sábado, 18 de outubro de 2014

EXPECTATIVAS DA PRÁTICA (Trechos Budistas)

Algumas pessoas vem a mim e dizem: “Agora, já pratiquei por dez anos”; ou até: “Pratico há 20 anos e passei um bom tempo em retiro, mas não cheguei a nenhuma experiência especial ou qualquer realização notável. Nada aconteceu”. Por que isso?

Não basta chamar a si mesmo de praticante e deixar o tempo passar. Esse não é o significado de praticar o Darma. Estamos no samsara há incontáveis vidas. Nossas mentes ficaram completamente absorvidas nas tendências da existência samsárica — como podemos ter a expectativa de nos transformarmos totalmente em alguns anos? Não é assim que acontece.

Os padrões habituais e a fixação dualista estão todos latentes em nossas mentes. Eles têm estado lá, em constante recreação, desde um tempo sem início. [...] Quando essas tendências são purificadas, nossos três kayas ["corpos iluminados"] intrínsecos são de fato realizados. Quando os três kayas estão completamente evidentes, chegamos ao estado búdico.

Até esse ponto, contudo, nossa natureza buda está oculta. A única maneira de tornar a natureza buda plenamente manifesta é continuar praticando o Darma de modo genuíno. E isso não acontece apenas praticando aqui e ali por alguns anos. Claro que a prática esporádica deixa boas marcas mentais, mas ela não gera mudança autêntica a partir das profundezas de nosso ser. [...]

Sentir-se desencorajado porque nada extraordinário aconteceu desde que você começou a praticar é errar o alvo. Renúncia é o verdadeiro sinal de êxito, benção e realização. Em outras palavras, há um desencanto natural com sucessos mundanos, com qualquer estado samsárico.

Infelizmente, as pessoas às vezes anseiam pelo extraordinário. Alguns esperam que o divino desça lá de cima e nos conceda poderes especiais. Outros pensam que ao forçar certa experiência em suas mentes, para se intoxicar nisso, eles podem ficar elevados o tempo todo, drogados com a prática do Darma. [...] Algumas pessoas, quando entram em algum estado alterado de meditação, pensam que as formas sutis dos três venenos — conhecidas como as experiências de êxtase, claridade e não-pensamento — são realização. Muitas pessoas ficam presas nessas crenças. [...]

Não credite nenhuma importância a essas experiências temporárias; nenhuma, jamais. [...] O que realmente importa é um aumento de sua devoção e confiança no Darma, de modo que a partir de dentro, você sente que apenas o Darma importa, que apenas praticar é importante. Este é um sinal inequívoco de realização.





Tulku Urgyen Rinpoche





Fonte: “As It Is, vol. 2″, loc. 3614
http://darma.info/
Fonte da Gravura: http://www.good-will.ch/postcards_es.html

O QUE É O EGO?

Nós sabemos o que queremos dizer com ego? Com isso, quero dizer a ideia, a memória, a conclusão, a experiência, as várias formas de intenções nomeáveis e não-nomeáveis, o empenho consciente para ser ou para não ser, a memória acumulada do inconsciente, o racial, o grupo, o individual, o clã, e tudo isto, seja projetado exteriormente em ação ou projetado espiritualmente como virtude; o esforço por tudo isto é o ego. Nele está implicada a competição, o desejo de ser. A totalidade desse processo é o ego; e nós sabemos, quando estamos frente a ele, que ele é uma coisa maligna. Estou usando a palavra “maligna” intencionalmente, porque o ego divide; o ego é fechado nele mesmo: suas atividades, conquanto nobres, são separativas e isoladoras. Conhecemos tudo isto. Também conhecemos aqueles extraordinários momentos quando o ego não está, em que não há sensação de esforço, de empenho, e que acontecem quando há amor. (What Are You Doing with Your Life?)

O ego deve cessar pela conscientização de sua própria limitação, da falsidade de sua própria existência. Conquanto profundo, vasto e extensivo ele possa ser, o ego é sempre limitado, e até ser abandonado, a mente nunca pode ser livre. A simples percepção desse fato é o fim do ego, e só então é possível que aquilo que é real surja. (Collected Works, Vol. VIII, 312, Choiceless Awareness)




J. Krishnamurti





Fonte: http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://www.good-will.ch/postcards_es.html

APARÊNCIA DO ÊXITO - A DOR ENCERRA UM SEGREDO

Desconfia da aparência de um êxito perfeito, mas, ao contrário, se, depois de haver triunfado, encontrares que todavia te falta muito por fazer, regozija-te e avança, pois o trabalho é grande até a verdadeira perfeição.

Não há erro mais embrutecedor que o de confundir uma etapa pelo final ou deter-se demasiado no alto.

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Por meio da dor e da tristeza, a natureza recorda a alma que o prazer de que goza não é mais que uma débil indicação da verdadeira alegria da existência.


Cada sofrimento, cada tortura de nosso ser contém o segredo da chama de um êxtase em comparação a qual nossos maiores gozos não são mais que brilhos vacilantes.

Este é o segredo que produz a atração da alma pelas grandes provas, os sofrimentos e as experiências terríveis da vida, que nossa mente nervosa abomina e foge.




Sri Aurobindo





Fonte: Escola Gurdjieff São Paulo
www.ogrupo.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

ESPIRITUALIDADE - PACIÊNCIA - NATUREZA - ALEGRIA

Espiritualidade não é adoração ou fé cega, mas a ciência do fortalecimento pessoal. É sobre descobrir, desenvolver e maximizar o potencial interior adormecido no âmago de cada ser humano. Com percepção constante e foco nos recursos pessoais, energia espiritual é liberada fluindo na forma de zelo e entusiasmo, discernimento, precisão. Espiritualidade proporciona entendimento, melhora a comunicação e as relações humanas. (BK Ramesh Trimurti, Personal management through spirituality, The World Renewal, April, 2004)

Paciência é uma daquelas virtudes que pode transformar um momento de grande ansiedade em quietude, uma rápida agitação mental no fluir suave de um rio. Na presença de uma pessoa paciente somos envoltos por uma aura de calma como se entrássemos na luz tranquila da ausência de pressa dela. Mesmo quando ela está ocupada, a qualidade da sua ocupação irradia paciência. Para ser paciente, observe a natureza. A natureza é sempre pacientemente ocupada. (Mike George)

Natureza é o jeito que somos é a forma como reagimos, como nos comportamos. Muitas vezes falamos ou fazemos coisas impulsivamente e nos arrependemos depois. Se quisermos mudar nossas respostas, precisamos mudar nossa natureza. Precisamos assimilar uma natureza de facilidade, leveza e simplicidade. Na extensão em que o intelecto, a visão e as palavras são simples, leves e fáceis, ficamos livres do conflito com a nossa natureza antiga.

Alegria é uma mostra sutil dos benefícios da meditação. Pessoas que meditam tem faces alegres. A alegria é um convite silencioso para um mundo de despreocupação e felicidade. Por ser contagiante, é a mais atrativa e efetiva forma de servir os outros. Ciúme e inveja não convivem com a alegria. Grandes mentes são altruístas. Grandes mentes têm grandes corações. Para manter sua alegria absorva apenas as boas qualidades e virtudes dos outros. (BK Jagdish Chander)




Brahma Kumaris






Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Recanto Oriental
Parque Farroupilha (Redenção)
Porto Alegre/RS
Acervo de autoria pessoal

A REVOLUÇÃO INCONSCIENTE - A VONTADE DO EU - O EU OBSERVADOR

Nós usamos virtude, “amor”, a ação da vontade, como meios de subjugar a nós mesmos, nossas idiossincrasias, e pensamos que estamos mudando. Mas, essencialmente, quando chegamos aos níveis mais profundos, ainda é a mesma coisa. Quando consideramos revolução, mudança, certamente não estamos interessados apenas nas mudanças superficiais, que são necessárias, mas com a questão mais profunda, que é a revolução, revolução total, a revolução integrada da totalidade de nosso ser. Pode essa mudança ser provocada pelo esforço, ou deve haver a cessação de todo esforço? O que significa esforço? Para a maioria de nós, esforço implica na ação da vontade, não é? Espero que vocês estejam acompanhando tudo isto, porque se não ouvirem sabiamente, perderão completamente o que vou dizer. Se você ouvir sabiamente, experimentará diretamente o que estou dizendo. A revolução total deve ser completamente inconsciente, não voluntária, não produzida por alguma ação da vontade. Vontade é ainda o desejo, ainda o “eu”, o ego, qualquer que seja o nível em que você possa colocar essa vontade. A vontade de agir é ainda o desejo e, portanto, é ainda o “eu”, e quando eu suprimo a mim mesmo a fim de ser bom, a fim de obter, a fim de me tornar mais nobre, é ainda o desejo, é ainda a ação da vontade tentando se transformar, vestir uma roupagem diferente, é ainda a vontade do “eu” tentando obter um resultado. (Collected Works, Vol. VIII, 35, Action)

Enquanto o “eu” for o observador, aquele que acumula experiência, que se fortalece pela experiência, não pode haver mudança radical, nem liberação criativa. Essa liberação criativa só chega quando o pensador é o pensamento, mas a lacuna não pode ser transposta por meio de nenhum esforço. Quando a mente percebe que qualquer especulação, qualquer verbalização, qualquer forma de pensamento dá força ao “eu”, quando ela vê que enquanto o pensador existe apartado do pensamento deve haver limitação, o conflito da dualidade, quando a mente percebe isso, então ela está vigilante, constantemente consciente de como ela se separa da experiência, afirmando-se, buscando poder. Nessa conscientização, se a mente busca isto mais profunda e extensivamente sem procurar um fim, uma meta, surge um estado onde pensador e pensamento são um. Nesse estado não há esforço, não há se tornar, não há desejo de mudança; nesse estado o “eu” não existe, pois há uma transformação que não é da mente. (The First and Last Freedom,140, Choiceless Awareness)




J. Krishnamurti





Fonte: http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ALEGRIA E PROSPERIDADE

Quando estou no metrô olho o rosto dos demais passageiros. Na maioria vejo um silencioso desespero. Uma tristeza profunda. Uma desesperança.

A prosperidade em todos os aspectos e em todas as áreas somente advém de uma profunda alegria. Aquele sentimento de fundo que permeia todas as nossas ações.

Este tipo de alegria somente temos, quando sentimos aquela sensação de fluxo oceânico com a criação. Essa alegria de ser um só com o Criador e toda a criação é que permite criar todas as situações que queremos e desejamos.

Quando se chega nesse ponto é instantâneo. Essa alegria é fruto de saber, de conhecer. Não é achar; é saber. Existe uma enorme diferença. Saber é vivenciar. Tem-se certeza porque se conhece. É vivenciado.

Tudo que existe no universo só pode ser criado com extrema alegria. Uma alegria genuína. A alegria das crianças inocentes e boas. Essa alegria de deslumbramento e gratidão que sentimos quando estamos em êxtase.

Essa experiência de pico, como Maslow falava, é essa experiência cósmica de união com o Todo. Isso em algumas pessoas acontece uma vez na vida, em outras que chegaram na fusão com o Todo, passa a ser o sentimento contínuo de amor sem fim.

É a alegria de amar incondicionalmente. Quando chegamos num ponto em que não há mais possibilidade de outro sentimento que não o amor. Amor numa intensidade tão grande, numa amplitude tão imensa, que não importa mais de que lado das dimensões da realidade estamos. Continuamos amando sem cessar. Sem tabus e sem preconceitos. Puro amor. Pura doação. Criando uma hierarquia entrelaçada que se reforça por si só.

É com essa alegria que criamos o que queremos, desejamos ou precisamos. Caso não se esteja criando com facilidade é porque está faltando essa alegria pura, transbordante, infinita.

Como se pode chegar a sentir continuamente essa alegria? Entregando-se incondicionalmente ao Todo e deixando que Ele dirija sua vida.




Hélio Couto





Fonte e Direitos Autorais:
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Você pode copiar e redistribuir este material contanto que não o altere de nenhuma forma, que o conteúdo permaneça completo e inclua esta nota de direito e o link: www.heliocouto.com
Fonte da Gravura: O Grande Espírito dos Himalaias
Pintura de Nicholas Roerich
http://www.roerich.org/

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

COMPARTILHAR O AMOR - NÃO VIOLÊNCIA

Todo ser humano tem um coração. Seu coração já está preenchido com amor. Com quantos você abnegadamente compartilhou o amor de seu coração? Não são muitos! Qual é então a utilidade do amor se não for compartilhado? Você deve compartilhar todo o amor presente em seu coração com cada ser da criação. O amor é o dom de Deus e você deve compartilhá-lo livremente neste mundo. Esta é a única maneira de sair de todos os problemas e falhas que as pessoas sofrem. Muitos repetem as palavras mecanicamente: "Que todos os seres, em todos os mundos, sejam felizes". Para quantas pessoas você está dando felicidade? A maioria está preocupada com seus interesses egoístas, tem egos fortes e exibem ostentação o tempo todo. Quem quer que tenha absorvido as preciosas verdades dos Mestres e das escrituras deve estar preenchido com amor. O dia em que você erradicar o egoísmo de seu interior, a Divindade florescerá e desabrochará em seu coração.

A observância da não violência tem sido descrita como a mais alta forma de Dharma. Toda violência no mundo de hoje é devida ao fato de que as pessoas não levam vidas retas. Tem sido dito que o corpo foi dado essencialmente para buscar o Dharma. Entre os ensinamentos do Buda para o mundo, o principal era Ahimsa (não causar mal a ninguém). A não violência não é apenas abster-se de causar ferimentos aos outros com as mãos ou armas. A não violência deve ser praticada com Thrikarana Shuddhi (pureza de pensamento, palavra e ação). Não deve haver maus sentimentos, que são em si uma forma de violência. Causar danos a outras pessoas por meio do corpo é Himsa (violência). Ninguém deve ser prejudicado mesmo pela fala. O discurso deve ser doce, agradável e saudável. Todas as ações devem ser úteis a outras pessoas.




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

LIMPEZA - LIBERDADE - MUDANÇA

A fim de manter sua mente limpa, nunca crie dúvidas sobre si nem sobre os outros. Seja como um guerreiro que avança com determinação no campo de batalha para destruir todas as negatividades com a espada dos pensamentos positivos e dos bons sentimentos para todos. Ao manter na mente só o que é limpo, você pode colocar um ponto no passado e encarar o futuro com confiança.” (António Sequeira, Virtudes para uma nova consciência, Centro de Raja Yoga Brahma Kumaris de Lisboa, 1999)

Para haver auto-progresso precisa haver limpeza em nossos esforços e verdade em nossos corações. Limpeza é explorar e mudar a consciência que mancha o eu e aumenta a negatividade nos outros. Quando o espelho interno é limpo, os sentimentos, a natureza e os motivos são claramente visíveis. Assim refletimos confiabilidade. Confiar e ser confiável são as qualidades capazes de limpar os relacionamentos. Onde há honestidade e limpeza, também há proximidade.

Existe uma história sobre um santo e uma grande alma sentados em um barco. Era noite e eles não conseguiam enxergar, mas podiam sentir o movimento do barco. Passaram toda a noite pensando que estavam navegando e ficaram contentes de estar ali sentados. Mas quando amanheceu eles descobriram que ainda estavam atracados à margem. Esta história nos ensina a não ficarmos ancorados à margem de nossas escravidões. Devemos nos assegurar que estamos nos movendo para frente. E para isso o método é sentar-se no barco da verdade e romper todas as amarras que nos causam tristeza.” (Dadi Janki)

Agora é hora de mudança, tudo está chegando a um clímax. O fim da corrupção está perto. Temos que criar um mundo de verdade e amor. Cada um tem seu papel. Se comparo ou critico, perco tempo porque não posso mudar o papel dos outros. Então tenha pensamentos positivos para si. Contemple o que é bom. Vá para um estado de meditação. Mantenha as qualidades originais da alma (pureza, paz, amor, verdade, felicidade) na mente. Pense nas qualidades do Pai e não se preocupe.




Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

VAZIO CRIATIVO - SABER E MUDANÇA

Você não pode escutar isto como o solo recebe a semente, e ver se a mente é capaz de estar livre, vazia? Ela só pode ficar vazia pela compreensão de todas as suas projeções, suas próprias atividades, não de vez em quando, mas dia a dia, de momento a momento. Então você encontrará a resposta, então verá que a mudança chega sem você pedir, esse estado de vazio criativo não é uma coisa a ser cultivada – está aí, chega obscuramente, sem convite, e só nesse estado existe uma possibilidade de renovação, novidade, revolução. (The Book of Life)

Um homem que diz: “Eu sei” é o mais destrutivo ser humano porque ele, realmente, não sabe. O que ele sabe? Assim, quando você está consciente de que mudou, quando está ciente de que mudou, você não mudou. (Collected Works, Vol. VIII, 5, Choiceless Awareness)




J. Krishnamurti





Fonte: http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Stupa no Tibete
Fotografía de Rosa Sorrosal
http://www.good-will.ch/postcards_es.html

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

COMUNICAÇÃO - PODER ESPIRITUAL - DESPREOCUPAÇÃO

Enviar pensamentos elevados e bons votos a alguém é uma forma poderosa de comunicação. A partir de uma consciência de respeito pelo valor inerente e pela singularidade do outro, cresce o sentimento sincero de bons votos e o reconhecimento de seus pontos fortes. Enviar tal positividade para a atmosfera tem sua recompensa. Não apenas o receptor de tais vibrações puras se beneficia, mas o emissor também experimenta retorno positivo em seus pensamentos e atividades.

Da mesma forma que uma casa abandonada atrairia ladrões para saqueá-la, quando nos esquecemos do nosso lar e identidade internos, a raiva, a ganância e a arrogância entram em nós e começam a nos roubar. Olhe para a sua vida. Quando você sente qualquer forma de falta de paz, a origem é um desses ladrões. O poder que permite que você tenha vitória sobre eles é o poder espiritual. (Dadi Gulzar)

É difícil não se preocupar, quando você está cercado de pessoas pessimistas. É difícil não se preocupar, quando a mídia traz futuros especulativos e nada brilhantes. É quase impossível não se preocupar, depois de tanto ouvir as preocupações de nossos pais. Alguns pensam que herdaram dos pais os genes da preocupação. Não é verdade. A preocupação é apenas um hábito mental aprendido que pode ser desaprendido. Uma das confusões emocionais mais populares é a de que preocupação é igual a cuidado. Mas preocupação não é o mesmo que cuidado. Preocupação é medo, cuidado é amor. E eles são polos opostos. (Mike George)




Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


terça-feira, 14 de outubro de 2014

DÊ UMA CHANCE À MEDITAÇÃO

Quando a mente está sem pensamentos, isso é meditação. A mente fica sem pensamentos em dois estados — ou no sono profundo ou na meditação. Se você está consciente e os pensamentos desaparecem, isso é meditação. Se os pensamentos desaparecem e você fica inconsciente, isso é sono profundo.

O sono profundo e a meditação têm uma semelhança e uma diferença. A semelhança é a seguinte: em ambos, os pensamentos desaparecem. Por outro lado, eles têm uma diferença: no sono profundo, a consciência também desaparece, mas na meditação ela permanece.

Portanto, a meditação é igual a sono profundo mais consciência. Você fica relaxado, como no sono profundo, e continua consciente, totalmente consciente — e isso leva você ao portal dos mistérios.

No sono profundo, você passa para a não-mente, mas sem ter consciência. Você não sabe para onde está sendo levado, embora pela manhã sinta o impacto e o efeito disso. Se se tratar de fato de um sono profundo e belo, sem sonhos que o perturbem, pela manhã você se sentirá renovado, rejuvenescido, vibrante, jovem outra vez, cheio de ânimo e vontade de viver. Mas você não sabe o que aconteceu, onde esteve. Você foi tomado por uma espécie de coma profundo, como se tivesse recebido uma anestesia e sido levado para algum outro plano de onde você volta revigorado, jovem e rejuvenescido.

Na meditação, isso acontece sem anestesia.

Portanto, meditar significa ficar tão relaxado quanto você fica no sono profundo, mas alerta também. Faça com que a consciência continue — deixe que os pensamentos desapareçam, mas a consciência tem de permanecer.

E isso não é difícil, acontece simplesmente que nós nunca tínhamos tentado antes, só isso. É como nadar: se você nunca tentou, vai parecer muito difícil. Vai parecer muito perigoso também. E você não conseguirá nem imaginar como as pessoas conseguem fazer isso, porque você simplesmente afunda! Mas, depois que tiver tentado um pouco, a coisa parece ficar mais fácil; fica muito natural.

Agora um cientista do Japão provou em laboratório que uma criança de seis meses é capaz de nadar; basta dar a ela uma oportunidade. Esse cientista ensinou muitos bebês de seis meses a nadar; ele conseguiu um milagre! E disse que está tentando fazer o mesmo com crianças mais novas também.

É como se a arte de nadar estivesse embutida dentro de nós; para que essa capacidade seja ativada só é preciso dar a ela uma oportunidade.

É por isso que, depois que aprende a nadar, você nunca esquece. Você pode ficar quarenta, cinquenta anos sem nadar, mas nunca esquece. Não se trata de algo acidental, é uma coisa natural; é por isso que você nunca esquece.

A meditação é parecida; é algo que está embutido. Você só tem de dar espaço para que ela entre em ação; é só dar a ela uma chance.




Osho





Fonte: do livro "Consciência: A Chave Para Viver em Equilíbrio"
http://www.palavrasdeosho.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MENTE QUIETA - MENTE SIMPLES - AUTOCONHECIMENTO

Sem conhecer a si mesmo, faça o que fizer, não pode haver o estado de meditação. Quero dizer com “autoconhecimento”, conhecer cada pensamento, cada disposição, cada sentimento; conhecer a atividade de sua mente – não conhecer o ego supremo, o grande ego; não existe tal coisa; o ego superior, o “Atman”, está ainda dentro do campo do pensamento. O pensamento é resultado de nosso condicionamento, o pensamento é a resposta de sua memória, ancestral ou imediata. E simplesmente tentar meditar sem estabelecer primeiro, profundamente, irrevogavelmente, essa virtude que surge através do autoconhecimento, é completamente enganoso e absolutamente inútil. Por favor, é muito importante que aqueles que são sérios compreendam isto. Porque se você não pode fazer isso, sua meditação e o viver atual estão divorciados, apartados – tão apartados que, embora você possa meditar, fazer posturas indefinidamente, pelo resto de sua vida, não enxergará além de seu próprio nariz; qualquer postura que você assumir, qualquer coisa que fizer, não terá significado. É importante compreender o que é esse autoconhecimento, apenas estar cônscio, sem nenhuma escolha, do “eu” que tem sua origem num feixe de memórias – apenas estar cônscio disto sem interpretação, meramente observar o movimento da mente. Mas essa observação é impedida quando você está apenas acumulando através da observação – o que fazer, o que não fazer, o que conseguir; se você fizer isso, porá um fim ao processo vivo do movimento da mente como ego. Ou seja, eu tenho que observar e ver o fato, o presente, o que é. Eu abordo isto com uma ideia, com uma opinião – tal como “eu não devo” ou “eu devo”, que são respostas da memória – então o movimento do que é fica obstruído, bloqueado; e daí, não há aprendizagem.

Quando estamos conscientes de nós mesmos, todo o movimento do viver não é uma revelação do “eu”, do ego? O ego é um processo muito complexo que só pode ser revelado na relação, em nossas atividades diárias, no modo como falamos, no modo como julgamos, calculamos, no modo como condenamos os outros e a nós mesmos. Tudo isso revela o estado condicionado de nosso próprio pensar, e não é importante estar cônscio de todo este processo? Apenas através da conscientização do que é verdadeiro de momento a momento se descobre aquilo que é infinito, o eterno. Sem autoconhecimento, o eterno não pode surgir. Quando não conhecemos a nós mesmos, o eterno se torna uma simples palavra, um símbolo, uma especulação, um dogma, uma crença, uma ilusão para onde a mente pode fugir. Mas se a pessoa começa a compreender o “eu” em todas as suas várias atividades dia a dia, então nessa própria compreensão, sem qualquer esforço, o inominável, o eterno, surge. Mas o eterno não é uma recompensa para o autoconhecimento. Aquilo que é eterno não pode ser perseguido; a mente não pode adquiri-lo. Ele surge quando a mente está quieta, e a mente só pode estar quieta quando é simples, quando não está mais armazenando, condenando, julgando, pesando. Apenas a mente simples pode compreender o real, não a mente que está cheia de palavras, conhecimento, informação. A mente que analisa, calcula, não é uma mente simples.




J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Um Lago no Tibete
Fotografía de Rosa Sorrosal
http://www.good-will.ch/postcards_es.html

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

AMOR (PREMA) À CRIAÇÃO

Prema (amor) deve ser demonstrado não só em relação a Deus, mas por todos os seres da criação.

O amor é uma força poderosa. Nenhum outro poder o supera.

Incompreendendo a natureza do amor, as pessoas caem presas do sofrimento. Este é o resultado de expressões equivocadas do que é considerado amor.

As pessoas hoje adoram a Deus para a realização dos desejos relacionados a este mundo e o outro. Isso não é amor verdadeiro. As pessoas fingem amar seus amigos e parentes por causa de considerações puramente egoístas. Isso é apenas apego e não amor.

Só pode ser descrito como o amor aquilo que se oferece sem qualquer expectativa de recompensa.

Na Gita, Deus foi descrito como Suhrith (um amigo verdadeiro). Sem esperar nada em troca, acompanhando-o como uma sombra; Deus realiza seus desejos.

Deus não tem expectativas. Suhrith define o amor totalmente altruísta do Senhor.




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

PRECISA-SE DE REBELDES - SOMENTE INDIVÍDUOS PODEM SE INSCREVER

Toda multidão é uma multidão heterogênea, mas nenhum indivíduo o é. Cada indivíduo é uma consciência autêntica. No momento em que ele se toma parte da multidão, ele perde a sua consciência; então ele é dominado pelo coletivo, pela mente mecânica.

Estou fazendo uma coisa simples - tirando indivíduos para fora das multidões, devolvendo-lhes a sua individualidade e dignidade.

Eu não quero multidão alguma no mundo. Não importa se eles se juntaram em nome de religiões, ou em nome de nacionalidades, ou em nome de raças. Como tal, a multidão é feia, e as multidões cometeram os maiores crimes no mundo, porque a multidão não tem consciência. Ela é uma inconsciência coletiva.

A consciência torna a pessoa um indivíduo - um pinheiro solitário dançando ao vento, um solitário e ensolarado pico de montanha em sua completa glória e beleza, um solitário leão e seu rugido tremendamente belo que ecoa por quilômetros nos vales.

A multidão é sempre de ovelhas, e todo o esforço do passado tem sido o de converter cada indivíduo em uma peça de engrenagem, em uma parte morta de uma multidão morta. Quanto mais inconsciente ele é, e quanto mais o seu comportamento é dominado pela coletividade, menos perigoso ele se torna. Na verdade, ele se torna quase inofensivo. Ele não pode destruir nem mesmo sua própria escravidão.

Pelo contrário, ele começa a glorificar sua própria escravidão - sua religião, sua nação, sua raça, sua cor. Essas são as suas escravidões, mas ele começa a glorificá-las. Como indivíduo ele não pertence a nenhuma multidão. Toda criança nasce como um indivíduo, mas raramente um homem morre como um indivíduo.

Meu trabalho é fazer com que você encontre a sua morte com a mesma inocência, com a mesma integridade, com a mesma individualidade que você tinha ao nascer. Entre o seu nascimento e a sua morte, a sua dança deveria permanecer um consciente, um solitário alcançar as estrelas... sozinho, incorruptível - um espírito rebelde. A menos que você tenha um espírito rebelde, você não tem espírito algum. Não existem outros tipos de espíritos.

E você pode ficar descansado que eu não irei parar! Essa é a minha única alegria - tornar o maior número possível de pessoas livres de seus cativeiros, de suas celas escuras, de suas algemas, de suas correntes, e trazê-las para a luz, de tal forma que elas também possam conhecer as belezas deste planeta, a beleza deste céu, as belezas desta existência.

(...)

Em uma coletividade, em uma multidão, você simplesmente se apega aos cadáveres do passado. Um homem, vivendo de acordo com a multidão, parou de viver. Ele está simplesmente seguindo como um robô.

(...)

Mas o homem na multidão tem sempre agido cegamente. Se você puxa o mesmo homem para fora da multidão e lhe pergunta: “O que você estava fazendo? Você pode fazer isso sozinho, por você mesmo?” Ele se sentirá embaraçado. E você ficará surpreso ao ouvir a sua resposta: “Por minha própria conta não posso fazer uma coisa tão estúpida, mas quando estou numa multidão, algo estranho acontece.”

(...)

O homem perde tão facilmente sua pequena consciência no oceano coletivo da inconsciência. Essa é a causa de todas as guerras, de todos os motins, de todas as cruzadas, de todos os assassinatos.

Indivíduos cometeram muito poucos crimes comparados aos da multidão. E as razões dos indivíduos que cometeram crimes são totalmente diferentes - eles nasceram com uma mente criminosa, nasceram com uma química criminosa, necessitam de tratamento. Mas o homem que comete um crime porque ele é parte de uma multidão nada tem que deva ser tratado. Tudo o que é necessário é tirá-lo da multidão. Ele deveria ser limpo; limpo de todas as escravidões, limpo de todo o tipo de coletividade. Ele deveria se tomar um indivíduo novamente - assim como era quando veio ao mundo.

As multidões devem desaparecer do mundo.

Somente indivíduos deveriam permanecer.

Então, os indivíduos podem ter encontros, os indivíduos podem ter confraternizações, os indivíduos podem ter diálogos. No momento, sendo parte de uma multidão, eles não são livres, nem mesmo conscientes para terem um diálogo ou uma comunhão.

Meu trabalho é tirar os indivíduos para fora de qualquer multidão - cristã, muçulmana, hindu, judia... qualquer multidão política, qualquer multidão racial, qualquer multidão nacional - indiana, chinesa, japonesa. Eu sou contra a multidão e absolutamente pelo indivíduo, porque somente o indivíduo pode salvar o mundo. Somente o indivíduo pode ser o rebelde e o novo homem, a base para uma humanidade futura.

(...)

As pessoas são imitadoras. Não estão agindo por conta própria; estão reagindo. O marido abandonou-a; isso se tomou uma reação nela, uma vingança - ela está voltando à ação. Essa não é uma ação vinda da consciência, não é uma indicação de individualidade.

É assim que a mente coletiva funciona - sempre de acordo com alguma outra pessoa. Contra ou a favor, não importa; conformista ou não-conformista, não importa. Mas ela está sempre dirigida, motivada, comandada por outros. Deixada por si mesma, ficará completamente perdida - o que fazer?

Estou ensinando o meu povo a ser meditador: a ser pessoas que possam desfrutar a solidão, que possam respeitar a si mesmas sem pertencerem a qualquer multidão, que não vendem as suas almas por recompensa, honraria, respeitabilidade e prestígio algum que a sociedade possa lhes dar. A sua honra, o seu prestígio e o seu poder estão dentro de seus próprios seres - na sua liberdade, no seu silêncio, no seu amor, na sua ação criativa - e não em sua reação. O que os outros fazem não é o que determina a sua vida.

A sua vida emerge do seu próprio interior. Ela tem as suas raízes na terra e os seus ramos no céu. Ela tem a sua aspiração própria de alcançar as estrelas.

Somente tal homem tem beleza e graça. Somente tal homem cumpriu o desejo da existência ao dar-lhe nascimento, ao dar-lhe uma oportunidade. Aqueles que permanecem parte da multidão perderam o trem.




Osho





Fonte: do livro "O Rebelde: O Verdadeiro Sal da Terra"
http://www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ALMA - EMANAÇÃO DA DIVINDADE

Tudo o que existe no universo está contido nesse princípio que todos possuímos: a nossa alma superior. Essa alma superior que está em contacto com o Céu é uma emanação do próprio Deus.

Ao encarnarmos na matéria, nós perdemos o contacto com essa alma que, contudo, habita em nós. Mas, se procurarmos conhecê-la, se nos identificarmos com ela, aproximar-nos-emos do nosso ser verdadeiro: a nossa consciência eleva-se, as suas vibrações tornam-se mais intensas e, um dia, ela funde-se na consciência da Alma Universal; passamos a estar em unidade com o Criador e com a criação.

Esta verdade – a de que possuímos em nós uma quinta-essência de tudo o que existe no universo - não deve permanecer uma ideia abstrata. Nós devemos vivê-la; portanto, devemos procurar, explorar, cavar, a fim de trazermos à nossa consciência todos esses tesouros enterrados em nós.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

REENCARNAÇÃO - DÁDIVA DE DEUS

Como é compreensível, a planificação para reencarnações é quase infinita, obedecendo a critérios que decorrem das conquistas morais ou dos prejuízos ocasionais de cada candidato.

Na generalidade, existem estabelecidos automatismos que funcionam sem maiores preocupações por parte dos técnicos em renascimento, e pelos quais a grande maioria de Espíritos retorna à carne, assinalados pelas próprias injunções evolutivas.

Ao lado desse extraordinário automatismo das leis da reencarnação, há programas e labores especializados para atender finalidades específicas, na execução de tarefas relevantes e realizações enobrecedoras, que exigem largo esforço dos Mentores encarregados de promover e ajudar os seus pupilos, no rumo do progresso e da redenção.

Sem nos desejarmos deter em pormenores dos casos especiais, referentes aos missionários do amor e aos abnegados cultores da Ciência e da Arte, os candidatos em nível médio de evolução, antes de serem encaminhados às experiências terrenas, requerem a oportunidade, empenhando os melhores propósitos e apresentando os recursos que esperam utilizar, a fim de granjearem a bênção do recomeço, na bendita escola humana...

Examinados por hábeis e dedicados programadores, que recorrem à técnicas mui especiais de avaliação das possibilidades apresentadas, são submetidos a demorados treinamentos, de acordo com o serviço a empreender, com vistas ao bem-estar da Humanidade, após o que são selecionados os melhores, diminuindo, com esse expediente, a margem de insucesso. Os que não são aceitos, voltam a cursos de especialização para outras atividades, especialmente de equilíbrio com que se armam de forças para vencer as más inclinações defluentes das existências anteriores que se malograram, bem como para a aquisição de valiosas habilidades que lhes repontarão, futuramente, no corpo, como tendências e aptidões.

Concomitantemente, de acordo com a ficha pessoal que identifica o candidato, é feita a pesquisa sobre aqueles que lhe podem oferecer guarida, dentro dos mapas cármicos, providenciando-se necessários encontros ou reencontros na esfera dos sonhos, se os futuros genitores já estão no veículo físico, ou diretamente, quando se trata de um plano elaborado com grande antecedência, no qual os membros do futuro clã convivem, primeiro, na Erraticidade, donde partem já com a família adrede (*) estabelecida...

Executada a etapa de avaliação das possibilidades e a aproximação com a necessária anuência dos futuros pais, são meticulosamente estudados os mapas genéticos de modo a facultarem, no corpo, a ocorrência das manifestações físicas como psíquicas, de saúde e doença, normalidade ou idiotia, lucidez e inteligência, memória e harmonia emocional, duração do cometimento corporal e predisposições para prolongamento ou antecipação da viagem de retorno, ensejando, assim, probabilidades dentro do comportamento de cada aluno a aprendizagem terrena...

Fenômenos do determinismo são estabelecidos com margem a alternâncias decorrentes do uso do livre-arbítrio, de modo a permitir uma ampla faixa de movimentação com certa independência emocional em torno do destino, embora sob controles que funcionam automaticamente, em consonância com as leis do equilíbrio geral.

São travados debates entre o futuro reencarnante e os seus fiadores espirituais, com a exposição das dificuldades a enfrentar e dos problemas a vencer, nascendo e se desdobrando a euforia e a esperança em relação ao futuro.

Em clima de prece, entre promessas de luta e coragem, sob o apoio de abnegados Instrutores, o Espírito mergulha no oceano compacto da psicosfera terrena e se vincula à célula fecundada, dando início a novo compromisso.

Os que o amam, na Espiritualidade, ficam expectantes e interessados pelos acontecimentos, preocupados pelos sucessos que se darão, e buscando interceder nas horas graves, auxiliando nos momentos mais difíceis, encorajando sempre...

A reencarnação, porém, que leva a parcial esquecimento das responsabilidades, em razão da imantação celular que se faz, é sempre cometimento (**) de grande porte e alta gravidade.

Conseguido o êxito do renascimento, continua o intercâmbio, durante a primeira infância, com os Amigos da retaguarda espiritual e, à medida que o corpo absorve o Espírito ou este se assenhoreia daquele, vão-se apagando as lembranças mais próximas enquanto ressumam as fixações mais fortemente vivas no ser, dando nascimento às tendências e paixões que a educação e a disciplina moral devem corrigir a benefício do educando.

Nunca cessam, em momento algum, os socorros inspirativos que procedem da esfera espiritual, em contínuas tentativas pelo aproveitamento integral do valioso investimento a que o Espírito se propôs.

O retorno é feito, quase sempre, com altos índices de fracasso, com agravamento de responsabilidades; de insucesso, em decorrência da invigilância e da indolência, dando margem à amargura e à perturbação; de perda do tentame (***), graças à fatuidade e aos graves comprometimentos do pretérito, de que não se conseguiram libertar...

Pode-se compreender a preocupação afetuosa dos Benfeitores espirituais que acompanham os seus pupilos, à medida que estes se afastam da sua influência benéfica e se transferem espontaneamente de área vibratória, entregando-se aos envolvimentos perniciosos e destrutivos.

Instam esses nobres cooperadores do bem, para que os seus protegidos retornem ao roteiro traçado, usando de mil recursos sutis, ou de interferências mais vigorosas, tais como as enfermidades inesperadas, os acidentes imprevistos, as dificuldades econômicas, a carência afetiva, de modo a despertarem do anestésico da ilusão os que se enovelaram nos fins da leviandade ou se intoxicaram pelo bafio do orgulho, do egoísmo, da cólera...

Outras vezes, recorrem a outros amigos e benfeitores, a favores da vida e a ajudas que lhes facilitem a marcha, perseverando até quando, rechaçados, ficam à distância, aguardando...

A reencarnação é o maior investimento da vida ao Espírito em processo evolutivo, o qual, sem ela, padeceria a hipertrofia de valores intelecto-morais, pela falta do ensejo da convivência com aqueles que se lhe vinculam pelo amor santificado, pelo amor asselvajado das paixões dissolventes, ou pelo amor enlouquecido no ódio, na violência, na perseguição...

A conjuntura carnal constitui valiosa aprendizagem para a fixação dos recursos mais elevados do bem e do progresso na escalada inevitável da evolução.

Sem dúvida, o parcial olvido dos compromissos assumidos responde por alguns fatores do insucesso, mas, ao mesmo tempo, isto constitui a mais expressiva concessão do amor do Pai, evitando que se compliquem os fenômenos da animosidade e do ressentimento, das mágoas e das preferências exclusivistas, que tenderiam a reunir os afins nos gostos e afetos, produzindo um clima de desprezo e agressão contra aqueles que se lhes opusessem.

Como jamais retrograda o Espírito, no seu processo evolutivo, os insucessos não atingem as conquistas, que permanecem, agravando, isto sim, o programa de responsabilidades de que se desobrigara, quando falharem as provações remissoras, mediante as expiações redentoras que serão utilizadas como terapêutica final.

Todas as conquistas da inteligência – e sempre são logradas novas etapas, nesse campo, em cada reencarnação – permanecem, embora as aquisições morais, mais lentas, porém, mais importantes, somente através de sacrifício e renúncia, de amor e devotamento conseguem ser alcançadas.

Com as luzes projetadas pelo Espiritismo, na atualidade, o empreendimento da reencarnação adquire hoje mais amplo entendimento pelos homens, que reconhecem a sua procedência espiritual, identificando-a e, por sua vez, preparando-se para o retorno à vida que estua e nela se encontra, inevitavelmente, seja no corpo ou fora dele.


(*) N.E.: expressamente, acintosamente, propositalmente.
(**) N.E.: ação de cometer, tentativa, acontecimento.
(***) N.E.: ato de tentar, tentativa, ensaio.



Divaldo Pereira Franco / Manoel Philomeno de Miranda





Fonte: do livro "Temas da Vida e da Morte", FEB
Fonte da Gravura: O Avatar de Síntese
Pintura de Ludger Philips
http://www.ludgerphilips.org/





domingo, 12 de outubro de 2014

AUTOCONHECIMENTO - CRIATIVIDADE

Não existe método para o autoconhecimento. Buscar um método invariavelmente implica o desejo de conseguir algum resultado e é isso que todos nós queremos. Seguimos a autoridade – se não aquela de uma pessoa, então a de um sistema, de uma ideologia – porque queremos um resultado que será satisfatório, que nos dará segurança. Nós, realmente, não queremos compreender a nós mesmos, nossos impulsos e reações, todo o processo de nosso pensar, o consciente bem como o inconsciente; queremos antes buscar um sistema que nos assegure um resultado. Mas a busca de um sistema é, invariavelmente, resultado de nosso desejo de segurança, de certeza, e o resultado é, obviamente, não a compreensão de si mesmo. Quando seguimos um método, devemos ter autoridades – o professor, o guru, o salvador, o Mestre – que nos garantirão o que desejamos; e esse, certamente, não é o caminho para o autoconhecimento, não é? Sob o abrigo de uma autoridade, um guia, você pode ter, temporariamente, uma sensação de segurança, uma sensação de bem estar, mas isso não é a compreensão do processo total de você mesmo. A autoridade, em sua própria natureza, impede a integral consciência de si mesmo e, assim, finalmente destrói a liberdade; só na liberdade pode haver criatividade. Só pode haver criatividade através do autoconhecimento.

Então, para compreender os inumeráveis problemas que cada um de nós tem, não é essencial que haja autoconhecimento? E essa é uma das coisas mais difíceis, consciência de si – o que não significa um isolamento, um retraimento. Obviamente, se conhecer é essencial; mas se conhecer não implica se retirar da relação. E seria um erro, certamente, pensar que a pessoa pode se conhecer significantemente, completamente, totalmente, através do isolamento, ou indo para algum psicólogo ou algum sacerdote; ou que se pode aprender autoconhecimento através de um livro. Autoconhecimento é obviamente um processo, não um fim em si mesmo; e para conhecer a si mesmo, deve-se estar cônscio de si mesmo em ação, o que é relação. Você descobre a si mesmo, não em isolamento, não retraído, mas em relação, em relação com a sociedade, com sua esposa, seu marido, seu irmão, com o homem; mas para descobrir como você reage, qual é sua resposta, é preciso extraordinária vigilância da mente, sutileza de percepção.

Sem autoconhecimento, a experiência gera ilusão; com autoconhecimento, a experiência, que é a resposta ao desafio, não deixa um resíduo cumulativo como memória. Autoconhecimento é a descoberta, de momento a momento, dos caminhos do ego, suas intenções e ocupação, seus pensamentos e apetites. Nunca pode haver “sua experiência” e “minha experiência”; o próprio termo “minha experiência” indica ignorância e a aceitação da ilusão.




 J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

PENSAMENTO - TUTOR - GENEROSIDADE

Há tanto poder em um pensamento puro e elevado. Você pode ajudar muitas pessoas com um pensamento dessa qualidade. Imagine a força que um foguete precisa para chegar ao alvo de sua missão. Frente ao poder do pensamento, um foguete não é nada. Utilize esse método e você alcançará um resultado muito além do esperado. Para isso é preciso praticar a introversão. Fixe um tempo para dar poder aos seus pensamentos e aumentar a conta de seus tesouros internos.

Ser um tutor significa cuidar de tudo com honestidade e zelo. É ser capaz de estar presente, comprometido, mas, ao mesmo tempo, num estado de desapego. É ter amor e atuar com responsabilidade na tarefa, enquanto sem estar carregando nenhum peso desnecessário. Um tutor verdadeiro constantemente se relembra do Divino, como Aquele que lhe inspira a ser um instrumento Dele para ajudar na mudança do mundo, permanecendo assim, em harmonia interna em seu dia a dia.

Generosidade é a capacidade de fazer com que todos progridam e manter os outros na frente. É justamente quando uma pessoa não tem o desejo de estar à frente é que ela alcança o que seu coração deseja. Na extensão em que ela mantém a consciência de ser livre de desejos, Deus e os outros irão considerá-la digna e a manterão à frente.




Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: O Messias
Pintura de Freydoun Rassouli 
http://www.rassouli.com/

PROSPERIDADE APARENTE (NEM TODOS SABEM POSSUIR)

Prosperidade na Terra quer dizer fortuna, felicidade.

Grande parte das criaturas, almejando-lhe a posse, pleiteia relevo, autoridade, domínio...

Gastam-se largos patrimônios da existência para conquistar-lhe o prestígio e não falta quem surja no prélio estudando as forças ocultas para incorporar-lhe o bafejo.

Milhões dos homens de hoje vivem à cata de ouro e predominância, com o mesmo empenho com que antigamente, em aprendizados mais simples, se entregavam aos misteres primitivos de caça e pesca.

E que, na procura desse ou daquele valor da vida, mobilizamos a energia mental, constituída à base de nossas emoções e desejos.

O espelho do coração, constantemente focado no rumo dos objetos e situações que buscamos, traz-nos à rota os elementos que nos ocupam a alma.

Não esqueçamos, todavia, que, na laboriosa jornada para a Glória Divina, nos confundimos sempre com aquilo que nos possui a atenção, demorando-nos nesse ou naquele setor de luta, conforme a extensão e duração de nossos propósitos.

Como no filme cinematográfico, em que a história narrada é feita pelos quadros que se sucedem, ininterruptos, a experiência que nos é peculiar, nessa ou naquela fase da vida, constitui-se dos reflexos repetidos de nossos sentimentos, gerando ideias contínuas que acabam plasmando os temas de nossa luta, aos quais se nos associa a mente, identificando-se, de modo quase absoluto, com as criações dela mesma, à maneira da tartaruga que na carapaça, formada por ela própria, se isola e refugia.

Em razão disso, o conceito de prosperidade no mundo é sempre discutível, porquanto nem todos sabem possuir, elevar-se ou comandar com proveito para os sagrados objetivos da Criação.

Muita gente, pela reflexão mental incessante em torno dos recursos amoedados, progride em títulos materiais; entretanto, se os não converte em fatores de enriquecimento geral, cava abismos dourados nos quais se submerge, gastando longo tempo para libertar-se do azinhavre da usura.

Legiões de pessoas no século ferem o solo da vida, com anseios repetidos de saliência individual, e adquirem vasto renome na ciência e na religião, nas letras e nas artes; contudo, se não movimentam as suas conquistas no amparo e na educação dos companheiros da senda humana, quase sempre, muito embora fulgurem nas galerias da genialidade, sofrem o retorno das ondas mentais de extravagância que emitem, caindo em perigosos labirintos de purgação.

Há, por isso, muita prosperidade aparente, mais deplorável que a miséria material em si mesma, porque a mesa vazia e o fogão sem lume podem ser caminhos de louvável reparação, enquanto o banquete opíparo e a bolsa farta, em muitas ocasiões, apenas significam avenidas de licença que correm para o despenhadeiro da culpa, de onde só conseguiremos sair ao preço de longos estágios na perturbação e na sombra.

Muitos religiosos perguntam por que motivo protegeria Deus o progresso material dos ímpios. Em verdade, porém, semelhante fortuna não existe, de vez que a prosperidade, ausente da reta conduta, não passa de apropriação indébita e é como roupa brilhante cobrindo chagas ocultas, que exigem a formação de reflexos contrários aos enganos que as originaram, a fim de que a prosperidade legítima, a expressar-se em serviço e cultura, amor e retidão, confira ao espírito o reflexo dominante da luz.




Francisco Cândido Xavier / Emmanuel





Fonte: do livro "Pensamento e Vida"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 11 de outubro de 2014

INTUIÇÃO DAS PENAS E GOZOS FUTUROS - O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Questões 960 a 962 - Intuição das Penas e Gozos Futuros

Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec em "O Livro dos Espíritos"


960. Donde se origina a crença, com que deparamos entre todos os povos, na existência de penas e recompensas porvindouras?

"É sempre a mesma coisa: pressentimento da realidade, trazido ao homem pelo Espírito nele encarnado. Porque, sabei-o bem, não é debalde que uma voz interior vos fala. O vosso erro consiste em não lhe prestardes bastante atenção. Melhores vos tornaríeis, se nisso pensásseis muito, e muitas vezes."


961. Qual o sentimento que domina a maioria dos homens no momento da morte: a dúvida, o temor, ou a esperança?

"A dúvida, nos cépticos empedernidos; o temor, nos culpados; a esperança, nos homens de bem."


962. Como pode haver cépticos, uma vez que a alma traz ao homem o sentimento das coisas espirituais?

"Eles são em número muito menor do que se julga. Muitos se fazem de espíritos fortes, durante a vida, somente por orgulho. No momento da morte, porém, deixam de ser fanfarrões."


Comentário de Allan Kardec:

A responsabilidade dos nossos atos é a consequência da realidade da vida futura. Dizem-nos a razão e a justiça que, na partilha da felicidade a que todos aspiram, não podem estar confundidos os bons e os maus. Não é possível que Deus queira que uns gozem, sem trabalho, de bens que outros só alcançam com esforço e perseverança. A ideia que, mediante a sabedoria de Suas leis, Deus nos dá de Sua justiça e de Sua bondade não nos permite acreditar que o justo e o mau estejam na mesma categoria a Seus olhos, nem duvidar de que recebam, algum dia, um a recompensa, o castigo o outro, pelo bem ou pelo mal que tenham feito. Por isso é que o sentimento inato que temos da justiça nos dá a intuição das penas e recompensas futuras.




Allan Kardec





Fonte: do livro "O Livro dos Espíritos", 76º ed., Rio de Janeiro, RJ, FEB, 1995
Fonte da Gravura: Palácio de Potala - Llasa
Fotografía de Rosa Sorrosal
http://www.good-will.ch/postcards_es.html

A VELHA MENTE ESTÁ CONFINADA PELA AUTORIDADE

O problema então é: É possível para uma mente que foi tão condicionada – educada em inumeráveis seitas, religiões, e todas as superstições, medos – se apartar de si mesma e, com isso, produzir uma nova mente?

A velha mente é essencialmente a mente que está confinada pela autoridade. Eu não estou usando a palavra autoridade no sentido legal; mas com essa palavra quero dizer autoridade como tradição, autoridade como conhecimento, autoridade como experiência, autoridade como meio de encontrar segurança e permanecer nessa segurança, externa e internamente, porque, afinal, é isso que a mente está sempre buscando, – um lugar onde ela possa estar segura, sem perturbação.

Tal autoridade pode ser a autoridade auto-imposta de uma ideia ou a chamada ideia religiosa de Deus, que não tem realidade para uma pessoa religiosa. Uma ideia não é um fato, é uma ficção. Deus é uma ficção; você pode acreditar nele, mas ele é ainda uma ficção. 

Mas para encontrar Deus você deve destruir completamente a ficção, pois a velha mente é a mente que é medrosa, que é ambiciosa, tem medo de morrer, de viver e de relação; e ela está sempre, consciente ou inconscientemente, buscando uma permanência, segurança.




J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal