quarta-feira, 10 de junho de 2020

CONFLITOS INTERPESSOAIS



Vivêssemos nós numa ilha absolutamente deserta, não teríamos com que nos comparar e nem noção da posição que ocupamos. Há quem diga então que isso seria benéfico pelo fato de não nos inquietarmos com o que nos falta. Além disso, não experimentaríamos as inconveniências que os relacionamentos nos impõem dia a dia. Aliás, diz-se que o sofrimento neste mundo tem origem justamente no confronto com as pessoas e é comum ouvirmos — e talvez dizermos — “eu não dou trabalho a ninguém”, “as minhas coisas são todas certinhas”, “se eu vivesse sozinho eu não passaria raiva com ninguém”...

Sendo uma lei inexorável o convívio social (ninguém nasce sozinho), é imperativo percebermos a que estamos submetidos e quais os propósitos da Natureza que nos impôs essa vida carnal — se bem é improvável supormos que a vida espiritual seja de isolamento.

Os contratempos entre as pessoas ocorrem primeiramente em razão do livre arbítrio de cada um. A liberdade de pensamento e de ação aliada à inteligência particular de cada indivíduo estabelece o encontro de consciências independentes. Logicamente, por que nem todos pensam sob os mesmos valores, vez ou outra, as opiniões se contradizem e até podem ser tão extremas a ponto de gerar sérios conflitos. Pelo fato de compartilharem um mesmo plano e por muitas vezes a caminhada exigir uma única escolha dentre as variadas proposições, aqueles que foram preteridos podem conservar sentimentos negativos.

A concorrência natural da vida nos convida a uma competição social. Ora, sendo tripulantes de um mesmo navio, obrigatoriamente todos viajamos sob um itinerário único, ainda que dentre nós haja quem deseje mudar a rota. Em algumas situações, podemos descer desse navio e, tomando de um barquinho particular, seguir um rumo diferente. Entretanto, em geral, ou estamos sob o leme de alguém ou em nosso barco conduzimos outras pessoas.

Somos tendenciosos a culpar os outros pelos contratempos sociais a partir de quando não temos domínio sobre as consciências, porque não conseguimos influenciar a todos exatamente segundo os moldes que julgamos acertados para a organização das coisas. Essa injustiça para com os semelhantes se dá pela ignorância de nossa parte em percebermos que a ordem da natureza terrena não pertence a nenhum dos que nela habitam, quer dizer, ninguém dentre nós é o responsável absoluto pelas leis que aqui imperam. Se tivéssemos que culpar alguém este seria a Consciência superior criadora deste mundo — que seria Deus. Mas como não nos sentimos à vontade para condenar a Divindade, somos convidados a pensar sobre o que enxergamos como imperfeição no mundo. Será que ele não é perfeito e que a imperfeição esteja justamente em nós, que não enxergamos a perfeição das coisas?

No jogo de opiniões diversas e a precisão de decisões, somos compelidos a buscar o equilíbrio social, ou seja, o acordo mútuo entre as opiniões — que os gregos intitularam democracia. Mas como os ideais pessoais são por vezes tão discordantes — porque cada qual prejulga possuir a razão das coisas —, cremos viver num plano de ideias incompatíveis, e, por conseguinte, de plena infelicidade, já que não há acordo total. Isto se dá em decorrência de fixarmos nossa vida exclusivamente pelos valores humanos a que estamos submetidos neste orbe. Despertando nossa consciência para a essência superior — da vida espiritual —, teremos alargado o pensamento, potencializando nossa capacidade de melhor elaborar nossas ideias — seja para vivermos melhor o hoje, seja para o amanhã, no plano dos Espíritos.


Louis Neilmoris



Fonte: do livro "O Grande Encontro Filosófico - Autodescobrimento Aplicado"
Ed. Luz Espírita, abril de 2014, digital - www.luzespirita.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/c%C3%A9rebro-acho-que-pensamentos-4065092/

CONTATO COM O NOSSO VERDADEIRO SER


Uma das maiores causas de tristeza e de sofrimento é a inabilidade em se comunicar. Muito frequentemente aquilo que tentamos dizer, ou o meio de expressão, distorce o que sentimos e o que queremos significar. O repetido fracasso em comunicar-se pode acumular um terrível sentimento de que não conseguiremos comunicar o que verdadeiramente sentimos e o que queremos dizer. Se sentirmos que o nosso eu verdadeiro está permanentemente isolado dos outros e que nossos mais profundos sentimentos estão impossibilitados de comunicação para além de nós mesmos, então estamos naquele isolamento onde reside toda solidão e medo. Um dos efeitos mais poderosos da meditação é que ela confronta, diretamente, esta amarga sensação de isolamento...

Pela meditação nós a realçamos... não há lugar onde se esconder. Não haverá como nos distrairmos, se estamos meditando. A meditação expõe, como uma dura e essencial verdade, que se você quer ser completamente humano você precisa encarar o fato de que se não podemos comunicar nosso verdadeiro eu aos outros é porque nós mesmos não entramos em contato com o nosso ser. Se nos sentimos isolados daqueles que nos cercam é porque estamos isolados de nós mesmos. Apenas quando soubermos quem somos é que poderemos ser quem somos e poderemos nos comunicar com os outros. À medida que você medita, você entra em contato com o seu verdadeiro e comunicativo ser.

Fazer isto requer uma grande quantidade de trabalho real de perseverança na meditação. A perseverança nos fará perguntar, "O que de fato nos isola do nosso verdadeiro ser?" A meditação nos dá uma resposta simples. Não uma resposta fácil, mas simples: "Nada". Nada nos separa de nosso verdadeiro eu. Nada, exceto a falsa ideia de que alguma coisa se interpõe entre eles. Esta falsa ideia é o que chamamos de ego. [...]

A cada meditação, pela manhã e à tarde, nós nos livramos de outra camada de auto-consciência. Primeiro deixamos para trás todas as ideias. Então, na próxima camada de consciência nos desprendemos da imaginação e deixamos todas as imagens para trás. Quando tivermos feito isto seremos simplesmente nós mesmos, sem camadas e nus. A isto, Jesus chamou de "pobreza de espírito." [...]

É uma bela pobreza de espírito. É um revitalizante caminho a seguir. Se há momentos difíceis, eles não impedem que seja feliz, belo e pacífico. É uma pobreza grandiosa porque nos liberta para vermos a luz de nosso verdadeiro ser e sabermos que somos aquela luz. O mantra nos faz atravessar as camadas do pensamento, da linguagem e da imaginação, até a luminosidade pura da plena consciência. O mantra é muito simples, é como o 'bip' que guia um avião para aterrissar em meio à névoa, pois ao seguir o 'bip' o avião mantém o rumo. É como o cursor na tela do computador que ao mesmo tempo segue e guia a mente. Onde está o cursor também está o operador. O mantra é simplesmente o ponto focal onde brilha a luz do verdadeiro eu.

Ao seguir meditando, podemos não sentir que isto ocorre durante os momentos da meditação, mas não se preocupe e não espere que algo aconteça... Mas, se perseverar, então sua própria vida brilhará, lenta, mas profundamente, com essa luminosidade interior... e saberá que a luz está ali, em tudo.


Dom Laurence Freeman, OSB



Fonte: "A Luz do Ser" - Leitura de 01/06/2008
Light Within: The Inner Path Of Meditation (New York: Crossroad, 1989) pp. 85-87.
Tradução de Roldano Giuntoli
Comunidade Mundial para a Meditação Cristã - http://www.wccm.com.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/buda-medita%C3%A7%C3%A3o-est%C3%A1tua-religi%C3%A3o-1281249/

É POSSÍVEL REDUZIR O CARMA ?


[...] O carma é purificável através da educação e da meditação. O carma é algo criado por nós, e tudo o que é criado pode ser alterado. Só o que está além da criação - como a natureza absoluta da nossa mente - não pode ser alterado.

Há duas formas de eliminar o carma negativo: uma delas é experienciar as situações da vida sem rejeitá-las, e recebê-las com amor e compaixão, transformando carma negativo em positivo; a outra forma é purificar o carma negativo antes de vivenciá-lo, e ir além do carma, não importando se ele é positivo ou negativo. Esta segunda maneira de abordar a questão é crucial, mas só pode acontecer depois de treinarmos nossa mente através de avançadas técnicas de meditação.

De maneira mais imediata, a melhor coisa a ser feita é transformar carma negativo em carma positivo. Mas precisamos ter em mente que produzir carma positivo não é uma solução absoluta para nosso sofrimento. Porque todo carma, positivo ou negativo, é impermanente. Isso significa que, seja qual for o resultado positivo que você crie, ele também vai mudar, mais cedo ou mais tarde. É um ciclo: o que é positivo se transforma em negativo e o que é negativo, em positivo. A única saída é obter a realização da iluminação e tirar você e sua mente deste sistema cíclico de existência.

Enquanto isso não ocorre, faça seu melhor e crie condições positivas para suas experiências futuras, aceitando o seu carma, vivendo-o da melhor forma possível e o purificando.


Lama Tsering

Entrevista de Lama Tsering concedida ao site Vya Estelar.


Fonte: Chagdud Gonpa - Odsal Ling
Centro de budismo tibetano vajraiana
Fonte da Gravura: Tumblr.com

terça-feira, 9 de junho de 2020

AUTOCRUELDADE


A autocrueldade é, sem dúvida, a mais dissimulada de todas as opressões.

De todas as violências que padecemos, as que fazemos contra nós mesmos são as que mais nos fazem sofrer. Nessa crueldade, não se derrama sangue, somente se constroem cercas e cercas, que passam a nos sufocar e a nos afligir por dentro.

Montaigne, célebre filósofo francês do século XVI, escreveu: “A covardia é mãe da crueldade”. Realmente, é assim que se inicia nossa autoagressão. Em razão de nossa fragilidade interior e de nossos sentimentos de inferioridade, aparece o temor, que nos impede de expressar nossas mais íntimas convicções, dificultando-nos falar, pensar e agir com espontaneidade ou descontração.

A autocrueldade é, sem dúvida, a mais dissimulada de todas as opressões. Além de vir adornada de fictícias virtudes, recebe também os aplausos e as considerações de muitas pessoas, mas, mesmo assim, continua delimitando e esmagando brutalmente. Essa atmosfera virtuosa que envolve os que buscam ser sempre admirados e aceitos deve-se ao papel que representam incessantemente de satisfazer e de contentar a todos, em quaisquer circunstâncias. Buscam contínuos elogios, colecionando reverências e sorrisos forçados, mas pagam por isso um preço muito alto: vivem distantes de si mesmos.

A causa básica do “autotormento” consiste em algo muito simples: viver a própria vida nos termos estabelecidos pela aprovação alheia.

A timidez pode ser considerada uma autocrueldade. O acanhado vigia-se e, ao mesmo tempo, vigia os outros, vivendo numa autoprisão. Em razão de ser aceito por todos, ele não defende sua vontade, mas sim a vontade das pessoas. Pensa que há algo de errado com ele, não desenvolve a autoconfiança e, continuamente, se esconde por inibição.

Pensar e agir, defendendo nosso íntimo e nossos direitos inatos e, definindo nossas perspectivas pessoais, sem subtrair os direitos dos outros, é a imunização contra a autocrueldade.

Para vivermos bem com nós mesmos, é preciso estabelecermos padrões de autorrespeito, aprendendo a dizer “não sei”, “não compreendo”, “não concordo” e “não me importo”.

As criaturas que procuram bajulação e exaltação martirizam-se para não cometer erros, pois a censura, a depreciação e a desestima é o que mais as atemorizam. Esquecem-se de que os erros são significativas formas de aprendizagem das coisas. É muito compreensível faltarmos à lógica numa tomada de decisão, ou mudamos de ideia no meio do caminho; no entanto, quando errarmos, será preciso que assumamos a responsabilidade pelos nossos desencontros e desacertos e apreendamos o ensinamento da lição vivenciada.

Quem busca consenso, crédito e popularidade não julga seus comportamentos por si mesmo, mas procura, ansiosamente, as palmas dos outros, oferecendo inúmeras razões para que suas atitudes sejam totalmente consideradas.

Vivendo e seguindo seus próprios passos, poderá inicialmente encontrar dificuldades momentâneas, mas, com o tempo, será recompensado com um enorme bem-estar e uma integral segurança de alma.

Estar alheio ou sair de si mesmo, na ânsia de ser amado por todos aqueles que considera modelos importantes, será uma meta alienada e inatingível. O único modo de alcançar a felicidade é viver, particularmente, a própria vida.

A fixação que temos de olhar o que os outros acham ou acreditam, sem possuirmos a real consciência do que queremos, podemos, sentimos, pensamos e almejamos, é o que promove a destruição em nossa vida interior, ou seja, o esfacelamento da própria unidade como seres humanos e, por consequência, nossa unidade com a vida que está em tudo e em todos.

Consulta Kardec os Obreiros do Bem: “A obrigação de respeitar os direitos alheios tira ao homem o de pertencer-se a si mesmo?” E eles responderam: “De modo algum, porquanto este é um direito que lhe vem da Natureza.” (Questão 827 de O Livro dos Espíritos)

“Pertencer-se a si mesmo”, conforme nos asseveram os Espíritos, é exercer a liberdade de não precisar conciliar as opiniões dos homens e de livrar-se das amarras da tirania social, da escravidão do convencionalismo religioso, das vulgaridades do consumismo, da constrição de ser dependente, enfim, do medo do que dirão os outros.

A solução para a autocrueldade será a nossa tomada de consciência de que temos a liberdade por “direito que vem da Natureza”. Contudo, de quase nada nos servirá a liberdade exterior, se não cultivarmos uma autonomia interior, porque quem está internamente entre grilhões e amarras jamais poderá pensar e agir livremente.


Francisco do Espírito Santo / Hammed



Fonte: do livro (digital) "As Dores da Alma"
8ª ed., agosto/2000, Boa Nova - Editora e Distribuidora de livros espíritas
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/imagina%C3%A7%C3%A3o-conto-de-fadas-5153678/

segunda-feira, 8 de junho de 2020

CELEBRANDO UM NOVO DIA


Tomar decisões simples e conscientes sobre a sua vida do dia-a-dia pode influenciar o bem estar físico e mental. Seguir resoluções corretas com relação à sua saúde e estilo de vida não é tão difícil, especialmente se você tiver uma ideia clara das áreas que deseja melhorar, compreendendo que passos pequenos e graduais normalmente produzem melhores resultados do que medidas do tipo “tudo ou nada”.

Tire um tempo no dia de hoje para analisar as áreas da vida que deseja melhorar. Você pode estar querendo se tornar mais saudável, mais generoso, menos estressado ou simplesmente mais otimista. Quando determinar um objetivo, crie um ritmo e siga alguns passos simples. Pense em seus pontos fortes e o quanto podem ajudar em seu caminho, assim como nas suas fraquezas e a melhor forma de lidar com elas. Caso você tenha uma recaída durante o processo, continue a olhar para frente. Muitos objetivos são alcançados apesar dos dias bons e ruins.

A transformação é um processo misterioso que inclui em si muitas mudanças: a lagarta que se transforma em borboleta, o creme em manteiga, o chumbo em ouro. De um nível para o outro uma alquimia interior se processa e, num instante inesperado, somos borboleta, manteiga ou ouro transformados numa nova dimensão. A transformação acontece naturalmente à medida que nos entregamos ao fluxo da energia divina que tudo permeia e vivifica.


Fonte: Sociedade das Ciências Antigas
https://sca.org.br/
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org

domingo, 7 de junho de 2020

ESPERANÇA - ORIENTAÇÃO FUNDAMENTAL DA CONSCIÊNCIA


Esperança não é o mesmo que desejar alguma coisa. Não se trata de sonhar acordado com alguma coisa. Trata-se do oposto da fantasia. Trata-se de uma atitude ou orientação fundamental da consciência. Trata-se de nos voltarmos para fora. Ser esperançoso é descobrir que somos parte integrante de algo maior do que nós mesmos, e que vivemos com a energia dessa realidade completa. A esperança é a auto disposição para o exterior, qualquer que seja a dificuldade de se manter disposto ao exterior. Desespero é a rendição da consciência à energia da introversão. . . A esperança é uma virtude absoluta, constante e não condicionada. Você não pode ser esperançoso apenas quando as coisas correm bem. Você precisa ser esperançoso e, num certo sentido, escolher ser esperançoso, em qualquer circunstância, qualquer que seja a tendência a mergulhar de volta na consciência de si mesmo, no seguro invólucro do ego. A esperança é uma das virtudes que resultam da prece profunda, onde nos voltamos de nós para Deus. . . Esperança é aspirar ao conforto de estar completamente em seu lar. Trata-se da mais forte aspiração de nosso ser.


Dom Laurence Freeman, OSB



Leitura de Domingo, 07 Junho 2020
Fonte: do livro "Perder para Encontrar", de Dom Laurence Freeman, OSB (Petrópolis, Ed. Vozes, 2009)
Comunidade Mundial para a Meditação Cristã
http://www.wccm.com.br/leitura-laurence-freeman-osb/957-esperanca
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O GRANDE AGORA


[...] Deverá dar a máxima atenção ao seu pensamento, principalmente ao pensamento plástico. A capacidade de concentração... evoca imagens penetrantes do Akasha, através do pensamento plástico; elas são fortemente vitalizadas a tentam se concretizar. Por isso só devemos ter pensamentos nobres e puros, e devemos tentar transformar nossas eventuais paixões em qualidades positivas.

A alma do mago já deverá ser tão nobre que ele nem mesmo conseguirá ter pensamentos negativos ou desejar o mal a alguém. Um mago deve agir de modo amável, prestativo a solidário, generoso e respeitoso, discreto e silencioso. Deve estar livre de egoísmo, orgulho e ganância. Essas paixões se refletiriam no Akasha, e como o princípio do Akasha contém a analogia da harmonia, o próprio Akasha colocaria obstáculos no caminho do mago impedindo a sua evolução, ou o que é pior, tornando-a impossível. Um Progresso posterior estaria então totalmente descartado.

É só nos lembrarmos do livro de Bulwer, "Zanoni", no qual a guardiã da fonte nada mais é do que o Akasha, que impede o acesso dos grandes mistérios aos impuros a imaturos. Mesmo se eles o conseguirem, então o Akasha tentará transformar tal pessoa, deixá-la ser dominada pela dúvida, ou prendê-la a um golpe do destino, para proteger os mistérios de todas as formas possíveis. A um imaturo os mistérios permanecerão sempre ocultos, mesmo se forem divulgados em centenas de livros.

Um mago verdadeiro desconhece o ódio religioso ou sectário; ele sabe que toda religião possui seu sistema específico que levará seus devotos a Deus, por isso ele a respeita. Ele sabe que toda religião tem erros, mas ele não a julga, pois cada dogma serve ao estágio de maturidade espiritual de seu adepto.

Através da sua evolução o mago passará a ser suficientemente maduro a ponto de enxergar com sua visão espiritual todos os pensamentos, todas as ações, todas as atitudes, relativas ao passado, ao presente ou ao futuro.

Ele sempre será tentado a julgar o seu semelhante mas com isso ele poderia contrariar as leis e provocar uma desarmonia. Um mago desse tipo não possui maturidade suficiente e perceberá que o Akasha anuviará a sua clarividência e o Maya o atormentará com ilusões. Ele precisa saber que o bem e o mal têm direito à existência a que cada um tem uma missão a cumprir. Um mago só poderá chamar a atenção de uma pessoa ou julgar seus defeitos e fraquezas quando convocado diretamente para tal, a deverá fazê-lo sem colocar nisso uma crítica.

O mago autêntico aceita a vida como ela é, o bem lhe traz alegria e o mal lhe traz o aprendizado, mas ele nunca se deixa abater. Ele conhece as próprias fraquezas e se esforça em dominá-las. Jamais cultivará o arrependimento ou a culpa, pois estes são pensamentos negativos e portanto devem ser evitados. É suficiente que ele reconheça seus erros e não os repita novamente.

É basicamente errôneo prender-se ao passado e lamentar as coisas desagradáveis que o destino lhe impôs. Só os fracos queixam-se constantemente para despertar a piedade dos outros. O verdadeiro mago sabe que através da evocação de imagens do passado elas podem voltar à vida, desencadeando novas causas e criando novos obstáculos no seu caminho. É por isso que o mago vive exclusivamente o presente e olha para trás só em caso de necessidade. Para o futuro ele fará só o planejamento do que for estritamente necessário e deixará de lado todas as ilusões a fantasias, para não gastar com elas as energias tão arduamente conquistadas, e para não dar ao subconsciente a possibilidade de criar obstáculos em seu caminho.

O mago trabalha objetivamente na sua evolução sem esquecer seus deveres materiais, que deverão ser cumpridos com tanta conscienciosidade quanto as tarefas de sua evolução espiritual. Portanto, ele deverá ser muito severo consigo mesmo. Deverá sempre ser muito prudente, e no que se refere à sua evolução, discreto.

O princípio do Akasha não conhece o tempo nem o espaço, ele age, portanto, sempre no presente, pois os conceitos temporais dependem dos nossos sentidos. É por isso que recomendamos ao mago adaptar-se o máximo possível ao Akasha, reconhecendo-o como o grande AGORA, pensando e agindo em função dele. [...]


Franz Bardon



Fonte: do livro "Iniciação ao Hermetismo"
Edição digital de Comunidade PGEM
Via http://br.groups.yahoo.com/group/haon
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A TRANSFORMAÇÃO COMEÇA DENTRO CADA PESSOA


O progresso da pessoa e o progresso da sociedade caminham juntos. Nosso mundo moderno não pode alcançar a paz e uma ordem social plenamente justa, apenas pela aplicação de leis que atuam sobre o homem, por assim dizer, vindas de fora dele. A transformação da sociedade começa dentro da pessoa. Começa com o amadurecimento e a abertura da liberdade pessoal em relação a outras liberdades - em relação ao resto da sociedade. A 'doação' cristã que é exigida de nós é uma participação inteligente e plena da vida de nosso mundo, não somente com base na lei natural, mas também na comunhão e reconciliação do amor interpessoal. Isso significa uma capacidade de estar aberto para os outros como pessoas, de desejar para os outros tudo o que sabemos ser necessário para nós mesmos, tudo o que é exigido para o pleno crescimento e até para a felicidade temporal de uma existência plenamente pessoal.


Thomas Merton, OSB



Fonte: do livro "Amor e vida"
Comunidade Monástica Anglicana - Igreja Anglicana Tradicional do Brasil
https://www.mongesanglicanos.org/
Fonte da Gravura: Tumblr.com

AS SETE LEIS ESPIRITUAIS DO SUCESSO


Para praticar estas leis, e gradualmente ir-se habituando a elas e aos seus efeitos, aplique uma em cada dia da semana, começando no Domingo:

Lei da Potencialidade Pura
Crie tempo para estar só, em silêncio, e simplesmente Ser.
Comungue com a natureza, observando algum dos seus elementos ou manifestações.
Pratique o não-julgamento, tanto em relação a situações como a pessoas.

Lei do Dar e do Receber
Ofereça algo (por ex. um sorriso, um cumprimento, ou um desejo) a todas as pessoas que vir.
Receba e agradeça tudo o que a vida lhe oferece.
Dê e receba carinho, afeição, apreço, amor.

Lei do “Karma” ou da Causa e Efeito
Pense, fale e aja sempre de modo positivo - útil, amável e verdadeiro.
Esteja consciente do presente e das consequências (p/ si e p/ os outros) de cada escolha que faz.
Peça orientação para elas, escutando a sua intuição e as mensagens do seu corpo.

Lei do Mínimo Esforço
Pratique a aceitação de pessoas, situações, circunstâncias e eventos tal como são e ocorrem.
Tome responsabilidade por tudo o que lhe acontece e não atribua culpas a nada nem a ninguém.
Liberte-se da necessidade de defender o seu ponto de vista, e de querer convencer ou persuadir os outros.

Lei da Intenção e do Desejo
Liste todos os seus desejos, guarde a lista consigo, e leia-a de manhã e à noite.
Confie, quer se realizem, quer não, lembrando-se que “nada acontece por acaso”.
Aceite o presente tal como ele é, libertando-se da necessidade de saber os resultados.

Lei do Desapego
Dê a si próprio e aos outros a liberdade de serem quem são.
Não force soluções para os problemas.
Aceite a incerteza e entre no campo de todas as possibilidades.
Antecipe a excitação que pode ocorrer a partir da sua abertura a uma infinidade de escolhas.

Lei do “Dharma” ou do Propósito da Vida
Procure conhecer e contactar o seu Eu superior.
Abra-se a descobrir as suas qualidades e os seus talentos únicos.
Pergunte como pode melhor servir e ajudar.


Dra. Lígia Maria Carvalho de Noronha



Adaptação de “As Sete Leis Espirituais do Sucesso”,
do médico holístico indiano, Dr. Deepak Chopra
Fonte da Gravura: Tumblr.com

sábado, 6 de junho de 2020

MATURIDADE


Ninguém pode despertar para a percepção da Realidade Absoluta, da harmonia do cosmos, antes que seu tempo tenha chegado. É, por isto, supérfluo, e, por vezes, prejudicial, querermos impor certas ideias a certas pessoas ainda não suficientemente evolvidas; não as podem receber, assim como uma fêmea imatura não pode conceber um filho. Não podemos fazer desabrochar um botão de rosa antes do tempo marcado pela natureza da planta; podemos sacudir o botão, comprimi-lo, abri-lo a força, e, possivelmente, estragá-lo – mas não o podemos fazer florescer. Um raio solar, porém, fará a seu tempo, suavemente, com um beijo cálido, o que nenhuma violência inoportuna consegue realizar.

Podemos, todavia, preparar os caminhos a nossos semelhantes para que, a seu tempo, recebam e assimilem certas ideias – embora não lhes possamos dar essas ideias. Todo enriquecimento interior vem, por assim dizer, em sentido vertical, ao passo que todo nosso trabalho preliminar, de mestres, guias e educadores, é meramente horizontal. Entretanto, no ponto de intersecção entre o vertical e a horizontal está a grande experiência e o segredo último de todo progresso. Da combinação da vertical e da horizontal resulta uma cruz, símbolo da redenção; este mesmo símbolo é chamado na matemática mais, na física positivo, e nas religiões esotéricas o mesmo sinal significa infinito ou universal.


Huberto Rohden



Fonte: do livro "Profanos e Iniciados", Ed. Alvorada, 1990
Fonte da Gravura: Tumblr.com

QUE PAZ QUEREMOS ?


Se os homens desejassem de fato a paz, haveriam de pedi-la sinceramente a Deus e ele a concederia. Mas por que dar ele a paz a um mundo que em verdade não a quer? A paz que o mundo finge querer não é, de modo algum, verdadeira paz.

Para alguns a paz significa apenas a liberdade de explorar os outros, sem medo de represálias ou intervenção. Para outros, a paz significa a liberdade de roubar o próximo sem interrupção. Há ainda os que consideram a paz como meio para devorar tranquilamente os bens da terra, sem serem obrigados a interromper seus prazeres, para dar de comer aos que sua ganância faz morrer de fome. E para a quase generalidade dos homens, a paz significa simplesmente a ausência de qualquer violência física, que poderia lançar uma sombra sobre vidas dedicadas à satisfação de apetites animais, ao conforto e aos prazeres.

Muitos desses já pediram a Deus o que julgavam ser a 'paz', admirando-se de sua oração não ter sido atendida. [...] Deus deixou-lhes o que desejavam, pois a ideia deles sobre a paz era apenas outra forma de guerra. A 'guerra fria' é simplesmente a consequência normal de nossa ideia corrompida de uma paz baseada numa política de 'cada um por si' no campo da ética, da economia e da política. É um absurdo esperar uma paz sólida, baseada em ficções e ilusões!

Portanto, em lugar de amarmos o que imaginamos ser a paz, tratemos de amar os outros e a Deus acima de tudo. E em vez de odiar os que julgamos serem causadores de guerra, odiemos os apetites e as desordens de nossa própria alma, que são as causas da guerra. Se amarmos a paz, então, detestemos a injustiça, a tirania, a ganância - mas detestemos essas coisas 'em nós mesmos', não no outro.


Thomas Merton, OSB



Fonte: do livro "Novas Sementes de Contemplação"
Comunidade Monástica Anglicana - Igreja Anglicana Tradicional do Brasil
https://www.mongesanglicanos.org/
Fonte da Gravura: Tumblr.com

INUTILIDADE E INDIVIDUALIDADE


Além de nos ensinar a valorizar nossas doenças, as parábolas de Chuang Tsé nos dizem que, para desenvolver nosso pleno potencial, precisamos nos tornar inúteis para o mundo. Caso contrário, viveremos vidas amargas e insatisfeitas, maltratados e despojados de partes preciosas da nossa personalidade. A seu modo exagerado, Chuang Tsé está nos dizendo para vivermos como seres individuais.

Jung também enfatizou a importância de vivermos a singularidade da nossa vida. O elemento-chave no processo de individuação é o desenvolvimento da personalidade própria enquanto oposta à vida na coletividade. Jung sentia uma inquietação específica a respeito da situação crítica do indivíduo na sociedade moderna; pois observou que, no instante em que o indivíduo se associa à massa, sua singularidade é diminuída e obscurecida.

Como Jolande Jacobi indicou em The Way of lndividuation [O Caminho da Individuação]:

E demasiado grande o número de pessoas que não vivem suas próprias vidas e geralmente quase nada conhecem de sua verdadeira natureza. Elas fazem um esforço violento para "se adaptar", para não se diferenciar de nenhum modo, para fazer exatamente aquilo que as opiniões, regras, regulamentos e hábitos do ambiente exigem como sendo "o certo". Elas são escravas "daquilo que os outros pensam", "daquilo que os outros fazem" etc.

E é isso que ocorre, cada vez mais, quanto mais tentamos viver como membros médios da sociedade - casando, tendo filhos, nos estabelecendo em uma profissão estável e assim por diante. Essas normas são fatais, em especial para aqueles cujos padrões interiores se desviam tremendamente da média, como os artistas, os gênios, os padres e as freiras.

Quanto mais nos alinhamos com os nossos próprios caminhos individuais, menos somos capazes de viver estritamente segundo as normas e valores coletivos. Para realizar a nossa totalidade, é preciso que nos libertemos dos sugestionamentos da psique coletiva e do mundo à nossa volta e que estejamos dispostos a parecer inúteis ou estúpidos.

Nas palavras de Lao Tsé:

Quando o sábio superior ouve falar do Caminho, ele O percorre com muita sinceridade, Quando o sábio mediano ouve falar do Caminho, às vezes O segue, às vezes O esquece. Quando o sábio inferior ouve falar do Caminho, ele dá sonoras gargalhadas. E se ele não der sonoras gargalhadas, esse não seria o Caminho. Logo, se buscas o Caminho, segue o som das gargalhadas! (1)

Lieh Tsé levou ainda mais longe a ideia de ser inútil, sugerindo que nos abstenhamos de sacrificar até mesmo um único fio de cabelo em benefício do mundo. Só assim o mundo estaria em ordem. Isso, mais uma vez, é um exagero; Lieh Tsé não quis dizer que devemos abandonar o mundo e nos tornar eremitas. O verdadeiro sábio tem como meta seguir sua própria natureza no mundo.

Nas palavras de Chuang Tsé:

Só o homem perfeito pode transcender os limites do humano e, ainda assim, não se retirar do mundo; vive de acordo com a humanidade e, ainda assim, não prejudicar a si mesmo. Dos ensinamentos do mundo, ele nada aprende. Ele possui aquilo que o torna independente dos outros. (2)

Em outras palavras, devemos ter como meta nos tornarmos nós mesmos e trazermos para o mundo aquilo que somos.


Gary Toub


Notas:
1. Lao Tsé: Tao Te King, org. G. F. Feng e J. English (Nova York: Vintage Books, 1972), cap. 41.
2. Chuang Tsé: Chuang Tzu, trad. H. Giles (Londres: Unwin Paperbacks, 1980), págs. 263/264.



Fonte: do livro "Ao Encontro com a Sombra", Ed. Cultrix, Connie Zweig e Jeremiah Abrams (Orgs.)
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org

sexta-feira, 5 de junho de 2020

DESPERTAR CONTEMPLATIVO


Pelo simples fato de todos os homens buscarem instintivamente, de um modo ou de outro, o despertar de seu verdadeiro eu interior, todas as formas sociais válidas de religião procuram, de alguma maneira, propiciar uma situação tal em que cada membro do grupo de adoradores possa elevar-se acima do grupo e acima de si mesmo para encontrar a si e aos demais em um nível superior. Isso implica que todas as formas verdadeiramente sérias e espirituais de religião aspiram, ao menos implicitamente, a um despertar contemplativo do indivíduo e do grupo. Mas as formas de religião e adoração litúrgica que perderam o impulso inicial do fervor tendem a esquecer cada vez mais seu propósito contemplativo, passando a dar importância exclusiva aos ritos e às formas cerimoniais por si mesmos ou pelo efeito que se espera que causem no Ser adorado.

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Thomas Merton, OSB 



Fonte: do livro "A experiência interior"
Via: Comunidade Monástica Anglicana - Igreja Anglicana Tradicional do Brasil
https://www.mongesanglicanos.org/
Fonte da Gravura: Tumblr.com

IMPERMANÊNCIA: ENSINAMENTO BÁSICO DO BUDISMO


"Devemos encontrar a perfeita existência através da existência imperfeita."


O ensinamento básico do budismo é a impermanência ou a mudança. Para cada existência, a verdade básica é que tudo muda. Ninguém pode negar essa verdade e todo o ensinamento do budismo está condensado nela. Este é o ensinamento para todos. Seja onde for, este ensinamento é verdadeiro. [...]

Este também é chamado o ensinamento do nirvana. Quando percebemos a perene verdade de que "tudo muda" e encontramos serenidade nisso, descobrimo-nos no nirvana.

Sem aceitar o fato de que tudo muda, não podemos encontrar perfeita tranquilidade. Mas, infelizmente, embora seja verdade, temos dificuldade em aceitá-lo. Por não conseguirmos aceitar a verdade da impermanência é que sofremos. Em consequência, a causa do sofrimento é a não aceitação dessa verdade. O ensinamento da causa do sofrimento e o ensinamento de que tudo muda são, pois, dois lados da mesma moeda. Em termos subjetivos, a impermanência é a causa de nosso sofrimento. Em termos objetivos, este ensinamento é simplesmente a verdade básica de que tudo muda.

[...] Devemos encontrar a perfeita existência através da existência imperfeita. Devemos encontrar a perfeição na imperfeição. Para nós, a completa perfeição não é diferente da imperfeição. O eterno existe por causa da existência não-eterna. No budismo, esperar algo fora deste mundo é um ponto de vista herético. Não buscamos nada fora de nós mesmos. Devemos encontrar a verdade neste mundo, através de nossas dificuldades, de nosso sofrimento. Este é o ensinamento básico do budismo. O prazer não é diferente da dificuldade. Bom não é diferente de mau. Bom é mau; mau é bom. São dois lados da mesma moeda. Portanto, a iluminação deve estar na prática. Este é o entendimento correto da prática, o entendimento correto da nossa vida. Assim, encontrar prazer no sofrimento é a única maneira de aceitar a verdade da impermanência. Sem compreender como aceitar essa verdade, você não pode viver neste mundo. Mesmo que tente escapar dele, seu esforço será em vão. Se você pensa que existe alguma outra maneira de aceitar a eterna verdade de que tudo muda, é ilusão sua. Este é o ensinamento básico de como viver neste mundo. Qualquer que seja seu sentimento acerca disso, você tem de aceitá-lo. Você tem de realizar este tipo de esforço.

Assim, enquanto não nos tornarmos fortes o bastante para aceitar a dificuldade como prazer, temos de continuar no esforço. Na verdade, quando você se torna suficientemente honesto e franco, não é tão difícil aceitar essa verdade. Você pode mudar um pouco sua maneira de pensar. Sabemos que é difícil, mas a dificuldade não será sempre a mesma - algumas vezes será difícil, outras nem tanto. Se você está sofrendo, achará algum prazer no ensinamento de que tudo muda. Quando você tem problemas, é bem fácil aceitar este ensinamento. Então, por que não aceitá-lo em outras ocasiões? É a mesma coisa. As vezes, você até pode rir de si mesmo ao descobrir quão egocêntrico é. Mas, independente de como se sinta a respeito deste ensinamento, é muito importante mudar sua maneira de pensar e aceitar a verdade da impermanência.


Shunryu Suzuki



Fonte: do livro "Mente Zen, Mente de Principiante", Ed. Palas Athena
Editado por Trudy Dixon - Tradução de Odete Lara
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/medita%C3%A7%C3%A3o-reflex%C3%A3o-mulher-pessoa-3664103/

AHIMSA - ALÉM DA NÃO-VIOLÊNCIA: O AMOR


Todos somos como vibrações localizadas da infinita bondade da presença de Deus. Então, o amor é a nossa própria natureza. O amor é nosso primeiro, meio e último nome. Amor é tudo; não o amor como sentimentalismo, mas o amor que é auto esquecido e sem interesse próprio.

Isso também é maravilhosamente exemplificado na vida e obra de Gandhi. Ele nunca tentou ganhar nada. Ele apenas tentou mostrar amor; e é isso que "ahimsa" realmente significa. Não é apenas um negativo. A não-violência não captura seu significado. Significa mostrar amor incansavelmente, não importa o que aconteça. Esse é o significado de dar a outra face. De vez em quando você precisa defender alguém, mas isso significa que você está sempre disposto a sofrer primeiro pela causa - ou seja, pela comunhão com seus inimigos. Se você vencer seus inimigos, você falhou. Se você faz de seus inimigos seus parceiros, Deus conseguiu.


Pe. Thomas Keating, OCSO



Fonte: Comunidade Monástica Anglicana - Igreja Anglicana Tradicional do Brasil
https://www.mongesanglicanos.org/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/religi%C3%A3o-ahimsa-ahura-mazda-baha-i-2028188/

INTER-RELACIONAMENTO HUMANO


Personagens e seus valores

Herdamos um mundo com a construção já em andamento, cheio de padrões e paradigmas* assentados conforme as condições da sociedade local. Os valores culturais desse sítio em que habitamos são estabelecidos pela somatória dos gostos e aptidões comuns de nossos conterrâneos, variando de uma região para outra.

Além disso, crescemos identificando as pessoas com quem nos relacionamos pelos postos e valores sociais que elas ocupam (o pai, a mãe, o irmão, o padre, o professor, o médico, o policial etc.). Então, nesses termos, para nós as pessoas que a princípio estão sob rótulos e valores são personagens de um conjunto social. Esses títulos conceituam os Seres e acabam diferenciando-os uns dos outros, criando a ilusão de que o Espírito que anima o homem tenha a medida igual à metragem humana.

Assim é que a mãe diz amar o filho, o filho diz amar a mãe, o esposo diz amar a esposa etc. Todavia, faz-se necessário averiguar se esse benquerer é de fato direcionado ao Ser ou ao posto ocupado por esse personagem. Supomos então uma trama: Maria (mãe) diz amar Joãozinho (filho), do jeito que ele é, incondicionalmente como se diz ser o amor materno. Porém, Maria conhece verdadeiramente quem é o Ser que agora anima o personagem de seu filho? E se conhecesse, ela modificaria seu sentimento? Ora, digamos que o Espírito X, que nesta vida encarnou como filho, tenha sido na vida passada de Maria o seu esposo, seria nela o mesmo sentimento de hoje tal qual fora lá atrás?

Não, provavelmente.

Enquanto na vida material a posição que os Espíritos ocupam numa encarnação pesa no sentimento que lhe atribuímos, pois desconhecemos os valores espirituais destas almas. Não raro, supomos que o status terreno e as características físicas reflitam o valor desta alma no plano espiritual.

Olhando então para aqueles com quem compartilhamos nossos dias, temos o desafio de compreendê-los por dois prismas: o primeiro é o de que todos os indivíduos são consciências espirituais, com valores espirituais, sendo esses valores diferentes da organização a que estamos submetidos na Terra; o segundo critério a ser observado é que, embora sejamos seres espirituais, ora ocupamos uma identidade fictícia nas encarnações, logo, precisamos representar bem esse personagem, o que nos cobra respeitarmos o papel que cada um exerce aqui. O pai biológico, por exemplo, num plano espiritual é mais um irmão nosso, muitas vezes muito mais atrasado moral e, ou intelectualmente que o próprio filho, todavia, nessa ficção que é a vida carnal, exercendo a paternidade, requer do filho o tratamento especial pelas ligações consanguíneas.

Saber que espiritualmente não somos isso que dramatizamos na Terra não implica em desprezarmos essa realidade material temporária, mas sim nos sugere vivermos nosso personagem dignamente para irmos ao encontro do que verdadeiramente somos - porque invariavelmente isso ocorrerá, após o prazo desta encarnação.

Se herdamos um plano físico já em desenvolvimento - portanto, não sendo exatamente uma construção nossa - é porque há uma consciência maior coordenando tudo, desta maneira, é justo pensar que o planejamento natural visa propósitos acertados para todos nós, ou seja, a posição que ocupamos neste plano terreno - por exemplo, sendo homem ou mulher; rico ou pobre; branco, negro ou amarelo; neste país ou em outro etc. - satisfaz a uma ordem sobreposta à nossa vontade. E pelo fato de supormos que poderíamos ser aquela pessoa, ocupar aquele outro posto e viver numa situação qualquer diferente da que ora vivemos, faz com que despendamos grande parte de nossa vida nos imaginando fora de onde estamos e do que somos.

Viver imaginando ser outra pessoa é negar a si mesmo e desdenhar a posição que ocupamos, desobedecendo aos desígnios da natureza, que nos confiou o bom exercício do personagem que nos foi destinado e que devemos interpretar dignamente. Se os outros têm atributos que julgamos ser salutares, que conquistemos então esses valores para o nosso personagem, sem que seja preciso - porque é impossível - trocarmos os papeis.

Uma vez que a consciência não pertence ao corpo material, concluímos que nosso Ser essencial é na forma espiritual, que sobreviverá à morte corporal, numa dimensão diferente desta onde ora vivemos. Desta forma, é justo crermos que o papel que estamos representando e suas características de vida estejam limitados ao tempo desta encarnação, e que passada esta temporada, viveremos sob novas condições, características da nova dimensão onde habitaremos. Isto nos remete à ideia de que aquilo que aqui fazemos terá relação com a posição futura a ser ocupada por cada um de nós.

A esperança de ocuparmos uma posição melhorada, em relação ao que atravessamos na forma humana, deve nos dar forças para desempenharmos os propósitos que hoje nosso personagem terreno nos reclama.


Louis Neilmoris


* Paradigma: algo que sirva de modelo, padrão, exemplo comum.


Fonte: do livro "O Grande Encontro Filosófico - Autodescobrimento Aplicado"
Ed. Luz Espírita, abril de 2014, digital - www.luzespirita.org.br
Fonte da Gravura: Tumblr.com

quinta-feira, 4 de junho de 2020

NATUREZA DO ESOTERISMO


Uma das definições mais inadequadas do esoterismo é a de que diz respeito ao que está oculto e velado e que, embora pressentido, permanece desconhecido. Infere-se que ser esoterista é estar entre aqueles que procuram penetrar em certo reino secreto no qual o estudante comum não tem permissão de entrar.

A abordagem fundamental dos que procuram captar o esoterismo ou ensiná-lo aos estudantes consiste em enfatizar o mundo das energias e reconhecer que, por trás de todos os acontecimentos do mundo fenomênico existe o mundo das energias, as quais são da maior diversidade e complexidade, mas todas se movem e atuam sob a Lei de Causa e Efeito.

É desnecessário assinalar a natureza prática desta definição e sua aplicabilidade à vida do aspirante individual, à vida da comunidade e dos assuntos mundiais como aos níveis condicionantes imediatos das energias espirituais experimentais que procuram constantemente fazer impacto ou contato com o mundo dos fenômenos – e o fazem sob a direção espiritual, a fim de implementar o Plano Divino. A afirmação acima é de vital importância; todas as demais definições estão implícitas nela, e é a primeira verdade importante que todo aspirante aos mistérios e à universalidade do que move os mundos e fundamenta o processo evolutivo deve aprender e aplicar.

A primeira tarefa do esoterista consiste em captar a natureza das energias que procuram condicioná-lo e que se expressam no plano físico através do seu equipamento ou veículo de manifestação. Portanto, o estudante esoterista deve compreender que:

1. Ele é um agregado de forças herdadas e condicionadas pelo que foi, além de uma grande força antagonista que não é um princípio e que chamamos de corpo físico;

2. Ele é sensível a certas energias, das quais será cada vez mais consciente e que, embora hoje desconheça e não tenham utilidade para ele, deve se tornar consciente em um dado momento, para que possa penetrar com mais profundidade no mundo das forças ocultas. Tais energias poderiam ser malignas para ele se trabalhasse com elas e, portanto, deve saber diferenciá-las e descartá-las; há outras energias que deverá aprender a usar, porque são benéficas e aumentariam seu conhecimento e, portanto, devem ser consideradas boas. Mas tenham em mente que as energias em si não são boas nem más. A Grande Loja Branca, a nossa Hierarquia espiritual, e a Loja Negra empregam as mesmas energias universais, mas com motivos e objetivos diferentes; ambos os grupos são compostos de esoteristas treinados.

Portanto, o esoterista em treinamento deve:

1. Tornar-se consciente da natureza das forças que constituem o equipamento da sua personalidade e que ele próprio levou magneticamente à expressão nos três mundos (físico/etérico, astral e mental), e que são uma combinação de forças ativas. Ele deve aprender a diferenciar entre a energia estritamente física, que responde automaticamente a energias internas e outras, e as que vêm dos níveis emocionais e mentais da consciência, as quais são enfocadas através do corpo etérico, o qual, por sua vez, mobiliza e energiza o veículo físico para certas atividades;

2. Tornar-se sensível às energias impulsionadoras da alma, que emanam dos níveis mentais superiores, as quais procuram controlar as forças do homem tríplice quando ele alcança um determinado grau de evolução bem definido;

3. Reconhecer as energias que condicionam seu meio ambiente, vendo-as não como eventos ou circunstâncias, mas como energias em ação; por esse meio aprende a abrir caminho por trás das cenas dos acontecimentos externos e para o mundo das energias, procurando fazer contato e se capacitar para gerar certas atividades. Assim penetra no mundo dos significados. Os fatos e circunstâncias, os acontecimentos e fenômenos físicos de todo tipo, são simplesmente símbolos do que ocorre nos mundos internos, mundos em que o esoterista deve penetrar até onde a sua percepção permitir; portanto descobrirá sequencialmente mundos que exigirão dele uma penetração científica;

4. Para a maioria dos aspirantes a própria Hierarquia espiritual é um reino esotérico a ser descoberto e que aceitará ser penetrado.

Reconhecer entre a energia e a força, saber discriminar entre os diversos tipos de energia, tanto com relação a eles mesmos (aspirantes e discípulos) como aos assuntos mundiais, e começar a relacionar o que se vê e experimenta com o invisível, o que condiciona e o que determina é a tarefa do esoterista.

As igrejas e os homens devem aprender que nada existe no mundo dos fenômenos, das forças e das energias que não possa ser controlado pelo espiritual. Tudo o que existe é, em realidade, espírito em manifestação. Os povos estão adquirindo mentalidade política, o que os Mestres veem como um grande passo para a frente. Há de se ter alcançado um grande progresso quando as pessoas de orientação espiritual incluírem esta área relativamente nova do pensamento humano e sua atividade internacional dentro do campo da investigação esotérica.

O esoterismo é uma ciência – essencialmente a ciência da alma de todas as coisas – e tem terminologia, experimentos, deduções e leis próprias. Quando digo alma refiro-me à consciência animadora que se encontra na natureza toda e nos níveis que estão fora da zona que de maneira geral chamamos de natureza. Os estudantes se esquecem de que todo nível de consciência, do superior ao inferior, é um aspecto do plano físico cósmico e em consequência – do ponto de vista do processo evolutivo – é de natureza material e – do ponto de vista de determinados Observadores divinos – é absolutamente tangível e formado de substância criadora. O esoterista trabalha todo o tempo com substância; com a substância vivente e vibrante de que são feitos os mundos e que – herdada de um sistema solar anterior – está matizada pelos fatos passados e, como se disse , “já tingida pelo carma”.

O estudo esotérico, unido a uma forma de viver esotérica revela, no devido tempo, o mundo dos significados e conduz oportunamente ao mundo das significações. O esoterista procura descobrir a razão do porquê; luta com o problema dos fatos, acontecimentos, crise e circunstâncias a fim de chegar ao significado que possam ter para ele; quando descobre o significado de qualquer problema específico, utiliza-o como estímulo para penetrar mais profundamente no mundo de significados que recém lhe foi revelado; aprende então a incorporar seus pequenos problemas pessoais ao Todo maior, perdendo assim de vista o eu inferior e descobrindo o eu superior.

O verdadeiro ponto de vista esotérico é sempre o do Todo maior. O estudante vê o mundo de significados como uma rede intrincada e estendida sobre todas as atividades e aspectos do mundo fenomênico.

O esoterismo implica, portanto, em viver uma vida em sintonia com as realidades subjetivas internas, o que só é possível quando o estudante está inteligentemente polarizado e mentalmente enfocado, e que só é útil quando ele pode se mover entre estas realidades internas com destreza e compreensão.

Toda verdadeira atividade esotérica produz luz e iluminação; cujo resultado é a intensificação e qualificação da luz herdada da substância mediante a luz superior da alma – no caso da humanidade que trabalha conscientemente. Por conseguinte, podemos definir o esoterismo e sua atividade em termos de luz. 

O esoterista se ocupa da luz nos três aspectos, mas atualmente é preferível que se ocupe de uma abordagem diferente até que – mediante desenvolvimentos, ensaios e experimentos – conheça as triplas diferenciações em um sentido prático e não somente teórico e místico.

Desafiaria todos os esoteristas a procurarem uma abordagem prática do que delineei e pediria para viverem uma vida redentora, desenvolverem a sensibilidade mental inata e atuarem continuamente de acordo com o significado que há por trás dos assuntos mundiais, nacionais, comunais e individuais. Se assim o fizerem, então a luz brilhará repentina e crescentemente sobre seu caminho. Portanto, poderão ser portadores de luz e saber que “nessa luz verão a Luz”, e que também seus semelhantes a verão.


Alice A. Bailey



Fonte: Lucis Trust - Escola Arcana
www.lucis.org
Fonte da Gravura: Tumblr.com