sexta-feira, 11 de março de 2022

SOBRE A QUEDA DE ADÃO


Eis algumas noções do ensinamento tradicional.

Iniciados por um móbil interior sobre cuja natureza intrínseca devemos silenciar aqui, móbil que Moisés denomina NAHASH* e que definiremos, se quiseres, como sendo a sede egoísta da existência individual, um grande número de Verbos fragmentários, consciências potenciais vagamente despertadas em forma de emanação no seio do Verbo Absoluto, separou-se deste Verbo que o continha. Essa consciências potenciais se destacaram - ínfimos submúltiplos - da Unidade-mãe que os havia criado. Simples raio deste sol oculto, dardejaram infinitamente nas trevas sua individualidade nascente, individualidade que desejavam ver independente de todo princípio anterior.

Em suma, almejavam autonomia. Contudo, como o raio luminoso goza apenas de uma existência relativa, com relação ao lume que lhe deu origem, esses Verbos (consciências potenciais), igualmente relativos, despojados de principio divino e de luz própria obscureceram-se na medida em que se distanciaram do Verbo absoluto.

Eles se precipitaram na matéria, falácia (ilusão) da substância em delírio de objetividade; na matéria, que é, para o Não-Ser, aquilo que o Espirito é para o Ser. Desceram até a existência elementar: até a animalidade, até o vegetal, até o mineral... Assim nasceu a matéria, que foi logo elaborada pelo espírito, e o Universo concreto tomou um caminho ascendente que remonta da pedra, apta à cristalização, até o homem, suscetível de pensar, orar, aprovar o inteligível e se devotar a seu semelhante. A Evolução é a Redenção Universal do Espirito. Evoluindo, o Espírito reascende. 

Todavia, antes de reascender, o Espírito decaíra. É o que chamamos de involução. Como o submúltiplo verbal se deteve em determinado ponto de sua queda? Que Forças permitiram que retrocedesse? Como a Consciência adormecida de sua divindade coletiva pode, enfim, despertar nele sob a forma ainda bastante imperfeita da sociabilidade?

Há tantos mistérios profundos, que não poderíamos abordá-los aqui. Se a Providencia estiver contigo, conseguirás compreendê-los...


* nachash (em hebraico, נחש); literalmente = serpente (Nota deste blog)


Stanislas de Guaita



Fonte: Hermanubis Martinista
Website independente de filosofia tradicional Martinista e Martinezista
www.hermanubis.com.br/Artigos/BR/AARBR08Oadaouniversal.htm
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/ad%c3%a3o-e-eva-janela-da-igreja-igreja-798376/

O ADÃO UNIVERSAL


O universal Adão, desintegrando-se, rolou até os confins; precipitou-se na cloaca da substância diferenciada, produzida por sua própria queda; disseminou-se, inexaurivelmente, semeando em profusão almas de vida cada vez menos inteligentes, cada vez menos morais e conscientes, até nas formas mais humildes da existência e do devir. Mas isso não é tudo. Uma vez dividido ao infinito, seu destino quer que ele se reconstitua em sua unidade ontológica*; depois de ele ter descido, seu destino quer que ele ascenda, que ele evolua depois de ter involuído.

Não abordaremos o problema - tão perturbador em sua profundidade oculta - das redenções mineral, vegetal e animal: esse mistério jamais será totalmente desvendado. Digamos uma só palavra: escutai, vós todos que sabeis compreender o espírito de um arcano sob o véu de uma imagem grosseira e material. Diremos apenas uma palavra. Se a alma espiritual está totalmente obscurecida na pedra, termo último ou, diríamos, resultado ínfimo da involução, como a Consciência pode despertar pouco a pouco, na evolução das formas progressivas através dos reinos mineral, vegetal e animal? Que "Deus ex machina"** vem, então, em sua ajuda? Em uma palavra, como a Consciência vai desembaraçar-se da inconsciência absoluta à medida que evolui? Nós vos perguntamos se a Eterna Sabedoria não colocou um fim à decadência de Adão e limitou, pela interposição de uma barreira intransponível, sua descida aos infernos do não ser? Essa muralha providencial chama-se Matéria. Uma vez possuído inteiramente por ela, o espírito não pode descer mais.

O próprio Deus lhe diz: Tu não irás mais longe. Como um metal em fusão, quando entra em ebulição longe do ponto central, congela-se repentinamente, prisioneiro de sua própria natureza, que é endurecer no frio; assim, a alma espiritual, distanciada de sua fonte divina, compacta-se e objetiva-se: tal é a origem da matéria, espécie de meio termo, pacto entre o ser e o não-ser; agregação passiva que o espírito pode penetrar e elaborar, mas não ultrapassar! Debilitado na sua queda, o espírito choca-se contra esse obstáculo invencível e deve, necessariamente, ricochetear daí esse movimento redentor: a evolução recorrente! A própria impulsão da queda adâmica determina a reascensão. A lei da Reação proporcional interveio. Para sempre incompatível com o Nada, onde ela está prestes a soçobrar***, a alma espiritual decaída encontra nas profundezas de sua natureza oculta, um princípio ocasional que a freia bruscamente e que a projeta de volta. A involução choca-se contra seu termo irrecusável, fatal ou providencial. O movimento adquirido não poderá aniquilar-se ou se perder... Ele se torna repercussivo e retrógrado. A decadência involutiva é sustada; a própria força das coisas necessita de uma reação: a Evolução redentora nasceu.

Porém, tomando o ser adâmico nos dois terços de sua viagem de retorno, enquanto ele, já parcialmente livre dos estreitos e despóticos entraves com que a natureza física o sobrecarregou, pode evoluir até a condição de homem.

Permitimo-nos examinar, em linhas gerais, seu retorno à sua síntese verbal, o Adão celeste.


Notas deste blog:
* Unidade do Ser, da existência.
** Solução de um problema; solução inesperada. (literalmente: "Deus surgido da máquina)
*** Decair, afundar, tombar.



Stanislas de Guaita




Fonte: Hermanubis Martinista
Website independente de filosofia tradicional Martinista e Martinezista
www.hermanubis.com.br/Artigos/BR/AARBR08Oadaouniversal.htm
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A PÁTRIA DO SILÊNCIO


A pátria do silêncio, o lugar do silêncio, não é um lugar geográfico, não é um vale, nem um deserto, nem uma floresta, nem uma montanha: é seu coração.

O silêncio não existe por si mesmo, só existe se o seu coração estiver em silêncio.

Por isso não vamos gastar energia controlando, guardando o silêncio, nem com reclamações nem com resistência.

Todo esforço deve ser para entrar em nossos corações.

Se você não aceita esse ritmo, essa atmosfera calma, é melhor se despedir e procurar outro clima.

Um silêncio vigiado e imposto não é mais silêncio.

O silêncio de cada um é descanso para todos.

O ruído não é bom, danifica, desalinha.

O bem não se nota, não faz barulho.



Pe. Moratiel




Fonte: do livro «La oración del silencio»
Via: Blog El Santo Nome
https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/p%c3%b4r-do-sol-origem-resumo-ondas-2754909/

O TRABALHO COM OS ESPÍRITOS DA NATUREZA


Da Terra ao sol e para além dele, todo o espaço é habitado por criaturas. Os quatro elementos, a terra, a água, o ar e o fogo, são habitados. Essas criaturas são mencionadas nas tradições de todo o mundo. Talvez elas não se apresentem tal como foram descritas por cada religião ou cada cultura, mas existem, e nós podemos entrar em comunicação com elas e fazê-las participar no nosso trabalho para a vinda do Reino de Deus.

Quando caminhais na natureza, procurai tomar consciência da presença de todos esses espíritos que a povoam e que já existiam muito antes do aparecimento do homem na Terra; ligai-vos a eles, falai-lhes, maravilhai-vos perante a beleza do trabalho que eles executam nos lagos, nos rios, nas florestas, nas montanhas, nas nuvens etc... Então, eles ficarão felizes, tornar-se-ão vossos amigos e dar-vos-ão presentes: vitalidade, alegria, inspiração… Mas podeis ir ainda mais longe. Pedi a essa multidão de espíritos, que ali estão a contribuir com a sua atividade para a vida da natureza, que venham trazer a sua ajuda a todos os que trabalham para o amor, a luz e a paz: para a vinda do Reino de Deus à Terra.

Ficai cientes também de que, quando ides à beira mar, há ali outras coisas para fazer que não apenas estar horas deitado na areia deixando o pensamento divagar. Dirigi-vos aos espíritos das águas e dizei-lhes: «Vós também podeis fazer qualquer coisa para o bem da humanidade. Esforçai-vos por influenciar todos os que vêm banhar-se e os que viajam de barco, inspirai-lhes o desejo de se melhorarem. Vós tendes poderes e, se insistirdes, eles acabarão por ouvir-vos. Vamos, ao trabalho!»

Os espíritos da natureza gostam que lhes deem trabalho, mas nunca se preocupam com o propósito bom ou mau, benéfico ou maléfico, desse trabalho. Seja quem for que lhe dê uma tarefa, eles executam-na, ficam inteiramente submetidos à vontade superior que conseguiu dominá-los. É por isso que tantos mágicos e feiticeiros os utilizam para realizar coisas abomináveis: os espíritos da natureza obedecem porque é essa a sua forma de ser, eles não têm qualquer consciência moral, fazem igualmente o bem e o mal. Cabe aos humanos, sabendo isso, estar vigilantes e aprender a recrutá-los unicamente com vista ao trabalho divino.

Vós imaginais que só homens podem ajudar outros homens e que só podem fazê-lo por uma ação política, econômica, social. Não, neste organismo vivo e consciente que é a natureza e ao qual pertencemos, há imensas entidades preparadas para contribuir para a evolução da humanidade. Os quatro elementos – a terra, a água, o ar e o fogo – juraram perante o Eterno ajudar todos os que trabalham para se tornar criaturas de paz, de harmonia e de beleza.

De agora em diante, onde quer que estejais na natureza, pensai em dirigir-vos a todos os seres que habitam nas grutas, nas árvores, nos regatos, nos lagos e até no sol e nas estrelas: pedi-lhes para virem participar na vinda do Reino de Deus à Terra. Um dia, milhões e milhões de espíritos pôr-se-ão a trabalhar nos corações e nos cérebros humanos, e o Céu reconhecerá em vós um construtor da nova vida, uma fonte, um filho de Deus.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: O Homem no Organismo Cósmico
Publicações Maitreya
Rua Dr Alberto de Macedo, 182 R/C Esq., Porto 4100-027, Portugal
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quinta-feira, 10 de março de 2022

SER ABSORVIDO EM DEUS


O chamado à plenitude da vida é um chamado à pureza de coração, à clareza de visão. O desapego é simplesmente a maneira de manter nossa clareza cristalina. Desapegar-se de nossas posses, por exemplo, é estar livre de nossas posses – possuí-las, se necessário, mas não ser possuído por elas. De certa forma, é mais fácil se desapegar de nossas posses materiais do que dos objetos não tão sólidos aos quais nos apegamos.

Com a meditação, aprendemos a nos desapegar de nossos pensamentos, nossos sentimentos agradáveis ​​e desagradáveis, nossos desejos e até nossa autoconsciência. Não apenas isso não parece impossível para nossas mentes modernas, mas é até escandaloso alguém propor isso. Mas esta é exatamente a verdade. É a verdade proclamada por Jesus e a verdade vivida por santos e sábios ao longo dos tempos.

Considere o que Jesus diz que aquele que se preocupa com sua segurança estará perdido, mas aquele que se deixa perder, por Amor a Ele, encontrará seu Ser verdadeiro. Meditar é perder-se para ser absorvido em Deus, perder-se totalmente na imensidão abundante do que chamamos de Deus. Nenhum de nós poderá encontrar-se por si mesmo, nunca poderemos entrar em contato com o sentido pleno ou chegar ao pleno conhecimento se não estivermos preparados para entrar neste caminho de nos deixarmos perder por amor ao Reino. Nenhum de nós, em outras palavras, pode chegar ao conhecimento sem fé. E a meditação é o caminho da fé, é abrir o caminho com toda a nossa sinceridade, é desviar totalmente a nossa atenção de nós mesmos e enxergar além. (...)


Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón
www.permanecerensuamor.com
permanecerensuamor@gmail.com
Ixtapa, México
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UMA SAUDAÇÃO À CRIAÇÃO


As nossas mãos são como antenas que têm a possibilidade de captar correntes de forças, mas também de projetá-las. Alguns dirão: «Mas isso é perigoso, é magia!» Sim, é magia. Tudo o que fazemos é magia. Os magos são seres que sabem servir-se das suas mãos para receber forças ou projetá-las, para as reter ou as orientar, para as amplificar ou reduzir a sua intensidade. E não há de que ter medo, porque foi o Criador que dotou as nossas mãos com tais poderes.

Se as pessoas soubessem observar, reconheceriam em certos gestos da vida quotidiana um vestígio deste saber milenário a respeito das nossas mãos e dos seus poderes. Reparai: em todos os países, quando as pessoas se encontram ou se separam, o que é que fazem? Levantam o braço para enviar uma saudação ou dão um aperto de mãos. A mão serve, pois, como meio de emissão e recepção entre os humanos. Por isso, é preciso estarmos particularmente atentos àquilo que damos com a mão. Se as pessoas se saúdam, é para fazerem bem umas às outras, para darem mutuamente algo de bom. Se se saúda ou se aperta a mão maquinalmente, com uma atitude negligente, distante, fechada, é inútil. Mas, para aqueles que têm a consciência desperta, é um gesto formidável, significativo e operante pelo qual eles podem encorajar, consolar e vivificar as criaturas, e dar-lhes muito amor. Uma saudação deve ser uma verdadeira comunhão, deve ser poderosa, harmoniosa, viva.

Mas a mão é um meio para entrar em relação não só com os humanos, mas também com a natureza. Quando abris a janela ou a porta, de manhã, habituai-vos a saudar toda a natureza, as árvores, o céu, o sol, erguei a mão, pelo menos a vossa mão etérica, e dizei «Bom dia!» a toda a criação. Perguntar-me-eis: «Mas isso tem utilidade? Serve para alguma coisa?» Sim, serve para começar o dia com um ato essencial: ligar-se à fonte da vida. Em resposta à vossa saudação, toda a natureza também se abrirá a vós, enviar-vos-á forças para todo o dia.

É tempo de compreenderdes que tendes um trabalho a fazer com o vosso pensamento, com o vosso amor, para que a natureza se abra a vós. Experimentai: quando vos aproximardes de um lago, de uma floresta, de uma montanha, parai um momento e acenai-lhe com a mão. Sentireis que, interiormente, algo se equilibra, se harmoniza, e muitas incertezas e incompreensões desaparecerão em vós muito simplesmente porque decidistes saudar a natureza viva e as criaturas que nela habitam. Tocai simplesmente uma pedra com amor e ela já não será a mesma: aceita-vos, vibra em uníssono convosco, também ela vos ama.

Sim! Tudo na Terra é vivo e cabe-vos a vós saber como trabalhar para que essa vida venha até vós. No dia em que souberdes manter uma relação consciente com a criação, sentireis a verdadeira vida penetrar em vós.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: Publicações Maitreya
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COMPORTAMENTO E AUTOCONHECIMENTO


As atitudes que caracterizam a pessoa resultam do convívio social e das aspirações cultivadas, gerando a consciência individual, que responde pela do grupo social, face à aplicação dos valores adquiridos.

Ressaltam, no comportamento, as ambições do desejo, responsáveis pelo grau de libertação emocional, ou presídio, no qual o ser transita pelos vínculos que se permite desenvolver.

A pessoa é, acima de tudo, a sua mente. O que elabora, torna-se; quanto cultiva, experimenta.

A mente algema e libera, necessitando de austeras disciplinas para ser comandada, ao invés de ser a dominadora irredutível.

Nesse imperativo, o desejo expressa a qualidade evolutiva da pessoa, respondendo pela conduta e pelos fatores daí decorrentes.

O comportamento impõe necessidades e as expressa simultaneamente, definindo a pessoa.

Somente o autoconhecimento favorece o comportamento com as possibilidades de desenvolvimento pessoal, estruturador profundo do ser imortal.



Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "O Ser Consciente", pp. 39/40, 1ª ed., 1994
LEAL - Livraria Espírita Alvorada - Salvador/BA
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/homem-cabe%c3%a7a-silhueta-tingir-3591573/

MUITO MAIS DO QUE BELEZA


Alguma vez já desejou o leitor ser a rosa, o Sol que nasce a cada dia ou o pássaro que revoa nas alturas?

Todos nós, uma ou outra vez desejamos ser parte deles. Com nossa alma, podemos fazer parte de todos eles. Somos todos parcelas da energia de espírito que conforma os elementos da natureza.

Frequentemente, falta-nos a consciência de que fazemos parte do todo que criou as maravilhas da natureza que nos circunda. Somos parte da flor e do pássaro. Nosso espírito compreende intuitivamente o que significa voar com asas e ter a beleza da flor.

É difícil compreender, portanto, que existam pessoas que considerem a rosa simplesmente algo que nasce, é regado, cresce até a maturidade, é polinizado, e então morre; que existam pessoas que pensem no Sol apenas como um objeto que surge no Leste e põe-se no Oeste, em torno do qual gira a Terra; ou os que encarem o voo do pássaro apenas em termos de correntes aéreas e resistência dos ventos.

Entretanto, estas coisas possuem sentido muito mais profundo para nosso ser interior. Como criações da beleza, atingem o nosso íntimo e nos estimulam a criar um senso interior de paz e unidade. Ajudam-nos a desenvolver nosso ser espiritual.

Quando compreendemos a plena expressão dessas maravilhas, verificamos que elas significam muito mais para nós do que apenas forças vibratórias da natureza, muito mais do que coisas belas que podemos contemplar. Elas respondem à nossa necessidade de expressão interior. Elas constituem realização para nosso íntimo espírito criativo.


Gael Robertson



Fonte: Texto extraído da Revista "O Rosacruz", agosto/1980
Ordem Rosacruz- AMORC - www.amorc.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 9 de março de 2022

MEDITAÇÃO - UM ESTADO DE UNIDADE


Diz-se que nunca é possível convencer alguém por meio de argumentos. Tampouco podemos nos convencer da verdade de qualquer argumento apenas por meio de ideias. Sempre haverá outro argumento, mais ideias. As verdades espirituais são igualmente difíceis de comunicar em palavras por causa do papel que o paradoxo desempenha. Na verdade, o paradoxo é o caminho para evitar o erro de unir a verdade apenas com ideias ou com palavras.

Tomemos por exemplo o argumento de que precisamos renunciar a nós mesmos para seguir um caminho espiritual. Esta é uma verdade, mas também está contida no argumento de que devemos nos encontrar para encontrar Deus. Entre esses dois pólos, de renúncia e autodescoberta, encontramos o ponto médio do argumento simplesmente puro de que na oração somos nós mesmos. Vamos começar com este ponto:

Aprender a meditar é aprender a ser uma pessoa verdadeira em harmonia. Não há nada de renúncia à vida ou auto rejeição na meditação. É simplesmente a maneira como cada aspecto de nossa vida está em um relacionamento harmonioso uns com os outros. Se tentarmos alcançar isso apenas através do pensamento, seremos vencidos por sua pura complexidade, e é por isso que a oração é mais profunda e poderosa do que o pensamento. Nosso intelecto e nossas emoções não precisam competir porque a oração os harmoniza para que possam trabalhar juntos em paz.

Toda vez que nos sentamos para meditar, entramos em um estado de unidade em que toda a nossa vida se integra suavemente à presença de Deus. Deus é um e nos chama para ser um. Na verdade, há um ponto na "Nuvem do Desconhecido"* que define a meditação como o processo de se tornar um. Através da análise é possível descobrir ou isolar todos os elementos separados de nossa vida e história pessoal, mas na meditação tecemos o caminho da síntese em que vários elementos felizes ou infelizes se unem no conhecimento de que somos um com Deus. É uma descoberta à qual cada um de nós é convidado a realizar pessoalmente. Cada um de nós aceita a responsabilidade pessoal de meditar, sentar, de manhã e à noite, e repetir nosso mantra. Aceitar e cumprir esta responsabilidade é um fator poderoso no desenvolvimento integral de nossa pessoa.

* Nuvem do Desconhecido - livro escrito por um autor desconhecido. Trata sobre a religião e a fé. Mostra quão profunda pode ser a fé e o amor contemplativo ao entregar-se às palavras de Deus.



Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
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OS FRUTOS DA ÁRVORE DA VIDA




São João tinha o conhecimento perfeito da letra Aleph, que é o “primogênito de Deus”, o começo de todas as coisas, pois ele refere: «No começo, era o Verbo.» O Verbo é o Cristo; portanto, é ele o Mago cósmico; ele age com a ajuda dos quatro elementos, pelos quais tudo foi criado. Quando Jesus dizia: «O Meu Pai trabalha e eu trabalho com Ele.», era o Cristo que falava por seu intermédio, querendo sublinhar a ideia de que a sua atividade nunca acaba. E agora compreendeis que a cruz, o símbolo do Cristo, está ligada, ela própria, à ideia desta atividade de Deus no Universo. Quando é representada com a barra transversal inclinada, isso mostra que ela está em ação e, então, pela sua forma, é comparável a Aleph. É também esse o sentido da suástica, que se encontra em várias religiões, na Índia e na Grécia antiga… Aleph é a cruz cujo braço horizontal está inclinado, cujo equilíbrio foi rompido para permitir a ação, enquanto a cruz com os quatro braços iguais simboliza o equilíbrio absoluto dos dois princípios, masculino e feminino. Mas há outras formas de representar a cruz, por exemplo esta em que ela se torna uma chave que permite abrir todas as portas do Universo. A chave é uma imagem do homem, mas, enquanto não se souber nada sobre o homem, também não se saberá como abrir o Universo, que, na verdade, é o homem expandido até às dimensões do infinito.

Também se pode encontrar Aleph representado sob outras formas simbólicas: um cordeiro com uma cruz ou ainda uma serpente trespassada por uma flecha. Ambas são a imagem de Aleph, mas também a imagem do homem. Reparai: com o que é que se parece o esqueleto humano só com a coluna vertebral e a cabeça?... Tem a forma de uma serpente. E a flecha são os braços, a linha transversal de Aleph: a flecha que representa um movimento, o sentido no qual se dirige a atividade. Cristo, o Verbo, é precisamente uma cruz viva.

O que significa o cordeiro com a cruz? O cordeiro é a vítima do sacrifício, é o Amor. No começo, antes da criação do mundo, o Cordeiro sacrificou-se para que o mundo pudesse subsistir. Sim, para manter unidos os átomos e as moléculas, era necessária uma força de coesão, e essa força é o amor. Por isso se diz que o Cristo é o Cordeiro que foi imolado no começo do mundo… Encontramos em todos os domínios da vida esta força que permite ao mundo manter-se: é graças a ela que existem e se mantêm todos os corpos químicos, todas as moléculas, mas também todas as coletividades humanas, as famílias, as sociedades, as nações… Sem sacrifício, nada existe. Um conjunto só pode subsistir graças ao sacrifício de cada uma das suas partes. Se acabardes com o sacrifício nas suas múltiplas formas – olhares, palavras, atenção, entreajuda, renúncias –, tudo se desagregará e desaparecerá. Se quereis que uma coisa dure muito tempo, colocai na sua base o Cristo, o amor.

A conclusão prática do que eu acabo de transmitir-vos a respeito da letra Aleph, a primeira letra, é que nunca se deve começar o que quer que seja sem se conhecer as forças que se põe em movimento, pois o essencial é o começo. Desencadear forças e movimentos é sempre fácil, mas é muito difícil dirigi-los, orientá-los e, portanto, dominá-los. Se os políticos estivessem conscientes desta lei, refletiriam mais antes de decidirem certas mudanças. Muitas pessoas desencadearam um movimento revolucionário que julgavam poder dominar, mas acabaram completamente esmagadas por ele! A expressão “aprendiz de feiticeiro” designa precisamente o homem que, por imprudência, desencadeia correntes que, depois, é incapaz de controlar ou orientar.

Quer seja no plano físico, no plano astral ou no plano mental, o vosso poder não está no meio nem no fim, mas no começo. Imaginai que estais numa montanha, junto de um grande rochedo; se o fizerdes tombar ou rolar, ele obedecer-vos-á. Tendes a possibilidade de o deixar no mesmo sítio ou de o fazer rolar pela encosta; se o fizerdes tombar, ele obedecer-vos-á, evidentemente, mas depois acabou-se, perdereis o controlo do seu movimento e ele talvez provoque estragos que não conseguireis evitar. Do mesmo modo, quando sentirdes a cólera crescer dentro de vós, se decidirdes reprimi-la imediatamente, ela não explodirá, mas, se a deixardes explodir, já não conseguireis parar o seu curso. Isto também é verdade em relação a certas ideias que deixais instalarem-se em vós e que acabarão por tornar-se impossíveis de eliminar. Então, estai vigilantes, nunca esqueçais que Tav depende de Aleph, o fim depende do começo. Sede como o mago que, tendo iniciado conscientemente uma operação mágica, consegue chegar ao fim.

Ao dizer «Eu sou Aleph e Tav...», o Cristo indica-nos de que maneira devemos abordar a nossa atividade. O começo é o Céu, o mundo divino, e é começando pelo Céu que devemos descer progressivamente à matéria. Aquele que começa pela matéria para ir em direção ao Céu tem por diante desaires e sofrimentos. Duas pessoas que se amam devem começar por se amar espiritualmente, antes de se amarem fisicamente. Em geral, os homens e as mulheres fazem o contrário: começam por Tav e colocam Aleph no fim! Quando tudo estiver estragado, elas irão amar-se espiritualmente? Em tudo é preciso começar pelo começo, pela cabeça. Quando estudam o alfabeto hebraico, os cabalistas abordam primeiro as três letras mãe – Aleph, Mem e Shin – que criaram, respetivamente, o ar, a água e o fogo; em seguida, as sete letras duplas: Beth, Ghimel, Daleth, Kaf, Pe, Resch e Tav, que criaram os sete planetas; por fim, as doze letras simples: He, Vav, Zain, Heth, Teth, Iud, Lamed, Nun, Samech, Ain, Tsade e Quf, que criaram as doze constelações zodiacais. As vinte e duas letras abrangem, portanto, a totalidade da Criação.

Evidentemente, estas letras são apenas uma expressão material de princípios abstratos. Quando falais ou escreveis, vós combinais, como Deus, as letras e as palavras, e deste modo criais. Podeis criar nos seres a alegria, a confiança, o amor, a luz, ou então a mágoa, a sombra, a doença, o desespero. No segundo caso, não há escrita nem palavra, mas sim rabiscos e uma incoerência. A verdadeira evolução significa aprender a servir-se da palavra, da escrita, das formas e das imagens tendo em vista resultados divinos, ou seja, preparar os elementos do Verbo para criar unicamente o que é bom, belo e justo. Aquele que trabalha conscientemente neste domínio participa na obra de Deus e virá o dia em que será recrutado como obreiro de Deus, pois a Criação ainda não está completa. O Criador continua a trabalhar e necessita de operários que Lhe tragam um pouco de areia, um pouco de gesso. «Apenas isso?», questionareis vós. Sim, e não fiqueis envergonhados, não é certamente a nós que Ele escolherá para desempenhar o papel mais importante, mas, seja a que nível for, participar neste trabalho divino é glorioso. Refleti sobre a vida que Deus vos deu, focai-vos em todas as suas manifestações como n’O próprio Deus e dizei: «Doravante, esforçar-me-ei por só falar e agir com o objetivo de vivificar, apaziguar, esclarecer, reconfortar, encorajar e fortalecer as criaturas.» A partir do momento em que tomais esta decisão, o Verbo começa a encontrar o seu lugar em vós, e apercebeis-vos cada vez mais claramente de que possuís uma multiplicidade de elementos dados por Deus. Ainda não sabeis servir-vos deles, mas, pouco a pouco, sentis que esses elementos começam a obedecer-vos e tornais-vos mais poderosos. Mas também não podeis contentar-vos em pronunciar boas e belas palavras. É preciso levar essas palavras até ao fim, até à sua realização. Então, elas tornar-se-ão “verdades verdadeiramente verídicas”.

Agora, quero contar-vos uma história pessoal. Eu tinha dezessete anos e sentia necessidade de encontrar uma forma, uma figura geométrica que me desse, ao contemplá-la, a harmonia e a paz. Depois de pesquisar durante algum tempo, concentrei-me no círculo; em seguida, tomando como medida o raio desse círculo, dividi a circunferência em seis partes, o que me permitiu traçar seis círculos, e obtive uma rosácea (figura simétrica, terminada em circunferência, e que revela analogia com a rosa). Então, colori os seis círculos com as seis cores do prisma: violeta, azul, verde, amarelo, laranja, vermelho. E contemplei esse desenho, que me mergulhava num estado de êxtase. Era, para mim, o símbolo da perfeição. Ao fim de algum tempo, pareceu-me que ainda faltava alguma coisa. Ao tentar perceber o que era, um impulso misterioso levou-me a escrever por baixo da rosácea o início do Evangelho de S. João: «No começo, era o Verbo, e o Verbo era com Deus e o Verbo era Deus. Ele era no começo com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e nada do que foi feito foi feito sem Ele.» Por que estes versículos? Será que eu tinha uma ligação especial com eles? Sem dúvida, e pensei nisso toda a minha vida. Hoje, sei o porquê, completei assim o meu desenho…

São João revelou os mistérios do Verbo, que dão o poder de agir sobre as forças da Natureza. É este o seu Ensinamento. Se os cristãos se desviaram dele e se contentam em comunicar com o pároco, com o sacristão, é lá com eles. Os cristãos esqueceram os mistérios do Verbo, que contêm todos os segredos do Universo. Recordai-vos das promessas que, nos primeiros capítulos do Apocalipse, são feitas nas Cartas às Igrejas: «Ao que vencer, eu dar-lhe-ei a comer do maná oculto e dar-lhe-ei uma pedra branca; na pedra branca, estará gravado um novo nome, que ninguém conhece a não ser quem a recebe… Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer do fruto da Árvore da Vida, que está no Paraíso de Deus… O que vencer será coberto de vestes brancas… O que vencer, dele farei uma coluna no templo do meu Deus… Ao que vencer, farei com que se sente comigo no meu trono.» Todas estas promessas são uma Iniciação aos mistérios do Verbo.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte do texto e gravura do topo: do livro "Os Frutos da Árvore da Vida - Tradição Cabalística"
Parte do Cap. XI, pp. 139 a 143
Publicações Maitreya
Rua Dr Alberto de Macedo, 182 R/C Esq., Porto 4100-027, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt/
Fonte do alfabeto hebraico: http://www.hebraicoinfinity.comunidades.net/

MEDITAÇÃO - EXPERIÊNCIA DE ENTRAR NA PRESENÇA DO AMOR


Dizer um mantra nunca é meramente repetição. Cada vez que o dizemos, confirmamos nossa entrada pessoal na realidade de Deus, onde tudo é permanentemente criado. O próprio ritual - todo verdadeiro ritual - é tornar a realidade eterna sempre presente no tempo. E o ritual é o outro lado de uma mera repetição chata. A repetição é apenas uma rotina fechada, mas através do ritual entramos na totalidade do mistério expansivo do ser. É total porque combina o mistério do nosso ser com o mistério do ser de Deus. Cada vez que recitamos um mantra, encontramos nosso caminho mais profundo no eterno presente de Deus, aquele que é, e que é descrito como o "Eu Sou".

A meditação diária é um ritual que nos leva à abnegação, mas também é muito mais do que abnegação. É entrar no último ser, na última realidade, no último amor. Isso se consegue desprendendo-nos de nossa forma limitada de ver, sentir e compreender, pois estamos abrindo nossos corações para a totalidade da percepção e da consciência.

Pela meditação e pelo silêncio ao qual um mantra nos conduz, chegamos à maior experiência humana; nos reconhecemos como “conhecidos”. Compreendemos que somos compreendidos e, na experiência de entrar na presença do amor, descobrimos que somos amáveis.



Fr. John Main, OSB




Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón
www.permanecerensuamor.com
permanecerensuamor@gmail.com
Ixtapa, México
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

PARADOXOS DA VIDA MÍSTICA


Um dos paradoxos da vida mística e este: ninguém pode entrar no mais íntimo de seu ser e passar dali a Deus se não for capaz de sair inteiramente de si mesmo, esvaziar-se de si mesmo e dar-se a outras pessoas na pureza de um amor altruísta.

E uma vida de contemplação, uma das piores ilusões seria, portanto, tentar encontrar Deus fechando-se em si mesmo e deixando fora dessas barricadas toda a realidade exterior pela simples concentração e força de vontade, cortando todo contato com o mundo e os outros ao se enfurnar dentro da própria mente e fechar as portas como uma tartaruga.

Quanto mais eu me identificar com Deus, mais me identificarei com todos os que com Ele estão identificados. Seu amor vivera em todos nós. Seu Espírito será nossa única vida, a vida de todos nós e vida de Deus. E haveremos de amar-nos uns aos outros e a Deus com o mesmo Amor com que Ele nos ama e Se ama. Esse amor é o próprio Deus.



Thomas Merton, OSB




Fonte: do livro "Novas Sementes de Contemplação", Ed. Vozes, 2017, p. 70
Via Associação Thomas Merton
https://merton.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/garoto-sentar-guarda-chuva-2028088/

NO SILÊNCIO ENTRAMOS NA LUZ CÓSMICA


O silêncio é a região mais elevada da nossa alma e, no momento em que atingimos essa região, entramos na luz cósmica.

A luz é a quinta-essência do Universo; tudo o que vemos ao nosso redor, e mesmo o que não vemos, é atravessado e está impregnado pela luz.

O objetivo do silêncio que nos esforçamos por fazer em nós durante as meditações é a fusão com essa luz, que é viva, poderosa, e penetra em toda a Criação.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/deserto-noite-c%c3%a9u-estrelado-pessoa-2897107/

O VERDADEIRO DESCANSO


A qualquer hora do dia, ao nos lembrarmos do propósito (divino), tendemos a nos colocar na atitude do verdadeiro descanso, mesmo em meio à atividade. Lembramos que não é o que fazemos, mas como fazemos que nos cansa ou descansa. Vamos verificar como é a tensão física e mental que nos fatiga e verificar como essa tensão deriva do desejo de controle, que se sustenta na ilusão de que o resultado de ações e acontecimentos depende de nós e não da vontade de Deus.

O exercício da atenção correta nos repousa, é um estar atento sem tensão. (...) Deixe Deus fazer a si mesmo em nós, não deixemos impedir Sua obra purificadora no coração.

"A tranquilidade é característica de uma alma perfeita, enquanto é característica de uma alma imperfeita ser consumida com preocupações. Diz-se que a alma perfeita é como um lírio entre os espinhos, e isso indica que a alma vive tranquilamente entre muitas preocupações; porque no Evangelho o lírio significa a alma sem preocupações, porque não trabalha, não tece, e está revestido de uma glória maior que a de Salomão". (do "Discurso Ascético" de Nilo, o Asceta, vol. 1 de Philokalia)




Fonte: Blog EL SANTO NOME
https://elsantonombre.org/2022/01/02/el-verdadero-descanso/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/cais-mulher-sentado-relaxante-doca-1834801/

REENCARNAÇÃO - UMA FONTE DE ESPERANÇA


Embora já se saiba que a doutrina espírita é reencarnacionista, nem todos quantos batem às portas de sociedades espíritas, em situações graves ou para "chorar as suas mágoas", estão em condições de compreender prontamente certos problemas à luz da reencarnação. Em determinados casos, o esclarecimento deve ser muito prudente, mas sempre compreensivo, pois é inútil, e às vezes contraproducente, começar falando logo em "resgate de dívidas do passado", "situações cármicas" etc, se a pessoa aflita está inteiramente fora do assunto e vem de um ambiente todo estranho ao meio espírita.

Quem está nessa situação, sem saber o que fazer nem que rumo tomar, procura o meio espírita justamente para receber uma palavra de conforto, uma prova de solidariedade humana, o apoio espiritual de que necessita, mas não pode apreender logo umas tantas elucidações, justamente porque a mente ainda está muito tumultuada. É um problema psicológico.


Adequação do diálogo e acolhimento

Há explicações que até desorientam, embora sejam bem intencionadas. Figuremos, como simples ilustração, o caso de uma senhora que, na condição de mãe sofredora, profundamente deprimida porque o filho "morreu afogado", sem nenhuma noção do que seja doutrina espírita, sem jamais haver pensado em reencarnações, recorra a um centro espírita como ponto de apoio e conte o seu caso, "banhada em lágrimas" inconsoláveis.

Situação dificílima, evidentemente. E exige muito tato, muita paciência. Imagine-se, agora, se alguém, com a intenção caridosa de esclarecer e ajudar, comece logo dizendo: É assim mesmo. É a lei de causa e efeito. Conforme-se com a realidade. É a sua prova, porque a senhora já deve ter afogado alguém noutra existência!...

Francamente, parece mais crueldade do que caridade. Certas maneiras de interpretar a reencarnação podem até comprometer a própria lógica da doutrina.

É preciso aguardar o momento psicológico para entrar no assunto. Não se deve usar a mesma linguagem para todas as pessoas, como não se deve apresentar o mesmo fio de argumentos em todos os casos, em todas as circunstâncias, a propósito de todas as situações.

Ainda assim, é bom frisar, há ocasiões em que o modo de encarar os problemas pelo prisma reencarnacionista, ao invés de esclarecer, lançam ainda mais confusão. A experiência que o diga.


Rigidez no entendimento sobre reencarnação

Quem estuda a doutrina espírita já sabe muito bem que a reencarnação é um princípio universal, válido no tempo e no espaço. É o caminho lógico da compreensão da Justiça divina, a resposta filosófica aos chamados desafios da natureza. Mas acontece que, às vezes, se leva a reencarnação para um terreno muito rígido e casuístico, esquecendo-se de que a reencarnação não anula totalmente o livre-arbítrio, não significa o puro fatalismo.

A reencarnação deve ser entendida como lei geral. Sob a lei, que é inevitável, mas não é somente punitiva, porque proporciona meios de reparação perante a justiça divina, assim como oferece campo para o desempenho de missões nobres e grandiosas na Terra, sob a lei repita-se – cada qual pode fazer as suas opções, ajustar-se a esta ou aquela conjuntura.

Ninguém foge à lei, é certo. Quem causa prejuízo aos outros terá de responder pelos seus atos, mas justamente aí é que se nota a inconveniência de certas explicações muito restritivas e prejudiciais ao entendimento da suprema justiça, que fica parecendo rígida demais, senão até desumana!


Questão de lógica

A pessoa que causou afogamento não poderá voltar à Terra com a incumbência, de trabalhar como salva-vidas, uma profissão humanitária, a fim de reparar o que fez? E não será muito mais útil do que voltar para ser afogado?... É questão lógica. O espírito reencarnado pode interferir no carma, ainda que não possa desviar o curso da lei.

Há várias maneiras de saldar dívidas do passado e reparar os danos causados ao próximo. É a perspectiva da reencarnação. Algumas interpretações da reencarnação, muito ao pé da letra, entretanto, levam certas pessoas a uma confusão ainda maior, quando não saem dos centros dizendo que o ensino espírita é um absurdo. Infelizmente.

No entanto, a reencarnação, quando bem compreendida, abre uma janela nova ao espírito para que compreenda seguramente a grandeza e a perfeição da obra divina. A tese da reencarnação é também uma fonte de esperança.



Deolindo Amorim




Fonte: do acervo do Jornal Correio Fraterno, edição de dezembro de 1980.
Correio.news - canal de mídia digital do jornal Correio Fraterno
https://correio.news/reflexoes/reencarnacao-uma-fonte-de-esperanca
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

REINO DE DEUS - UM ESTADO DE CONSCIÊNCIA


O Reino de Deus não pode ser realizado no plano físico antes de ter sido realizado no intelecto, no pensamento. Depois de realizado no pensamento, ele descerá ao coração, aos sentimentos, e então poderá, finalmente, exprimir-se por atos.

É este, obrigatoriamente, o processo de realização na matéria: pensamento – sentimento – ação.

Um dia, o Reino de Deus realizar-se-á tangivelmente, na matéria. Mas primeiro deve instalar-se nas ideias, nos pensamentos.

E pode ver-se que esse processo já começou… Há milhares de pessoas no mundo que alimentam em si este ideal do Reino de Deus, este ideal de amor. O Reino de Deus já abre caminho nos pensamentos e nos desejos de alguns seres e até já se instalou no seu comportamento, na sua maneira de viver.

O Reino de Deus começa por ser um estado de consciência, uma maneira de viver e de trabalhar, e quando esse estado de consciência se tiver generalizado, o Reino de Deus e a sua justiça descerão verdadeiramente à terra.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

PRESENÇA DE CRIATURAS ETÉRICAS


Onde quer que possais ir – às montanhas, às florestas, à beira de lagos ou de oceanos –, se quiserdes manifestar-vos como filhos de Deus que aspiram a uma vida mais sutil, mais luminosa, deveis ter consciência da presença das criaturas etéricas que aí habitam. Aproximai-vos delas com respeito e recolhimento, começai por saudá-las, testemunhai-lhes a vossa amizade, o vosso amor, e pedi-lhes as suas bênçãos. Essas criaturas, que se apercebem de vós à distância, ficam tão maravilhadas com a vossa atitude que se preparam para derramar sobre vós os seus presentes: a paz, a luz, a energia pura. Então, sentis-vos banhados, envolvidos pelo amor e pelo deslumbramento para com esses seres espirituais e, quando descerdes de regresso aos vales, às cidades, levais convosco essa riqueza, mas também revelações, ideias mais amplas, mais vastas.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ATENÇÃO VIGILANTE E ORAÇÃO INCESSANTE


Continuando com o tema de ficar atento a quem está no controle dos meus comportamentos diários...

Estou comendo e sinto o início da saciedade. A mente avisa que você deve parar de comer, pois há muitas lembranças de se sentir mal por continuar a comer neste momento. Porém, não basta saber o que vai acontecer, o corpo continua a mandar comer. Aqui, neste ponto, se surge um ato de vontade, uma forte intenção de mudar, e com atenção paro de comer, levanto-me, tiro os pratos e retomo a invocação...

No preciso momento em que você largou os talheres e se levantou, parando de comer, o espírito apareceu. Esse é mais profundo e mais consciente, mais espiritual em nós mesmos. Tem a ver com o homem interior de que fala São Paulo. É aquele que avisa sobre a lei que prevalece nos homens, lei que alimenta a escravidão e que nos faz sofrer pelos automatismos. Outro exemplo é o da raiva: quando começo a ficar com raiva de alguém e surge a vontade de repreendê-lo a mente está no comando e o corpo a serve com espasmos, todos os mecanismos de ataque são ativados... mas a memória do ensinamento de Jesus, o desejo de ser coerente com o Evangelho e o mandamento principal, brilham em nosso interior. Eu paro, então. Peço permissão e, em vez de repreensões, saio da sala. Esse foi o espírito que pelo braço da vontade permitiu a não reação.

São casos muito comuns. A gula e a raiva mostram claramente quando nossos corpos ou pensamentos nos governam. E o que é decisivo é a atenção e a oração interior. Em qualquer dos casos, a consciência permite que apareça a nossa intenção de sermos donos de nós próprios e, através da oração sincera, pedimos a força para nos impor.

Isso tem a vantagem de que a pessoa se acostuma a não se deixar levar pelo reativo e passa a sentir o sabor de dirigir a atenção em busca da coerência da vida. Assim, descobrimos que podemos praticar o que nos dizem aqueles versos, no Evangelho, que são tão difíceis para nós, como o amar nossos inimigos, o não fazer acepção de pessoas, a não se preocupar com o amanhã ou a dar a outra face, dentre outras passagens. Começamos a descobrir o significado mais profundo dos ensinamentos porque eles aparecem como praticáveis ​​e não como ideais que nunca abordamos. A chave para nossa "metanóia**" é a atenção vigilante e a oração incessante.


(A parte 1 está no texto "Atenção Vigilante - Um Campo de Confiança")

** "conversão" (no sentido de mudar de direção mental, de vida; não se refere à mudança de religião ou crença religiosa - nota deste blog)


Blog EL SANTO NOME



Fonte: https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ATENÇÃO VIGILANTE - UM CAMPO DE CONFIANÇA


O que estou procurando agora? Qual é o propósito desta ação? Esses tipos de perguntas nos ajudam a determinar quem está no controle de nosso comportamento em um determinado momento. Ou seja, ao olhar para o objeto que exerce uma ação, descobrimos aquele que a dirige. Então, posso descobrir quem governa meu comportamento pelos sintomas que percebo ou pelo que espero obter com o que faço.

O que caracteriza os modos da mente? Inquietação, pressa e auto-afirmação. Em geral, sempre que queremos que o próximo momento chegue, que o agora acabe e o futuro chegue, podemos ter certeza de que a mente nos guia fortemente. E o que caracteriza a tirania do corpo? A voracidade insaciável; esse passar de um prazer ao outro, utilizando as coisas como pratos a experimentar apressadamente numa iguaria preparada ao nosso gosto.

A mente nos faz correr uma corrida de revezamento sem descanso, de um momento para o outro sem pausa, como se houvesse uma meta, como se no final da corrida houvesse um sentido. E o corpo nos garante que terá paz e saciedade depois desse ou daquele prazer. Ele promete se conformar quando, na realidade, nutre sua voracidade infinita. Devemos, então, maltratar o corpo e ignorar as necessidades da mente? Não. Basta colocar essas funções a serviço do espírito. Assuma que são ferramentas a serviço do filho de Deus que somos e ordene-as de acordo com a forma como foram criadas. A "queda original" também pode ser sintetizada como uma perversão das funções.

O espírito se manifesta como um campo de confiança. Assume a forma de uma boa atitude sempre pronta para a vontade do Altíssimo. O espírito humano é aquele em nós que se sente criança, que se entrega sem hesitar à orientação do Criador e que se esforça para retribuir o dom da existência em atos de gratidão. Em toda "consciência" o espírito fala. É o reservatório de graça que vive no coração e luta para se manifestar a cada momento. É "aquele que sabe" quando fazemos o mal.

A atenção é a simples manifestação do espírito do homem na vida cotidiana. Pode ser visto na intenção de sair do sonambulismo e despertar para a Presença, desafiando os automatismos. O espírito é o que nos faz lembrar a fraternidade com o outro; é aquele impulso compassivo que amolece nossos corações; é uma sensação expansiva que nos une com todas as coisas vivas e nos leva de volta ao nosso destino original.

(A parte 2 está no texto "Atenção Vigilante e Oração Incessante")



Blog EL SANTO NOME




Fonte: https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: Acerco de autoria pessoal

SUBSTÂNCIAS SUBLIMES DA ALMA


Os verdadeiros adeptos da Ciência Iniciática não contam com nada exterior, sabem que Deus pôs no seu interior todas as possibilidades, todas as riquezas, todas as substâncias de todos os laboratórios. E é aí que é preciso procurá-los. Claro que é um empreendimento de longo fôlego, que exige esforços diários, mas vale a pena. Os alimentos (substâncias) que tomais nas regiões sublimes da alma e do espírito saciam-vos durante dias e dias, pois no plano divino há elementos de uma tal riqueza que, se conseguirdes tomar-lhes o sabor nem que seja uma só vez, a sensação de plenitude que eles vos darão nunca mais vos deixará. Nada pode tirar-vos essa sensação de leveza e de eternidade.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

ALGO DIFÍCIL DE FAZER


Mais e mais, tranquilamente vou tendo de fazer aquela coisa difícil que ninguém está disponível para fazer por mim ou comigo:

Viver realmente minha vida interior e procurar Deus de acordo com minha vocação.


Thomas Merton, OCSO



Fonte: Merton na Intimidade
(Fisus, 2001) p. 154
Via: Associação Thomas Merton
https://merton.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/pai-convento-porta-hospitalidade-2762858/

UM AUTÊNTICO E PROFUNDO TRABALHO


Fazei convergir todas as vossas atividades para um único objetivo – o vosso aperfeiçoamento – e assim desencadeareis em vós mesmos forças que vos transformarão profundamente. As atividades profissionais dos humanos, em geral, só mexem com eles superficialmente. Ir à fábrica ou ao escritório, trabalhar num laboratório, fazer política, instruir crianças, não pode revelar todas as forças neles depositadas pelo Criador, a não ser que ao mesmo tempo, pelo pensamento, o sentimento e a vontade, façam um trabalho que dá um sentido mais amplo a essa atividade, isto é, que toca as raízes do seu ser. Decidi-vos, pois, a começar esse trabalho, o único autêntico trabalho, tomai-lhe o gosto, não passeis um só dia sem ativar forças benéficas em vós e à vossa volta, e vereis os resultados!


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de Autoria pessoal

VOZ DO CORAÇÃO?


O Dr. Paul Pearsall, neuropsicólogo da Universidade do Havaí (USA), no seu maravilhoso livro "Memória das Células", após apresentar e debater sobre a conhecida voz do coração, defende a sua tese, abordando com cuidado o mecanismo das células, seu funcionamento, sua memória e outras peculiaridades.

Em determinado momento na obra referida, acentua: “Você sabia que o coração pensa, lembra, comunica-se com outros corações, ajuda a regular o sistema imunológico, armazena informações que pulsam…?”, confirmando que também participa das nossas decisões e que devemos estar atentos à sua comunicação.

Quando Allan Kardec escreveu "O Livro dos Espíritos", na questão de número 459 indagou: "Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?"

Eles responderam: “Muito mais do que imaginais, pois frequentemente são eles que vos dirigem”.

Em nossa luta quotidiana, não poucas vezes procuramos agir conforme os ditames da razão, consoante a filosofia do Iluminismo, até mesmo tocando, sentindo, e, quando estamos decididos e avançamos, a voz do coração faz-nos mudar totalmente, resultando em bênção o empreendimento que, se houvesse seguido outro roteiro, teria sido um desastre.

A crença na imortalidade da alma leva-nos ao conceito de que estamos sempre acompanhados por aqueles que nos amaram e/ou nos odiaram enquanto se encontravam na vilegiatura carnal.

Ao responder com segurança a Allan Kardec a indagação feita, os guias da humanidade conclamam-nos a viver conforme os padrões dignificantes do dever, os postulados éticos estabelecidos, as regras do comportamento saudável.

Assim procedendo, geramos uma vibração de identidade com os Espíritos nobres que se nos acercam e inspiram-nos o mais correto comportamento em todos os instantes da nossa existência.

Quando isso não ocorre, e nos encontramos com a mente viciada, dominados por hábitos doentios e perversos, tornamo-nos instrumentos de Espíritos equivalentes, porquanto os atraímos por afinidade vibratória.

A voz do coração provém desses verdadeiros anjos guardiães, quando nos candidatamos a realizações enobrecedoras e ao próprio progresso nas suas diversas facetas.

A cada dia defrontamos situações complexas e de difícil atendimento que nos exigem reflexão e cuidado, a fim de que possamos manter a paz de espírito e a alegria de contribuir para o bem-estar pessoal, assim como da sociedade.

Quando ocorre o contrário, surgem as obsessões, os disparates, as aflições consumptíveis (esgotadoras, destrutivas) e os desastres de vária ordem.

Assim sendo, procuremos ouvir a voz do coração, mantendo conduta exemplar em todas as circunstâncias.



Divaldo Pereira Franco




Fonte: Artigo publicado no jornal A Tarde (Bahia), coluna Opinião, 10 de junho de 2021.
Via: https://www.febnet.org.br/portal/2021/06/14/voz-do-coracao/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

O MANTRA E A MONOTONIA


A publicidade moderna muitas vezes apresenta uma característica atraente de seus produtos; uma delas, que é algo novo. É também o caso de produtos familiares que também oferecem algo novo, com uma fórmula melhorada. Como resultado, tendemos a olhar para a novidade como um critério de valor. No entanto, em nossa experiência, muitas vezes nos encontramos em uma rotina entediante. Um dos grandes problemas da vida moderna é que muitas pessoas, por muitos motivos na vida, experimentam um tédio terrível e mórbido.

Para muitas pessoas, à primeira vista, a meditação também lhes parece que, muito em breve, isso se tornaria uma repetição enfadonha. Neste verão eu dei um retiro em um convento na Irlanda e uma das freiras, que tinha ouvido uma palestra sobre meditação e o mantra, disse-me: "Oh pai, eu nunca poderia fazer isso. Não, não, nunca poderia. Deve ser horrível." A compreensão do mantra é totalmente trivial para ela devido à sua repetição entediante. Espero que você tenha começado a meditar, apesar de seus medos, porque com apenas um pouco de experiência em aprender verdadeiramente a dizer o mantra (e esta é a arte da meditação), isso pode fazer você mudar de ideia - compreender a arte da meditação é simplesmente abandonar o mantra em seu coração.

A dificuldade com isso para nós é que sempre queremos estar no controle. É muito difícil para nós, ocidentais, aprender a abandonar o mantra, a deixá-lo ressoar, a cantar em seu coração como uma liberdade gloriosa.



Fr. John Main, OSB




Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón
www.permanecerensuamor.com
permanecerensuamor@gmail.com
Ixtapa, México
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SAGITÁRIO - SÍMBOLO DA TRANSCENDÊNCIA ESPIRITUAL SOBRE O MATERIAL


O Sagitário é o símbolo do homem que conseguiu que a razão triunfasse sobre as forças obscuras do intelecto. Esta ideia também está expressa na figura mitológica do Centauro, que tem corpo de cavalo e busto de homem. O ser humano é feito de duas naturezas: inferior e superior; não pode ver-se livre da sua natureza inferior, mas deve aprender a dominá-la para a pôr a trabalhar. Aliás, reparai: na própria representação do Centauro ou do Sagitário, o corpo do cavalo está em movimento, correndo. Mas esta corrida tem uma razão, um sentido, está ao serviço de uma ação refletida, expressa pelo arco que o Centauro segura, prestes a lançar a sua flecha. Sabeis o domínio que é preciso ter para atirar com o arco e acertar no alvo. Assim, o Sagitário representa o homem que põe os movimentos da sua natureza inferior – o cavalo a galope – ao serviço de um ideal: a flecha que vai atingir, com exatidão, o seu objetivo.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
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