionamento torna-o ciente de muitas possibilidades das quais você podia não estar ciente antes.

Mas isso é apenas o início da jornada. Ao final, quando todas as suas perguntas desaparecerem... - ...e o verdadeiro mestre jamais lhe dá a resposta. Deixe-me repeti-lo: o verdadeiro mestre jamais lhe dá a resposta, assim, você não pode duvidar dela. Ele o conduz a um ponto onde todas as perguntas desaparecem. Suas respostas são assassinas, matando suas perguntas, destruindo-as implacavelmente, para levá-lo ao ponto onde não haja perguntas na sua consciência.

O mestre não lhe dá nenhuma resposta da qual você possa duvidar. Essa consciência não questionadora é a resposta. E ela é experiência sua: você não pode duvidar disso - está presente.

A partir deste ponto, o silêncio e a inteligência são apenas dois aspectos da mesma coisa. A partir deste ponto, o não-conhecimento - a inocência - e o conhecimento são dois aspectos da mesma coisa. Este mundo misterioso que está à sua disposição se você puder atravessar a floresta de perguntas e dúvidas e chegar dentro do claro, onde não há quaisquer questões nem dúvidas, e nem respostas tampouco.

Você simplesmente é - em completo silêncio, com imensa clareza, com tremenda inteligência.

Eis por que sou contra a crença, porque ela jamais lhe permitirá chegar a esse estágio. Ela o reterá bem no começo da jornada. Ela não o ajudará a tornar-se mais inteligente; ela o tornará sem inteligência. Ela o tornará mais fanático, supersticioso, mas não lhe permitirá entrar na claridade que pode ser chamada de a própria meta daquilo que transpira entre o mestre e o discípulo: o momento de total silêncio, o momento onde tudo é límpido cristal.

Mas isto tem de ser adquirido. - ...A crença é barata... - Isto lhe trará algo totalmente diferente, o que eu chamo de confiança na existência. Nos dicionários, confiança, crença e fé são todas sinônimos - mas não na realidade.

A crença é o oposto da confiança. Você crê porque tem dúvida; a crença é um antidoto para a dúvida, é uma necessidade para encobrir a dúvida. A confiança existe quando você não tem nenhuma dúvida, por isso a confiança não é uma crença. A crença é sempre em alguma coisa - em alguma doutrina, em algum princípio, em alguma filosofia.

Confia-se é na totalidade do cosmo. Não tem nada a ver com livros... - Bíblias Sagradas, Gitas, Corão... -, não. Há então uma única escritura que está espalhada ao seu redor - nas árvores, nos rios, no oceano, nas estrelas. E você não tem de lê-la: você tem apenas de ser silencioso, e ela começa a derramar sobre você toda a sua sabedoria, que é eterna.

Eu sou contra a crença, porque quero que vocês cheguem ao ponto da confiança.


Osho, em "Além da Psicologia — Discursos no Uruguai"



Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O REGENTE ESOTÉRICO DE CÂNCER

Nos três signos de água podemos observar o percurso simbólico da manifestação, Câncer é o princípio, o poder ativo do nascimento de um rio, Escorpião é o curso deste rio, onde o poder ativo do primeiro impulso experimenta os “altos e baixos” do caminho, e Peixes é o final, onde o rio se apazigua mesclando-se com a grandeza do oceano ou a totalidade.

Câncer é a primeira água criadora através da qual as Almas vêm à manifestação com uma forma física bem definida. A união de Áries (mente-ideia), Touro (desejo-substância) e Gêmeos (corpo etérico-comunicação) nos leva necessariamente a Câncer: os três condensados em um corpo.

A síntese do passado reencarna através de Câncer e esta síntese no corpo humano é o que esotericamente chamamos de pitris lunares ou corpo inferior. Astrologicamente, o padrão Lunar em uma carta astral marca o princípio raiz de um nascimento; a infância com seus primeiros impulsos nos dá muitas informações sobre as primeiras atitudes (positivas ou negativas) sobre as quais a Alma deverá procurar ser e evoluir.

Lembremos que a consciência maior sempre contém a menor, por tanto as inércias básicas, impulsos, apegos, tendências, limitações, sonhos, ou desvantagens simbolizados pela Lua, são a “matéria-prima” para que a potente, passional e ativa energia solar possa adquirir experiência de um eu pessoal. Mais tarde, quando por necessidade a energia personalista do signo solar for reconduzida para o signo ascendente, as forças lunares poderão ser receptivas às qualidades da Alma (harmonia, compreensão, confiança) e, graças à assimilação interna, estas mesmas forças poderão expressar uma personalidade ou atividade mais altruísta; o mundo exterior sempre é a contraparte do mundo interior.

Na parte receptiva feminina da noite, o Mistério pode exercer uma sutil influência na Matéria, para que quando saia a Luz, esta, (a matéria), possa mostrar sua nobreza.


Lua

A Lua pode ser entendida como “a mente emocional”, aquele padrão psíquico capaz de gerar inércias no corpo etérico-físico. “Ela” é a reação reflexa, o primeiro pronto da criança mostrada por sua mãe e a primeira ferramenta de contato com o mundo que o rodeia. Quando mais maduro, o regente Lunar tem uma relação direta com Saturno e aqueles pensamentos – emoções que “não sabemos por qual razão” se nos repetem condicionando de forma compulsiva as nossas reações frente às circunstâncias que nos rodeiam. Como já sabem, estas dificuldades devem ser compreendidas como uma oportunidade.

Por ser Câncer o primeiro signo de água onde as Almas vêm à Vida, o primeiro impulso ou “infância” Lunar mostram neste signo sua razão de ser ou dignidade. Toda personalidade muito condicionada por estas forças se mostrará apegada aos seus sentimentos mais básicos e espontâneos, ao seu passado, infância, família, amigos, país…, e devido ao apego, tudo isso será susceptível de gerar excesso de sensibilidade, dependência ou espelhismo; mas também, uma pessoa com um Câncer ou Lua fortes, poderá mostrar um padrão psíquico “nobre”, de grande capacidade empática, familiar, acolhedor, sensível, evocador, e receptivo aos mundos espirituais, quando isto acontece devemos pensar que o regente esotérico, Netuno, está fazendo ato de presença.


Netuno

Netuno é o Deus das Águas, e como tal é o senhor das emoções – sentimentos que transmite a tão necessária energia do VI Raio, a Devoção, aquele poder que nos dá a motivação de sermos ativamente amorosos. No corpo humano seu poder reside no plexo solar e a boa utilização de suas energias, por parte da consciência, oferece ao ser humano a capacidade de “andar sobre as águas”.

Na conquista do domínio das emoções o homem/mulher dá o primeiro passo para aprender a oferecer um serviço amoroso cada vez mais constante e dirigido pela Vontade.

Netuno, quando a personalidade está bem sob o domínio da Alma, pode ter uma relação direta com a intuição; a Devoção-Amorosa do VI Raio de Netuno é receptiva, por afinidade, ao 2º plano intuitivo de Sabedoria-Amorosa, daí que Júpiter, o representante do II Raio, esteja exaltado em Câncer. A “fluida emoção” netuniana é o fermento através do qual o princípio crístico sintetiza ou torna seu serviço concreto; uma intuição sempre é uma motivação real. Exemplos marcantes desta relação são os que manteve Jesus com Cristo, Arjuna com Krisna, ou os nobres Místicos com o Amado.

Vale dizer ainda que nos novos Tempos que “correm” há que ter também muito presentes os poderes mentais cósmicos (Urano) ou mentais concretos (Vênus), e há tempos que o processo evolutivo da humanidade demanda raciocínios novos e mais concretos sobre o que antigamente era chamado de “o mistério do amor divino”. Com o tempo, coração-mente, ou ciência-religião serão uma unidade.


A frase-chave:

Para uma consciência demasiado pessoal a frase é: “que o isolamento seja a regra e no entanto que a multidão exista”; para a Alma é: “construo uma casa iluminada e nela moro”.

Se comparamos as duas frases, sabendo que fazem referência a um signo de água, podemos pensar que a palavra-chave é apego. Na primeira, o excesso de apego gera o isolamento ou a necessidade de autodefesa e ao mesmo tempo dependência dos demais, sejam quem forem (multidão). Na primeira frase existe uma dualidade, na segunda esta desaparece, existe apenas a capacidade de estar só na consciência. O desapego oferece a solidão compreensiva, a independência, o discernimento correto, assim a “própria casa” pode ser construída e em sua Luz: um convite para compartilhar.


Raios:

Os livros esotéricos nos dizem que Câncer e Capricórnio são as duas portas que trazem as Almas à reencarnação, portanto nestes signos estão muito presentes a Organização Vital da matéria (VII Raio) para aplicação Prática e Inteligente (III Raio) às necessidades da consciência que reencarna.


O VI Raio de Devoção através de Netuno e o IV Raio de Harmonia no Conflito através da Lua oferecem neste signo as condições necessárias para que a Alma reencarnada compreenda o poder do plexo solar como ponto de ancoragem do psiquismo inferior e o mundo material. 


O cavalo é um dos grandes símbolos do VI Raio. A fidelidade é o seu grande dom.


David C.M. 



Fonte da Gravura e do Texto: Grupo Logos
http://logosastrologiaesotericaport.blogspot.com.br/2013/06/o-regente-esoterico-de-cancer.html

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A REFORMA ÍNTIMA

Quanto puderes, posterga a prática do mal até o momento que possas vencer essa força doentia que te empurra para o abismo.

Provocado pela perversidade, que campeia a solta, age em silêncio, mediante a oração que te resguarda na tranquilidade.

Espicaçado pelos desejos inferiores, que grassam, estimulados pela onde crescente do erotismo e da vulgaridade, gasta as tuas energias excedentes na atividade fraternal.

Empurrado para o campeonato da competição, na área da violência, estuga o passo e reflexiona, assumindo a postura da resistência passiva.

Desconsiderado nos anseios nobres do teu sentimento, cultiva a paciência e aguarda a bênção do tempo que tudo vence.

Acoimado pela injustiça ou sitiado pela calúnia, prossegue no compromisso abraçado, sem desânimo, confiando no valor do bem.

Aturdido pela compulsão do desforço cruel, considera o teu agressor como infeliz amigo que se compraz na perturbação.

Desestimulado no lar, e sensibilizado por outros afetos, renova a paisagem familiar e tenta salvar a construção moral doméstica abalada.

É muito fácil desistir do esforço nobre, comprazer-se por um momento, tornar-se igual aos demais, nas suas manifestações inferiores. Todavia, os estímulos e gozos de hoje, no campo das paixões desgovernadas, caracterizam-se pelo sabor dos temperos que se convertem em ácido e fel, a requeimarem por dentro, passados os primeiros momentos.

Ninguém foge aos desafios da vida, que são técnicas de avaliação moral para os candidatos à felicidade.

O homem revela sabedoria e prudência, no momento do exame, quando está convidado à demonstração das conquistas realizadas.

Parentes difíceis, amigos ingratos, companheiros inescrupulosos, co-idealistas insensíveis, conhecidos descuidados, não são acontecimentos fortuitos, no teu episódio reencarnacionista.

Cada um se movimenta, no mundo, no campo onde as possibilidades melhores estão colocadas para o seu crescimento. Nem sempre se recebe o que se merece. Antes, são propiciados os recursos para mais amplas e graves conquistas, que darão resultados mais valiosos.

Assim, aprende a controlar as tuas más inclinações e adia o teu momento infeliz.

Lograrás vencer a violência interior que te propele para o mal, se perseverares na luta.

Sempre que surja oportunidade, faze o bem, por mais insignificante que te pareça. Gera o momento de ser útil e aproveita-o.

Não aguardes pelas realizações retumbantes, nem te detenhas esperando as horas de glorificação.

Para quem está honestamente interessado na reforma íntima, cada instante lhe faculta conquistas que investe no futuro, lapidando-se e melhorando-se sem cansaço.

Toda ascensão exige esforço, adaptação e sacrifício.

Toda queda resulta em prejuízo, desencanto e recomeço.

Trabalha-te interiormente, vencendo limite e obstáculo, não considerando os terrenos vencidos, porém, fitando as paisagens ainda a percorrer.

A tua reforma íntima te concederá a paz por que anelas e a felicidade que desejas.


Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco




Fonte: da obra "Vigilância"
www.oespiritismo.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

FIQUE COM UM SENTIMENTO E VEJA O QUE ACONTECE

Você nunca fica com nenhum sentimento, puro e simples, mas sempre o rodeia com a parafernália das palavras. A palavra o distorce. O pensamento, rodopiando em torno dele, joga-o na sombra, domina-o com imensos medos e anseios. Você nunca fica com um sentimento e nada mais, com ódio, ou com esse estranho sentimento da beleza. Quando o sentimento de ódio surge, você diz como ele é ruim, há a compulsão, o esforço para superá-lo, a confusão do pensamento a respeito dele.Tente ficar com o sentimento de ódio, com o sentimento de inveja, ciúme, com o veneno da ambição; pois afinal, é isso que você tem na vida cotidiana, embora você possa querer viver com amor, ou com a palavra amor. Desde que você tem o sentimento de ódio, de querer ferir alguém com uma atitude ou com uma palavra veemente, veja se você pode ficar com esse sentimento, Pode? Já tentou? Tente ficar com um sentimento e veja o que acontece. Você achará tremendamente difícil. Sua mente não deixará o sentimento sozinho, ela chega correndo com suas lembranças, suas associações, seu fazer e não fazer, seu eterno tagarelar. Pegue um pedaço de concha. Você pode olhar para ele, se maravilhar com sua delicada beleza, sem dizer como ele é belo, ou qual animal o fez? Você pode olhar sem o movimento da mente? Pode você viver com o sentimento por trás da palavra, sem o sentimento que a palavra construiu? Se puder, você descobrirá uma coisa extraordinária, um movimento fora da medida do tempo, uma primavera que não conhece verão.



J. Krishnamurti 



Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NÃO NOMEIE UM SENTIMENTO

O que acontece quando você não nomeia? Você olha para uma emoção, para uma sensação mais diretamente e, portanto, tem uma relação totalmente diferente com ela, exatamente como tem com uma flor quando não a nomeia. Você é forçado a olhar para ela de novo. Quando você não dá nome a um grupo de pessoas, você é levado a olhar o rosto de cada indivíduo e não tratá-los todos como uma massa. Então você fica muito mais alerta, muito mais observador, mais compreensivo, tem um sentido mais profundo de piedade, amor; mas se você os trata a todos como uma massa, está acabado. Se você não rotula, tem que considerar cada sentimento quando ele surge. Quando você rotula, o sentimento é diferente do rótulo? Ou o rótulo desperta o sentimento? Se eu não dou nome a um sentimento, que é dizer se o pensamento não está funcionando simplesmente devido a palavras ou se eu não penso em termos de palavras, imagens, ou símbolos, o que a maioria de nós faz, então o que acontece? Certamente então a mente não é simplesmente o observador. Quando a mente não está pensando em termos de palavras, símbolos, imagens, não existe pensador separado do pensamento, que é a palavra. Então a mente está quieta, não está? – não se faz quieta, está quieta. Quando a mente está realmente quieta, então os sentimentos que surgem podem ser tratados imediatamente. Só quando damos nomes aos sentimentos e, portanto, os reforçamos é que os sentimentos têm continuidade; eles ficam armazenados no centro, de onde fornecemos mais rótulos, seja para reforçar ou comunicá-los.



J. Krishnarmurti



Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

REABILITAÇÃO PSICOLÓGICA


Em todos os acontecimentos encontramos alguma razão psicológica, consciente ou inconsciente. Isto está implícito e é inerente aos indivíduos, aos grupos e às nações. Basta uma pequena observação para assim o constatarmos nas atividades das religiões, tradições, culturas, comportamentos, aspirações, nacionalismos e tantas outras atividades do nosso cotidiano.

O grande problema, e que torna as razões psicológicas tendenciosas, conflitivas e egoístas, é a carência evolutiva que ainda permeia grande parcela da humanidade. A falta de evolução e visão trás à tona todas as “razões” e “tradições” de consequências perversas, em nível individual e coletivo.

Mas na própria problemática está embutida a busca de soluções. Assim, em meio às crises,  percebe-se uma crescente tomada de consciência da necessidade de uma revalorização, de uma nova avaliação e renovação filosófica, jurídica, política, religiosa e social menos parcial e mais abrangente. A evolução tem seus mecanismos de defesa para que o caos seja apenas corretivo e não a lei imperante.

Procurando-se ter uma visão mais espiritual do problema, cabe enfatizar a importância da alma como componente fundamental no processo de reabilitação. Alma que atua em um plano mais elevado, além do plano e visão da personalidade encarnada neste mundo. Sempre nos foi dito que devemos buscar as respostas e soluções no íntimo, na alma/espírito, no ser interior. Conhecer-se a si mesmo.

Vemos, portanto, que somente aquilo que é construído numa profundidade capaz de alcançar a essência espiritual do ser humano, a alma com suas respostas e intuições, poderá sobreviver e ser reabilitado, porque será erguido na dimensão da eternidade, mesmo que a ação e seus objetivos estejam inseridos no tempo e no espaço, ou seja, no plano de manifestação.

Devemos saber e ter uma habilidade de agir no tempo e no espaço, mas sempre investindo na eternidade, nos valores perenes, para que as ações não sejam destinadas ao fracasso de uma existência puramente fenomênica, ilusória e impermanente. Porque toda construção ou ação que se afasta do objetivo essencial ou do Plano Divino dá lugar a objetivos ilusórios e transitórios, normalmente calcados em interesses e personalismos humanos, filhos do orgulho, presunção e egoísmo.

É essencial uma pausa e uma reflexão constantes em nossa caminhada para que analisemos possíveis novos rumos a seguir. Observar como devem ser e os reais motivos de nossas propostas de ação e de serviço. E, de suma importância, devemos fazer o hercúleo esforço para que nos tornemos mais livres, gradativamente, das preferências geradas pelo personalismo tão cultuado pelo ser humano.

Urge que nossa visão e proposta de mundo sejam globais. Os estudos dos problemas humanos devem também ser ampliados e globalizados para que as respostas, propostas e possíveis soluções sejam válidas e aplicáveis no mundo que evolui e exige novas realidades, enfoques e soluções. Aumentar a abrangência dos estudos e reflexão proporciona ao homem uma percepção mais clara da integração psicológica e social e evita o aprisionamento nas partes e nas consequentes separatividades.

É momento de abandonarmos os ressentimentos e desconfianças. É hora de não somente nos enfocarmos nas diferenças externas. Não existem divisões entre luz e trevas, mas tão somente seres que caminham no mesmo planeta, e em todo o cosmos, em graus de consciência, despertamento, evolução e compreensões diferentes. Tudo evolui e não podemos permanecer estagnados em diferenciações e propostas que talvez já não sirvam mais a um propósito ou às necessidades atuais. Tradições são importantes, mas nosso objetivo maior não é ficar atrelado a elas, pois isso causa estagnação, presunção e fanatismo. Elas nos auxiliam porém, principalmente, nos indicam o caminho a seguir e não uma parada final.

A educação, em especial, deve seguir novas buscas, novos rumos e visão, pois é uma maneira de desenvolver uma atitude psicológica correta, levando os educandos a uma correta opinião pública, dentro do possível, sem as influências tendenciosas e intenções não corretas. A reabilitação psicológica reclama e requer os valores da cooperação. E uma educação que somente ensina a competir e não a cooperar está fadada ao fracasso. A verdadeira educação desperta a cidadania e esta, por sua vez, leva a uma reabilitação psicológica.

Um ideal, realmente maior, faz com que cada ser humano, cada grupo ou nação transcenda sua visão míope e fragmentada, suas pretensões e presunções egoístas e de auto-afirmação. O progresso e a felicidade das massas só podem ser conseguidos pela melhoria dos indivíduos, melhoria esta livremente aceite e compreendida, fruto da evolução  sócio-psico-espiritual e educação corretamente orientada. A educação é a condição “sine qua non” do progresso e da evolução, entretanto tem sido desvirtuada e falsificada por interesses diversos. Agora é necessário, e tendo-se em vista a reabilitação psicológica, desnacionalizá-la e usá-la no seu verdadeiro sentido que nada tem a ver com, simplesmente, informação ou instrução que na grande maioria das vezes tem sido perigosa, inútil, fútil e subordinada ao egoísmo, presunção e interesses de mentes alucinadas.

Com o passar dos tempos e com o avanço científico, o mundo cada vez se torna “menor”, obrigando os povos a se tonarem uma comunidade. Isto é um desafio para cada um e para todos os grupos e nações. E para enfrentar tal desafio o sentido de responsabilidade universal deverá ser a meta de todos; é uma questão, no mínimo, de sobrevivência. Todos os ramos do conhecimento e atividades humanas deverão rever seus conceitos e preconceitos e entrar num novo ritmo.

A reabilitação psicológica depende de cada um dos seres humanos, dos grupos e nações. Depende da atenção dada ao que acontece no mundo, depende da boa vontade daqueles que despertam para um novo mundo. Depende da atuação prática dos que se sentem tocados pelos novos paradigmas de uma nova ordem mundial. Depende do abandonar o “homem velho” e vestir-se do “homem novo”. Depende da cooperação como caminho, do novo enfoque da educação, do relacionamento do homem para com a natureza, das relações internacionais, da liberdade e do cultivo das qualidades humanas positivas e baseadas na sua essência interior, na alma, na voz divina interna que está sempre pronta ao auxílio. Depende do equilíbrio do coração-mente tendo em vista o espírito e o verdadeiro sentido da vida. Do contrário, trilharemos o caminho da fuga na ilusão, aprisionados num passado que não existe mais e num abstrato futuro, deixando fugir o presente, este onde se situam as melhores ferramentas para qualquer crescimento e soluções.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)



Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O PODER QUE VOCÊ TEM

Geralmente pensamos que, por sermos um só, as boas coisas que realizamos não podem fazer tanta diferença no mundo. Também usamos essa desculpa para justificar nossos momentos não tão bons. O conceito de que uma pessoa pode causar grande impacto no mundo soa bem, mas pode ser difícil de captar.

Para entender em um nível mais prático, podemos olhar através da história para dois tipos de pessoas. Existem as pessoas que rotulamos como “os caras maus”: Adolf Hitler, Joseph Stalin, Osama Bin Laden. E existem as pessoas que chamamos de “os caras bons”: Madre Teresa, Martin Luther King, Jesus Cristo. Existem apenas alguns poucos exemplos.

Olhando para essas duas listas, não deve haver dúvidas de que uma pessoa possui dentro de si o poder de influenciar bilhões de outras.

Ainda por cima, não importa em que lista estejam, são iguais em seu desejo de afetar as vidas de incontáveis pessoas. A diferença entre elas é que um grupo foi abastecido por desejos egoístas, enquanto o outro foi impulsionado por um incansável desejo de compartilhar. 

A verdade é que todos nós possuímos o poder de afetar o mundo – e saibamos ou não, já o fazemos. A ciência tem provado o que os kabalistas escreveram há aproximadamente centenas de anos: não existem pequenas ações. Tudo que fazemos possui uma energia inteligente que produz inúmeros efeitos em cascata. 

Com esse conhecimento, podemos compreender que não precisamos ser Madre Teresa para que nossas ações criem uma vasta mudança no mundo e também podemos perceber a dimensão da grande responsabilidade que temos uns com os outros.

É muito importante saber que você não só pode, mas realmente faz a diferença.

Quando entendemos quanta influência nossas ações realmente carregam, podemos enxergar a necessidade de transformar nossos desejos egoístas em desejos de compartilhar e, ao fazê-lo, nos tornamos um dos “caras bons”, comprometidos em criar um mundo melhor.



Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 19 de junho de 2013

COMPREENDER PALAVRAS

Eu não sei se você pensou ou investigou todo este processo de verbalizar, dar um nome. Se o fez, é realmente uma coisa espantosa e uma coisa muito estimulante e interessante. Quando damos um nome para alguma coisa que experimentamos, vemos ou sentimos, a palavra se torna extraordinariamente significativa, e palavra é tempo. Tempo é espaço, e a palavra é o centro disto. Todo pensamento é verbalização, você pensa em palavras. E pode a mente se libertar das palavras? Não diga “Como vou me libertar?”, isso nada significa. Mas faça essa pergunta para si mesmo e veja quanto você está escravizado a palavras como Índia, Gita, comunismo, cristão, russo, americano, inglês, a casta abaixo da sua e a casta acima. A palavra amor, a palavra Deus, a palavra meditação; que extraordinária significação nós demos a estas palavras e como estamos escravizados a elas.



J. Krishnamurti 



Fonte: "The Book of Life"
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CONVITE À FELICIDADE

"O meu reino não é deste mundo." (João 18,36)

Desnecessária a fortuna a fim de frui-la.

Secundária a juventude de modo a gozá-la.

Dispensável o poder para experimentá-la.

A felicidade independe dos valores externos, sempre transitórios, sem maior significação, além daquela que se lhes atribuem

Quando na velhice, o homem repassa as evocações, os sucessos e lamenta a juventude vencida.

Na enfermidade, considera os tesouros da saúde e sofre-lhe a ausência.

Diante da constrição da pobreza lembra as dádivas das moedas e experimenta amargura por não as possuir.

Sob condições de dependência, padece não ser forte no mundo dos negócios ou da política, deixando-se afligir desnecessariamente.

Acicatado por problemas morais, angustia-se ao verificar o júbilo alheio daqueles que transitam guindados a situações de destaque ou exibindo sorrisos de tranquilidade.

Isto por ignorar o testemunho de aflição que cada um deve doar no panorama da evolução inadiável, de que ninguém se pode eximir.

Felicidade é construção demorada, que se realiza interiormente a tributo de laboriosa ação sacrificial.

Sem características externas, a seu turno, quando invade o ser, exterioriza-se qual luz brilhante aprisionada em redoma de delicado cristal...

Mesmo quando o homem consegue adicionar a juventude, o poder, a fortuna e a saúde aparente a felicidade não está implicitamente com ele.

Por essa razão, lecionou Jesus que o Seu Reino não é deste mundo, como a corroborar que a felicidade não pode ser encontrada na Terra, por ser ainda o Orbe o domicílio expiatório e de provações onde todos forjamos a felicidade real, que virá só futuramente.

Realiza o teu quinhão de dever com devotamento e faze sempre o melhor a fim de que o aplauso da consciência tranquila te conduza ao pórtico da felicidade real.

Não te exasperes face à desdita aparente. Nem te apegues ao júbilo momentâneo também ilusório.

De tudo e todos os estados retira o proveito da aprendizagem e, assim fazendo, a pouco e pouco perceberás que a felicidade é conseqüência da auto-iluminação libertadora, como decorrência do amor exercido em plenitude fraternal.


Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis



Fonte: "Convites da Vida", Ed. LEAL. Cap. 23
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A CRISE COMO REAJUSTE

“Eu dormia e sonhava que a vida era alegria. Acordei e vi que a vida era serviço. Servi e descobri que o serviço é alegria.” (Rabindranath Tagore)

O acordar-se é sempre rebelde, difícil e doloroso. Por isso podemos relacioná-lo com as diversas crises humanas. Caracteriza-se por ser um verdadeiro choque contra a inércia. Abala-se a vida rotineira, e a personalidade humana entra em crise por estar cristalizada nas mesmices, futilidades e aspectos ilusórios do cotidiano. É “a prisão de cada um”, como bem o disse o psicanalista Dr. Paulo Rebelato.

A Revelação Divina, ou o Plano Divino, vai-nos demostrando, aos poucos, a situação mundial, a nossa própria situação existencial e a nossa relação e interação com o Plano. Isto gera uma interação que, no início, é inconsciente, mas que vai atuando e calando em nosso interior. Posteriormente, e com o amadurecimento evolutivo, os primeiros obstáculos vão surgindo e as crises se instalam a partir da progressiva conscientização e paralela rebeldia do eu inferior (personalidade).

Sabe-se, conforme a psicanálise integral do Dr. Norberto Keppe, que a presunção (teo mania) causa a  tentativa neurótica da inversão dos papéis Criador-criatura, macrocosmo-microcosmo, gerando assim, as vãs tentativas patológicas de luta, fuga, recusa, ódio, rejeição, negação, omissão, agressão, alteração, projeção, racionalização, fantasia etc. Tudo isto para tentar disfarçar ou inconscientizar o superior, o macrocosmo, o natural, a verdade, o bem, o belo e a realidade. Assim, o ser humano custa aceitar sua condição de “pequeno”, de “cegueira”. É o eu inferior, a personalidade humana não aceitando, por presunção e ignorância, que haja algo maior nele mesmo, o eu superior, a alma, o espírito. Portanto, o homem não sofre de doenças, mas de atitudes doentias que o levam à crises  por confronto com a Luz Divina que poderosamente passa a atuar em seu ser.

As crises do mundo e as crises pessoais estão relacionadas entre si, e cada uma impulsiona e desencadeia a outra. Mas, em meio a isso, a Vontade Divina se faz “ouvir” em todos os lugares. E este “ouvir” nos intui saber que cada um de nós possui uma certa medida e dose de capacidade de auxílio aos problemas do mundo e de necessidade de crescimento. E isto está relacionado com a percepção interior, com o contato interior, com a luz da alma que é o ponto divino em cada um, e que está sempre disposto a nos fazer verdadeiros servidores e buscadores de patamares mais altos na escala evolutiva. Neste ritmo, os significados do que ocorre no mundo, na humanidade e em nós mesmos, são percebidos sob a luz da intuição, sob a luz da alma.

A crise de reajuste é como o nosso diário acordar, o despertar lento do sono e confuso, não obstante seja o que nos afina, calibra e nos impulsiona como verdadeiros seres. É difícil e doloroso, porém gratificante e prazeroso, mesmo que em nossa civilização ainda não o pareça, e que adotemos diante dos problemas da humanidade uma indiferença cúmplice.

Muita força, coragem e senso de responsabilidade nos é necessário para vencermos essa indiferença e indisposição ao verdadeiro crescimento além das nossas ilusões. É preciso confrontar um senso comum embrutecido e anestesiado nosso e do mundo. E muita luz intuitiva do nosso ser interior é exigido para que se esclareça, aos poucos, a nossa real situação e a situação mundial. Essa Presença Divina em nós, a alma, o Deus de nossos corações, é o que ou quem nos dá o suporte para avançarmos.

Com o passar do tempo, e por experiência, observamos que a situação mundial e a nossa situação pessoal, à luz dos acontecimentos vivenciados, erros e acertos, estarão requerendo uma sintonia melhor com a vida inclusiva e total. A experiência desastrosa dos apegos, da busca de aprovação e simpatia para o (auto)engrandecimento pessoal, ou de grupos, está demonstrando que o caminho da humanidade precisa ser reavaliado.

O trabalho de conscientização e de reavaliação deve ser tanto em direção à consciência da patologia quanto em direção à consciência da verdade (uma dialética), conseguido através da interiorização.

Vê-se, então, que o problema em si não é a consciência (ou a inconsciência). Tudo é uma questão de atitudes, de maneiras de tratar a realidade, de aceitação, de humildade, pois a realidade permanente  continua sempre existindo independente do reconhecimento ou não do homem. Teimamos em ver a consciência da realidade como a causadora de sofrimento e não a nossa resistência em não vê-la.

As crises são verdadeiramente laboratórios de onde saem as nossas melhores e permanentes experiências. Experiências que são repletas de intuição e força para percepção das condições pessoais, grupais e planetárias, bem como suas possíveis soluções. É a bendita “dor” que nos torna “obreiros do Reino”, fiéis servidores do Plano Divino.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 18 de junho de 2013

A PSICOLOGIA E A CONSCIÊNCIA GRUPAL NO ENFOQUE ESOTÉRICO

Sendo o esoterismo a ciência da alma das coisas e dos acontecimentos, ou a ciência das essências, pode-se dizer que é um conhecimento que põe ênfase no mundo das energias, ou seja, reconhece que por detrás dos acontecimentos, do mundo dos fenômenos, existe o mundo das energias, das essências.

Uma das definições mais inadequadas de esoterismo é a de que ele diz respeito ao escondido e oculto, ou que envolve uma organização, ou algo que não se tem acesso, ou ainda artes mágicas e rituais ocultos. Ele, na verdade, só está oculto para aqueles que não possuem condições evolutivas e éticas de penetrá-lo.

O estudo esotérico quando unido à vivência esotérica revela, a seu tempo, o mundo do propósito e verdadeiro, levando finalmente ao mundo dos significados. O esoterista começa esforçando-se para descobrir a razão das coisas; concentra-se nos problemas dos acontecimentos, eventos, crises e circunstâncias a fim de chegar a compreender o propósito que possam conter para ele. Quando chega alcançar a significação de algum problema específico, usa-o como um convite para penetrar mais profundamente no recém revelado mundo dos significados; aprende, então, a lidar, a incorporar seus pequenos problemas pessoais aos problemas do todo maior. Descobre assim, o mundo dos significados espalhado como uma intrincada rede em todas as atividades e em cada aspecto do mundo fenomenológico.

O esoterismo é, em realidade, o treinamento na habilidade de funcionar livremente no mundo dos significados. Isto envolve uma vida em sintonia com as realidades subjetivas internas.

O esoterismo envolve autoconhecimento e educação no sentido de que aprender é recordar-se. Autoconhecimento é auto recordação.

A psicologia dentro do enfoque cooperativo e com consciência grupal nasce dentro desta visão ou ciência das essências. Pois parte do princípio da unidade fundamental da essência e da unidade das coisas.

A consciência grupal ou consciência da cooperação visa a harmonia do todo, sem competições. Leva a uma ótica verdadeiramente democrática (de todos, pelo todo e para o todo) e psicológica no sentido de uma visão sintética, esotérica e da unidade ou harmonia de tudo o que existe. Consequentemente, leva os homens a um senso de responsabilidade global em todos os sentidos.

Uma nova ordem mundial, sintética, abrangente e global só poderá nascer (e está nascendo atualmente) a partir de uma psicologia cooperativa e de uma consciência grupal, buscando-se no verdadeiro sentido do esoterismo (a ciência das essências) sua inspiração.

A competição, o personalismo, o nacionalismo e tantas outras barreiras já demonstraram sua ineficácia e danos, quer ao indivíduo, quer à sociedade, quer ao planeta.

Portanto, qualquer atividade com uma concepção psicológica esotérica, espiritual, cooperativa e fraterna, superará todos os problemas e desafios com muito mais facilidade. 

Advirá assim, sem dúvida, não só o tão almejado crescimento interior e reforma íntima, porém ainda o crescimento limpo, justo e honesto no campo social, político e econômico.





Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 17 de junho de 2013

MÉTODO SÁBIO E JUSTO

Você consegue imaginar outro método mais justo e sábio de nos fazer despertar, de nossos equívocos e muitas vezes insano comportamento, senão o de nos surpreendermos com os efeitos de nossas próprias escolhas?

Eis porque a expressão pedagogia é muito bem aplicada quando se refere ao modo como a vida encaminha a cada um de nós nos aprendizados necessários, porquanto em sua raiz grega original, pedagogo é o condutor de crianças.

Concorda o leitor o quanto ainda somos crianças? Sim, crianças no entendimento, nas fragilidades, nos equívocos. Quem de nós poderá erguer a própria voz e eleger o próprio comportamento e decisões com a segurança da sabedoria?

Não! Somos ainda aprendizes. Na infância, adolescência e mocidade ainda inseguros, vivendo os desafios da autoafirmação. Na madureza, quando a experiência começa a mostrar caminhos, muitos de nós nos perdemos na fragilidade da suposta auto competência; quando a madureza vai caminhando para a velhice, apesar da experiência acumulada, a fragilidade se acentua.

Seres humanos o que somos sujeitos aos equívocos próprios de nossa condição, necessitados todos do aprimoramento próprio e dos aprendizados da convivência.

Nada mais sábio e justo, portanto, do que o método utilizado pela vida, para não dizer por Deus, para nos ensinar a viver: nossas escolhas geram efeitos que vão nos surpreendendo gradativamente.

Somos responsáveis pelo que pensamos, sentimos, fazemos... Não temos de reclamar de ninguém, pois somos os próprios geradores de nossos infortúnios ou das alegrias que possamos colher.

São das consequências de nossas decisões e escolhas que colhemos a experiência do aprendizado.

Podemos mesmo reclamar da situação que nos encontramos? Podemos realmente culpar alguém pelo que nos aconteceu?

Antes de acusar ou reclamar, passemos em revista os próprios atos do passado. Voltemos, passo a passo, nos rumos que escolhemos. Avaliemos, friamente, as decisões, posturas e mesmo as intenções e vontades. E vamos nos surpreender com a realidade de que o que estamos colhendo hoje é fruto de nós mesmos!

Equívocos, paixões, acertos e desacertos, escolhas, inseguranças, omissões, iniciativas, medos, ousadia ou acomodação fazem parte desse processo de aprendizado que devolve a cada um o resultado das próprias ações e escolhas.

Nada mais justo. Nada mais sábio. Um autêntico método de aprendizado.



Nota do autor: inspirado em reflexões do livro "Despedindo-se da Terra", de Lúcius/André Luiz Ruiz, edição IDE.



Orson Peter Carrara



Fonte: www.adde.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A COMPAIXÃO ESTÁ ALÉM DAS REGRAS

Agora, a história zen.

Num dia de inverno, um samurai sem mestre foi ao templo de Eisai e fez um apelo:

Sou pobre e doente - disse - e minha família está morrendo de fome. Por favor, ajude-nos, mestre.

Dependente como era de doações de viúvas, Eisai levava uma vida muito austera e nada tinha para dar.

Ia mandar o samurai embora quando se lembrou da imagem do Buda Yakushi no saguão. Subiu até ela, arrancou-lhe o halo e o deu ao samurai.

Venda isso - disse Eisai. - Deve aliviar seus problemas.

O perplexo porém desesperado samurai pegou o halo e saiu.

Mestre! - gritou um dos discípulos de Eisai. - Isso é sacrilégio! Como o senhor pôde fazer tal coisa?

Sacrilégio? Bah! Simplesmente fiz bom uso, por assim dizer, da mente do Buda, que é plena de amor e misericórdia. Na verdade, se ele próprio tivesse ouvido aquele pobre samurai, teria cortado um braço ou uma perna por ele.

Uma história muito simples, porém muito significativa. Primei­ro, mesmo que você nada tenha para dar, olhe de novo. Sempre en­contrará algo. Mesmo que nada tenha, sempre poderá encontrar algo. Se não puder dar nada, pelo menos pode sorrir; se não puder dar nada, pelo menos pode se sentar com a pessoa e segurar-lhe a mão. Não se trata de doar algo, trata-se de se doar.

Eisai era um monge pobre, como geralmente são os monges bu­distas. Sua vida era muito austera e ele não tinha nada para dar. Nor­malmente, é um absoluto sacrilégio tirar o halo da estátua do Buda e dá-lo a alguém. Nenhuma pessoa que se diz religiosa pensaria nisso. Somente alguém realmente religioso o faria — é por isso que digo que a compaixão não conhece regras, está além das regras. E selvagem. Não segue formalidades.

De repente, o mestre se lembrou da imagem do Buda no saguão. No Japão, na China, eles colocam um halo de ouro em volta da ca­beça do Buda, só para representar a aura. De repente o mestre se lem­brou - ele devia venerar a mesma estátua todos os dias.

Subiu até ela, arrancou-lhe o halo e o deu ao samurai.

Venda isso - disse Eisai. - Deve aliviar seus problemas.

O perplexo porém desesperado samurai pegou o halo e saiu. 

O próprio samurai ficou surpreso. Não esperava aquilo. Até ele de­ve ter achado sacrilégio. Que tipo de homem era aquele? Era um se­guidor de Buda e destruiu a estátua. O mero toque na estátua é um sacrilégio, e ele arrancou o halo.

Essa é a diferença entre uma pessoa realmente religiosa e uma que se diz religiosa. Aquela que se diz religiosa sempre observa as regras, sempre pensa no que é apropriado e no que não é. Mas a pessoa ver­dadeiramente religiosa vive. Não há nada apropriado ou inapropriado para ela. A compaixão é tão infinitamente apropriada que tudo que ela fizer por compaixão se torna automaticamente apropriado.

Mestre! - gritou um dos discípulos de Eisai. - Isso é sacrilégio! Como o senhor pôde fazer tal coisa?

Até um discípulo sabe que isso não é certo. Algo impróprio foi feito. 

Sacrilégio? Bah! Simplesmente fiz bom uso, por assim dizer, da mente do Buda, que é plena de amor e misericórdia. Na verdade, se ele próprio tivesse ouvido aquele pobre samurai, teria cortado um braço ou uma perna por ele.

Compreender é diferente de apenas seguir. Quando você segue, torna-se quase cego; há regras que devem ser respeitadas. Se você com­preende, também segue, mas já não é cego. Cada momento é que de­cide; a cada momento sua consciência responde, e tudo que você fi­zer estará certo.


Osho, em "A Música Mais Antiga do Universo"



Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

REGRAS PARA SER HUMANO

Quando você nasceu, não veio com manual do proprietário. Essas dicas fazem a vida funcionar melhor:

Você vai receber um corpo.

Pode amá-lo ou detestá-lo, mas é a única coisa que você com certeza possuirá até o fim da sua vida.

Você vai aprender lições.

Ao nascermos, somos imediatamente inscritos numa escola informal chamada "Vida no Planeta Terra". Todas as pessoas e acontecimentos são "professores universais".

Não existem erros, apenas lições.

Crescimento é um processo de experimentação, no qual as "falhas" são tão parte do processo quanto os "sucessos".

Uma lição é repetida até que seja aprendida.

Será apresentada a você em várias formas, até que você enfim entenda. Poderá, então, passar para a próxima lição.

Se não aprender as lições fáceis, elas se tornam difíceis.

Problemas externos são o preciso reflexo do seu estado interior. Quando você limpa obstruções, seu mundo exterior muda. A dor é o jeito do universo chamar a sua atenção.

Você saberá quando aprendeu uma lição quando suas ações mudarem.

Sabedoria é prática. Um pouco de alguma coisa é melhor do que muito de nada.

"Lá" não é melhor do que "aqui".

Quando "lá" se torna "aqui", você vai simplesmente arranjar outro "lá", que de novo parecerá melhor que "aqui".

Os outros são meros espelhos de você.

Você não pode amar ou odiar alguma coisa sobre o outro a menos que reflita algo que você ama ou odeia em você mesmo.

Sua vida, só você decide.

A vida dá a tela, você faz a pintura. Escolha as cores e pegue os pincéis. Tome para você o comando de sua vida ou alguém o fará.

Você sempre consegue o que quer.

Seu subconsciente determina quais energias, experiências e pessoas você atrai. Assim, o único jeito certeiro de saber o que você quer é ver o que você tem. Não existem vítimas, apenas estudantes.

Não existe certo ou errado, mas existem consequências.

Dar lição de moral não ajuda. Julgar também não. Apenas faça o melhor que puder.

Suas respostas estão dentro de você.

Crianças precisam de direção dos outros. Quando amadurecemos, confiamos em nossos corações, onde as leis universais estão escritas. Você sabe mais do que ouviu ou aprendeu. Tudo que você precisa é olhar, prestar atenção, e confiar.

Você vai esquecer tudo isso.

Mas pode lembrar sempre que quiser.



Chérie Carter-Scott



Fonte: Grupo "Mensagens Diárias" no Google
http://mensagensdiarias.com.br/regras-para-ser-humano/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal