quarta-feira, 5 de agosto de 2020

A PORTA DO INCONSCIENTE


[...] Freud foi o primeiro a descrever o que se pode encontrar quando a porta do inconsciente é aberta: nós descemos e realmente damos de cara com a escuridão interior, mergulhando nela... O inconsciente... não pode ser consciente; a lua tem um lado oculto, o sol se põe e não pode brilhar em toda a parte a um só tempo...

Para haver atenção e foco é necessário que outras coisas fiquem fora do campo da visão, permanecendo no escuro, pois não se pode olhar para dois lugares simultaneamente. Entretanto, a escuridão é assim por duas razões: primeiro, por ser necessariamente reprimida... e, segundo, por não ter tido nem tempo, nem lugar para vir à luz. Essa é também a escuridão interior, o chão ou a terra de um novo ser, a parte que se encontra "in potentia" e que vem a ser cultivada pela psicologia junguiana. Aí se encontram o passado e o futuro.

Por trás da escuridão reprimida e da sombra pessoal, encontra-se a escuridão arquetípica, o princípio do não-ser, que foi denominado e descrito como o Demônio, o Mal, o Pecado Original, a Morte, o Nada Existencial, a prima matéria...

A experiência da escuridão interior que Freud descreve é a confrontação viva com a nossa própria natureza reprimida. A besta emerge da gruta onde esteve deitada longo tempo adormecida, e temos terrores noturnos, acordando molhados de suor. Um cadáver ou múmia ancestral ressuscita. Surge um vasto pântano... Um criminoso, uma criança retardada... estes passam a incorporar-se à figuras oníricas que se apresentam sob a forma de marginais, ou seja, seres que foram marginalizados pelas duras leis com que edificamos nossa sociedade interior. Assim, estes potenciais deverão aparecer como uns fora-da-lei, desajustados e ate mesmo aleijados e lunáticos. Curar os cegos e leprosos, ressuscitar os mortos torna-se uma necessidade interna, quando se quer trazer saúde à personalidade.

A experiência dos símbolos da escuridão pode se dar não apenas em nível dos fatos relacionados aos pecados e crimes da vida de cada um, mas também dentro de uma visão mais ampla do desenvolvimento humano. Hércules teve que limpar a imundície dos estábulos de Augias; teve que canalizar verdadeiros rios de energia para realizar esse trabalho impossível. Também teve que dominar o leão das ambições e da sede de poder pessoal e estar pronto para sujar-se nos estábulos. Ulisses precisou defrontar-se com o gigante do olho faminto, o demônio unilateral da compulsão, antes de prosseguir em sua jornada. Em algum lugar há sempre um monstro a ser enfrentado, um ser horrendo a exterminar, um impulso a ser ultrapassado. Em algum lugar um anjo nos espera para uma luta corpo-a-corpo antes de podermos atravessar o rio. E quando se esta sozinho no deserto, que tanto pode ser o subúrbio de nossos dias e o prédio de escritórios, quanto, o que mencionavam os primeiros padres da igreja, demônios de todas as espécies, se aproximam: os que tentam, seduzem, pervertem, provocam projeções e os que nos iludem.

Há sempre uma base de apoio para cada queixa que surge e, quanto mais devastadora fascinante ela for, tanto mais certos poderemos estar de que existe um embasamento arquetípico empregando um sintoma como simbolo, o qual, se melhor compreendido, é não apenas um sofrimento patológico, mas a chance de transformar-se numa experiência religiosa. [...]


James Uillman



Fonte: "Uma busca interior em psicologia e religião"
Tradução Araceli Martins Elman; revisão Jose Joaquim Sobral, Ed. Paulus, 4ª ed., 2004
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/psicologia-psique-m%C3%A1scara-gradinha-2709651/

INTROVERSÃO - INTERIORIZAÇÃO - INTROSPECÇÃO


Os padres monásticos foram sempre lúcidos e simples quanto ao entendimento de que o propósito principal da vida monástica é o de alcançar uma consciência inquebrantável da presença de Deus, a prece incessante. Santo Agostinho escrevendo não apenas aos monges, mas a todos os cristãos, disse que todo o propósito da vida e de todo exercício cristão é o de “abrir os olhos do coração”...

Aqui está a meta da vida cristã, pois ela é o convite que cada um de nós teve o privilégio de receber: o de sermos os discípulos de Jesus. Sempre houve um grande perigo para a verdadeira interiorização, mas ele existe hoje em dia de um modo especial, para nós que vivemos em nossa sociedade acanhada e narcisista, que é o da introversão, o egocentrismo e a auto-análise. A grande prevalência da vulnerabilidade psicológica e da alienação social exacerbam este perigo, quando pedem que se lide com ele com gentileza e compaixão... Ser verdadeiramente interiorizado, é o extremo oposto de ser introvertido. Na percepção da presença que nos habita, nossa consciência é revirada, con-vertida, de forma que não estamos mais olhando para nós mesmos, antecipando ou relembrando emoções, reações, desejos e ideias ou sonhando acordados. Estamos nos voltando para outra coisa. E isto é sempre um problema para nós.

Pensamos que seria mais fácil nos afastarmos da introspecção se soubéssemos para onde devêssemos nos voltar. Se ao menos tivéssemos um determinado objeto para olhar. Se ao menos Deus pudesse ser representado por uma imagem. Mas, o verdadeiro Deus nunca pode ser uma imagem. Imagens de Deus são deuses. Fazermos uma imagem de Deus é, meramente, terminarmos por olhar para uma imagem reformada de nós mesmos. Sermos verdadeiramente interiorizados, abrirmos os olhos do coração, significa estarmos vivendo na visão sem imagens que é fé, e esta é a visão que nos permite "ver Deus". Na fé, a atenção é controlada por um novo Espírito, não mais os espíritos do materialismo, do egoísmo e da auto-preservação, mas o ethos da fé que é, por natureza, não possessivo. Ele está sempre abrindo mão e continuamente renunciando aos prêmios das renúncias, que são muito grandes e, portanto, fazendo-se ainda mais necessário que eles sejam restituídos. Não há desafio mais crucial do que o de adentrar a experiência de se manter centrado-nos-outros. Trata-se do continuado estado estático de despojamento. Podemos vislumbrar isto simplesmente ao nos lembrarmos daqueles momentos ou fases da vida em que experimentamos o mais alto grau de paz, plenitude e alegria, reconhecendo neles, não períodos em que possuíamos alguma coisa, mas períodos em que nos perdemos em algo ou em alguém. O passaporte para o reino demanda o carimbo da pobreza. [...]

E, no entanto, aprender a estar centrado-em-outros é uma disciplina, é um discipulado e implica em ascese. Não há nada mais difícil do que aprender a não estarmos atentos a nós mesmos... Estamos todos inclinados a deixar nossa atenção passear, derivar de volta ao egoísmo, à fascinação consigo mesmo, e quando a atenção fica à deriva nessa correnteza falsa logo voltamos ao estado de distração. Há, então, uma simples verdade a descobrir. Quando a atenção está em Deus, com a visão da fé, tudo nos revela Deus. Quando nossa atenção está em nós mesmos, na cegueira do ego, tudo é distração que nos afasta de Deus.

Parece-nos ser um difícil desafio esse de sempre dirigir nossa atenção para essa visão da fé, até que compreendamos que foi exatamente para isto que fomos criados.


Dom Laurence Freeman, OSB



Fonte: "O Poder da Atenção" - Leitura de 10/08/2008, The Selfless Self (London: DLT, 1989) pp. 31-35.
Tradução de Roldano Giuntoli - Comunidade Mundial de Meditação Cristã - www.wccm.com.br
Fonte da Gravura: Instagram

terça-feira, 4 de agosto de 2020

O EU E A ALMA


Apesar do grande número de fenômenos que o ser humano percebe, para as finalidades que temos em vista eles podem ser classificados em duas divisões gerais: físicos e não-físicos.

A primeira classificação consiste daquelas realidades, objetos e acontecimentos, que o homem pode perceber por meio de seus órgãos sensoriais, ou seja, seus olhos, ouvidos etc. [...] A segunda classificação consiste daquelas percepções ou sensações que são o resultado da consciência do eu. Elas são muito diferentes das experiências físicas.

[...] O ser humano é impregnado de uma força vital misteriosa. Concebemos que a inteligência é um atributo desta força vital, ou que ela, pelo menos, está integrada a seu funcionamento. Logo, evidentemente, esta inteligência inata também existe nos neurônios cerebrais, ou células cerebrais, onde provê uma sensibilidade para aqueles impulsos que nos chegam, através dos nossos órgãos sensoriais, do mundo exterior. Em outras palavras, no cérebro, esta força vital e inteligência tornam possível nossas experiências físicas, equivalendo à nossa consciência objetiva.

[...] Para o místico, a consciência, o estado de percepção, é existência. Para o homem, aquilo de que ele está cônscio é. Todos os poderes que o ser humano é capaz de exercer, sejam físicos, mentais ou psíquicos, só podem ser relacionados com aquilo de que ele tem conhecimento, aquilo que lhe é real. [...] Todavia, o místico sabe que as realidades da sua consciência são duplas: aquelas coisas, ou particulares, que têm uma existência objetiva, como seu corpo e o mundo externo; e aquelas realidades da sua consciência que são percepções interiores, que surgem das profundezas de si mesmo, como emoções, estados de alma, inspirações. Estas últimas podem transformar-se num ímpeto que o farão ter vivências objetivas, mas sua origem parece limitada à natureza etérea do seu ser.

Para o místico, a única separação que existe é esta dualidade da sua consciência, a inclinação para distinguir entre as realidades do eu e as do mundo objetivo. Na realidade, o místico entende que todas estas realidades são parte de uma grande ordem hierárquica, uma escala graduada. Essa gradação é acorde com a simplicidade ou complexidade da sua natureza. Quanto mais complexas as realidades, maior é a sua manifestação de uma inteligência universal — em outras palavras, mais elas representam toda a ordem hierárquica ou Cósmica.

As atividades do eu, as realidades de nosso ser interior são mais complexas neste sentido do que aquelas particularidades do mundo material ou cotidiano que percebemos. Se, por analogia, a ordem Cósmica ou Deus, como preferir, é a síntese de tudo, então, aquele Deus, evidentemente, é complexo — infinito em substância e variedade. Se nos tornamos cônscios do complexo, ou das maiores expansões ou manifestações da Sua natureza, maior a nossa intimidade com Ele, mais Nele viveremos.

Como as causas das sensações do eu são bastante impalpáveis, não são identificadas com substância, nem podem ser realmente localizadas no corpo humano, elas sempre foram muito misteriosas para o homem. [...] Então, como se deveriam identificar os elementos impalpáveis do nosso eu? A conclusão era que eles deviam transcender o mundo, devido à impossibilidade de serem sentidos como pertencentes ao mundo. Esses elementos eram considerados de natureza Divina, devido à sua aparente infinidade e imaterialidade. A alma, portanto, tornou-se o repositório para todas essas qualidades indeterminadas do homem, sendo psique o vocábulo grego que o definiu.

Essa ideia de alma deu expressão à vida espiritual do homem. Quando passou a examinar as influências sutis da alma e, seu estranho efeito sobre ele, como sua natureza melhor, sua vida espiritual mudou como consequência. Tentou viver em harmonia com os sentimentos da alma e com sua compreensão do que julgava que ela fosse.

[...] A maioria de nós deve estar bem familiarizada com o conceito cristão de alma. Naturalmente, a ideia cristã fundamental foi modificada pelas várias interpretações de diferentes seitas. De modo geral, o cristianismo considera que a alma possui uma contínua existência consciente. Em outras palavras, segundo a opinião cristã geral, a alma tem autoconsciência. O cristão reconhece a dualidade do homem: por um lado, o corpo físico e mortal e, por outro, a alma — a vida espiritual ou o ser do homem. Ele agora declara que ambos são de Deus, coisa que, incidentalmente, os primeiros cristãos não ensinavam. Além disso, o cristianismo salienta que a alma não é absorvida em Deus, mas conserva sua identidade separada, e que não se torna completamente absorvida no espírito universal ou essência de Deus, como as filosofias hindu e budista afirmam. Além disso, o cristianismo não reconhece a perfeição da alma (o que pode ser um ponto controvertido, mas a controvérsia resulta apenas das diferenças de interpretação). A alma do homem, para o cristão, é imperfeita até que tenha sido purificada, até que passe pelo processo de salvação.

A concepção rosacruz de alma é verdadeiramente mística. O rosacruz também começa com o reconhecimento da dualidade da natureza do homem — o corpo físico terreno composto do pó da terra, imbuído de energia espiritual, da mesma forma que todas as coisas animadas e inanimadas. Não se faz distinção alguma entre a natureza física do corpo do homem, no tocante às suas propriedades básicas, e a de qualquer outra substância física. Todas são consideradas terrenas. Logo, esta concepção rosacruz reconhece a alma como uma essência espiritual e divina, residente dentro do corpo, durante o período da sua existência terrena. O rosacruz também declara que a alma é informe; isto é, que a alma não tem nenhuma forma definida e concreta capaz de ser descritível ou comparável a qualquer outra coisa de natureza material. Considera a alma como uma espécie de energia, assim como o pensamento não tem forma física, mas pode dar origem, dentro da consciência, à ideia de forma.

O rosacruz afirma que a alma no homem não é uma entidade separada, individual, distinta da alma de todos os outros seres, mas que é parte da energia da alma universal que flui por igual através de todos os homens. A alma no indivíduo mais degradado é tão pura e tão divina quanto a alma do ser altamente iluminado e espiritual. A diferença aparente que existe é uma questão de expressão. É uma reação pessoal à força da alma, tal como a energia elétrica que corre por um circuito elétrico pode, em algumas lâmpadas naquele circuito, produzir uma luz azul e, em outras, uma luz branca e pura, mas a qualidade da corrente elétrica é a mesma em todos os casos. Portanto, a alma no homem é perfeita em todos os momentos e, por conseguinte, não pode ser aperfeiçoada. Afirmar que a alma pode ser aperfeiçoada, diz o rosacruz, é admitir a sua imperfeição. O rosacruz declara que, como a alma emana de uma fonte divina e é a única essência divina no homem, como podemos nós afirmar que essa divindade é imperfeita, ao dizer que a alma deveria ser aperfeiçoada?

A alma se manifesta diferentemente em cada um de nós, devido ao desenvolvimento psíquico do indivíduo, isto é, à sua capacidade de reagir, como se disse acima, à força espiritual dentro dele. É o ego ou personalidade do indivíduo que tem de ser aperfeiçoado. À medida que desenvolvemos e aperfeiçoamos nosso ego e nossa personalidade interior, chegamos eventualmente a apreciar, compreender e perceber a força anímica dentro de nós. Corrigimos nosso pensamento, corrigimos nossos modos de vida e permitimos que a alma se expresse sem obstáculos. Assim, encontramos alguns indivíduos mais iluminados do que outros, mais espiritualistas em manifestação do que outros, mas, em essência, todos são espiritualmente iguais, afirmam os rosacruzes. [...]


Ralph M. Lewis, F.R.C.
Ex-Imperator da Ordem Rosacruz — A.M.O.R.C.



Fonte: do livro "O Santuário do Eu", Biblioteca Rosacruz, 2ª ed., Ed. Renes, RJ
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

MECANISMOS DA REENCARNAÇÃO


O Livro dos Espíritos, questão 351: No intervalo que medeia da concepção ao nascimento, goza o espírito de todas as suas faculdades?

“Mais ou menos, conforme o ponto, em que se ache, dessa fase, porquanto ainda não está encarnado, mas apenas ligado. A partir do instante da concepção, começa o espírito tomado de perturbação, que o adverte de que lhe soou o momento de começar nova existência corpórea. Essa perturbação cresce de contínuo até ao nascimento. Nesse intervalo, seu estado é quase idêntico ao de um espírito encarnado durante o sono. À medida que a hora do nascimento se aproxima, suas ideias se apagam, assim como a lembrança do passado, do qual deixa de ter consciência na condição, de homem, logo que entra na vida. Essa lembrança, porém, lhe volta pouco a pouco ao retornar ao estado de espírito.”


A Reencarnação é uma necessidade da vida espiritual, assim como a morte é uma necessidade da vida corporal. Nem todos os espíritos compreendem, ou pensam da mesma forma em suas futuras reencarnações. De acordo com a vontade, eles podem apressar ou retardar o momento de se reencarnarem. Cedo ou tarde, no entanto, o espírito sente necessidade de crescer. Algumas reencarnações são impostas porquanto o espírito não tem condições de escolher. No momento de reencarnar, o espírito sofre uma perturbação muito maior do que no momento da morte. A morte é a libertação da escravidão, a reencarnação é o ingresso na mesma.

A alma se une ao futuro corpo no momento da concepção. É definitiva essa união, já que outro espírito não pode habitar aquele invólucro. No entanto, a reencarnação só se completa depois do nascimento. Portanto, no inicio os laços são muito sutis, e se o espírito recua diante da prova pela qual tem de passar, ele pode romper esses laços, e a criança não vinga.

A reencarnação nos ensina que a vida é única, mas que existências carnais são múltiplas. Estamos na vida, seja no corpo, ou fora do corpo. O progresso é incessante. Hoje, desenvolvemos determinados valores, amanhã deixamos esses valores adquiridos armazenados e desenvolvemos outros tesouros que se encontram em germe.

O que hoje possuímos é resultado do nosso esforço – quando positivo – ou da nossa irresponsabilidade – quando negativo. Eloquência, conhecimentos intelectuais, amor, sabedoria, são conquistas do esforço pessoal da pessoa, em experiências passadas. Nada na vida é privilégio.

A palavra carma, dá uma ideia fatalista. Na Índia o conceito de reencarnação é um tanto fatalista: “Nasceu pobre, é para pagar mesmo”. Eis porque Allan Kardec não utilizou a palavra carma, preferindo o termo “Lei de Causa e Efeito”. Ou seja, todo efeito provém de uma causa. Toda causa produz um efeito. Se eu produzo positivamente na vida, receberei a consequência com o mesmo teor. Se eu ajo com irresponsabilidade, eu estou gerando efeitos de desarmonia para mim mesmo no futuro.

A reencarnação consegue explicar que a escassez de hoje, é fruto do desperdício de ontem. Então, o bem que hoje desperdiçamos, nos fará falta amanha. A pessoa que utiliza das outras como objetos sexuais, dilacerando vidas, retorna e transita em uma existência experimentando a solidão, para aprender a dar valor às companhias. O homem rebelde, que em um momento de desespero se mata, atirando com o revolver contra a própria cabeça, retorna em uma situação como doente mental, a fim de poder dar valor a benção de um corpo físico saudável. Aquele que teve muito dinheiro, e que utilizou para a satisfação dos caprichos pessoais, reencarna-se em uma situação de miséria, para aprender a utilizar os recursos com sabedoria. O filho doente, cuja mãe não tem nada a fazer a não ser cuidar dele, é o antigo suicida que se matou induzido por ela. A esposa autoritária, é aquela que foi magoada por nós mesmos, em experiências passadas. O filho rebelde, que causa transtornos na vida dos pais, é o mesmo ser que foi abandonado no passado. E assim por diante...

As antipatias e simpatias, que a psicologia convencional não consegue explicar, a reencarnação explica. A reencarnação também diz que não somos nem anjos nem demônios. Somos o resultado de tudo o que fizemos no passado. Ou seja, somos o melhor de nós, atualmente.

Alguns podem objetar que o esquecimento do passado é um obstáculo para a lógica da reencarnação. A razão diz que, se Deus lançou um véu de esquecimento em relação ao passado, isso não é por acaso. Tem uma razão de ser, porquanto a natureza é sábia. O espírito no entanto, que conhece as suas tendências, pode ter uma ideia do que foi no passado. Além disso, o esquecimento é bem temporário, porquanto, após a morte, ele recobra as suas lembranças. Alias, mesmo encarnado, no momento de desprendimento, quando o corpo adormece, ele tem conhecimento do passado.

A recordação do pretérito traria inúmeras consequências desagradáveis. Será que não sentiríamos sentimento de culpa, ao descobrir que aqueles que convivem conosco, foram magoados por nós em reencarnação anterior? Será que o ódio, ou a mágoa, não reapareceria, quando descobríssemos que um irmão nosso, nos arrancou a existência no passado?

O esquecimento, ao contrário, diminui o conteúdo perturbador das emoções do passado, das animosidades, das antipatias, das atitudes infelizes, ensejando um novo começo, uma nova chance, com probabilidades maiores de vitória!


Fonte: Roteiro de Estudo é destinado ao Grupo de Estudos Básico do Centro Espírita Paulo & Estêvão.
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship) - http://www.grevkafi.org


Bibliografia:

- Estudos Espíritas, Divaldo P. Franco / Joanna de Ângelis, 6ª ed., FEB, 1982.
- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, 76 ed., FEB

EVOLUÇÃO E JUSTIÇA


Questões de "O Livro dos Espíritos"

166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?
“Sofrendo a prova de uma nova existência.”

a) - Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como Espírito?
“Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal.”

b) - A alma passa então por muitas existências corporais?
“Sim, todos contamos muitas existências. Os que dizem o contrário pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se encontram. Esse é o desejo deles.”

c) - Parece resultar desse princípio que a alma, depois de haver deixado um corpo, toma outro, ou, então, que reencarna em novo corpo. E assim que se deve entender?
“Evidentemente.”

167. Qual o fim objetivado com a reencarnação?
“Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?”


A reencarnação se baseia no conceito da Justiça Divina. O seu objetivo é expiação das faltas e melhoramento progressivo da humanidade.

Um sem numero de fenômenos não podem ser explicados profunda e totalmente sem a luz que a reencarnação proporciona. Crianças que com pouca idade, revelam conhecimentos extraordinários, não havendo aprendido com os pais; as diferenças que existem – social, moral, sentimental etc. – as antipatias e simpatias que a psicologia convencional não logra explicar, podem ser elucidados – todos esses fenômenos – com a chave da reencarnação.

De duas uma: As almas foram criadas iguais ou desiguais.

Se foram criadas desiguais é porque Deus quis assim. Mas é ilógico considerar que Deus – infinitamente justo, bom, imparcial – poderia dar preferência a alguns filhos em detrimento de outros. As almas, portanto, foram criadas iguais. Se foram criadas iguais, por que existe tanta diferença entre elas? Isso nos faz perguntar: “A alma existia antes do corpo, ou foi criada com ele?”

Se a alma é criada com o corpo perguntaríamos:

• Por que as almas – crianças com pouca idade – mostram tendências tão diferentes?

• Por que a diferença de intelectualidade de um Isaac Newton e um homem selvagem?

A mais lógica opção é acreditar que a alma foi criada antes do corpo. Se foi criada antes, isso indica que houve uma vida antes, e um aprendizado anterior. Se isso ocorreu, o que impede de alma ter uma vida depois da morte e continuar aprendendo? O que impossibilita a reencarnação das almas?

Sem a reencarnação ainda perguntaríamos:

• Qual será o futuro depois da morte de um cientista civilizado e um selvagem, quase animal?

• Onde uma criança que morreu com pouca idade, irá? Para o céu sem ter feito o bem? Para o inferno sem ter praticado o mal?

•Como uma mãe pode ser feliz no céu, sabendo que seu filho encontra-se perdido no inferno, sofrendo por toda a eternidade?

•O homem que trabalhou durante toda a sua vida, e se esforçou, ocupará o mesmo local depois da morte que aquele que não fez nada disso, por se tratar de um homem doente, imobilizado?

•Se as almas são novas, por que a humanidade de hoje é mais avançada do que a humanidade medieval?

•Por que existem as simpatias e antipatias? Se não houvesse a reencarnação – disse Allan Kardec – teríamos que inventa-la.


Fonte: Roteiro de Estudo é destinado ao Grupo de Estudos Básico do Centro Espírita Paulo & Estêvão.
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship) - http://www.grevkafi.org


Bibliografia:

- Estudos Espíritas, Divaldo P. Franco / Joanna de Ângelis, 6ª ed., FEB, 1982.
- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, 76 ed., FEB

A PRECE COMO ENCONTRO


Os religiosos costumam negligenciar o que é óbvio, e isto é o que é mais óbvio, e do que mais necessitamos lembrar: aqueles que não amam nada sabem de Deus. Não se trata de arrazoado metafísico, mas da razão do coração, [e] nossa experiência humana mais universal ensina isso...

Amor é transcendência, a mudança do foco da consciência, por meio do ato da atenção paciente, para o outro. Os pais fazem isso, os amantes o fazem, e os religiosos também o devem fazer caso queiram ser genuínos.

A maneira como você ora é a maneira como você vive. Vivemos no poder da transcendência por meio de profunda prece. Não apenas 'salat'* e liturgia, mas, contemplação. Todo o propósito desta vida, dizia Santo Agostinho, é o de abrir os olhos do coração, com os quais vemos Deus... O que a religião ensina são os meios, caso não se confunda com os fins: a espera, a paciência, a quietude e, particularmente importante numa era da comunicação instantânea, o silêncio. [....]

[No encontro entre Muçulmanos e Cristãos] rezamos o 'salat' e preces cristãs. Todavia, também nos sentamos em silêncio para meditar: nós a chamamos prece do coração, eles a chamam 'dhikr'**. Ela reduz muitas palavras a uma palavra, em uma rica pobreza de espírito. Nesse silêncio, tocamos numa universalidade para a qual as palavras apenas apontam. Não se trata de uma fuga da realidade, porém, de um abraço com a realidade divina que ambos conhecemos como amor. Os relacionamentos se transformam por meio dessa experiência do silêncio na transcendência, em maneiras que as palavras não logram alcançar. Convivemos de uma nova maneira depois de termos compartilhado a paciência no silêncio do amor.


Dom Laurence Freeman, OSB



*Salat é o nome que se dá às cinco orações diárias, obrigatórias para os muçulmanos, que são um elo direto entre o criador e as criaturas.

**Dhikr, é um ato de devoção islâmica caracterizado pela repetição dos nomes de Deus bem como súplicas ou fórmulas tomadas dos textos da aḥādīṯ e de versos do Corão. O dhikr costuma ser feito de forma individual, mas em algumas ordens sufis institui-se como uma atividade cerimonial. (Wikipédia)



Fonte: Leitura de Domingo, 02 Agosto 2020
Extraído de “A Prece como Encontro: Uma reunião Cristã e Muçulmana"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/ramadan-kareem-lua-masjid-eid-4145167/

CÂNCER MORAL


O mau-humor sistemático — vício de comportamento emocional — gera a irritabilidade que desencadeia inúmeros males no indivíduo, em particular, e no grupo social onde o mesmo se movimenta, em geral.

Desconcertando a razão, açula (estimula) as tendências negativas que devem ser combatidas, fomentando a maledicência e a indisposição de ânimo.

Todos aqueles que o alimentam, transferem-se de um para outro estado de desajuste orgânico e psicológico, dando margem à instalação de doenças psicossomáticas de tratamento complexo como de resultados demorados ou nenhuns.

Todas as criaturas têm o dever de trabalhar pelo próprio progresso intelecto-moral, esforçando-se por vencer as más inclinações.

O azedume resulta, também, da inveja mal disfarçada quanto do ciúme incontido.

Atiça as labaredas destruidoras da desavença, enquanto se compraz na observância da ruína e do desconforto do próximo.

Muitas formas de cânceres têm sua gênese no comportamento moral insano, nas atitudes mentais agressivas, nas postulações emocionais enfermiças.

O mau-humor é fator cancerígeno que ora ataca uma larga faixa da sociedade estúrdia (leviana).

Exteriorização do egoísmo doentio, aplica-se à inglória tarefa de perseguir os que discordam da sua atitude infeliz, espalhando a inquietação com que se arma de forças para prosseguir na insânia que agasalha.

Colocando a vida espiritual em primeiro plano nas tuas atividades e conduta, a vida passará a ter sentido superior. Sairás da torpe situação em que te debates e lutarás com mais decisão pela conquista de ti mesmo, em consequência, da tua paz.

Sintonizando com Jesus, sentir-te-ás fortemente atraído por ele, e, mediante uma firme resolução, conquistarás, como os seus primitivos seguidores, a felicidade que ainda não fruíste.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Receitas de Paz"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/g%C3%A1rgula-mal-humorado-est%C3%A1tua-780540/


O PENSAMENTO CRIADOR


O pensamento criador é o infinito movimento do pensamento, da emoção e da ação. Isto é, quando o pensamento, que é emoção, que é a própria ação, está desembaraçado em seu movimento, quando não é compelido, influenciado ou amarrado por uma ideia, e não provém do campo originário da tradição ou hábito, esse movimento, então, é criador. Enquanto o pensamento estiver circunscrito, seguro por uma ideia fixa, ou meramente se ajustar a um fundo ou condição e, portanto, tornando-se limitado, um tal pensamente não é criador.

A pergunta que toda a pessoa sensata faz a si própria é a de como despertar esse pensar criador; pois que, quando existe esse pensar criador, o qual é movimento infinito, então não pode mais haver ideia de limitação, de conflito. Este movimento de pensar criador não busca em sua expressão um resultado, uma consecução; seus resultados e expressões não são a sua culminância. Não possui ele culminância ou meta, pois que está eternamente em movimento. A maioria das mentes estão buscando uma culminância, uma meta, uma consecução, e modelam-se segundo a ideia do êxito, e um tal pensamento, um cogitar desses, está de contínuo limitando-se a si próprio. Ao passo que, se não houver ideia de consecução, porém, sim, somente o contínuo movimento do pensamento, como entendimento, como inteligência, então esse movimento de pensamento é criador. Isto é, o pensar criador cessa, quando a mente está estropiada pelo ajustamento oriundo da influência, ou quando funciona com um fundo de tradição que não houver compreendido ou a partir de um ponto fixo como se fosse um animal amarrado a um poste. Enquanto esta limitação e ajustamento existirem, não pode existir pensar criador, inteligência, a única que é liberdade.


J. Krishnamurti



Fonte: do livro "O Medo", 2a. ed., 1948
Instituição Cultural Krishnamurti, RJ
Fonte da Gravura: Tumblr.com

sábado, 1 de agosto de 2020

PERDÃO - O PODER REVOLUCIONÁRIO E TRANSFORMADOR


[...] O perdão é um processo que nos leva às profundezas de nossa própria humanidade ferida, onde encontramos nosso verdadeiro ser. O perdão só pode ser completo quando for tão completo quanto o amor de Jesus por seus inimigos; e isso só pode acontecer quando nos conhecermos de maneira tão integral quanto ele se conhecia e se amava. O mesmo se aplica à maneira como amamos nossa humanidade. Assim como ao aprendermos a amar aos que nos são mais próximos, nos afastamos de nossas projeções positivas e fantasias, assim também, ao aprendermos a amar aos que nos são inimigos, nos afastamos de nossas projeções negativas. Finalmente, ao aprendermos a amar a todos, precisamos nos afastar de nossas abstrações. Precisamos nos afastar de nossa mente estatística, com a qual, frequentemente, consideramos o sofrimento alheio... [Mas] aprender a amar a humanidade, significa ser capaz de considerar [qualquer] membro da humanidade como um indivíduo único. [...]

A única maneira de lidarmos com a complexidade das relações humanas é a simplicidade do amor. No amor não julgamos, não competimos; aceitamos, reverenciamos e aprendemos a compaixão. Ao aprendermos a amar aos outros, liberamos a felicidade interior de ser que se irradia por nosso intermédio, tocando os outros através de nossos relacionamentos. É por essa razão que as comunidades, as famílias e os casamentos não existem apenas para aperfeiçoar as pessoas... Eles existem, também, para irradiar amor... além delas mesmas.

Essa era a visão que John Main tinha da comunidade humana. Essa comunidade torna-se possível através do compromisso que cada um de nós assume, em solidão, com o mais profundo relacionamento de nossas vidas, que é nosso relacionamento com Deus. É por isso que, ao aprendermos a amar aos outros, alcançamos uma nova compreensão da unidade da criação e da simplicidade fundamental da vida. Passamos a conhecer o que significa dizer que o amor compensa inúmeros pecados. Perdão é o poder mais transformador e revolucionário de que somos capazes. Nos ensina que o amor é a dinâmica essencial de todo relacionamento, a mais íntima, a mais antagônica, assim como a mais acidental. É o verdadeiro aspecto habitual de nossa meditação diária, que nos revela quão universal é o caminho do amor.


Dom Laurence Freeman, OSB



Fonte: "Perdão e Compaixão" - Leitura de 17/08/2008
ASPECTS OF LOVE (London: Arthur James, 1997) pp. 72-74.
Tradução de Roldano Giuntoli
Comunidade Mundial de Meditação Cristã - www.wccm.com.br
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A VIDA MÍSTICA


[...] na vida, a eficiência consiste da aplicação de nossa existência a algum propósito Cósmico que a justifique. Presumindo que cada um de nós é uma máquina, não basta que sejamos máquinas saudáveis ou que organicamente nossa função seja correta, ou que tenhamos e mantenhamos bastante energia e vitalidade (ou vigor, como se diz normalmente), mas que todas estas coisas sejam usadas para uma missão, para a finalidade para a qual fomos individualmente criados.

Por conseguinte, um aspecto da vida, e que é ignorado pela maioria das pessoas, é a vida mística. A vida mística proporciona a razão por que vivemos. A vida mística determina a causa da nossa existência individual e o uso que deveríamos dar ao nosso corpo e à nossa vitalidade e magnetismo animais. A vida mística, como a vida física, requer certo preparo. Se temos de estudar as regras da alimentação, se temos de estudar higiene, se temos de saber os rudimentos da boa saúde para sermos saudáveis e fisicamente normais, por certo, também, deveríamos dar alguma atenção e consideração ao lado místico de nossa existência. Também temos de nos preparar para ele de um modo inteligente.

Talvez o primeiro requisito no preparo para a vida mística seja abandonar todas as concepções populares sobre o que um místico deveria ser. O místico não é uma pessoa que se enquadre num padrão objetivo. Ele não tem um tipo determinado; isto é, não tem uma figura característica, como Papai Noel. O místico é aquele que adota determinada atitude mental. Como todo aquele que tem um ideal nobre, ele nem sempre o indica em si.

[...] Como o ouro, os elementos do misticismo estão onde quer que os encontremos — isto é, onde quer que os sintamos. É bom acrescentar que os atributos do misticismo não são necessariamente herdados. As qualidades fundamentais estão latentes em todo indivíduo — em algumas pessoas elas podem produzir um fanático ortodoxo, insensível, na realidade, às doutrinas do misticismo.

A compreensão um tanto singular da vida, que se diz que um místico tem, não é um dom Cósmico. Em linguagem simples, a atitude mística da mente (que é mostrada) não é uma concepção Divina. O místico é uma pessoa que evoluiu; ele deve usar as faculdades que possui, despertando suas qualidades latentes, e dirigi-las para o canal que constitui a atitude mística da mente.

A interpretação mística da vida não é um manto misterioso que baixa sobre um indivíduo e o distingue, propositadamente, dos outros homens. Portanto, ao abraçarmos voluntariamente a vida mística, primeiro é necessário livrar nossa mente de todos os preconceitos e predisposições, das opiniões que formamos, das conclusões a que chegamos arbitrariamente, e especialmente do que ouvimos dizer. Temos de nos despir mentalmente, livrarmo-nos com firmeza do manto no qual nos envolvemos inconscientemente, por força do hábito, a cada ano que passa. Temos de libertar nossa mente de todos esses empecilhos e estar preparados para aceitar somente aquelas coisas que, como disse o famoso filósofo Descartes, despertam dentro de nós a sua aceitação intuitiva, uma sensação de que são verdades e que constituem conhecimento real.

[...] Você já parou para pensar sobre o verdadeiro valor ou mérito da tradição? Quando se constitui um benefício para o homem e quando é para ele um estorvo? As tradições são como os degraus de uma escada. Representam a elevação do homem. Destinam-se a impedir que ele entre em decadência, mas não se destinam a detê-lo. Sempre que a tradição o mantém preso, de modo que o impeça de guindar-se ao degrau seguinte, transforma-se, então, num estorvo.

Deveríamos encarar as tradições como sinais de encorajamento; deveríamos encontrar nelas uma satisfação devido ao progresso que o homem tem feito. Deveríamos tirar da tradição o melhor que ela tem a oferecer, e construir sobre ela. Por conseguinte, é necessário que cada um de nós tome as tradições da época e as submeta a um exame pessoal para verificar, no que nos diz respeito, por que é necessário que elas sejam mantidas. Se pudermos aperfeiçoar as tradições, deveremos fazê-lo. Se não pudermos, não devemos abandoná-las, a menos que se demonstre que elas não têm mais valor algum.

[...] O misticismo tradicional pode ser reduzido a estes princípios fundamentais: a alma é o eu espiritual do homem; a alma é parte de uma alma universal, uma alma que penetra todo o universo. Essa alma é Deus. O mundo material e o corpo físico são o lado negativo desta alma absoluta e positiva, ou Deus, que permeia o universo — uma espécie de imperfeição, um afastamento da bondade; e quando a alma está contida numa forma física ou corpo, o homem como uma unidade de alma e corpo não é perfeito. O corpo, o material, tem de ser harmonizado com a alma, o imaterial. O homem será confinado num corpo, em várias vidas, enquanto permitir que as tentações, os desejos e apetites dominem sua natureza. Deve, ao contrário, esforçar-se por superá-las, suprimi-las, dar-se inteiramente àqueles impulsos espirituais que existem em sua própria natureza; esses impulsos são os ditames da consciência que encontra sua expressão na conduta ética, moral e religiosa.

O misticismo moderno, que é baseado nestes velhos princípios fundamentais, não declara que o corpo material e o mundo físico e terreno não tenham base ou existência, que sejam produtos da imaginação, não-seres, ou malignos. Declara, sim, que não são dignos de confiança e que não podemos perceber sua verdadeira natureza. Por mudarem constantemente, assim como os sentidos do homem, amanhã podem não ser como os percebemos hoje. Portanto, não se deve dar crédito às suas manifestações. Entretanto, o misticismo moderno os reconhece como parte do plano universal, mas imperfeitos - isto é, menos amplos em contraste com a mente ou a inteligência de Deus, o Absoluto.

Recomenda-se um estudo e um exame deste mundo material e terreno, de modo que o homem possa tentar, dentro do seu poder limitado, regulá-lo, impedir que ele o controle ou domine. O misticismo recomenda estudo e aprendizado intensivos, de modo que o homem possa conhecer a relação desta fase terrena, material e imperfeita com o absoluto perfeito, ou Deus. Assim, o misticismo moderno declara que, na realidade, existe uma dualidade no universo, mas que, em essência, ele é UM. Todas as coisas são desse UM, embora existam diferentes estágios de perfeição. O mundo material e suas manifestações não são considerados tão perfeitos quanto o mundo espiritual, mas dele fazem parte. A dualidade entra na concepção, declarando, por um lado, que a alma, uma parte do todo absoluto, é boa, e que tudo o mais, em contraste, muito embora dele faça parte, é por graus escalonados, menos perfeito.

Portanto, cabe ao indivíduo, que se declara um estudioso do misticismo moderno e aspirante à vida mística, fazer análise muito meticulosa de termos e assuntos como: o absoluto, o espiritual, o ser, o reino material, o livre arbítrio, e a atitude científica do espírito. Estes fundamentos, e alguns mais como eles, são as pedras fundamentais da sua filosofia se pretender tornar-se filósofo místico. Aquele que tem um conhecimento profundo destes fundamentos não terá dificuldade em, de modo racional, agrupá-los e reagrupá-los num sistema que o ajudará a atingir seu objetivo. Supomos que esse objetivo seja aquela satisfação íntima e harmonização que os verdadeiros místicos declaram constituir "um sentido de Deus".


Ralph M. Lewis, F.R.C.
Ex-Imperator da Ordem Rosacruz — A.M.O.R.C.



Fonte: do livro "O Santuário do Eu", Biblioteca Rosacruz, 2ª ed., Ed. Renes, RJ
Fonte da Gravura: Instagram

A GÊNESE DA DEPRESSÃO


A depressão tem a sua gênese no espírito, que reencarna com alta dose de culpa, quando renteando (entrando) no processo da evolução sob fatores negativos que lhe assinalam a marcha e de que não se resolveu por liberar-se em definitivo.

Com a consciência culpada, sofrendo os gravames que lhe dilaceram a alegria íntima, imprime nas células os elementos que as desconectam, propiciando, em largo prazo, o desencadeamento dessa psicose que domina uma centena de milhões de criaturas na atualidade.

Se desejarmos examinar as causas psicológicas, genéticas e orgânicas, bem estudadas pelas ciências que se encarregam de penetrar o problema, temos que levar em conta o espirito imortal, gerador dos quadros emocionais e físicos de que necessita, para crescer na direção de Deus.

A depressão instala-se, a pouco e pouco, porque as correntes psíquicas desconexas que a desencadeiam, desarticulam, vagarosamente, o equilíbrio mental. Quando irrompe, exteriorizando-se, dominadora, suas raízes estão fixadas nos painéis da alma rebelde ou receosa de prosseguir nos compromissos redentores abraçados.

Face as suas cáusticas manifestações, a terapia de emergência faz-se imprescindível, embora, os métodos acadêmicos vigentes, pura e simplesmente, não sejam suficientes para erradicá-la.

Permanecendo as ocorrências psicossociais, sócio-econômicas, psico-afetivas, que produzem a ansiedade, certamente se repetirão os distúrbios no comportamento do indivíduo conduzindo a novos estados depressivos.

Abre-te ao amor e combaterás as ocorrências depressivas, movimentando-te em paz na área da afetividade com o pensamento em Deus. Evita a hora vazia e resguarda-te da sofreguidão pelo excesso de trabalho. Adestra-te, mentalmente, na resignação diante do que te ocorra de desagradável e não possas mudar.

Quando sitiado pela ideia depressiva alarga o campo de raciocínio e combate o pensamento pessimista. Açodado (incitado) pelas reminiscências perniciosas, de contornos imprecisos, sobrepõe as aspirações da luta e age, vencendo o cansaço.

Quem se habilita na ação bem conduzida e dirige o raciocínio com equilíbrio, não tomba nas redes bem urdidas da depressão.

Toda vez que uma ideia prejudicial intentar espraiar-se nas telas do pensamento obnubilando-te a razão, recorre à prece e à polivalência (variedade) de conceitos, impedindo-lhe a fixação.

Agradecendo a Deus a benção do renascimento na carne, conscientiza-te da sua utilidade e significação superior, combatendo os receios do passado espiritual, os mecanismos inconscientes de culpa, e produze com alegria.

Recebendo ou não tratamento especializado sob a orientação de algum facultativo, aprofunda a terapia espiritual e reage, compreendendo que todos os males que infelicitam o homem procedem do espirito que ele é, no qual se encontram estruturadas as conquistas e as quedas, no largo mecanismo da evolução inevitável.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Receitas de Paz"
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quinta-feira, 30 de julho de 2020

A CONSCIÊNCIA DA PRESENÇA DIVINA


[...] Quando um indivíduo começa a entregar-se a Deus, procurando sempre conhecer a Sua vontade e ser instrumento para o Seu desempenho, a palavra de Deus se torna o verdadeiro Cristo nele, que o habilita a ser uma luz para este mundo e um servo de todos.

Quando mantemos nossa consciência ocupada com a palavra de Deus, atraímos a harmonia, a paz, a prosperidade, a saúde e a graça que fluem d’Ele. Na medida em que vivemos nossa vida separados da palavra de Deus, causamos a experiência mundana da carência, da limitação, da guerra, da discórdia ou desarmonia a nós mesmos.

Quando deixarmos o Verbo habitar em nós, o Verbo se tornará carne e morará entre nós; e a paz e a prosperidade serão a lei para nossa família. Se deixarmos de nos firmar na Presença do Senhor — levantando pela manhã, tomando banho, vestindo-nos, indo para o trabalho, dirigindo a família — e não preenchermos nossa consciência com a palavra de Deus, provavelmente estaremos nos tornando vítimas de tudo o que acontece no mundo. Então, retornamos às nossas velhas ideias pagãs de culpar a Deus. Deus nunca nos abandona, nós o abandonamos. Não há melhor modo de abandoná-lo do que acreditar que a influência divina não é maior do que a influência de uma bomba, de um germe ou de um tirano.

No momento em que começamos a temer qualquer poder, seja ele o poder de uma pessoa, de uma coisa, ou de uma ideologia, abandonamos a Deus. Quando permitimos que o medo de nosso corpo ou o medo da enfermidade entre em nosso pensamento, abandonamos a Deus, pois abandonamos a percepção interior e o conhecimento que cada um de nós deve ter de que Deus é maior do que essas coisas. Nós tememos apenas porque acreditamos que o que tememos tem mais poder do que o Deus que adoramos. [...]


Joel S. Goldsmith



Fonte: do livro "O Despertar da Consciência Mística", Ed. Pensamento
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A HARMONIA NECESSÁRIA


[...] A harmonia é necessária, e o bem-estar a ela nos conduz. Mas pode-se confundir isso com prazer. O prazer traz uma insatisfação crônica, uma ansiedade eterna e uma sede insaciável. Há os que acreditam que a única batalha é aquela contra a dor, e que o mais não conta. Porém, não sabem o que representa a batalha contra o sentido de prazer.

A situação da Terra está de tal forma que ao homem não importa quem sucumba, nem os meios usados para concretizar os fins que almeja. Desse modo, é automaticamente perseguido por outros homens, no afã de conseguirem meios propícios para lograr o próprio prazer. Vêm assim as enfermidades incuráveis, a dor, a tristeza e a morte que vedes em torno.

Quando submergidos no prazer, a dor os consome, e ilusoriamente tratam de não vê-la. Para se tranquilizar, sonham com a imortalidade e com a panaceia curativa. [...]


Trigueirinho



Fonte: do livro "ERKS, mundo interno", Ed. Pensamento
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DESILUSÃO - A DEMOLIÇÃO DAS ILUSÕES


[...] Conhecer e, ao mesmo tempo, compreender é, sem sombra de dúvida, raro e é o resultado de um amadurecimento interior que torna o homem capaz de transformar as suas convicções mentais em realização e de unir a sabedoria à consciência.

Para tornar mais claro aquilo que estamos dizendo gostaria de citar também Erich Fromm que, em seu conhecido livro Avere o Essere (Ter ou Ser), faz uma distinção entre “ter conhecimento” e “conhecer”.

Ele diz que o verdadeiro conhecer baseia-se na modalidade do ser, pois não é um acúmulo de ideias nem de teorias, mas uma capacidade da mente de ir além da aparência das coisas, de ir além da lógica comum, de ir além dos esquemas, das etiquetas, dos condicionamentos culturais e sociais e colher a verdadeira essência e o real significado daquilo que queremos conhecer.

Ele escreve: “O verdadeiro conhecimento tem início com a demolição das ilusões, com a ‘desilusão’. Conhecer significa penetrar sob a superfície, com a finalidade de alcançar as raízes e, portanto, as causas; conhecer significa ver a realidade tal como ela é.” (De Avere o Essere, p. 63.)

Essa “demolição” ou “desilusão”, a que se refere Erich Fromm, corresponde à purificação da mente de que fala o esoterismo e à libertação dos condicionamentos que ocorre com o despertar da verdadeira consciência que começa a iluminar o intelecto.

De fato, quando as duas modalidades, a do conhecer e a do ser, se aproximam, o homem passa por uma fase evolutiva em que começa a sentir a necessidade de fazer uma 'tabula rasa', de negar tudo aquilo em que acreditava antes, todas as convicções e teorias às quais estava apegado e que agora parecem falsas, ilusórias e insatisfatórias. Na realidade, não são as teorias e as convicções que são ilusórias e erradas, mas a nossa maneira de abordá-las é que é limitada e condicionada pelo nosso estado de inconsciência e de identificação.

Essa fase de negação é indispensável porque nos despede todos os “véus” (para usar a expressão de Fromm) e nos leva depois a redescobrir as mesmas verdades com uma modalidade diferente, nova, autêntica, criativa. [...]


Dra. Angela Maria La Sala Batà



Fonte: do livro "Conhecer para Ser", Ed. Pensamento
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A PERFEITA SIMPLICIDADE DO MOMENTO


Costuma acontecer bastante de, em qualquer coisa que estejamos fazendo — sentando, andando, levantando ou deitando –, a mente frequentemente é desconectada da realidade imediata e, no lugar disso, fica absorvida em conceitualização compulsiva sobre o o futuro ou o passado.

Enquanto estamos andando, pensamos sobre a chegada, e quando chegamos, pensamos na partida. Quando estamos comendo, pensamos sobre a louça e quando lavamos a louça, pensamos em ver televisão.

Essa é uma maneira bizarra de manter a mente. Não estamos conectados com a situação presente, mas estamos sempre pensando em outra coisa. Com muita frequência somos consumidos por ansiedade e desejo, arrependimentos sobre o passado e antecipação do futuro, perdendo completamente a perfeita simplicidade do momento.


B.  Alan  Wallace



Fonte: “Tibetan Buddhism from the Ground Up”
Via https://darma.info/trechos/2007/03/frgil-simplicidade-do-momento/
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EVOLUÇÃO - AMPLIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA DE SI MESMO


O conceito de evolução é parte fundamental do pensamento contemporâneo. Diante de sua relativa simplicidade e importância, parece impossível que há muito tempo não fosse uma ideia corrente. No entanto, evolução é um fato muito recente em todo o pensamento científico, filosófico e religioso.

A antiga tradição ocidental não considerava a evolução. Tanto a tradição grega como a judaico-cristã não avaliavam a natureza, o ser humano e a vida sob a perspectiva de modificação ao longo do tempo.

O conceito de evolução também não foi considerado na Idade Média. A religião, em particular, atribuía ao ser humano uma criação especial, um ato da vontade de Deus e símbolo de seu poder e sabedoria. Criado à imagem de Deus, o homem não poderia se modificar ou ser comparado aos animais. A natureza teria sido criada para servir aos homens. Predominava a ideia de um tempo anterior de grandes realizações, uma idade de ouro, e, a seguir, a decadência. A crença na expulsão do paraíso reforçava essa noção. O passado teria sido melhor.

Mesmo durante o Renascimento (séculos XV e XVI), considerava-se que, apesar da criatividade e inventividade reinantes, os antigos continuavam sendo uma referência, que estava sendo retomada, mas não superada.

Aos poucos, porém, a perspectiva de que os antigos poderiam ser superados e o mundo aperfeiçoado foi ganhando destaque com a Revolução Científica do século XVII e com o Iluminismo do século XVIII.

Somente a partir do final século XVIII e principalmente durante o século XIX o conceito de evolução foi difundido, provocando um impacto sem precedentes em todo o sistema de pensamento ocidental. Praticamente, não houve área do conhecimento que tenha deixado de sofrer influência desse conceito, e o espiritismo não foi exceção. Codificada na época em que os trabalhos de Charles Darwin e Alfred Russel Wallace estavam recebendo grande divulgação, a Doutrina Espírita utilizou-se da evolução como um conceito chave para a compreensão da moral, da ética, do polissistema material e espiritual, da posição do ser inteligente diante da vida. Vale a pena ressaltar que Wallace, além de co-autor da teoria da evolução através da seleção natural, foi um grande estudioso do espiritismo.

Evolução, portanto, é fundamental no conjunto de conceitos que compõem o espiritismo. Sem essa ideia, o entendimento da doutrina se torna prejudicado e grande parte de seu valor como ferramenta para o crescimento pessoal e social se perde. Quando se avalia o que os espíritas entendem por evolução, percebe-se uma grande quantidade de interpretações que são inadequadas e, muitas vezes, contradizem o próprio conjunto doutrinário.

Para muitas pessoas, evolução significa simplesmente progresso, modificação para melhor, de técnicas, de equipamentos, entre inúmeras outras coisas, numa perspectiva que valoriza mais os bens materiais. Uma crença ingênua que não considera obstáculos e dificuldades surgidos com a explosão tecnológica e as questões éticas.

Algumas vezes, evolução é considerada o caminho do comportamento adequado, com objetivo definido, geralmente revelado aos homens e para o qual todos devem convergir. Evoluir seria encontrar o caminho correto, o caminho único, a trilha. Evolução, considerada dessa maneira, é designada como unicista e linear.

A evolução também pode ser considerada como uma necessidade, um impulso interno em cada pessoa, ocorrendo de forma paulatina, indefectível e continuamente, quando, então, é conhecida como necessitarista e continuísta. Ou se pode considerar que evolução só ocorre quando seguidas as normas de comportamento ideal, determinadas externamente à pessoa e ao grupo. Ou ainda, considerar que evolução significa melhora em direção à perfeição representada pela natureza ou pela divindade.

Essas várias maneiras de abordar a evolução estão em contradição com o conceito de livre-arbítrio e, portanto, não podem ser consideradas como o entendimento adequado de evolução para o espiritismo.

Para o espiritismo, evolução e progresso não significam, necessariamente, a mesma coisa. Evolução não é simplista, não se limita aos aspectos materiais, mas envolve múltiplos aspectos, em um quadro de imensa complexidade.

Para a doutrina, a evolução é pluralista, pois é considerada um processo aberto, com infinitas trajetórias possíveis. Não é linear, não há um caminho certo, mas tantos caminhos quanto o número de consciências que existem no universo.

A evolução não é apenas individual, mas do grupo de pessoas, encarnadas e desencarnadas, ao qual se está ligado. Evoluir implica em mudar a mentalidade e a massa crítica do grupo social.

Evolução não se acaba, não se encerra, não há um fim, não há um lugar a ser alcançado, pré-determinado, aonde todos, necessariamente, terão que chegar. A evolução não é considerada continuísta nem necessitarista, pois o processo não depende de uma força propulsora interna independente. Depende, principalmente, da vontade e ocorre em diferentes intensidades, na dependência do empenho que cada pessoa apresenta no sentido de sua ocorrência. O espírito conhece mais (evoluiu mais) na medida em que assume atitudes que lhe propiciam mais experiências ou na medida em que se utiliza mais intensamente das situações que enfrenta.

Evolução, para a doutrina espírita, significa modificação de comportamento pelo acúmulo, associação e operação de experiências, conhecimentos, na medida em que os limites pessoais são ultrapassados, as potencialidades são desenvolvidas e ampliadas e as capacidades ou habilidades são colocadas a serviço das pessoas com as quais se convive.

Evolução é o objetivo da vida, significa ampliação da consciência de si mesmo, da consciência de sua ligação com todos os seres do universo, da consciência do papel e da função que desempenha na estruturação inteligente do Cosmo e da consciência do significado de Deus.

Autor não citado na fonte.


Fonte: Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas
https://www.sbee.org.br/evolucao/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/evolu%C3%A7%C3%A3o-intelig%C3%AAncia-artificial-3885331/