sexta-feira, 4 de outubro de 2013

CONDENSAÇÃO DO ESPÍRITO

O corpo do homem não é o próprio homem, é somente a sua casa, o seu instrumento, o seu meio de transporte, um cavalo, um automóvel... O homem verdadeiro, é preciso procurá-lo no espírito omnisciente, omnipotente, que não tem qualquer limite. Por isso, nós só podemos tornar-nos verdadeiramente imortais se conseguirmos identificar-nos com o nosso espírito. Tudo o que existe em baixo no mundo material, físico, tem a sua origem em cima, no mundo do espírito. As pedras, as plantas, os animais e os homens começaram por existir nas regiões superiores, antes de descerem para se encarnarem aqui em baixo. A matéria física não é senão uma condensação do espírito. O espírito está na origem de todo o mundo criado, por isso é essencial para o ser humano ter esta filosofia que põe em primeiro lugar o espírito: é com esta condição que ele pode progredir.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CONTENTAMENTO - SILÊNCIO - FÉ - RESILIÊNCIA

Contentamento é um estado de completude e autoaceitação. E também um incrível estado de sabedoria. A mente não está buscando, procurando, olhando, querendo. Não importa se eu errei, todos erram. Não importa se eu fui criticado. O que importa é: eu permaneço na dignidade de quem eu sou, uma autorrealização que evita que as circunstâncias controlem a maneira como me sinto em relação a mim.

O silêncio evita a perda do poder físico e mental resultante da atividade rápida. Quando o intelecto corre, o corpo segue na mesma velocidade, causando exaustão. Silêncio é o retiro verdadeiro, é levar a si e aos outros em direção às qualidades curativas da quietude. Assim como um lago tranquilo se torna um espelho para refletir a beleza da natureza, o silêncio revela a maravilha da nossa própria natureza.

Quando uma tarefa requer força além da minha capacidade, eu preciso me relembrar do poder que há dentro de mim. Se volto atrás e penso em todas as vezes que fui bem-sucedido, independente dos obstáculos que enfrentei, isso ajudará a fortalecer minhas habilidades e minha fé em mim. Então, conseguirei enfrentar qualquer desafio com entusiasmo renovado sabendo que posso vencê-lo.

Não planeje muito, mas esteja preparado para tudo. Hoje, com tanta insegurança no mundo, o intelecto é chamado a planejar e desenhar um futuro estável. Entretanto a resiliência necessária para ser cheio de recursos diante de qualquer coisa não vem de um intelecto planejador. Ela vem de estar sempre pronto, presente no momento, capaz de responder de forma rápida e intuitivamente pelo melhor. Essa atitude surge quando eu desapego das soluções fixas pré-planejadas e vejo o que mais se ajusta à situação presente.




Brahma Kumaris




Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: www.morguefile.com

O ESPIRITISMO DEVE SER MELHOR COMPREENDIDO

POR QUE VOCÊ PROCURA O ESPIRITISMO? 

Quem procurar o Espiritismo somente para obter cura imediata de seus males físicos e espirituais, ou para resolver de pronto seus problemas materiais, poderá ficar decepcionado. Porque somente se realiza o que estiver dentro das leis divinas.


QUAL A FINALIDADE DO ESPIRITISMO?  

O Espiritismo não tem por finalidade principal a realização de fenômenos, mas, sim, o progresso moral da humanidade


O ESPIRITISMO RETIRA PROBLEMAS E DORES DAS PESSOAS?

O Espiritismo esclarece que não retira problemas e dores do nosso caminho. Explica-nos o porquê das coisas e ensina-nos: como podemos melhorar a nós mesmo para gerarmos efeitos felizes; como prevenir e resolver problemas espirituais, desde que empreguemos vontade e esforço no sentido do Bem; ou ainda, como superar aquilo que, por ora, não pode ser mudado porque nos serve de expiação ou de prova.




Fonte: Grupo de Estudo "Allan Kardec"
http://grupoallankardec.blogspot.com
Fonte da Gravura: www.morguefile.com

NOS DIAS DIFÍCEIS

Nos dias difíceis, reflete nos outros dias difíceis que já se foram.

Depois de atravessados transes e lutas que supunhas insuperáveis, não soubeste explicar a ti mesmo de que modo os venceste e de que fontes hauriste as forças necessárias para te sustentares e refazeres, durante e depois das refregas sofridas.

Viste a doença no ente amado assumir gravidade estranha e sem que lograsses penetrar o fenômeno em todos os detalhes, surgiu a medicação ou a providência ideais que o arrebataram da morte.

Experimentaste a visitação do desânimo, à frente dos obstáculos que te gravaram a vida, mas sem que te desses conta do amparo recebido, largaste o desalento das trevas e regressaste à luz da esperança.

Crises do sentimento que se te afiguravam invencíveis, pelo teor de angústia com que te alcançaram o imo da alma, desapareceram como por encanto sem que conseguisses definir a intervenção libertadora que te resistiu à tranquilidade.

Sofreste a ausência de seres imensamente queridos, chamados pela desencarnação, por tarefas inadiáveis, a outras faixas de experiência. No entanto, sem que despendesses qualquer esforço, outras almas abençoadas apareceram, passando a nutrir-te o coração com edificante apoio afetivo.

Tudo isso, entretanto, sucedeu porque persististe na fé, aguardando e confiando, trabalhando e servindo, sem te entregares à deserção ou à derrota, ofertando ensejo à Bondade de Deus para agir em teu benefício.

Nas dificuldades em andamento, considera as dificuldades que já venceste e compreenderás que Deus, cujo infinito amor te sustentou ontem, sustentará também hoje.

Para isso, porém, é imperioso permanecermos fiéis ao cumprimento de nossas obrigações, de vez que a paciência, no centro delas, é o dom de esperar por Deus, cooperando com Deus sem atrapalhar.




Emmanuel / Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires




Fonte: do livro "Chico Xavier Pede Licença", GEEM
Fonte da Gravura: www.morguefile.com

PERDÃO NÃO É VERDADEIRA COMPAIXÃO

O que é ser compassivo? Por favor, descubra por si mesmo, perceba se uma mente que está ferida, que pode ser ferida, pode perdoar. Pode uma mente capaz de ser ferida, perdoar? E pode tal mente que é capaz de ser ferida, que cultiva a virtude, que está consciente da generosidade, pode tal mente ser compassiva? Compaixão, como amor, é uma coisa que não está na mente. A mente não está consciente de si mesma como sendo compassiva, amando. Mas no momento em que você perdoa conscientemente, a mente está reforçando seu próprio centro em sua própria ferida. Assim a mente que conscientemente perdoa nunca pode perdoar; ela não conhece perdão; ela perdoa a fim de não ser mais ferida. Assim é muito importante descobrir por que a mente de fato lembra, guarda. Porque a mente está eternamente buscando enaltecer a si mesma, se tornar grande, ser alguma coisa. Quando a mente não quer ser alguma coisa, ser nada, completamente nada, então nesse estado existe compaixão. Nesse estado não existe nem perdão nem o estado de ferir mas para compreender isso, a pessoa tem que compreender o desenvolvimento consciente do “eu”. Então, enquanto houver o cultivo consciente de qualquer influência particular, qualquer virtude particular, não pode haver amor. Não pode haver compaixão, porque amor e compaixão não são resultados de esforço consciente. 



J. Krishnamurti



Fonte: The Book of Life
www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: www.morguefile.com

IMATURIDADE PSICOLÓGICA

Muitos se admiram de que na Terra haja tanta maldade e tantas paixões grosseiras, tantas misérias e enfermidades de toda natureza, e daí concluem que a espécie humana bem triste coisa é. Provém esse juízo do acanhado ponto de vista em que se colocam os que o emitem e que lhes dá uma falsa ideia do conjunto. Deve-se considerar que na Terra não está a Humanidade toda.

Aprendemos, com a doutrina dos Espíritos que, tendo como referência a Terra, pode-se dizer que há mundos inferiores e mundos superiores a ela, sendo que o nosso planeta é habitado, em sua grande maioria, por espíritos muito próximos da animalidade ancestral. A angelitude ou a plenitude espiritual está ainda muito distante de expressiva percentagem dos espíritos vinculados ao orbe.

Consoante uma das classificações da ciência psicológica, pode-se dizer que a maioria da humanidade é composta por criaturas que estagiam, por enquanto, na chamada consciência de sono. São, no dizer de Joanna de Ângelis, os homens fisiológicos, vivendo exclusivamente para o atendimento das necessidades orgânicas. São, segundo outra definição, criaturas subdiafragmáticas, ou seja, criaturas que objetivam tão-somente o atendimento das necessidades do estômago e do sexo.

Pelo exposto, percebe-se que a humanidade vinculada à Terra é composta de seres sem uma grande estrutura psicológica, sendo, antes, seres imediatistas e/ou utilitaristas, vivendo para as necessidades orgânicas/materiais do hoje e do agora sem nenhuma ou pouca cogitação filosófica-religiosa, desatentas dos aspectos espirituais da vida, sem se ocuparem com o aspecto imortalista da alma, consequentemente sem valores morais/espirituais para o enfrentamento de variadas situações.

Sendo imatura psicologicamente, a criatura tornar-se-á egoísta e, em sendo egoísta, tornar-se-á uma pessoa exigente, ingrata e rebelde, sobretudo quando contrariada em suas paixões infantis. Agirá, pois, semelhantemente às crianças caprichosas. Com semelhante comportamento, as enfermidades psicológicas se instalarão por força de consequência.

O imaturo psicológico é alguém que apresenta grande preocupação com a máscara da virtude, ocultando, pela aparência envernizada, a realidade íntima. Comporta-se de maneira desequilibrada e excêntrica, sendo ainda instável. Dominado pela instabilidade, o imaturo apresenta um comportamento alternado, em que o júbilo e a tristeza, a confiança e a suspeita, o amor e a animosidade se confundem... (e assim elabora) estados de instabilidade, de desdita, (que o conduzirão) a enfermidades emocionais que são somatizadas, reaparecendo na área orgânica com caráter destruidor.

E o que acontece aos imaturos psicológicos?

Sem resistências morais para enfrentar as vicissitudes naturais do processo evolutivo, tais pessoas deixam-se consumir pela revolta ou sucumbem sob o peso da depressão e da amargura.



Izaias Claro



Fonte: do livro "Depressão - Causas, consequências e Tratamentos", Casa Ed. O Clarim (texto adaptado)
Fonte da Gravura: www.morguefile.com


A AUTOIMAGEM LEVA À DOR

Por que dividir problemas em maiores ou menores? Não é tudo um problema? Por que fazê-los problemas pequenos ou grandes, problemas essenciais ou não essenciais? Se pudermos compreender um problema, entrar nele muito profundamente – seja ele grande ou pequeno - então descobriríamos todos os problemas. Esta não é uma resposta retórica. Pegue qualquer problema: raiva, ciúme, inveja, ódio; conhecemos todos eles muito bem. Se você entrar na raiva muito profundamente, não apenas tocar levemente, então o que está envolvido? Por que a pessoa está raivosa? Porque está ferida, alguém disse uma coisa indelicada; e quando alguém diz uma coisa lisonjeira, você fica satisfeito. Por que você está ferido? Presunção, não é? E por que há presunção? Porque a pessoa tem uma ideia, um símbolo de si mesma, uma imagem de si mesma, o que se deveria ser ou o que não se deveria ser. Por que a pessoa cria uma imagem de si mesma? Porque ela nunca estudou realmente o que ela é. Nós pensamos que deveríamos ser isto ou aquilo, o ideal, o herói, o exemplo. O que desperta a raiva é que nosso ideal, a ideia que temos de nós mesmos, é atacada. E nossa ideia sobre nós mesmos é nossa fuga do fato do que somos. Mas quando você observa o fato real do que você é, ninguém pode feri-lo. Então, se a pessoa é mentirosa e lhe dizem que ela é mentirosa, isto não significa que ela é ferida; é um fato. Mas quando você tem a intenção de não ser mentiroso e dizem que você é, então você fica irado, violento. Então estamos sempre vivendo num mundo idealizado, um mundo de mito e nunca no mundo da realidade. Para observar o que é, ver isto, realmente se familiarizar com isto, não deve haver julgamento, nem avaliação, nem opinião, nem medo.



J. Krishnamurti



Fonte: The Book of Life
www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: www.morguefile.com

DESPERTOS E VIGILANTES

Para controlardes os pensamentos e os sentimentos que vos atravessam, deveis estar despertos e vigilantes todos os dias, e isso não é fácil! Observai-vos: há momentos em que estais ocupados a cozinhar, a fazer “bricolage” ou a conduzir o vosso carro, e, aparentemente, estais concentrados naquilo que fazeis. Mas, na realidade, uma parte de vós transviou-se pelo meio de pensamentos e sentimentos negativos, e isso pode durar muito tempo sem sequer vos aperceberdes. Deveis aprender a estar vigilantes particularmente nessas circunstâncias, para serdes capazes de intervir a qualquer momento na vossa vida interior. O primeiro passo para a liberdade, o primeiro passo para o verdadeiro poder, é habituardes-vos a lançar um olhar em vós mesmos para verdes em que situação vos encontrais. E, se constatardes que estais a descer às regiões obscuras da consciência, reagi procurando desencadear forças construtivas.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: www.morguefile.com

O REAL E O RELATIVAMENTE REAL

Devemos ter consciência do valor relativo das coisas, o discernimento entre o real e relativamente real. 

Os dons de razão e consciência não devem ser desperdiçados por negligência. 

Sua história não deve ser uma repetição daquela do lenhador, que recebeu uma enorme floresta de sândalo como recompensa, mas que, por pura ignorância do valor das árvores, as queimou e vendeu-as como sacos de carvão! 

Você ignora a Divindade que realmente é e desperdiça a oportunidade de revelá-la. 

Ignorância (ajnana) é importada de fora, o que lhe é natural, o que está dentro, é sabedoria (Jnana).



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: www.morguefile.com

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

PERSONALIDADE SOCIAL

(...) Não conseguimos evitar que se crie em nós um contraste entre aquilo que realmente somos, ou que queremos ser, e aquilo que devemos aparentar exteriormente a fim de nos amoldarmos às exigências sociais e coletivas. Algumas vezes não sabendo como resolver este contraste, somos constrangidos a recorrer a um compromisso e criamos, para nós mesmos, uma "personalidade social" que não corresponde plenamente à nossa individualidade.

Esta personalidade social é aquilo que Jung chama de "persona" (isto é, máscara, segundo o significado latino).

"O processo de civilização induz o ser humano a um compromisso entre ele próprio e a sociedade, e à formação de uma máscara atrás da qual a maioria das pessoas se refugia..." (Frieda Fordham)

Este compromisso, todavia, por estar baseado numa "falsa" adaptação à sociedade, é inevitável e também útil durante um certo período evolutivo, porque permite que o indivíduo possa inserir-se no ambiente e estabelecer relações com os outros, mas chega o momento em que o homem deve libertar-se desta máscara e alcançar uma adaptação autêntica por meio de uma conciliação sadia das duas exigências, aquela do desenvolvimento individual e aquela do sentimento social, manifestando um real e genuíno senso de relacionamentos humanos corretos.

Isto só pode acontecer depois que o homem soube criar "relacionamentos corretos dentro de si mesmo", isto é,  quando harmonizou os vários aspectos da sua personalidade e encontrou a si mesmo.

De fato, "Se uma pessoa tem um conflito dentro de si mesma... não pode criar um relacionamento harmônico com os outros... porque tendemos a projetar sobre os outros tanto os nossos conflitos quanto as nossas tendências agressivas." (Dr. Roberto Assagioli)

Há uma misteriosa conexão entre estas duas exigências inatas no homem, pois elas são interdependentes e estão intimamente ligadas. De fato, se é verdade que o indivíduo não pode efetuar uma adaptação sadia ao ambiente, se primeiro ele próprio não se realizou, também é verdade que para realizar-se ele deve saber relacionar-se com seus semelhantes.

(...) O homem que está plenamente integrado e que realizou a consciência da sua verdadeira individualidade é espontaneamente impelido a associar-se aos outros e tem a capacidade de "comunicar", isto é, de estabelecer um diálogo real e autêntico com os seus semelhantes.

O egocentrismo, a auto-afirmação, a agressividade, a separatividade, não fazem parte, realmente, da verdadeira natureza do homem, mas fazem parte daquela personalidade epidérmica e falsa que ele, quando ainda não encontrou a harmonia e a síntese dentro de si, erroneamente acredita ser o seu Eu.

O amor pelos outros, o senso de fraternidade e de unidade são frutos do comportamento natural e espontâneo dos indivíduos que encontraram o centro de si mesmos.

"A solidão é um estágio, uma condição subjetiva temporária. Ela pode e deve ser alternada e, finalmente, substituída pela genuína e vital experiência da comunicação interpessoal e interindividual, pelas ligações recíprocas, pela cooperação entre os indivíduos, entre grupos, e finalmente pela fusão por meio da intuição, da empatia, da compreensão e da identificação." (Dr. Roberto Assagioli)

Existe uma pseudo-adaptação social, útil porém não autêntica, fundamentada num compromisso, e que existe uma adaptação verdadeira que é baseada em relacionamentos humanos corretos e que nasce de uma real e autêntica maturidade social, que nos permite viver uma vida harmônica e eficiente no meio da coletividade, sem todavia impedir o livre desenvolvimento da nossa individualidade, até mesmo favorecendo-o e enriquecendo-o.

É certo que a conquista da maturidade social pressupõe o desenvolvimento de certas qualidades e de certas sensibilidades e de ascensão a um certo grau de evolução. Contudo, é a própria vida que nos encaminha gradualmente para esta meta, porque ela se move em direção à "totalidade dos vínculos", de maneira lenta porém segura, impelida por uma onda evolutiva que nada e ninguém pode deter.

Quais são, portanto, estas qualidades que devemos desenvolver para podermos estabelecer os relacionamentos humanos justos e corretos e para podermos dizer que estamos realmente "amadurecidos" no sentido social? Elas são as seguintes: compreensão, responsabilidade, empatia, cooperação, capacidade de comunicação, inocuidade e amor. (...)



Dra. Angela Maria La Sala Bata



Fonte: do livro "Maturidade Psicológica", Ed. Pensamento
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A NATUREZA DA ARMADILHA

O sofrimento é resultado de um choque, é um abalo temporário em uma mente que se acomodou, que aceitou a rotina da vida. Alguma coisa acontece – uma morte, a perda de emprego, o questionamento de uma crença apreciada – e a mente fica perturbada. Mas o que faz uma mente perturbada? Ela encontra um modo de ficar inalterada outra vez; se refugia em outra crença, num emprego mais seguro, numa nova relação. Novamente a onda da vida chega e abala suas defesas, mas logo a mente encontra outras defesas; e assim ela vai. Nenhuma forma de compulsão externa ou interna ajudará, não é? Toda compulsão, embora sutil, é o resultado da ignorância; ela nasce do desejo de prêmio, ou do medo da punição. Compreender toda a natureza da armadilha é estar livre dela; nenhuma pessoa, nenhum sistema, nenhuma crença pode libertá-lo. A verdade disto é o único fator liberador, mas você tem que ver isso por si mesmo e não simplesmente ser persuadido. Você tem que empreender a viagem num oceano sem mapa.




J. Krishnamurti



Fonte: The Book of Life
www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: www.freeimages.co.uk

FATALIDADE E LIVRE ARBÍTRIO

Antes do regresso à experiência no Plano Físico, nossa alma, em prece, roga ao Senhor a concessão da luta para o trabalho de nosso próprio reajustamento.

Solicitamos a reaproximação de antigos desafios.

Imploramos o retorno ao círculo de obstáculos que nos presenciou a derrota em romagens mal vividas...

Suplicamos a presença de verdugos com quem cultiváramos o ódio, para tentar a cultura santificante do amor...

Pedimos seja levado de novo aos nossos lábios o cálice das provas em que fracassamos, esperando exercitar a fé e a resignação, a paciência e o valor...

E com a intercessão de variados amigos que se transformam em confiantes avalistas de nossas promessas, obtemos a benção da volta.

Somos herdeiros do nosso pretérito e, nessa condição, arquitetamos nossos próprios destinos.

O egoísmo e a vaidade costumam retomar o leme de nosso destino e abominamos o sofrimento e o trabalho, quais se fossem duros algozes, quando somente com o auxílio deles conseguimos soerguer o coração para a vitória espiritual a que somos endereçados.

E, por isso, que fatalidade e livre-arbítrio coexistem nos mínimos ângulos de nossa jornada planetária. 

Geramos causas de dor ou alegria, de saúde ou enfermidade em variados momentos de nossa vida.

Aceitemos os problemas e as inquietações que a Terra nos impõe agora, atendendo aos nossos próprios desejos, na planificação que ontem organizamos, fora do corpo denso, e tenhamos cautela com o modo de nossa movimentação no campo das próprias tarefas, porque, conforme nossas diretrizes de hoje, na preparação do futuro, a vida nos oferecerá amanhã paz ou luta, felicidade ou provação, luz ou treva, bem ou mal.



Emmanuel / Francisco Cândido Xavier



Fonte: do livro "NASCER & RENASCER"
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MISERICÓRDIA - AMOR - PUREZA - AUTORRESPEITO - VIRTUDE

Sentimentos de misericórdia vem de um estado mental elevado. Comover-se ao ver a dor dos outros, manter os melhores votos e sentimentos elevados, dar consolo, considerar nossa própria felicidade e conforto como sendo secundários frente a vontade de ajudar outros - isso é ter sentimentos misericordiosos. Tudo isso acontece apenas quando nós deixamos de ter sentimentos egoístas.

O amor é uma das qualidades originais da alma humana. Porém, se misturou tanto com apego, possessividade e dependência, que tais hábitos profundamente arraigados foram sendo aceitos como normais. Como resultado, o ser humano tem dificuldade de perceber a verdadeira forma de amor puro, que é incondicional. A qualidade do amor significa: eu me importo, eu compartilho e, em especial, eu liberto. O verdadeiro amor espiritual nunca gera dependência onde os outros não podem ser eles mesmos.

Pureza é um estado de honestidade e limpeza onde sou o mesmo dentro e fora. É quando não engano a mim nem os outros. Consequentemente, não há espaço para artificialidade. Pureza é o estado da verdade original, onde nenhuma violência é cometida contra os outros ou contra mim. Quando o eu está em sua pureza original, os outros não podem prejudicar ou destruir isso, mesmo se tentarem, porque há uma aura natural de proteção que atua como uma barreira invisível. Alcançar esse nível de pureza é respeitar todas as coisas.

O começo de todas as fraquezas é a ausência da palavra: auto. Quando ela é removida de autorrespeito, o vácuo é preenchido pela expectativa de receber consideração dos outros. Dessa forma, nos tornamos dependentes de forças externas, ao invés de dependentes de poderes internos. Mas quando renunciamos o desejo de receber respeito e nos estabilizamos em um estágio elevado de autorrespeito, o respeito nos seguirá como uma sombra.

Virtude é a beleza de uma pessoa. É o que a torna adorável e única. É a cor, a forma, o design da personalidade. Sua mais pura expressão é revelada no olhar, no agir, no falar. Tudo aquilo que estiver próximo a ela estará preenchido de qualidade. A virtude brilha de dentro para fora, tocando tudo o que encontra: as células, o corpo, o meio ambiente, a fibra do planeta. Preenche o que está vazio, cura o que está doente, acomoda o que perturba.



Brahma Kumaris



Fonte: www.bkumaris.org.br
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ESTAR EM COMUNHÃO COM O SOFRIMENTO

A maioria de nós não está em comunhão com coisa alguma. Não estamos diretamente em comunhão com nossos amigos, nossas esposas, nossos filhos. Então, para compreender o sofrimento, certamente você deve amar, não deve? Ou seja, você deve estar em comunhão direta com isto. Se você quiser compreender alguma coisa, seu vizinho, sua esposa ou qualquer relação; se você quiser compreender alguma coisa completamente, deve estar próximo dela. Deve chegar a ela sem nenhuma objeção, preconceito, condenação ou repulsão; deve olhar para ela, não deve? Se eu quiser compreender você, não devo ter preconceitos a seu respeito. Devo ser capaz de olhar para você, não através de barreiras, das telas dos meus preconceitos e condicionamentos. Devo estar em comunhão com você, o que significa que devo amá-lo. Do mesmo modo, se eu quiser compreender o sofrimento, devo amá-lo. Devo estar em comunhão com ele. Não posso fazer isso porque fico fugindo dele através de explicações, teorias, esperanças, adiamentos - que são os processos de verbalização. Assim, as palavras me impedem de estar em comunhão com o sofrimento. As palavras me impedem – palavras de explicações, racionalizações, que são ainda palavras, que é o processo mental – de estar em comunhão direta com o sofrimento. Só quando estou em comunhão direta com o sofrimento eu posso compreendê-lo.



J. Krishnamurti



Fonte: The Book of Life
www.jkrishnamurti.org/pt
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AS CHAMAS ELEVAM-SE PARA O CÉU E AS CINZAS FICAM NO SOLO

O que sentimos nós diante do fogo? Há qualquer coisa no movimento das chamas que nos incita a arrancarmo-nos ao solo, a deixarmos o mundo da multiplicidade para regressarmos à unidade. Quaisquer que sejam os objetos que nos retêm em baixo, há um momento em que é preciso deixar o mundo da multiplicidade para tomar o caminho em direção ao alto. É assim que reconstituímos a unidade do nosso ser. Depois da dispersão, devemos sempre recentrar-nos em nós mesmos e subir. As chamas elevam-se para o céu e as cinzas ficam no solo. Aqueles que observam um fogo sentem o mistério, mas será que compreendem o seu ensinamento? Quantos não gostariam de que as cinzas também subissem para o céu! Quero eu dizer com isto que, na maior parte dos casos, os humanos procuram projetar os valores pesados e terrestres para o alto, deixam-nos governar a sua vida, contrariando assim o processo natural. Mas não, para nos elevarmos como o fogo, devemos abandonar os nossos interesses materiais, egoístas, e pôr toda a nossa vontade, todas as nossas faculdades, ao serviço do princípio divino em nós.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
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A LEI ESTÁ SEMPRE EM AÇÃO - NÃO HÁ O ACASO

A maioria das pessoas é arrastada como a pedra que cai, obediente ao meio, às influências exteriores e às condições e desejos internos, não falando dos desejos e das vontades de outros mais fortes que ela, da hereditariedade, da sugestão, que a leva sem resistência da sua parte, sem exercício da Vontade. Movida, como os peões no jogo de xadrez da vida, ela toma parte neste e é abandonada depois que o jogo terminou. 

Mas os Mestres, conhecendo a regra do jogo, elevam-se acima do plano da vida material, e colocando-se em relação com as mais elevadas forças da sua natureza dominam as suas próprias condições, os caracteres, as qualidades e a polaridade, assim como o meio em que vivem, e deste modo tornam-se Motores em vez de Peões: Causas em vez de Efeitos. Os Mestres não escapam da causalidade dos planos mais elevados, mas concordam com as leis superiores, e assim dominam as circunstâncias no plano inferior. Eles formam parte consciente da Lei, sem serem simples instrumentos. Enquanto servem nos Planos Superiores, governam no Plano Material.

Porem, tanto nos superiores como nos inferiores, a Lei está sempre em ação. Não há coisa do acaso. As deusas cegas foram abolidas pela Razão. Agora podemos ver com os olhos esclarecidos pelo conhecimento que tudo é governado pela Lei Universal -- o infinito número de leis é simplesmente uma manifestação da única Grande Lei -- a Lei que é o Todo. É verdade, contudo, que nem mesmo um pardal fica descuidado à Mente do Todo, assim como os cabelos da nossa cabeça são contados, como disseram as escrituras. Nada há fora da Lei; nada do que acontece é contrário a ela. Contudo, não cometais o erro de supor que, por causa disso, o Homem é simplesmente um cego autônomo. Os preceitos Herméticos ensinam que o Homem pode usar a Lei contra as leis, e que a vontade superior prevalece contra a inferior, até que por fim procure refúgio na própria Lei, e olhe com desprezo as leis inferiores. Sois capaz de compreender a mais íntima significação disto?



Três Iniciados



Fonte: do livro "Caibalion", Ed. Pensamento
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DOUTRINA ESPÍRITA E HUMANIDADE (MUDANÇA INDIVIDUAL E MELHORIAS SOCIAIS)

"Transformar o homem para transformar o mundo e transformar o mundo para transformar o homem". (Herculano Pires)

Uma questão muito dúbia e que ainda permeia o cerne do movimento espírita é a que diz respeito a expressão "materialistas" que comumente é utilizado para designar àqueles que aparentemente não acreditam em nada além da vida física.

Quando se utiliza o termo, e Kardec o fez muitas vezes, precisamos não confundi-lo com o MATERIALISMO enquanto doutrina de análise sociológica que busca, a partir de uma análise das relações e evolução dos modos de produção humana, determinar as formas a partir das quais a historia se manifesta. Em outros termos, a partir das relações MATERIAIS dos modos de produção, tenta explicar os fatos históricos e a evolução humana.

Portanto, nos parece bem claro que a Doutrina Política chamada MATERIALISMO e o comportamento individual/social MATERIALISTA são conceitos bastante diferenciados e que não podem ser confundidos.

Se não, vejamos: Existem muitos cristãos (católicos, espíritas etc.) que apesar de se dizerem espiritualistas, condenam os MATERIALISTAS, por não acreditarem em nada além da vida, e levam uma vida social baseada no consumo exacerbado, nos prazeres frugais, na exploração de seus trabalhadores (quando os tem), preocupados cada vez mais com o TER em detrimento do SER, pois "...numa sociedade fundada na busca do lucro exagerado e do enriquecimento privado, dominada pela competição, pelo egoísmo e pela "eficácia econômica" obtusa, os recursos são utilizados sem atentar para a suas consequências de longo prazo e, ainda menos, às suas repercussões sobre a natureza". 

Por outro lado conhecemos muitos que defendem o MATERIALISMO enquanto Doutrina política e social, não se dizem espiritualistas mas levam uma vida preocupados em melhorar as condições humanas, combatendo a pobreza (e não os pobres), buscando humanizar a humanidade, buscando diminuir as diferenças sociais, tentando fazer com a sociedade torne-se mais justa, fraterna, menos desigual... uma sociedade onde todos tenham acesso aos mesmos direitos de cidadão (saúde, educação, segurança...), onde a miséria possa ser aliviada através da geração de emprego e renda (uma das causas que levam as pessoas ao mundo das drogas/álcool), enfim... uma sociedade mais humana, pois, "...durante os últimos anos o poder do dinheiro apresentou uma nova máscara sob o seu rosto criminoso. Por cima de fronteiras sem importar raças ou cores, o poder do dinheiro humilha dignidades, insulta honestidades e assassina esperanças. Renomeado de neoliberalismo, o crime histórico da concentração de privilégios, riquezas e impunidades democratiza a miséria e a desesperança".

Portanto, concordamos com Herculano Pires, para que realmente aconteça evolução torna-se necessário duas coisas que andam juntas e são inseparáveis, e não se pode dizer que são independentes: mudança individual, pois precisamos nos equilibrar, nos tornar mais humanos, sem hipocrisias, sem fanatismos; e também contribuir para as melhorias sociais, permitindo que aqueles mais comprometidos tenham suas dores aliviadas convivendo numa sociedade mais fraterna e justa, a fim de que possamos, em outras vidas, desfrutar desta sociedade que ajudamos a construir, sem que isso implique em pervertermos os nossos valores espirituais. 

Entendo que devemos contribuir para o avanço das criaturas mediante trabalhos espirituais de esclarecimento, de transfusão de energia através do passe, de obras assistenciais, da mediunidade etc., mas também, devemos contribuir com a sociedade onde estamos inseridos, sendo críticos (não confundir com maledicência), esclarecidos com relação a Direitos Humanos inalienáveis, defendendo-os como forma de gerar consciência social. 

Somente assim evoluiremos sem dicotomizar o social do individual, pois afinal somos todos frutos de UM SÓ e para ELE devemos trabalhar.



Gerson Yamin



Fonte:  Boletim GEAE (Grupo de Estudos Avançados de Espiritismo) - Número 373 - de 30 de novembro de 1999
Fonte da Gravura: www.freeimages.co.uk

É PRECISO UM PROFUNDO ESTADO DE NÃO-SABER

Jesus costumava dizer repetidas vezes a seus discípulos: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Quem tem olhos para ver, veja”. Dizia isso tantas vezes, como se pensasse que as pessoas não tinham ouvidos e olhos. E esta é a minha experiência também: todas as pessoas têm olhos, mas muito poucas são capazes de ver; todas as pessoas têm ouvidos, mas é raro, raríssimo até, encontrar alguém que seja capaz de ouvir - pois apenas ouvir as palavras não é ouvir, e apenas ver figuras não é ver. Se não se chegar ao significado, ao conteúdo; se não se ouvir o silêncio que é a alma das palavras, então não se está ouvindo.

É preciso escutar em profundo silêncio, em profunda agnosia. Lembre-se de Dionísio, de sua palavra agnosia: um estado de não-saber. Se você sabe, o seu próprio conhecimento já é um distúr­bio; você não pode ouvir. E por isso que os eruditos, os estudio­sos, são incapazes de ouvir: eles estão cheios demais de baboseiras. A mente deles vive tagarelando por dentro; talvez estejam reci­tando shastras, escrituras, mas isso não faz diferença; o que está acontecendo por dentro não tem valor algum.

A menos que você esteja em silêncio absoluto, sem nem mes­mo um único pensamento perturbando seu íntimo, nem uma minúscula onda no lago da consciência, você não será capaz de ouvir. E, se não puder ouvir, então tudo o que você achar que ou­viu estará errado.

Por esses motivos, Jesus foi mal compreendido, Sócrates foi mal compreendido, Buda foi mal compreendido. Eles falavam com bastante clareza. É impossível melhorar as afirmações de Só­crates — elas são muito claras, quase perfeitas, tão perfeitas quanto a linguagem permite. As afirmações de Buda são muito simples, nelas não há complexidade, mas mesmo assim surgem os mal-entendidos.

De onde surge todo esse mal-entendido? Por que todos os grandes profetas, teerthankaras, todos os grandes Mestres ilumi­nados, são mal compreendidos? Pelo simples motivo de que as pessoas não sabem ouvir. Elas têm ouvidos, por isso acreditam que são capazes de ouvir. Não são surdas, não precisam de apa­relho de audição, mas por trás de seus ouvidos há excesso de ba­rulho, e elas têm a mente ocupada tentando interpretar o que está sendo dito, para comparar, analisar, argumentar, duvidar - elas se perdem em todos esses processos.



Osho, em "Filhos do Universo: Reflexões Sobre Desiderata"



Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: www.freeimages.co.uk/

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

COMPREENSÃO ESPONTÂNEA

Nós nunca dizemos, “Deixe-me ver o que é essa coisa que sofre”. Você não pode ver pela força, pela disciplina. Deve olhar com interesse, com compreensão espontânea. Assim você verá que as coisas que chamamos sofrimento, dor, a coisa que evitamos e a disciplina, foram embora. Enquanto eu não tenho relação com a coisa como fora de mim, o problema não existe; no momento em que estabeleço uma relação com isto fora de mim, o problema existe. Enquanto eu tratar o sofrimento como algo do lado de fora – eu sofro porque meu irmão morreu, porque não tenho dinheiro, por isso ou por aquilo – eu estabeleço uma relação com isto e essa relação é fictícia. Mas se eu sou essa coisa, se vejo o fato, então a coisa toda se transforma, tudo tem um significado diferente. Então há completa atenção - atenção integrada - e aquilo que é completamente considerado é compreendido e dissolvido; e assim não há mais medo e, portanto, a palavra sofrimento não existe.



J. Krishnamurti



Fonte: The Book of Life
www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ALGO MAIS REAL DO QUE A ILUSÃO - FÍSICA QUÂNTICA

A física tradicional teve em Isaac Newton sua base fundamental. O paradigma mecanicista, que de forma popular foi representado pela queda da maçã da árvore, observada e estudada por Newton levando-o a enunciar a Lei da Gravitação Universal (Lei da Gravidade), abriu as portas para o desenvolvimento das ciências físicas.

No crepúsculo do segundo milênio, em 1900, Max Planck promoveu o início da revolução na física enunciando a Teoria dos Quanta. Quanta é uma palavra latina, plural de "quantum". Os "quanta" são pacotes de energia associados à radiações eletromagnéticas. Max Planck, prêmio Nóbel de física em 1918, descobriu que a emissão da radiação é feita por pequenos blocos ou "pacotes" de energia descontínuos. A descontinuidade da emissão das radiações rompeu com o determinismo matemático e absoluto da física clássica. Surgiu, então, o determinismo das probabilidades e estatístico.

Cinco anos depois, em 1905, Albert Einstein enuncia a Teoria da Relatividade cujo resultado foi a destronização do pensamento mecanicista positivista (materialista) e a introdução de novas concepções que, em muitos aspectos, aproximam-se da Metafísica e da visão espiritualista.

Em função das descobertas de Max Planck e, sobretudo, a partir da Teoria da Relatividade, o universo que vivemos deixa de ser tridimensional (comprimento, largura e altura), passando a apresentar outras possibilidades de dimensões, não detectadas pelos sentidos físicos, bem como outras possibilidades de concepção de tempo.

Johann Carl Friedrich Zollner, na obra Física Transcendental, aborda com muita propriedade os temas "quarta dimensão" e "hiperespaço", referindo-se à experiências realizadas em Leipzig, Alemanha. No mencionado livro, Zollner comenta a possibilidade de um objeto efetuar a passagem para outra dimensão, desaparecendo dos olhos do observador e retornar às dimensões convencionais voltando a ser percebido pelos órgãos visuais.

Vejamos algumas noções sobre espaço e dimensões:

Ao avaliarmos a extensão de um determinado espaço, por exemplo, de uma reta, utilizamos uma escala rígida como uma régua. Se a reta for maior que a régua, procuraremos verificar quantas vezes a régua cabe na extensão da reta. Estamos assim avaliando um elemento de apenas uma dimensão. A reta possui somente comprimento; não possui as outras dimensões, largura e altura.

Quando falamos em uma linha reta, podemos representá-la por um traço, ou seja, uma sucessão de pontos sobre uma superfície plana. Mas na realidade, o traço, por mais fino que seja, nunca será apenas uma linha, pois terá mais de uma dimensão, a largura do traço, por exemplo. Entretanto, nós não lembramos desta realidade, representamos a reta como uma linha, ignorando a outra dimensão que é a sua largura. O fato de ignorarmos a largura de uma reta, não torna menos real a sua existência. Assim, também, representamos uma linha reta como uma sucessão de pontos que compõem a mesma. Os pontos estariam situados rigorosamente em uma única direção. Podemos conceber, contudo, que a linha não goze desta propriedade. É possível imaginar uma linha onde seus pontos mudem de direção imperceptivelmente. O espaço linear seria então encurvado e do encurtamento da linha unidimensional (comprimento) surge o plano bidimensional (comprimento e largura). A ideia de um arame fino retorcido dá-nos a imagem de como se obtém a segunda dimensão a partir do encurvamento da primeira.

Da mesma forma, um plano bidimensional constituído de comprimento e largura, que representaríamos por uma face polida de uma lâmina de metal, igualmente pode ser encurvado. Ao efetuarmos o encurvamento, obrigaremos a superfície a ocupar um espaço de três dimensões. Surge assim o espaço tridimensional físico em que vivemos: comprimento largura e altura.

Da mesma forma como é possível encurvar a linha e o plano, os físicos admitem ser viável, outrossim, encurvar o nosso espaço tridimensional onde vivemos. Afinal seria nosso espaço físico uma exceção? Ou, o limite do universo? Por que estaria isento de curvatura? Em outras palavras, estaríamos no limite dimensional da série de espaços reais possíveis? Em função disto, pesquisadores admitem não só existir a quarta dimensão, mas "n" dimensões, ou infinitas dimensões no universo.

A compreensão de seres quadridimensionais só poderá estabelecer-se através de uma analogia. Podemos ter uma ideia aproximada de como seriam os objetos ou seres de um mundo imaginário de quatro dimensões, comparando as propriedades dos objetos de duas dimensões, com os de três dimensões.

Façamos um exercício:

Suponhamos a existência de seres pensantes, habitantes de um mundo plano (bidimensional); tanto os referidos "planianos" quanto o seu "mundo superficial" teriam duas dimensões, comprimento e largura, e viveriam como nossa sombra junto ao solo. Um "planiano" jamais poderia suspeitar, à simples vista de seu contorno, que fosse possível a existência de seres reais, como nós, que possuem três dimensões.

Assim como já vivemos em época na qual se imaginava ser a terra um orbe plano e depois descobriu-se ser ela arredondada, analogamente, até o advento da Teoria da Relatividade, afirmava-se que o espaço físico era isento de curvaturas (euclidiano). Considera-se atualmente, a possibilidade do espaço ser encurvado formando imensa figura cósmica tetradimensional. Admite-se, pois, de conformidade com a física moderna, a possibilidade de espaços paralelos e universos paralelos. Por que não, a existência de seres vivendo paralelamente ao nosso mundo?

Einstein admite o encurvamento do "continuum espaço-tempo". Sua teoria vem sendo desenvolvida gradativamente pelos físicos da novíssima geração que consideram ser possível chegar aos componentes últimos da matéria através de micro-curvaturas do espaço-tempo. O conjunto de conhecimentos acerca da lei da gravidade desenvolvido nos moldes da Teoria de Einstein gerou a Geometrodinâmica Quântica. Através desta nova disciplina científica, a física quântica se refere aos "miniblackholes" (mini-buracos negros) e "miniwhiteholes" (mini-buracos brancos) onde um objeto ou ser pode surgir ou desaparecer do "continuum espaço-tempo".

A realidade fundamental das nossas dimensões, conforme este modelo, é figurada como "um tapete de espuma espalhada sobre uma superfície ligeiramente ondulada" onde as constantes mudanças microscópicas na espuma equivalem às flutuações quânticas. As bolhas de espuma, conforme se refere John Wheeler na obra "Superspace and Quantum Geometrodynamics", p. 264, são formadas pelos mini-buracos negros e mini-buracos brancos os quais surgem e desaparecem (como bolhas de espuma de sabão) na geometria do "continuum espaço-tempo". Os mencionados mini-buracos negros e brancos seriam, portanto, portas para outras dimensões do universo. Através dos mesmos, seres aparecem ou desaparecem passando a não mais existir em uma dimensão e existindo em outra dimensão do universo. Os mini-buracos brancos e negros são, para os físicos, formados por luz auto capturada gravitacionalmente. 

Embora nos pareça difícil compreender estas elucubrações da física quântica, a partir delas os cientistas estão começando a introduzir um novo conceito, o da consciência pura; não como uma entidade psicológica  -  adverte-nos Hernani Guimarães Andrade  -  mas sim como uma realidade física. Ao considerar a existência de uma consciência, na visão do universo segundo o modelo que criaram, aproximam-se das questões espirituais.

Diversos físicos modernos passaram, no momento atual, a se interessar por conhecimentos esotéricos e filosofias orientais. Consideram eles, ser surpreendente a semelhança dos conceitos filosóficos da sabedoria milenar do oriente com as conclusões da física quântica.

A nova física está chegando a conclusão de que existem outras vias de acesso ao conhecimento, além dos métodos da atual ciência. Há evidências de que nossa mente, em certas circunstâncias, consegue desprender-se das amarras do corpo biológico e sair por aí em um corpo não desta dimensão, mas tão real quanto o nosso, o corpo astral.

Nesse novo estado, há possibilidade da consciência individual integrar-se com a consciência cósmica e aprender diretamente certas verdades, certos conhecimentos que podem também serem adquiridos normalmente, mas somente após exaustivos processos experimentais e racionais usados pela ciência.

Dr. Fritjof Capra, pesquisador em física teórica das altas-energias, no laboratório de Berkeley, e conferencista da Universidade da Califórnia em Berkeley, USA, escreveu os livros "O TAO DA FÍSICA", "O PONTO DE MUTAÇÃO" e "SABEDORIA INCOMUM". Nestas obras, o eminente físico traça um paralelo importante entre a sabedoria oriental e a moderna física. Ele admite que a exploração do mundo subatômico revelou uma limitação das ideias clássicas da ciência. Considera, aprofundando suas reflexões a este respeito, ser o momento da revisão de seus conceitos básicos. A antiga visão mecanicista já cumpriu sua função e deve ceder lugar a novos conceitos de matéria, espaço, tempo e causalidade.

Fritjof Capra indica como um dos melhores modelos da realidade, aquele que é chamado de "bootstrap" pelos físicos. Traduzindo em termos compreensíveis para nós, equivale dizer que a existência de cada objeto, seja um átomo ou uma partícula, está na rigorosa dependência da existência de todos os demais objetos do Universo. Qualquer um deles jamais poderia ter realidade própria se todos os objetos não existissem. Há uma identificação com os princípios holísticos nesta assertiva.

O modelo proposto pelos físicos resulta do fato dos mesmos, assim como os meditadores do oriente, terem chegado a mesma conclusão: A matéria em sua constituição básica é simplesmente uma ilusão, ou MAYA, como dizem os budistas. A aparente substancialidade da matéria decorre do movimento relativo criador de formas. Se a matéria é uma ilusão, certamente (dizemos nós), há de existir algo que seja transcendente a esta matéria e seja mais real que a ilusão...



Ricardo Di Bernardi



Fonte: do livro "Dos Faraós a Física Quântica", Livraria e Editora Universalista
Fonte da Gravura: www.imageafter.com

VALORES QUE VALORIZAM A VIDA

Conformar-se com o que todos os demais estão fazendo pode comprometer princípios e valores. 

Viver tal vida pode ser fácil. 

Pode até haver realização momentânea, mas a pessoa estará abrindo mão de seus valores para não ficar fora do grupo. 

Porém, são os valores que tornam a vida valiosa de ser vivida. 

Aquele que personifica valores é uma fonte de força e inspiração para os outros. 

Mais cedo ou mais tarde essa pessoa é legitimada. 

Como disse Mahatma Gandhi: mesmo se você é uma minoria, a verdade é a verdade.




Brahma Kumaris



Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

OCASIÕES PARA PROGREDIR

Quem é que, de vós, ainda não ouviu dizer que a vida é uma escola?... Se tivésseis compreendido o que isso significa, perante cada nova dificuldade aceitaríeis ter nela novos exercícios para fazer e diríeis: «Ah!, aqui está mais uma ocasião para progredir!» E, depois de terdes ultrapassado essa dificuldade, ficaríeis cheio de regozijo como o estudante que passou num exame. Um sábio não pode ficar indiferente às queixas daqueles que vêm confiar-lhe as suas decepções e os seus sofrimentos. Mas ele é obrigado a constatar que o mal deles advém, em primeiro lugar, do fato de ignorarem esta verdade essencial: estamos todos na terra para estudar, para nos exercitarmos. A maior parte deles estão convencidos de que vieram aqui para conhecer a facilidade, o conforto, as riquezas, o amor dos outros, como se isso lhes fosse naturalmente devido. A Inteligência Cósmica quer que os humanos sejam felizes, mas ela fez as coisas de tal modo que eles só encontrarão a felicidade desenvolvendo a sua natureza superior. Ora, a natureza superior não se desenvolve no conforto e na facilidade.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: www.imageafter.com

NÃO CONDICIONE A FELICIDADE À POSSE - DESAPEGUE-SE DOS BENS TRANSITÓRIOS

Com a desencarnação, a alma será constrangida a abandonar tudo quanto se relacione ao corpo. Nada do que tenha relação com a vida orgânica acompanhará o ser no seu retorno à Pátria Espiritual.

Buda, em sua excelente sabedoria, já comentava a respeito da impermanência de tudo quanto se refere ao corpo. As coisas não são nossas propriedades definitivas, considerando que nos não acompanharão para além da morte. Em verdade, somos possuidores, meros detentores .

Tive oportunidade, enquanto elaborava este trabalho, de acompanhar uma cerimônia de casamento religioso. E, concluindo o ritual, o sacerdote formulou aquela frase bem conhecida: considero-os marido e mulher, até que a morte os separe. E, atento, constatei que o sacerdote, no ato mesmo do casamento, já anuncia e antecipa, aos noivos, que eles ficarão viúvos, ao dizer: até que a morte os separe. Note-se que os noivos não se casam enganados. Já sabem que, muito provavelmente (esta é a regra), não deverão chegar juntos ao túmulo. Ora, isto se dá no casamento e nas situações outras de um modo geral.

O desapego aos bens e valores transitórios trará efeitos muito positivos à sua vida, dentre eles permitindo-lhe apegar-se aos bens imperecíveis da alma.

Se a sua depressão tiver alguma relação com a perda de algo ou alguém que você considere importante, imprescindível, procure perceber com clareza tal situação. Enquanto não se detectar a causa com segurança, não se tem como erradicá-la.

Observe em que consiste a sua escala de valores, as suas motivações para viver.

Se a sua mente estiver fixada nos valores transitórios, denotando excessivo apego, saiba que você pode ser uma candidata em potencial à depressão pelo sentimento de perda. Por considerar que, fatalmente, será constrangida a tudo abandonar, se não durante a existência carnal, certamente quando se der a desencarnação.

Não se esqueça, portanto, de que a qualquer momento, pela desencarnação, pela enfermidade, pela aposentadoria, ou por outros fatores, você poderá estar sem a posse do que até então constituía a sua razão de viver.

Trabalhe desde já o seu sentimento de posse. Quanto menos sentimento de posse, menos apego, menos abatimento em face de uma eventual perda.

Fundamental, para a sua felicidade, que você tenha sempre na lembrança esta verdade irrefutável, qual seja, a de que as coisas não nos pertencem em definitivo. Assim entendendo, quanto possível evite o sentimento de posse ao deter este ou aquele bem, procurando não se escravizar a ele. Não condicione a sua felicidade à manutenção definitiva desse bem.

Exercite a renúncia, assim se antecipando à perda inevitável dos bens que não poderão permanecer indefinidamente com você.

Reflita sempre na transitoriedade da posse dos bens materiais. Busque a posse dos valores espirituais, os únicos reais, que acompanharão sempre a sua alma, mesmo depois da desencarnação.

Esforce-se por sair do casulo do egocentrismo, libertando-se das amarras negativas do apego.

Não se retenha nos anseios tormentosos do sentimento.

Compreenda que a vida impõe mudanças constantes e que não nos será possível reter tudo e todos sempre sob nosso controle.

Compreenda que os companheiros, como os beneficiários de nossas ações positivas, talvez não possam ficar ou seguir conosco até o termo de nossa jornada... ou acompanhar-nos de imediato além dela...

Assim, se você sofreu alguma perda expressiva, ouso ainda recomendar:

Prossiga confiando na Vida;

Permaneça confiando em Deus; 

Confie mais em você;

Prossiga confiando no amor, no bem...

Não se fixe indefinidamente no passado. Se devêssemos viver sempre olhando para trás, a Natureza teria posto um ou mais olhos em nossa nuca para que nunca perdêssemos de vista o sucedido anteriormente.

Os nossos veículos automotores são servidos por vidros retrovisores, no entanto, esses retrovisores apenas servem para orientar o motorista que, caso pretenda atingir o destino que o aguarda, deve dirigir para a frente.

Assim, a alma não deve andar de marcha à ré; deve, sim, marchar para a frente e para o alto!



Izaias Claro



Fonte: do livro "Depressão - Causas, Consequências e Tratamento", Casa Ed. O Clarim
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal