segunda-feira, 19 de setembro de 2022

SILÊNCIO, SIMPLICIDADE E ABISMO INTERIOR


No processo de simplificação evangélica é necessário aludir à estreita relação que tem com o silêncio. No fundo, essa renúncia de apegos, afetos, necessidades, preocupações consiste no exercício de silenciar todas as pressões externas que me dizem o que é importante para os outros, e também as pressões internas que me impõem o que absolutamente preciso para viver: os afetos , estima, valor, segurança ou prestígio. De fato, o silêncio é o clima em que o olhar se simplifica e o coração se unifica. Mas, para isso, não basta o silêncio externo, em que se silenciam as vozes e os ruídos ao nosso redor, é necessário sobretudo o silêncio interior, que consiste em silenciar as reivindicações e os ruídos que vêm das paixões.

Se meus desejos, meus medos, minhas alegrias e minhas dores, se todos os movimentos que vêm dessas "quatro paixões" não fossem perfeitamente ordenados a Deus, eu não estaria solitário, haveria ruído em mim; é necessário o apaziguamento, o "sono das paixões", a unidade do ser*.

É a mesma coisa que São João da Cruz nos ensina quando fala de acalmar a casa interior: Daí, nas quatro paixões da alma, que são: alegria, dor, esperança e medo, sendo acalmado pela mortificação contínua, e nos apetites naturais adormecer na sensualidade pela secura ordinária, e na elevação da harmonia dos sentidos e poderes interiores, cessando suas operações discursivas, como dissemos, que é todo o povo e morada da parte inferior da alma, que é o que aqui chama de sua casa, dizendo: "Minha casa já está calma"**.

O silêncio de que precisamos não pode consistir simplesmente em calar a boca ou fugir dos ruídos externos. O verdadeiro silêncio tem a ver com a descoberta do tesouro, porque é fruto da atração de Deus. Se ele me encontra, me oferece seu amor e me chama para ele - essa é a essência da vocação cristã - ele me atrai para ser dele. E a primeira resposta a essa atração é atenção prioritária a ele, escutá-lo; e só podemos ouvir se calarmos a boca. Mas presos nas complicações da vida e dentro de nós mesmos, não podemos ouvir a Deus. Devemos, então, entrar em um processo pelo qual tudo se simplifica, precisamente porque as vozes interiores e exteriores que não vêm de Deus são silenciadas e o supérfluo desaparece, para que Deus possa realmente começar a ser Deus em nós. É um itinerário ao qual Deus nos atrai para nos fazer seus e entrar em profunda comunhão de amor com Ele; itinerário percorrido em desapropriação e abandono, que supõe uma verdadeira descida ao abismo interior em que tudo que não é Deus é silenciado e, assim, tudo se simplifica à força de olhar apenas para Deus e buscar apenas a sua vontade. Esta mudança é como a inclinação que nos faz descer para o abismo interior onde Deus habita. É o caminho necessário para que nossa habitação em Cristo se torne uma realidade da mesma forma que ele habita em nós. E a simples intenção é o que nos torna semelhantes a Deus.

A simplicidade da intenção é o que dá às almas o descanso em Deus, como um abismo insondável ao qual devemos aspirar, como nos diz a Carta aos Hebreus: "Esforcemo-nos, pois, por entrar nesse descanso" (Hb 4,11).

"A simplicidade comunica à alma o repouso do abismo." Ou seja, o descanso em Deus, abismo insondável, prelúdio e eco daquele descanso eterno de que fala São Paulo: "Nós, os que cremos, seremos introduzidos no descanso" (Hb 4,3)***.




*Santa Isabel de la Trinidad, Últimos exercícios, décimo dia.
**San Juan de la Cruz, Noite Negra, Livro I, cap. 13, 15.
***Santa Isabel de la Trinidad, Últimos exercícios, terceiro dia, que comenta uma frase de Ruisbroeck.




Fonte: do texto "A Simplicidade Espiritual"
Hermandad de Contemplativos en el Mundo
Madrid (España)
hermandad@contemplativos.com
https://contemplativos.com/retiro-espiritual/la-simplicidad-espiritual/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TEORIA ESOTÉRICA DA RESPIRAÇÃO


A ciência da respiração, como muitos outros ensinamentos, tem um duplo aspecto: um esotérico ou interno e outro exotérico ou externo. Sua face fisiológica pode ser chamada de parte externa ou exotérica do assunto, e o aspecto que vamos considerar agora, como o esotérico ou interno.

Ocultistas de todas as eras e países sempre ensinaram, geralmente em segredo, a um pequeno número de discípulos, que há no ar uma substância ou princípio do qual derivam toda atividade, vitalidade e vida. Eles diferiam nos termos e nomes que deram a essa força, bem como nos detalhes das teorias, mas o princípio fundamental pode ser encontrado em todos os outros ensinamentos e filosofias ocultistas, e por séculos também fazia parte dos ensinamentos dos iogues orientais.

Para evitar as interpretações errôneas das diversas teorias, referentes a este grande princípio, vinculadas geralmente a um nome dado a este princípio..., vamos nos referir a ele chamando-o de 'Prana', termo sânscrito que significa 'Energia Absoluta'.

Muitos eruditos em esoterismo ensinam que o princípio denominado 'Prana' pelos hindus é o princípio universal de energia ou força, e que toda energia ou força deriva deste princípio, ou melhor, é uma forma particular da manifestação deste princípio... Podemos considerá-lo como o princípio ativo de vida ou Força Vital, se assim lhes agrada. Ele é encontrado em todas as formas de vida, desde a ameba até o homem, desde a forma mais elementar de vida vegetal à mais elevada forma de vida animal. 'Prana' é onipresente. Encontra-se em todas as coisas que têm vida, e como a filosofia ocultista ensina que a vida reside em todas as coisas, em cada átomo e que a aparente falta de vida de algumas coisas é só um grau inferior de manifestação, podemos admitir este ensinamento de que o 'Prana' está em todas as partes e em todas as coisas.

Não se deve confundir o 'Prana' com o ego, esse fragmento de espírito divino que há em toda alma, em volta do qual se agrupa a matéria e energia. 'Prana' é meramente uma forma de energia utilizada pelo ego, em sua manifestação material. Quando o ego abandona o corpo, não estando mais o 'Prana' controlado pelo ego, só responde aos comandos dos átomos individuais ou grupos de átomos, que formam o corpo, e quando o corpo se desintegra e se dissolve em seus elementos originais, cada átomo leva consigo suficiente 'Prana' para permitir-lhe formar novas combinações, e o 'Prana' não utilizado volta ao grande depósito universal do qual se originou. Enquanto o ego controla, existe coesão, e os átomos mantêm-se unidos pela vontade do ego.

'Prana' é o nome com que se designa um princípio universal, a essência de todo movimento, força ou energia, que se manifesta na gravidade, na eletricidade, na revolução dos planetas ou em todas as formas de vida, desde a mais elevada até a mais baixa. Podemos chama-lo a alma da Força e da Energia, em todas as suas formas; o princípio que, operando de certo modo, produz a forma de atividade que acompanha a vida.

Este grande princípio existe em todas as formas de matéria, mas não é matéria. Está no ar, mas nenhum de seus elementos químicos é ar. Animais e plantas o respiram com o ar, mas se o ar não o contivesse morreriam, não importa quanto ar respirassem. É tomado pelo sistema junto com o oxigênio, mas não é oxigênio. O escritor hebreu, autor do Gênesis, sabia a diferença entre o ar atmosférico e o princípio misterioso e poderoso contido nele. Fala de neshemet ruach chayim, que traduzido significa: “o sopro do espírito da vida”. Em hebraico, neshemet (neshimah) significa respiração comum do ar atmosférico e chayim¸ vida ou vidas; enquanto a palavra ruach, significa “o espírito da vida”, que, segundo os ocultistas, é o mesmo princípio que chamamos de 'Prana'.

O 'Prana' está no ar atmosférico, mas também está em toda parte e penetra onde o ar não pode chegar. O oxigênio no ar desempenha um papel importante na sustentação da vida animal, e o carbono desempenha uma função semelhante na vida vegetal, mas o 'Prana' tem sua própria função distinta nas manifestações da vida, além das funções fisiológicas.

Estamos constantemente inalando o ar carregado de 'Prana', e também estamos constantemente extraindo este daquele, apropriando-o para nosso uso. 'Prana' sendo encontrado em seu estado mais livre no ar, e em quantidade regular quando este é puro, obtemos dessa fonte mais facilmente do que em de qualquer outra. Na respiração normal absorvemos e extraímos uma quantidade normal de 'Prana', mas respirando controladamente e reguladamente (geralmente conhecido como respiração iogue), nos colocamos em condições de extrair uma quantidade maior, que fica concentrada no cérebro e nos centros nervosos para ser usada quando necessário. Podemos armazenar prana da mesma forma que acumuladores armazenam eletricidade. Os numerosos poderes atribuídos aos ocultistas avançados devem-se, em grande parte, ao conhecimento desse fato e do uso inteligente dessa energia acumulada. Os iogues sabem que por certas formas de respiração, eles podem estabelecer certas relações com o estoque de 'Prana' e usa-lo para suas necessidades. Não apenas todas as partes do corpo são fortalecidas dessa maneira, mas o próprio cérebro pode receber um aumento de energia da mesma fonte, as faculdades latentes são desenvolvidas e os poderes psíquicos desenvolvidos.

Aquele que possui a faculdade de armazenar 'Prana', consciente ou inconscientemente, irradia muitas vezes vitalidade e força que é sentida por aqueles que entram em contato com ele, e tal pessoa pode transmitir sua força para os outros e dar-lhes um aumento de vitalidade e força. Tal pessoa que pode comunicar sua força aos outros e dar-lhes maior vitalidade e saúde realiza o processo chamado de "cura magnética", embora muitos dos magnetistas não percebam a origem de seu poder.

Os cientistas ocidentais tiveram alguma ideia da existência deste grande princípio, do qual é carregado o ar; mas vendo que escapou da análise química e não foi registrado por nenhum de seus instrumentos, têm geralmente tratado a teoria oriental com desdém. Não sendo capazes de explicar este princípio, eles o negaram. No entanto, eles parecem reconhecer que o ar em certos lugares tem uma certa quantidade de "algo" e os médicos mandam os doentes para esses lugares na esperança de vê-los se recuperar de sua saúde.

O oxigênio do ar é assimilado pelo sangue e utilizado pelo sistema circulatório. O 'Prana' do ar é assimilado pelo sistema nervoso e utilizado em seu trabalho. E assim como o sangue oxigenado circula por todas as partes do corpo e cuida de sua construção e reparo, assim também o 'Prana' circula por todas as partes do sistema nervoso acrescentando força e vitalidade. Se representarmos o 'Prana' como o princípio ativo do que chamamos vitalidade, poderemos formar uma ideia muito mais clara do importante papel que desempenha na nossa vida.

Da mesma forma que o oxigênio do sangue é consumido pelas necessidades do sistema, o suprimento de 'Prana' é esgotado por nossos pensamentos, volições, ações etc., e torna-se necessário, consequentemente, uma substituição constante. Cada pensamento, ato, esforço de vontade e movimento de um músculo consome uma certa quantidade do que chamamos de força nervosa, que na verdade é uma forma de 'Prana'. Para mover um músculo, o cérebro envia um impulso sobre os nervos e os músculos se contraem causando um gasto de 'Prana' proporcional ao esforço realizado. Se você levar em conta que a maior soma do 'Prana' adquirido pelo homem chega até ele através do ar inspirado, é fácil apreciar a importância de uma respiração correta.



Yogi Ramacharaka




Fonte: do livro "A Ciência Hindú-Yogi da Respiração", Ed. Pensamento
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sábado, 17 de setembro de 2022

ESTADOS DE CONSCIÊNCIA NO ASTRAL


Para a Ciência Iniciática, o ser humano é um reflexo, uma imagem do Universo e, portanto, tal como o Universo, é composto por regiões, por "corpos" diferentes. A ciência oficial ainda não admitiu esta realidade, e daí advêm muitos erros, nomeadamente na medicina e na psicologia.

Os hindus dividem tradicionalmente o ser humano em sete corpos, e a maior parte dos espiritualistas aceita esta divisão. O corpo mais material, e o único visível para nós, é o corpo físico, mas existem mais seis corpos compostos de uma matéria cada vez mais sutil, os corpos etérico, astral, mental, causal, búdico e átmico. Na realidade, o corpo etérico ainda faz parte do corpo físico e apresenta-se sob quatro estados, chamados éter-químico, éter-vital, éter-luz e éter-refletor. Por isso, podemos dividir o corpo físico em sete: os estados sólido, líquido e gasoso, e os quatro estados etéricos. Os outros corpos também podem ser divididos em sete; assim, no astral há três regiões inferiores e quatro regiões superiores, e é nestas regiões superiores que vivem os anjos.

O que é um anjo? Um anjo é uma criatura imortal feita de uma matéria tão pura, tão sutil, que nada de mau ou obscuro pode atingi-la. Vive na luz, na alegria absoluta, e conhece tudo excepto o sofrimento. O sofrimento tem sempre origem nos movimentos da natureza inferior, que causam distúrbios e perturbações. Um anjo não pode conhecer essas perturbações porque é absolutamente puro. Não existem anjos no plano físico, eles só se encontram a partir das regiões superiores do plano astral.

No limite entre o plano astral inferior e o plano astral superior, existe uma zona intermédia habitada por seres que estão a aperfeiçoar-se, a cortar os laços com as regiões inferiores, mas que ainda estão sujeitos aos tormentos causados pelas más influências do plano astral inferior e do plano físico. Por conseguinte, o plano astral é, ao mesmo tempo, o mundo do sofrimento e o mundo da alegria; da alegria quando o homem consegue depurar e sutilizar os seus desejos, e do sofrimento quando ele vive demasiado baixo, preso nas cobiças e nas paixões.

No momento da morte, o homem desliga-se do seu corpo físico, mas isso não é suficiente para ele ficar imediatamente liberto. Podemos dizer que ele fica ainda mais exposto aos tormentos do que quando estava na terra. Com efeito, durante a vida terrena, o nosso corpo físico é uma carapaça, uma couraça que nos impede de sentir a realidade do mundo psíquico; mas quando os seres, pela morte, se libertam do corpo físico e ficam no astral sem defesas, arriscam-se a sofrer bastante e a ser muito infelizes.

O Inferno não é senão um estado de consciência vivido muito intensamente no plano astral. Só depois de purificados por meio do sofrimento é que os seres conseguem, finalmente, sair de lá. Todos aqueles que mergulharam completamente numa vida de devassidão, de injustiças, de maldades e de crueldades, e que conseguiram escapar à justiça humana, quando morrem vêem-se confrontados no plano astral com todo o mal que fizeram; eles não podem encontrar refúgio em parte alguma, porque já não têm o corpo físico que os protegia e os insensibilizava, e sentem exatamente os sofrimentos que infligiram a outros seres quando estavam na Terra.

Certamente já tivestes pesadelos e reparastes que, na maior parte das vezes, o pesadelo se interrompeu de repente porque acordastes sobressaltados, contentes por vos encontrardes a salvo no vosso corpo físico e dizendo: «Felizmente foi só um sonho!»

Porque é que acordastes em sobressalto? Porque, subconscientemente, vós sabeis que, para vos defenderdes dos seres ou das forças hostis do plano astral, deveis regressar ao vosso corpo físico, que é como uma fortaleza onde podeis abrigar-vos. Se permanecerdes no plano astral, continuareis à mercê dos vossos inimigos. Mas vós deixais esse plano, regressais ao corpo físico, que é espesso, sólido, e escapais-lhes. É exatamente como se fôsseis perseguidos na rua e vos refugiásseis numa casa: aí não podereis ser atingidos pelas facas nem pelas balas.

A mesma lei existe em todos os domínios. Pode acontecer também que, durante as suas meditações, algumas pessoas se desdobrem, ou seja, se projetem fora dos seus corpos físicos, e sejam atraídas para as regiões perigosas do plano astral, onde são também perseguidas e ameaçadas. Então, a primeira coisa que devem fazer é regressar ao corpo físico para se abrigarem.

O corpo físico é uma boa fortaleza, mas se o homem tiver transgredido as leis do amor, da sabedoria e da verdade, quando deixa esse corpo, na altura da morte, é forçado a compensar, no plano astral, por todas essas transgressões. Isto não é invenção: os maiores Mestres da humanidade sempre o disseram; grandes artistas, pintores e poetas representaram esse mundo nas suas obras; e pessoas clinicamente mortas durante três ou quatro dias voltaram à vida e puderam contar o que tinham vivido no plano astral. O Céu permite que, de tempos a tempos, algumas pessoas passem por esta experiência, para levar os humanos a ganhar juízo, para lhes lembrar certas verdades.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Publicações Maitreya, Porto,Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

APRENDER A PERMANECER NA LUZ


Sair das sombras pode ser um processo doloroso. Todos nós temos o nosso esconderijo preferido onde nos refugiamos, para onde vamos quando queremos descansar um pouco. Mas sair para a luz é abrir mão de todos esses esconderijos porque tomamos como lugar de descanso, a pura luz de nosso Senhor Deus. Devemos ser muito simples sobre isso, como as crianças. Não complique. Simplifique.

Todos os exemplos e metáforas têm riscos. Não estamos falando aqui de uma luz ofuscante de uma lâmpada lançando uma luz branca cruel, implacável e impiedosa sobre nós. Quando falamos de Deus como luz, falamos de uma luz pura, suave, onipresente, uma luz pura que sempre nos ilumina e vivifica, e nos banha em seus raios. É uma luz brilhante e quente. É acima de tudo uma luz que revela a realidade como Amor e quando alcançamos essa luz, reconhecemos sua unidade pessoal, sua totalidade diante de nós. Reconheceremos também que permanecendo na luz poderemos ver nosso próprio ser, porque a luz nos permite ver tudo como é. Nossa tentação seria tentar analisar a luz, dividi-la em suas partes constituintes de seu espectro.

Análise e reducionismo são atitudes desastrosas na oração porque assumimos que o todo é feito de partes, que a parcialidade vem em primeiro lugar e que o todo é criado a partir daí. A fé, por outro lado, vai mais fundo do que a análise, confiando que o todo é anterior às suas expressões parciais. Assim que começamos a nos concentrar – a pensar – em algum atributo de Deus na oração, somos abandonados à experiência de Deus, porque Ele mesmo é inteireza e indivisibilidade na simplicidade.

O convite que cada um de nós recebe é para ver a luz plena e completa, porque nosso convite é ver o que é, seja o que for, em sua totalidade e plenitude. Aprender a permanecer na luz é o objetivo da meditação. A luz que nos ilumina nos ensina que Deus é tudo. A luz que ilumina nos ensina que só podemos ser quando estamos em Deus, porque Ele é tudo o que é.

Isto é o que aprendemos a ver claramente no brilho da luz, que Deus é, que Deus é tudo e que Deus é Amor. Lembre-se do caminho. O jeito é parar de pensar. O jeito é parar de imaginar. Ela desliga os processos da mente e fica silenciosa e atenta. A maneira de chegar a esse silêncio totalmente desperto e consciente e a maneira de desligar as operações da mente é aprender a dizer seu mantra*. Para aprender a dizer o mantra devemos ser humildes e pacientes. Devemos entender que levará tempo, que teremos falsos começos. Inevitavelmente haverá falhas das quais desistiremos. Mas não se preocupe com nada disso. A única coisa que importa é recomeçar. Recomeçar é estar na estrada, na peregrinação.

* Mantra, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação. 



Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

VERDADEIRO DESAPEGO


Uma pessoa não pode desdobrar-se verdadeiramente se não aprendeu a desapegar-se… até ao último: a morte. Quantas pessoas não há que, como nunca aprenderam a desapegar-se, não conseguem, nem mesmo no momento da morte, desligar-se do corpo físico! Existem laços poderosos que as retêm. Enquanto estavam vivas, só pensavam nas questões materiais, no dinheiro, nos prazeres; então, como é que elas podem aceitar abandonar tudo isso? Assim, durante muito tempo, ficam vagueando em redor do corpo, pelos lugares onde viveram, perto dos seres que conheceram, e sofrem terrivelmente, até que servidores de Deus venham ajudá-las a libertarem-se. Outras, pelo contrário, deixam de imediato o corpo físico, como quem despe a camisa, tranquilamente, numa alegria maravilhosa. Por esta razão é que nas Escolas Iniciáticas sempre se ensinou os discípulos a cultivarem o desapego.

«Então - direis vós -, para nos desapegarmos temos de nos afastar do mundo, temos de deixar de nos dar com os humanos?» Não. Certos ascetas, certos eremitas, que compreenderam assim o desapego, fecharam-se num buraco, numa gruta de montanha… Eles pensavam que se tinham desapegado realmente, mas o seu desapego era apenas exterior. Na maior solidão, de repente eram assaltados por toda a espécie de desejo e cobiças. Graças à sua solidão, o "Diabo" podia visitá-los à vontade! A literatura está cheia de histórias que contam as tentações dos santos, dos eremitas… Não, não se trata de abandonar tudo, mas sim de compreender que o verdadeiro desapego é interior e que só a pureza pode conduzir-nos a ele.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Publicações Maitreya, Porto, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

AKASHA E PRANA: O UNIVERSO


Segundo os filósofos da Índia, todo o Universo se compõe de dois materiais, um dos quais é chamado Akasha. É a existência onipresente e onipenetrante. Tudo o que tem forma e é resultado de compostos, evolui deste Akasha. O Akasha se converte em gás, transforma-se em líquido, chega a ser sólido; o Akasha converte-se no Sol, na Terra, na Luz, nas estrelas, nos cometas; também se converte no corpo, no corpo animal, nos planetas, em todas as formas que vemos, tudo o que é pressentido e tudo o que existe. O Akasha não pode ser percebido, pois é tão sutil que está muito além de toda a percepção comum; só pode ser visto quando se torna denso e toma forma. No princípio da criação só existia este Akasha; no final do ciclo, os sólidos, líquidos e gases, todos fundir-se-ão de novo no Akasha, e a criação seguinte surgirá, de modo similar, deste Akasha.

Qual o poder que converte este Akasha no universo? É o poder do Prana. Assim como o Akasha é o material onipresente e infinito deste universo, Prana é o poder manifestante, onipresente e infinito deste universo. No princípio e no final de um ciclo, tudo se converte em Akasha, e todas as forças que existem no universo retornam ao Prana. No ciclo seguinte, deste Prana evoluirá tudo o que chamamos energia e força. Prana manifesta-se como movimento, gravidade e magnetismo. Prana manifesta-se como atividades do corpo, correntes nervosas e força mental. Desde o pensamento até a força física inferior, tudo é manifestação de Prana. Ao conjunto das forças do universo, mentais ou físicas, quando voltam a seu estado original, denomina-se Prana.



Swami Vivekananda




Fonte: do livro "Raja Yoga", Ed. Pensamento
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quarta-feira, 14 de setembro de 2022

ATRIBULAÇÃO


O sofrimento é bem reconhecido nos meios espiritualistas como sendo meio de ascensão espiritual, quando recebido com paciência e resignação. São lições de aprendizado nos caminhos que cada um tem de percorrer. Devemos, por isso, amar a todo tipo de aflições, mas nunca procurar padecimentos, com a falsa ideia de que eles nos elevam.

O Cristo, quando disse “Bem-aventurados os aflitos, que deles é o reino dos céus” não se referia a esses aflitos escandalosos, que mostram as aflições, procurando compaixão dos outros; os que semeiam ideias negativas, mostrando a dor em tudo, continuam, mesmo no mundo espiritual, nas trevas, por pensar nelas e divulgá-las. As bem-aventuranças são para os que sofrem amando a dor e extraindo dela o que ela traz de educação, abrindo os ouvidos à sua palavra, no silêncio da própria vida, como sendo a educadora de grande valor, e mesmo uma mensageira de Deus, que abre os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos.

Ver nos sofrimentos somente atribulações é desconfiar da Divindade e não aceitar a lei de justiça, que evidencia Deus ajudando a todos os Seus filhos.

Quando se é oprimido, é necessário esquecer a revolta e procurar na tolerância a razão do que está acontecendo; se Deus está em toda parte, está certamente vendo Seus filhos passarem pelas aflições e, na hora certa, quando assimiladas as lições, Ele oferece o amparo proveitoso. As tormentas acontecem para acordar a alma, no aspecto de que ela está esquecida, mostrando os caminhos que lhe favorecem a paz.

Bem-aventurados os aflitos, aqueles que a natureza oprime por todos os meios, para os fazer sentir, ver e se decidirem a melhorar, mudando de vida, que sentem a necessidade do perdão, corrigindo os impulsos do revide, cortando as arestas da valentia, no esquecimento das faltas.

Bem-aventurados os aflitos que, mesmo na aflição e entristecidos, ainda procuram e acham meios de servir ao ofensor e orar por eles, que trabalham em favor de todos, sem escolher somente os que estão mais próximos da sua sintonia, que amam o próximo como a si mesmos.

É dever do companheiro que já conhece o Cristo, que O identifica sempre nos caminhos, ser mortificado; no entanto, que os ouvidos estejam em conexão com o verbo do Senhor, na prática da caridade para se fazer reconhecido como instrumento do amor. A opressão pode ocorrer sempre nos caminhos do verdadeiro cristão, mas, em vez de desviá-lo do caminho do bem, o fenômeno se dá ao contrário, despertando no seu coração mais amor, mais fraternidade, mais benevolência, mais entendimento para com todos os acontecimentos; é sempre luz nos caminhos de quem anda nas trevas.

A aflição é oportunidade para o cristão de provar a sua fé, a sua coragem para enfrentar as duras horas que tem de passar ao acompanhar o Cristo; os Seus discípulos cresceram dando testemunhos nas aflições, nas fogueiras, nas cruzes, nos arrochos, nas prisões, mostrando ao seu Mestre que assimilaram as lições, na profundidade que elas foram ministradas.

Quem deseja acompanhar o Cristo tem de dar os testemunhos, transformando as aflições em esperanças, mudando o desconforto em prazeres, transmutando a cruz em glória, e todos os padecimentos em ensejos para despertar os valores da vida, na intimidade do coração. Aí podemos entender o que disse Jesus acerca das bem-aventuranças, conhecendo os valores do Espírito e vivendo-os na glória da verdadeira vida: devemos começar entendendo a nós mesmos, que o entendimento para com os outros ficará mais fácil, estendendo esse respeito a tudo que se integra à criação de Deus.

As tribulações são passageiras, as aflições são breves e a dor permanecerá conosco até compreendermos as suas lições. [...]

Não temamos as aflições; sejam elas quais forem, compreendamos suas lições, toleremos, confiemos em Deus, tenhamos fé e paciência, e não culpemos a ninguém pelos possíveis tormentos, que a luz em nossos corações se acenderá como o sol do meio-dia.



João Nunes Maia / Miramez




Fonte: do livro "Máximas de Luz", cap. 11
Ed. Espírita Cristã Fonte Viva, Belo Horizonte/MG
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/garota-espinhos-medo-folhas-6281015/

A TERRA NÃO É O ÚNICO LOCAL HABILITADO À REENCARNAÇÃO


Não são sempre as mesmas almas que vêm encarnar-se na Terra. Pode acontecer que as mesmas voltem muitas vezes ao longo dos milênios, mas não é necessariamente assim. A Terra não é o único local onde as criaturas podem fazer estágios e desenvolver-se. Por todo o Universo há "Terras" onde as criaturas se instruem. Então, tal como há seres que vêm de outros planetas para realizar certas missões na Terra e se vão embora depois de as ter cumprido, também há outros seres que deixam a nossa Terra para ir a outros planetas. São os Vinte e Quatro Anciãos que presidem a esta circulação de almas.

Mas, no momento em que o homem morre, as portas da Terra fecham-se atrás dele; ele entra noutra corrente e não tem o direito de voltar para trás. É por isso que não é bom evocar os mortos, pois desse modo impede-se a sua evolução. Há que orar por eles, há que enviar-lhes luz para que evoluam e se libertem, mas não se deve ficar agarrado a eles para os reter nem, sobretudo, procurar trazê-los de volta à Terra.

Nos livros antigos, encontram-se numerosos relatos de evocações de mortos: degolavam-se animais e, com o sangue, atraíam-se as suas almas. Na Odisseia, há um episódio em que Ulisses faz regressar dos infernos a sombra do adivinho Tirésias para este lhe predizer o futuro. E no Antigo Testamento também se pode ler a narração da visita que o rei Saul fez à mágica de En-Dor, para que ela fizesse aparecer a sombra do grande rei Samuel: ele queria que Samuel lhe desse a conhecer o desfecho da guerra que tratava contra os Filisteus. Dá-se a este gênero de evocação o nome de "necromancia", pois trata-se de uma predição do futuro (mância) por intermédio dos mortos (necro). Mas recordai-vos do que Samuel disse quando apareceu a Saul: «Porque me importunaste, chamando-me?» Sim, pois os mortos que viveram na Terra como grandes espíritos não gostam de ser importunados para satisfazer a curiosidade dos vivos; eles sentem-se tão longe das suas preocupações mesquinhas e limitadas! É claro que não os esqueceram, que aceitam ajudá-los, mas de outro modo. *

* Noutra conferência, Omraam Mikhaël Aïvanhov disse o seguinte:

«Quando, no momento da transfiguração no Monte Tabor, Jesus apareceu aos seus discípulos, estava tão luminoso e radiante que eles não puderam suportar essa luz e caíram por terra. Esta transfiguração era uma irrupção do seu corpo espiritual, o seu corpo de glória, no plano físico. Ainda não tinha chegado o momento de Jesus desligar o seu corpo glorioso do corpo físico para viver nele definitivamente, mas este já podia aparecer na plenitude da sua manifestação. Algumas pessoas puderam ver o corpo glorioso de certos Iniciados quando estes se encontravam em estados de deslumbramento e de êxtase: o seu rosto irradiava, a luz jorrava de todo o seu ser. É graças a esse corpo que os Iniciados podem viajar para o espaço, atravessar montanhas e até penetrar no centro da terra, pois nenhum obstáculo material pode detê-lo. Sim, e mesmo que o seu corpo físico esteja muito maltratado, um Iniciado pode sempre trabalhar e enviar auxílio, pois o corpo físico e o corpo de glória são duas realidades totalmente diferentes. Mesmo que um Iniciado esteja a morrer, mesmo que esteja morto, o seu corpo de glória está vivo, irradiante, e pode contactar com as criaturas no espaço para as instruir, as aconselhar, as consolar e lhes transmitir as suas bênçãos.»



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Publicações Maitreya, Porto,Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

A LINGUAGEM DO SILÊNCIO


A linguagem é muito fraca para explicar a totalidade do mistério. É por isso que o silêncio absoluto da meditação é tão importante. Durante a meditação, não tentamos pensar em Deus, nem falar com Ele, nem imaginá-Lo. Permanecemos no silêncio misterioso, abertos ao silêncio eterno de Deus. Na meditação descobrimos, através da experiência da prática diária e do ensino, que este é o ambiente natural para todos nós. Fomos criados para isso e nosso ser floresce e se expande nesse silêncio eterno.

No entanto, a palavra “silêncio” pode distorcer a experiência e afastar muitas pessoas, pois sugere uma experiência negativa, como a privação do som ou da linguagem. As pessoas têm medo de que o silêncio da meditação seja prejudicial. Mas a experiência e a tradição nos ensinam que o silêncio da oração não é um estado pré-linguístico, mas pós-linguístico, no qual a linguagem cumpriu sua função de nos indicar, por si mesma e além, o reino da consciência mental.

No silêncio eterno nada nos falta e nada nos priva. É o silêncio do amor, da aceitação incondicional. Descansamos em Deus que nos ama e nos criou para estar com Ele.



Dom John Main, OSB


Carla Cooper (Organ.)
Traducido por WCCM España




Fonte: do livro “LA PALABRA HECHA CARNE: El Silencio del Amor”, Norwich: Canterbury Press, 2009, pp. 29-30
Via: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana - http://wccm.es/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ÂNIMO, DEVOTO!


A mudança – mesmo para melhor – é muitas vezes encarada com desconfiança. “Se eu renunciar a tudo”, costumam pensar as pessoas, “não acabarei ficando sem nada?” É preciso coragem para trocar o conhecido pelo desconhecido. Não é fácil sequer substituir uma dor conhecida por uma felicidade desconhecida e, portanto, incerta. A mente é como o cavalo que puxou durante anos sua carroça de entrega: acostumou-se ao trajeto diário e não pode ser convencido com facilidade a mudar de rumo. A mente também não renuncia sem mais nem menos a seus velhos hábitos, mesmo sabendo que eles só lhe causam sofrimento.

Mudanças benéficas devem ser recebidas com coragem. Se as esperanças de coisas melhores forem anuladas pelo medo de sua obtenção, a mente jamais ficará em paz. Aceite, pois, a mudança como a única constante da vida. Nossa vida é um cortejo infindável de ganhos e perdas, alegrias e tristezas, sonhos e desilusões. Num momento, sentimo-nos ameaçados pela tempestade dos infortúnios; um momento depois, uma faixa prateada ilumina as nuvens escuras; e logo, como num passe de mágica, os céus se tornam novamente azuis.

Aquele que busca com sinceridade, na prática, ao contrário daquele que “busca” na poltrona e desperdiça a vida ruminando teorias intelectuais, entusiasma-se ao pensar na dura tarefa que tem pela frente. O guerreiro autêntico, mesmo que sinta medo, atira-se corajosamente à batalha quando a força do braço se torna necessária. O alpinista de verdade, embora apreensivo diante da encosta íngreme que deverá escalar, prepara-se resolutamente para conquistá-la. E o homem sincero na busca da verdade diz a si mesmo: “Sei que alcançar a perfeição é uma tarefa árdua, mas farei de tudo para alcançá-la. Com a ajuda de Deus, o sucesso será meu!” Meditando incansavelmente dia após dia, ele finalmente toma consciência do corpo e recupera a percepção da divina bênção interior, que há muito perdera.

Ânimo, devoto! Não importa quão árido, duro e ressequido tenha se tornado o solo de seu coração durante os anos de fome da indulgência sensual, do fracasso e do desapontamento, ele pode ser regado e fertilizado novamente pelas águas vivificantes da comunhão interior. Seu entusiasmo espiritual, há muito arrefecido, pode ganhar vida nova. Basta que você beba de novo o vinho antigo da comunhão com Deus. No campo do empreendimento espiritual fervoroso, lance novamente à terra macia das percepções renovadas da alma as sementes do sucesso espiritual e veja-as transformar-se numa seara de alegrias divinas.


Paramhansa Yogananda




Fonte: do livro "A Sabedoria de Yogananda - Como Ter Coragem, Serenidade e Confiança"
Ed. Pensamento, São Paulo/SP, 2012 - 1ª Ed. Digital, 2020
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

domingo, 11 de setembro de 2022

O CRESCIMENTO IMPLICA MUDANÇAS


São Bento entendia a conversão como um processo contínuo. Precisamos constantemente direcionar nossa atenção para a Realidade Superior em oração/meditação e em nossos relacionamentos diários com os outros.

Mas mover-se em direção a algo sempre implica afastar-se de outra coisa. Precisamos mudar nosso foco das realidades externas de nossas vidas para a realidade interna de nosso verdadeiro eu, a consciência de Cristo dentro de nós. Este movimento implica inevitavelmente uma mudança, em parte consciente e em parte inconsciente. No nível consciente, somos confrontados com a escolha de passar nosso tempo meditando em vez de ler ou assistir televisão; uma escolha consciente será conhecer pessoas que pensam da mesma forma em um grupo de meditação ou participar de um retiro; uma escolha consciente será, por exemplo, mudar o conteúdo de nossas leituras e formas de lazer. No entanto, no nível interno, a mudança real, mesmo a transformação que essa nova abordagem traz, é inconsciente e ocorre muito gradualmente. Na verdade, está totalmente fora de nosso controle; não podemos mudar a nós mesmos, somos transformados: este é o grande dom espiritual.

E este é precisamente o problema! Porque gostamos de estar no controle de tudo, gostamos de decidir o que acontece e como acontece. Não entregamos facilmente as rédeas de nossas vidas a ninguém. Mas na jornada espiritual o segredo está justamente aí: no desapego e na entrega a um Poder Superior.

Relacionado a essa necessidade de poder e controle está nosso desejo de alcançar. Quando começamos a meditar, de alguma forma, esperamos que ocorra uma transformação imediata e total da consciência e ficamos francamente desapontados ao ver que ainda somos essencialmente os mesmos. Queremos um resultado imediato do investimento de tempo e energia que a meditação exige...

Mas é a rendição à nossa repetição diária fiel do mantra que permite uma mudança interior gradual de perspectiva que afetará todo o nosso ser. É tão gradual que é quase imperceptível. A “centelha” da Luz Divina dentro de nós não se transforma da noite para o dia em fogo vigoroso e purificador. Não veremos os resultados em algumas semanas, ou em meses, ou talvez em anos. Mas se compararmos nossa maneira de reagir às situações ao longo do tempo, veremos que existem diferenças notáveis. Muitas vezes, são os outros que logo observam essa mudança de comportamento em nós, como disse a lagarta à borboleta: "Nossa, como você mudou!"

Um problema relacionado à nossa necessidade de poder e controle é nosso medo da mudança. Achamos que sabemos quem somos e construímos um sistema de sobrevivência eficaz que nos dá um senso claro de identidade e segurança. Mas, mais uma vez, temos a opção de permanecer como estamos ou de nos permitir crescer e deixar que a promessa de Jesus se cumpra em nós: "Eu vim para que vocês tenham vida, vida em toda a sua plenitude". Aceitar o crescimento sempre implica uma mudança. Devemos abraçar a mudança e parar de nadar contra a maré.



Kim Nataraja




Traduzido por WCCM Espanha
Via: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana - http://wccm.es/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A ORAÇÃO É UMA FACULDADE


Qualquer ser possui a faculdade de desejar ardentemente, de reclamar, de insistir. E isso já é a oração. Não é preciso ser-se um sábio nem um letrado para se lançar gritos ao Céu, basta ter um sentimento intenso. Por isso, se alguém hesita em empenhar-se na vida espiritual com o pretexto de que não possui as faculdades e as qualidades necessárias, podemos dizer-lhe: «Quando estás triste, quando sofres, não fazes tudo o que podes para te desembaraçares do teu mal? Não pedes ajuda? Pois bem, isso é o suficiente!» Cada um de nós possui a faculdade de se concentrar para gritar e pedir socorro, e é essa faculdade que pode salvar-vos em todas as circunstâncias.

Ficai sabendo que podem esmagar-vos de tal maneira que já nada reste de vós, a não ser um único átomo. Sim, pelo menos um átomo de vós subsistirá sempre e ele poderá reconstruir para vós o Universo inteiro. Este átomo é a faculdade de orar, de suplicar. Foi o maior dom que Deus concedeu ao ser humano. Sem essa faculdade, ele teria desaparecido há muito tempo.

Esta ideia da existência de um "átomo da oração", de que ninguém fala, pode parecer completamente inaceitável, impossível de acreditar… Todavia, vós já sabeis que, para a Ciência Iniciática, existe na ponta do coração um átomo cuja função é registar o que o homem pensa, sente e vive ao longo de toda a sua vida. Esse átomo não tem o poder de intervir para modificar seja o que for, apenas regista. Na realidade, é uma espécie de bobina microscópica que se desenrola ininterruptamente do princípio ao fim da existência, e no momento da morte ela pára e separa-se do corpo. É com esta bobina que o homem se apresenta no outro mundo perante os seus juízes.

Mas existe também um outro átomo graças ao qual o homem tem a possibilidade de pedir ajuda para enfrentar as dificuldades e remediar as situações. Se esse átomo não estiver desenvolvido porque o homem não ora, tudo se desenrolará para ele exatamente como estava determinado pelo destino. É claro que este átomo não pode mudar as grandes linhas da vida - é muito difícil modifica-las -, mas no domínio sutil, etérico, pode produzir mudanças. Por isso, as pessoas para quem a oração é um movimento natural têm mais possibilidades de sair triunfantes das provações do que as outras. Quando lhes aparecem dificuldades, elas sentem menos o desalento, a anarquia, a desolação.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Publicações Maitreya, Porto,Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/isl%c3%a2mico-ora%c3%a7%c3%a3o-crep%c3%basculo-sol-3710002/

VOLTEMO-NOS A DEUS


Na tradição espiritual central, Deus é visto como pura luz e o próprio caminho espiritual é visto como um caminho para a iluminação, alcançando a luz. O mundo, sem Deus, do materialismo, por outro lado, é um mundo de sombras. Cada uma de nossas posses lança uma sombra e cria uma área de escuridão dentro e ao nosso redor. Mas há, em cada um de nós, um sentido espiritual que nos lembra que fomos criados para a luz, não para as sombras; pela liberdade, não pela posse.

Fomos criados para nos transformar em luz, para ser luz. Na tradição que conhecemos, Deus é pura luz, “em quem não há trevas”, porque está em si mesmo. Somos chamados a ser 'um' com Ele, sem ser objetivados e objetivantes.

O caminho da meditação é um caminho de iluminação, um caminho para entrar plena e definitivamente na pura luz de Deus. Na meditação, oração pura, como a tradição a chama, nem Deus nem nós somos objetos.

O caminho é o da própria simplicidade. A essência do ensinamento é repetir o mantra continuamente e, como você descobrirá se começar, teremos que assumir a responsabilidade de manter essa doutrina pura de maneira absolutamente clara para que não a entorpeçamos por preguiça ou irresponsabilidade. Não temos que complicar. Escolha sua palavra e repita-a do início ao fim de sua meditação. Todo o resto é puro presente que lhe será dado. Estamos nos tornando "entregáveis", porque a meditação é o caminho para o desapego.

Não devemos ficar presos no mundo dos objetos, sejam materiais ou mentais. Lembrem-se e mantenham isso claramente em suas mentes e corações, que nosso chamado é para a pura intersubjetividade. Somos chamados a ser um com Aquele que é, Aquele que é toda luz.



Fr. John Main, OSB




Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

PREPARAÇÃO ÀS SAÍDAS CONSCIENTES DO CORPO FÍSICO


Quando um homem morre, a sua alma separa-se do corpo físico; mas, enquanto ele ainda está vivo, a sua alma também pode deixar o corpo, em qualquer momento, para viajar no espaço, instruir-se ou visitar amigos que vivem muito longe, noutros locais, para os ajudar, os consolar e lhes fazer revelações. A maioria das pessoas não são capazes de se desdobrar. Mesmo durante a noite, enquanto dormem, a sua alma fica às voltas junto do corpo físico, sem aprender o que quer que seja nem fazer qualquer trabalho, então, ainda menos serão capazes de deixar o seu corpo conscientemente durante o dia, para viajar no espaço e depois regressar e retomar a sua atividade quotidiana.

Vós direis que desejais aprender rapidamente o que é preciso fazer para vos desdobrardes. Não tenhais tanta pressa; se não estiverdes suficientemente preparados, ficareis sujeitos a grandes perigos psíquicos (obsessão, possessão, loucura) e até perigos mortais. Se não começardes por purificar-vos, a fim de vos tornardes senhores de vós mesmos, dos vossos pensamentos, dos vossos sentimentos e das vossas inclinações, será muito perigoso sairdes do corpo físico e deixá-lo sem proteção, à mercê de qualquer entidade, pois nessa altura poderão ocorrer fenômenos deploráveis...

Se uma pessoa se preparar durante anos, cuidando sobretudo da pureza (nos alimentos, nos pensamentos e nos sentimentos), praticando numerosos exercícios para adquirir o autodomínio, para se controlar, um dia a sua alma poderá desligar-se do corpo físico como ela quiser, sem qualquer perigo. É assim que os verdadeiros Iniciados viajam no espaço; lá, eles vêem e aprendem muitas coisas, de que se lembram quando se reintegram no seu corpo físico, e isso é também muito importante. Em certas circunstâncias particulares, pode acontecer a algumas pessoas desdobrarem-se involuntariamente - isso manifesta-se, por exemplo, por um súbito adormecimento a meio do dia - mas quando regressam não se recordam de nada do que viram, ouviram e fizeram, o que é pena. Por conseguinte, a questão está em ser capaz de se desdobrar conscientemente, mas não há que ter pressa; primeiro é necessário pensar em purificar-se...



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Publicações Maitreya, Porto,Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
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ESTAR ATENTO É ESTAR BEM VIVO


Em cada momento, diante dos acontecimentos, existe a possibilidade de agirmos de acordo aos automatismos ou estarmos conscientes. Se estivermos conscientes do momento, abrimos a porta para a possibilidade de liberdade. A verdadeira capacidade de escolha aparece quando percebemos as diferentes alternativas disponíveis para responder ao que acontece. Uma vez que estamos navegando pelas corredeiras de um rio ou quando já estamos em alta velocidade na estrada, torna-se impossível escolher, pois tudo é ação e reação. Mas quando paramos um pouco e nos separamos das circunstâncias, ocorre um fenômeno particular: algo observa o sujeito que está vivenciando tal situação. De certa forma, nos vemos “de cima”, como se o ponto de vista tivesse mudado, fornecendo dados globais sobre eventos mais distantes da própria situação em que estamos imersos. Tornamo-nos conscientes de vários fatores que ignoramos quando nos identificamos totalmente com o que está acontecendo. Estar atento é estar bem vivo. E essa atenção sem tensão é a melhor, pois a atenção tensa é resultado da tensão do ego. Grande parte de nossa tarefa de cultivo espiritual (colocar o espírito no comando) consiste em atender intencionalmente ao que é conveniente. Não muito mais. O resto é orar ou permitir que a oração aconteça em nós, ser o templo de louvor e escuta o qual fomos destinados a ser quando fomos criados...



El Santo Nombre




Fonte: Blog El Santo Nome
https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: Acerco de autoria pessoal

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

UM NOVO SER


A maneira como a serpente muda de pele é muito instrutiva para o discípulo. Ela sente que uma nova pele nasceu por baixo da antiga; então, procura uma fissura nos rochedos ou um buraco estreito e esgueira-se por ele. É difícil, ela tem de forçar para passar pela... “porta estreita”. Mas, ao sair da passagem estreita, a serpente tem uma pele nova, a antiga foi arrancada.

Um dia, também o discípulo deverá passar pela “porta estreita”, que lhe retirará a sua velha pele, isto é, as suas velhas concepções, os seus velhos hábitos, os seus velhos raciocínios. Cada um de vós passará pela porta estreita. Será, evidentemente, uma passagem difícil, mas não vos perturbeis, não tenhais receio, regozijai-vos por perderdes a vossa velha pele para vos transformardes num novo ser, com ideias e sentimentos novos, com um comportamento novo.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/cobra-serpente-2932454/

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

A REENCARNAÇÃO CAUSARIA PERDA DA PERSONALIDADE?


O enfoque que estarei abordando, será dentro dos meus conhecimentos na praxis da TVP (Terapia de Vidas Passadas), como terapeuta. No exame das histórias dos nossos clientes verificamos que na vida atual, em grande maioria, repetem os padrões de comportamento vividos em outras instâncias (vivências passadas).

A confirmação deste fato são os traços de personalidade atuais que incomodam o indivíduo em forma de traumas. Exemplo: fobias, rejeições espontâneas (antipatias), traços de caráter: prepotência, egoísmo, vaidade, inveja, conhecidos pela psicologia oficial como mecanismos de defesa, neuroses, psicoses, e outros "oses".

Diante dessas respingadas elocubrações, posso afirmar que a reencarnação traz os personagens do passado para a vida atual com as mesmas características psíquicas, mesmas tendências. Parafraseando nosso querido mestre Dr. Jorge Andrea: "Não podemos compreender nos estudos biotipológicos do psiquismo isolamento dos componentes das vidas pregressas, onde se encontram as raízes que devem ser buriladas e aperfeiçoadas nos pacientes que necessitam de auxílio e esclarecimento".

Como se explica alguns casos de dupla personalidade à luz da reencarnação?

Em TVP, alguns casos que poderia ter este diagnóstico são indivíduos que encontram-se sob influência de presenças que, na nossa linguagem, significa influência espiritual, obsessão, ou, como prefere outros, encosto. O indivíduo sob este efeito altera o seu comportamento de forma significativa. Também são observados nos casos de psicose, o indivíduo durante os seus delírios, vivenciar lembranças de existências anteriores. Afirma com tanta certeza ser este ou aquele personagem que deixam muitos profissionais confusos, apelando para diagnósticos codificados pela psiquiatria, ignorando que de fato ele está conectado psiquicamente com uma das suas histórias.


A cultura da sociedade em que o Espírito reencarna não lhe remodela os traços da personalidade?

Em cada reencarnação o Espírito aprende o que lhe é peculiar no universo psicológico em que vive. Os traços de caráter, os sistemas de crenças, os valores que foram incorporados ao longo das experiências reencarnatórias, formam matrizes psíquicas e encontram-se na vida atual encapsuladas, liberando-se sobre estímulos externos de qualquer natureza. Se o modelo social em que o indivíduo encontra-se inserido provocar situações que já foram vivenciadas pelo indivíduo em outras existências, este poderá reagir da mesma forma aprendida no passado. Daí a importância da reencarnação como meio de progresso para o Espírito. Lembrem-se: "Não há faltas irremissíveis que a reencarnação não possa apagar". (O Evangelho Segundo o Espiritismo)


Como relacionar "Esquecimento do Passado" e "TVP"? Serão contraditórios?

Não. Vide resposta na questão 399 de “O Livro dos Espíritos” - Allan Kardec - comentário: Os Espíritos permitem a lembrança do passado, desde que haja um fim útil. Jamais por curiosidade vã.


A TVP pode provocar alguma mudança na personalidade de hoje?

A proposta principal da TVP é a transformação do SER. Promovendo não somente a mudança na personalidade, mas a alteração de hábitos, costumes e valores, consequentemente, alterando o caráter do Espírito imortal.


Somos um acúmulo das várias personalidades que tivemos em vidas passadas. É correta esta afirmativa?

É correto. Merece um exame mais acuidado. Quando em regressão de memória, o indivíduo em estado alterado de consciência toma conhecimento de suas histórias, origens das suas queixas, traumas etc. Chamamos de personagens, os atores destas histórias, que fomos nós mesmos.


É possível alguém "perder a personalidade"? Não seria mais correto dizermos "atenuar ou acentuar" determinados traços da personalidade?

É correto dizer modificar. Ou abrandar as dores e os sofrimentos causados por algumas situações que o indivíduo precisa continuar pela sua própria necessidade de aprendizado espiritual.


A sexualidade é um traço da personalidade que tem origem em vidas pregressas? Pode-se evidenciar (ou tratar) isso através da TVP?

A sexualidade é energia criadora. Os transtornos da sexualidade podem ter origem no passado. Ainda aqui afirmamos encontrar-se no caráter as raízes desta e de outros dramas da alma. Logo ser recomendado a TVP como instrumento de ajuda na modificação.


Quais os riscos de uma TVP mal orientada?

O terapeuta de vida passada utilizando a regressão de memória como técnica de acesso aos conteúdos inconscientes de seus clientes, assemelha-se ao obstetra que utiliza o bisturi na prática cirúrgica. É responsabilidade de quem utiliza a TVP como quem a procura. Quando precisamos de um dentista, procuramos um sapateiro? Quando necessitamos de uma cirurgia procuramos um açougueiro? Logo, os riscos poderão ser desastrosos em qualquer terapêutica mal orientada, não só a TVP.


Como tratar da "timidez excessiva"? Por que a insegurança e o medo?

Cada queixa tem a sua particularidade. A causa do medo apresentado por uma pessoa de lugares fechados poderá ter como causa fatores dos mais diversos. Um poderá ter sido enterrado vivo em uma outra existência. Outro ter morrido nos porões de um navio negreiro. Outro ainda, no útero materno, prestes a nascer; e por aí vai. A timidez, a insegurança, o medo, não são diferentes.


Atualmente, a TVP é proibida no Brasil, mesmo para terapeutas credenciados, que podem, inclusive, perder seu registro. É certo que não há fiscalização, mas inobstante isso, é correto praticar algo ilegal?

A TVP é uma metodologia consubstanciada na Psicologia Transpessoal, considerada a quarta escola psicológica. Há cem anos Sigmund Freud, Jung, Reich, e outros gigantes da psicologia, passaram pelo academicismo reinante com título de místicos, loucos etc. Hoje rendem-se homenagens até mesmo ortodoxas a esses mitos. A TVP também paga seu preço. A física quântica está trazendo a lume a comprovação da reencarnação, quando isso ocorrer, (que será breve), as academias terão que rever seus postulados. Atualmente o conceito de saúde pela OMS, é: o bem estar físico, psicológico, social e espiritual do Ser Humano, ou seja, a visão holística, bio-psico-social-espiritual, graças ao conceito da transpessoalidade. A homeopatia, a acupuntura, até pouco tempo eram ilegais para a medicina. Hoje, o CRM quer ser dono delas a todo custo, como se a ciência pertencesse a uma tribo. Fazemos parte da história da humanidade e, como seres humanos conscientes do nosso dever, estamos escrevendo mais uma página na nossa história.

No dizer de Ernani G. Andrade, "A TVP fará a terapia da humanidade".



Arlier Bellienv



Tema: “A Reencarnação Causaria Perda da Personalidade?”


Fonte: Palestra Virtual promovida pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Rio de Janeiro - 26/05/2000
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/futuro-casa-seguran%c3%a7a-noite-luz-4022722/

O SILÊNCIO DO AMOR


A linguagem é muito pobre para expressar a totalidade do mistério divino. É por isso que o silêncio absoluto da meditação se torna tão poderosamente importante. Não tentamos pensar em Deus, falar com ele ou imaginá-lo. Na meditação permanecemos no silêncio maravilhoso que nos abre ao silêncio eterno de Deus. Na meditação, através da prática diária e do ensino da experiência, descobrimos que este é o nosso ambiente natural para todos nós. Fomos criados para isso e nosso ser floresce e se expande nesse silêncio infinito.

A palavra "silêncio", no entanto, pode gerar uma visão equivocada da experiência e talvez causar rejeição por muitas pessoas, pois pode sugerir uma experiência negativa, a privação de sons ou palavras. As pessoas temem que o silêncio da meditação seja um retrocesso. Mas a experiência e a tradição nos ensinam que o silêncio da oração não é um momento pré-linguístico, mas um estado pós-linguístico. A linguagem completou sua função, dirigindo-nos através e além de si mesma e de todo o reino da consciência mental. O silêncio eterno não é privado de nada, nem nos priva de nada. É o silêncio do amor, da aceitação incondicional e sem reservas. Sabemos que somos amados e, assim, podemos amar. A meditação nos leva a fechar esse círculo de amor. Abrindo-nos ao Espírito que habita em nossos corações e que a todos ama em silêncio, recomeçamos nossa jornada de fé, porque sempre há um novo começo para a eterna dança do Ser-em-Amor.



Dom John Main, OSB



Fonte: do livro "La Palabra Hecha Carne", London, Darton, Longman, Todd, 1993, pp. 29-30
Via: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana - http://wccm.es/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O PAI QUE ESTÁ NO LUGAR SECRETO


Jesus dizia: «Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai, que está lá no lugar secreto.» Como deve ser entendido este lugar secreto?... Quando o discípulo consegue criar em si o silêncio e a paz, quando ele tem necessidade de expressar ao Senhor o seu amor por Ele e quer comunicar-se com Ele, está, desde logo, no seu lugar secreto. Perguntais-me onde é esse lugar... Pode ser no coração, no cérebro, na alma... Na realidade, é um estado de consciência ao qual o homem consegue elevar-se. Estais a meditar, por exemplo, sobre verdades que ainda não conseguis apreender e, passado algum tempo, faz-se luz: vós compreendeis. O que se passou? De onde vos veio essa compreensão? O espírito a possuía, mas era um domínio que a vossa consciência ainda não tinha conseguido atingir. Portanto, é este o sentido das palavras de Jesus: pela prece, pela meditação, o homem deve entrar no seu lugar secreto, para aí receber revelações.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal